quinta-feira, 21 de julho de 2011

Pra ser muito competente, não precisa de espetáculo

Enquanto assistia Botafogo x Corinthians, eu pensava em como introduzir este artigo. Iria falar que dos últimos cinco jogos, o Timão havia vencido quatro por 1 a 0, mas o gol de Paulinho no finalzinho derrubou esta tese. A teoria caiu, mas o objetivo deste post não, que é falar de como a competência do Corinthians não precisa ser obtida dando espetáculo.

Vi quase todos os jogos do Corinthians no campeonato. Alguns atentamente, outros dividindo atenção ou acompanhando com menos afinco. Mesmo assim, pude perceber que o Corinthians deu apenas um espetáculo, que foi aquele 5 a 0 sobre o São Paulo. Houveram também aqueles jogos em que o time foi muito bem, como contra o Fluminense, o Vasco e o Internacional, apesar de vitórias apertadas nestes dois últimos.

O que espanta nesse Corinthians, além da regularidade, da invencibilidade e da defesa quase instransponível, é a calma que o time tem independente da situação do jogo. Quer esteja bem ou mal, o time não se apavora, não perde esse padrão. Chegou a um encaixe em um nível tão elevado, que ao assistir o jogo, você percebe que o Corinthians vai se dar bem, mesmo com todas as imprevisibilidades do futebol, né Tite?

A partida de hoje contra o Botafogo foi o fiel retrato disso. A começar pelo time que entrou em campo, que é a base do que vem dando certo. Encarar o time carioca fora de casa é tarefa complicada. O Botafogo, assim como o Inter que o Timão derrotou na quinta-feira, tem um sistema ofensivo rápido e de qualidade. Sem centroavante, o time do Rio aposta na velocidade para abrir a defesa. Mas é incrível como a marcação corintiana funciona. Começa lá da frente, com a participação importante e exuberante de Willian e Jorge Henrique na recomposição. Passa pela segurança dos volantes Ralf e Paulinho, até terminar lá atrás com Chicão e Castán, que tem executado papel brilhante.

O Botafogo pressionou, teve posse de bola, chutou a gol, chegou a assustar acertando a trave, mas não dava pinta de que iria marcar, porque a fase do Corinthians não permite isso. A fase lá atrás é fantástica, com apenas quatro gols sofridos, sendo somente um, UM nos últimos sete jogos.

E quando tudo resolve dar certo, tudo resolve dar certo. Na frente, as coisas também fluem. O Corinthians não é uma máquina que esmaga os rivais, mas faz o que tem que fazer, muito bem feito. Certas vezes cria muito, mas só marca um. Em outras cria bem pouco, mas também marca, como foi o caso de hoje.

Pressionado pelo Botafogo, o Timão chegava pouco no primeiro tempo. Se os cariocas tentavam de todo o jeito, os paulistas precisaram de um jeito só, com técnica e aplicação. Jorge Henrique veio fazer papel de meia e lançou Fábio Santos, que fez o que um lateral deve fazer, ir a linha de fundo e centrar. Quem chega? O atacante, ou melhor, o matador, Liedson estava lá no lugar certo pra só empurrar. Nada disso é incansavelmente treinado, mas as coisas parecem estar tão em sintonia, que de um toque em outro a bola cai no fundo do gol.

O gol que selou de vez mais três pontos veio depois de muito drama. Mais pressão adversária, lesão séria do Júlio César, time todo recuado. É claro que o risco de levar o empate ali era imenso, mas o risco de aplicar um contra-golpe mortal também era. Demorou, mas ele saiu e Paulinho jogou a pá de terra no Botafogo.

O Corinthians faz a campanha mais impressionante de todos os campeonatos por pontos corridos. Impressionante os 28 pontos em 30 disputados, mais ainda essa vantagem de sete pontos para o segundo colocado. Se o Corinthians tem cara de campeão e já possui essa gordura, os adversários tem muito com o que se preocupar. O campeonato é longo e todos tem altos e baixos. Uma hora o Corinthians vai tropeçar, mas quando? Pode ser tarde demais para os outros reagirem.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Messi, apenas um jogador comum na seleção argentina

Hoje tive a brilhante ideia de acompanhar três jogos ao mesmo tempo: Flamengo x São Paulo, Corinthians x Vasco e Argentina x Colômbia. Por ter apenas o som do jogo do Pacaembu, me atentei mais aos outros dois, dos quais dispunha de imagem. Mas com o passar do tempo e as circunstâncias, foquei no jogo da Copa América e no desespero dos hermanos em Santa Fé. E foi vendo o futebol de Messi que me fixei pra fazer este post.

A Argentina tem em seu time o maior talento do universo, mas Messi é apenas um jogador comum ali. Talvez pensar que ao invés de ter Xavi e Villa, ele tenha Banega e Lavezzi ao seu lado pode afetá-lo, mas é incompreensível o quanto o futebol dele some na seleção.

Hoje dá para se contar nos dedos o que ele fez de útil. Talvez a maior delas um passe em que Lavezzi parou na intervenção do goleiro. Sabemos que ele não tem o perfil de liderar uma equipe, mas a passividade que ele demonstra assusta. Quando recebia a bola hoje, eram dois colombianos marcando. Claro que é difícil vencer uma marcação rígida assim. Mas no Barça, pelo menos alguma vez dá certo e resulta em gol. Na Copa América, absolutamente nenhuma vez ele teve uma chance clara de gol. Ora perde a bola, ora passa errado. Os dribles, sempre curtos, são sem objetivo certo e os passes não tem aquela magia. O reflexo principal foi já no fim do jogo, quando o camisa 10 apareceu cabisbaixo, desolado, talvez pensando como todo aquele talento não dava frutos, como toda aquela expectativa em torno dele era dissipada durante aqueles 90 minutos.

Claro que Sérgio Batista tem enorme culpa neste marasmo que os donos da casa apresentam. Manter o limitado Banega e o só razoável Lavezzi em campo tendo Di María, Aguero e Higuaín no banco é coisa de quem não sabe o que está fazendo, mas ver Messi jogar isso é bem estranho.

Ele ainda pode incorporar o jogador que é no Barcelona e destruir nesta Copa América. Mas com a bolinha de hoje e sendo este jogador apenas comum e muito do razoável, Messi não vai tirar tão cedo essa pecha de jogador de clube e que some na seleção. Mais do que isso, permanecerá bem longe de ser um Maradona.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O Santos precisa ser Santos pra ser campeão

O Santos conseguiu um resultado espetacular em Montevidéu. Superou a pressão de torcida, estádio e adversário para garantir um empate que lhe permite jogar para vencer de maneira simples no Pacaembu na semana que vem e, assim, conquistar o tri da Libertadores. Mas pra isso, o Santos precisa ser Santos, mostrar em casa toda a sua força.

O jogo de hoje era visto como primordial. Ao Peñarol, ficava a esperança de atingir um placar capaz de segurar a pressão na volta, não conseguiu. É de conhecimento geral que os uruguaios não tem time de botar medo. A raça e a entrega foram fatores muito presentes nesta caminhada.

Usar isso hoje era o objetivo. Com um Centenário infalamado e apaixonado, os Carboneros tentaram impor o ritmo no começo do jogo. Usando o lado direito e tentando apostar nas investidas de Martinuccio, o time tentou tocar bem a bola e se aproveitar de uma bobeira santista. Foram mais ou menos 10 minutos de algum domínio, mas pouco para sequer assustar Rafael.

O Santos foi ganhando corpo e terreno para jogar. Cauteloso, poderia ter se aproveitado melhor. Sobrou espaço no meio. Elano, que mais uma vez ficou devendo na armação, não teve qualidade para fazer a transição. Restou a outra opção, o lado esquerdo. Com Neymar e Alexsandro surgiram os únicos chutes do Peixe no primeiro tempo. Neymar esteve abaixo do que dele se espera, mas não em uma má noite. Tentou criar, mas após tomar um amarelo por simulação parecia mais preocupado em não se expulso. O jogo foi muito pegado. No fim do primeiro tempo o Peñarol teve sua grande chance, que Dário Rodriguez errou.

O segundo tempo foi um pouco mais movimentado e só. Zé Eduardo teve duas grandes chances, na primeira chutou em cima de Sosa e depois não contou com a sorte no cabeceio. Mais uma vez o centro-avante foi mal. Pode até marcar o gol do título, mas pouco tem acrescentado.

E o Santos foi melhor em grande parte da etapa final. Pará não passava do meio campo porque o jogo do Peixe só se desenvolvia pelo lado esquerdo. Por ali, Neymar e Alexsandro atormentavam os rivais uruguaios, mas a bola não chegava em condições boas de conclusão.

Quando mais tinha o domínio, o Peixe permitiu que o Peñarol acordasse. A entrada de Estoyanoff acelerou o jogo e deixou o time mais acordado. Três boas chances foram criadas em uma pane estranha do time de Muricy, que deixou o adversário entrar em sua área com facilidade, seja tocando a bola ou a levantando pra área.

No fim, o Peñarol foi para o tudo ou nada. Teve gol bem anulado, uma chance ou outra mais aguda, mas nada que representasse real perigo ou provocasse calafrios maiores nos santistas. Fim de jogo e um resultado muito justo pelo futebol apresentado.

No Pacaembu, o Peixe é amplo favorito, mas não pode relaxar. O Peñarol eliminou todos os seus adversários fazendo o jogo de volta fora. Se não é um ótimo time, também não é bobo e vai saber usar muito bem o contra-ataque. Ao Santos, cabe colocar em prática sua superioridade técnica e seu futebol. Terá peças importantes voltando, a torcida ao lado e a oportunidade de colocar a bola no chão, impor seu ritmo e fazer seu jogo. Com isso, tem tudo para sair do Pacaembu com a taça na mão.

sábado, 28 de maio de 2011

Quem será o vice-europeu em 2012?

Prever o futuro é difícil. Mas vendo esse Barcelona jogar, dá pra imaginar que na próxima temporada, o domínio pode muito bem permanecer. O que os catalães fizeram em Wembley hoje, mostrou mais uma vez por que esse é o maior time dos últimos anos e já figura entre os maiores da história. O Manchester United é ótimo, mas nenhum time é páreo pra esse Barça, por mais que tente.

A final de hoje era muito aguardada. Para muitos, apenas os Red Devils seriam capazes de frear o time de Guardiola. E Ferguson, conhecedor disso, armou sua estratégia para o começo do jogo da melhor maneira possível. Com duas linhas de quatro, Rooney na ligação e Hernandéz mais a frente, o objetivo era apertar a marcação e tentar tomar a bola pra apostar na velocidade dos dois dianteiros. Evitar que a bola chegasse no envolvente passe do meio campo espanhol também era preciso.

Fazendo assim, o Manchester foi sim melhor nos primeiros 10, 15 minutos. Ao menos impediu os avanços adversários. Mas o gol não saiu. Aí o time perdeu o folêgo do início, já não conseguia mais marcar com eficiência e permitiu que o Barça crescesse no jogo. Então começou o massascre.

Tocando a bola, fazendo o jogo rodar e passando dos 65% de posse de bola, o Barcelona foi impondo seu estilo, dominando a partida e fazendo os ingleses apenas assistirem o jogo. As chances foram surgindo e o gol não demoraria a sair.

O erro do Manchester foi dar espaços. Seus zagueiros são ótimos, mas a proteção foi falha. E falha contra o Barça é suicídio. Deixarem o Xavi dominar a bola e carregar pela meia é pedir pra tomar gol. Era só esperar onde o espetacular camisa 6 colocaria a bola. Pra variar, ele foi perfeito e deixou Pedro mais do que tranquilo para balançar as redes e dar justiça ao placar.

Já parecia certa mais uma vitória tranquila do Barça. O Manchester foi se assustando, permitindo que os espanhois comandassem o jogo e a partida dava mostras de ser decidida rapidinho. Aí entrou um dos únicos fatores que podem complicar a vida de um time como esse, o talento. Claro que começou em um erro de saída dos Blaugranas, mas Rooney mostrou técnica e futebol para tabelar e concluir com precisão.

O gol veio em uma hora abençoada pros ingleses, que já não mostravam futebol. Era respirar e desfrutar do empate para, no intervalo, imaginar uma maneira de se recolocar no jogo.

Achei que o United viesse para o segundo tempo assim como entrou no jogo, marcando e sufocando. Talvez a intenção fosse até essa, mas desde o pontapé inicial, o Barcelona não deixou o rival nem ao menos pensar o jogo. Com o famoso toque de bola, paciência e técnica apurada, o time azul-grená foi comandando e só nos restou esperar os minutos pro gol sair. Ele veio com o maior do mundo e um dos maiores de todos os tempos. De novo o Manchester deu espaço na entrada da área. Messi percebeu, conduziu e acertou o gol de Van Der Sar, mostrando mais uma vez que é craque e decide quando precisa. Torço muito para que ele ganhe a Copa de 2014 sendo decisivo, pra de uma vez ser considerado um dos melhores, passando até mesmo Maradona.

Voltando ao jogo, a vantagem do Barça era merecida e faria o jogo voltar a sua normalidade. O Manchester pouco assustou. Sabia que se lançar a frente era sinônimo de goleada e continuou apostando em Rooney e Chicharito. O 'Shrek' não apareceu mais e o mexicano só deu as caras quando estava em impedimento.

Com seu futebol espetacular, o Barça então tratou de matar o jogo pra evitar qualquer susto, como no primeiro tempo. Villa recebeu e fez um gol com a cara de David Villa. Domínio, ajeitada e chute com curva, buscando o ângulo. Exatamente desse jeito aconteceu, um golaço e o caixão dos Diabos Vermelhos foi fechado.

Dali pra frente era mais festa e esperar o tempo passar. O melhor futebol do mundo, de toque de bola, qualidade, que encanta e é competente, vence mais uma. A base deve ser mantida pelos próximos anos e apostar em mais algumas taças da Champions League no Camp Nou não é loucura. Essa equipe pode atingir mais do que já atingiu.

domingo, 22 de maio de 2011

Uma estratégia executada com sucesso

A atual crise do São Paulo é a pior dos últimos anos. Queda na Copa do Brasil, técnico balançando, briga de Carpegiani com Rivaldo, lesão de Luís Fabiano e outros fatores que não fazem o time engrenar. Com a moral em baixa e repleto de desfalques, a estreia no Brasileiro contra o atual campeão Fluminense era vista com desconfiança. Por isso, a estratégia principal de Carpegiani era não perder. Um empate já estava bom. Se o time conseguisse executar jogadas com eficiência e sair vitorioso então, ótimo. E foi assim que o Tricolor saiu do Rio om os primeiros três pontos.

Xandão, Luis Eduardo e Rodrigo Souto. Wellington, Casemiro e Carlinhos Paraíba. Foi desse jeito que a equipe entrou em campo. Recheada de volantes marcadores e com muita cautela. Os primeiros 30 minutos de jogo foram pavorosos. Sem inspiração, o Fluminense não conseguia passar da barreira imposta. Na única que chegou, Deco perdeu grande chance. O São Paulo também não parecia ter válvula de escape. Os volantes, que poderiam sair para o jogo, não recebiam a bola, já que os zagueiros, visivelmente nervosos, só rifavam.

Quando a bola chegou em alguém que tem alguma técnica, a estratégia funcionou. Casemiro foi o meia que não existia e Dagoberto mostrou por que é o nome do time em 2011 ao marcar o primeiro. Gol fundamental para as pretensões de segurar, forçar o Flu ao erro e buscar o contra-golpe.

Rogério Ceni só trabalhou em chutes de longa distância. Isso porque o argentino Conca não jogou. Ele até estava em campo, mas apagado e anulado por Wellington, que foi um carrapato, o hermano não conseguiu trabalhar.

O segundo tempo, que talvez reservasse uma pressão do clube carioca em busca do empate logo tomou outro rumo aos 3 minutos. Do jeitinho que a estratégia previa, Lucas partiu em velocidade, fez linda jogada individual e marcou o segundo. O gol que caiu do céu e jogou o derradeiro balde de água fria no Fluminense.

Dali pra frente, o São Paulo não se preocupou mais. Buscando contra-ataques, poderia até ampliar, mas não foi necessário. Enderson Moreira demorou a mudar, mas nada surtiu efeito. A equipe seguiu apostando em ineficientes tiros de fora e bolas na área, que consagraram Luis Eduardo e Xandão. Sem paciência, a torcida não aguentou e o time de guerreiros virou time sem vergonha.

Sem ter nada a ver com isso, o São Paulo vence o jogo e larga bem na estreia. Isso ainda não faz a crise terminar, mas a ameniza um pouco e mostra que estratégias dão certo. Quem sabe as coisas não comecem a funcionar pelos lados do Morumbi.

sábado, 21 de maio de 2011

O Nacional mais imprevisível e equilibrado do mundo vai começar

O futebol gira em torno da Europa. Lá estão os melhores jogadores, times e estrutura. As ligas, totalmente organizadas, promovem conforto a clubes e estabilidade às equipes. Tudo isso é muito bonito e extremamente útil. Mas como o futebol é feito de emoção, é aqui no Brasil que temos o melhor campeonato nacional do planeta, cheio de equilíbrio e na maioria das vezes imprevisível.

Se na Espanha é Barça ou Real. Na Itália não foge de Inter, Milan e talvez a Juve. Na Inglaterra, Arsenal, Manchester e Chelsea monopolizam as últimas conquistas, aqui não, não há um campeonato que começa já sabendo que de um grupo de dois ou três vai sair o campeão. E amanhã, quando a bola começar a rolar, teremos ainda mais certeza disso. Vai começar o Brasileirão 2011.

Serão 38 rodadas quentes, e com pelo menos um jogão envolvendo dois gigantes do país por fim de semana, já aqui temos simplesmente 12 clubes de elite, mais os emergentes que sempre são gratas surpresas. Teremos também a volta de craques, times fortes e uma rivalidade única, que só o nosso Brasileirão pode proporcionar.

Os favoritos sempre existem. Como não destacar o atual campeão Fluminense, de Fred, Conca e agora sob a batuta de Abel Braga. Ou o Flamengo de Ronaldinho Gaúcho, Thiago Neves e Luxemburgo. No Rio, Vasco e Botafogo estão um patamar abaixo. Mesmo semifinalista da Copa do Brasil, o Vasco não faz suspirar e parece não ter folêgo. Igual ao Bota, que vem de campanhas boas, mas não consegue emplacar.

Na Terra da Garoa está o maior favorito. Com o rei dos pontos corridos Muricy e um time que sabe jogar muita bola, o Santos desponta hoje como um grandioso candidato. Claro que uma conquista da Libertadores brecaria um pouco o ímpeto, mas com a força que tem, o Peixe chega pra ganhar. Quem também é sempre forte é o São Paulo. Dono de 3 títulos na era dos pontos corridos, o Tricolor vem reformulado, apesar de crises e pressões. Em campo é um time de respeito, que quando chega, chega pra vencer. No Corinthians, a aposta é ainda arriscada. Sem se encontrar muito, o Timão não demonstra ser um dos que vão brigar pelas cabeças. Seja por Tite ou pelas deficiências do elenco. Mesmo assim, é o Corinthians e há de se respeitar. Mesma coisa com o Palmeiras. Em crise que parece não ter fim e órfão de um título brasileiro que não chega há 17 anos, o Verdão precisa primeiro se encontrar e se reestruturar, para então buscar coisas melhores.

Nas Minas Gerais, a expectativa é grande. O Atlético tem no papel e pelo que já apresentou no ano, um time para finalmente brigar por cima fazer parar de sofrer seu torcedor, que já se cansou de brigar por baixo. Título é um sonho distante, mas o Galo surge como força emergente. O lado azul de BH já é muito favorito. A equipe que talvez mais tenha encantado até agora no ano, o Cruzeiro viu acontecer uma catástrofe na Libertadores e dela quer tirar uma lição. Com um time muito forte e de qualidade, ao lado dos Meninos da Vila, a Raposa é perigosa.

Pelos lados de Porto Alegre, Inter e Grêmio provocam reações diferentes. Os Colorados também são favoritos fortes ao caneco. Batendo na trave há muito tempo, O Inter é, depois do Galo, o time que possui a maior fila. Com uma legião estrangeira, querem dominar o Brasil. O Grêmio é a equipe que não empolga. É valente, lutador, mas de longe é o de ótimas campanhas nos últimos anos. Na superação pode ir longe.

Estes são os doze gigantes. Mas como não mencionar Coritiba, Avaí e Ceará, semifinalistas da Copa do Brasil e possíveis surpresas boas nesta competição. As voltas de Bahia, Figueirense e América MG também dão todo um brilho especial a esta competição.

Amanhã será apenas o primeiro passo de uma caminhada longa e que premia o mais regular, aquele que se impõe e se mantém por mais tempo. Com emoção e equilíbrio, só nos resta sentar e aguardar, para ver de camarote essa disputa sensacional.

domingo, 15 de maio de 2011

O melhor time foi o campeão

Desde o ano passado o Santos vem sendo de longe o melhor time do Estado e do país. Neste Paulistão, o início com Adilson Batista foi conturbado, complicado e o encanto de 2010 parecia ter sido exterminado. Hoje, com Muricy, o time não é aquele de encher os olhos, mas ainda é o melhor e, com todos os méritos, conquistou o título.

Arrasado fisicamente e em uma maratona de jogos importantes absurda, nunca imaginei que o Santos fosse ter tanto domínio no primeiro tempo. Sem o maestro Ganso e o motorzinho Danilo, a bola da vez teria de ser o 'papai' Neymar. E foi sob sua batuta que o Santos aniquilou o Corinthians no primeiro tempo. Arouca marcou após bela trama de Léo e Zé Eduardo, e 1 a 0 foi muito pouco. Fosse mais competente nas finalizações e tivesse tido sorte no chutaço de Arouca na trave, o Peixe teria ensacolado e definido a fatura bem antes.

E por mais que se conteste Muricy, seu esquema de jogo e por aí vai, ele tem um mérito espetacular nesse time, arrumar a defesa. A zaga que era uma peneira, tá cada vez mais segura. Durval e Dracena foram soberanos hoje, não perderam uma. Adriano então, fez uma partida fabulosa. Marcando firme e na bola, foi um leão. Arouca hoje teve mais liberdade e com isso, marcou seu primeiro gol com a camisa santista. E com a defesa arrumada, o ataque se diverte.

O mais lamentável de hoje foi o primeiro tempo do Corinthians. Começou com o erro grosseiro de Tite em manter Dentinho no time titular e deixar William no banco. O Timão assistiu o adversário jogar. Sem pegada, sem raça e sem técnica, saiu pro intervalo agradecendo aos céus por não ter tomado muito mais. Tudo bem que o time é fraco, Fábio Santos, Leandro Castán, Paulinho e por aí vai, são muito abaixo do nível Corinthians, mas quem podia aparecer sumiu.

O segundo tempo começou com o Corinthians sendo um pouco menos medroso e tentando ao menos mostrar que estava em uma final. Tite finalmente acordou e alterou o que devia ter feito de início, mas depois mostrou porque é um técnico extremamente defensivo e nem um pouco ousado. Tirar Bruno César por Morais precisando de gol é dose.

O Santos puxou o freio de mão. Desgastado, o time tocou bola em busca de um contra-ataque que matasse o jogo. No momento em que mais passava um sufoco e via o Corinthians se animar, o craque apareceu. Neymar levou, lá pela esquerda, na dele. Chamou a marcação e achou aquele espacinho, suficiente pra ir pro gol e contar com uma falha absurda de Julio César. O mesmo que errou feio no jogo final do Brasileirão do ano passado e ajudou a tirar a vaga direta para a Libertadores. É um jovem valor e esforçado, mas não é um goleiro a nivel de Corinthians. Bola na rede e festa de Neymar.

Na sequência, outro gol estranho. Falta batida por Morais e Rafael viu a bola ir passando. O gol que até deu uma ponta de esperança pro Corinthians, sanada minutos depois com o apito final do árbitro, discreto por sinal, não comprometeu em nada. E quando o juiz não aparece, quer dizer que foi bem.

Assim, o melhor time foi campeão. Do craque Neymar, do iluminado Muricy. Assim como no ano passado, a dobradinha é mais do que possível. A Libertadores pro Peixe é um sonho muito próximo.

Já o Corinthians caiu para um time superior. Não dá para achar que é o fim do mundo, mas ter tal atitude em uma decisão do campeonato é deplorável. O Brasileirão vem aí e mudanças devem ocorrer, se o Timão quiser mesmo alguma coisa na competição nacional.

domingo, 8 de maio de 2011

O alto risco que Muricy quis correr pode custar muito caro ao Santos

Sem Ganso, o Santos pode ver Paulistão e Libertadores irem pelo ralo
(Miguel Schincariol - Lancenet!)
Ganhar um Campeonato Estadual em cima de seu maior rival é algo ótimo e todos os times gostariam de ter tal oportunidade. Mas e quando se tem, aleatoriamente, uma competição continental, de muito mais importância e visibilidade, que vale vaga para um confronto futuro contra Manchester United ou Barcelona? Vale a pena correr riscos querendo ganhar os dois e poder ficar sem nenhum? Esta pergunta é bem complexa e as opiniões variam. Muricy Ramalho, técnico do Santos, resolveu assumir os riscos e colocou o que tinha de melhor no duelo contra o Corinthians, exceto Léo e Arouca, que não podiam jogar mesmo.

Tudo caminhava de maneira normal. O Corinthians, contando com o apoio da torcida, começou com mais ímpeto e tentando se aproveitar do desgaste que a equipe do Litoral vem sofrendo, ainda mais depois da batalha dentro de campo e da longa viagem do México. Fosse um pouquinho mais competente e forte, o Timão teria aberto vantagem hoje.

O Santos entrou com o pretexto de segurar o jogo, atuar com a bola nos pés e calma, muita calma. Correria não combinava com o time da Baixada hoje. Assim, o duelo dos alvinegros ficou restrito a apenas dois lances de real perigo na etapa inicial, ambos em sequência. Primeiro foi Neymar, que usou de todo seu repertório de habilidade para achar um espaço entre a defesa, mas parar na trave. No contra-ataque, Bruno César fez tudo certinho, mas na hora de chutar, a bola subiu demais. O Corinthians parava em suas limitações e o Santos em seu extremo desgaste.

Quando o apito já ia soar para o intervalo, Muricy viu que sua aposta poderia sair muito errada. Ganso dividiu no meio e caiu, já colocando a mão sobre a coxa. Tentou voltar, mas não deu. A lesão foi forte, claro, apoiada também pelo cansaço, de quem atuou em quatro decisões em 10 dias. Muricy disse no desembaque de Querétaro, que o time estava arrebentado. Elano sentiu na pele no sábado passado contra o São Paulo. Hoje foi o maestro, o craque, o cérebro da equipe quem saiu. Azar gigante do Santos, que podia perder, com todo o respeito, um Danilo um Zé Eduardo, mas perdeu Ganso.

O segundo tempo do jogo foi muito mais animado e empolgante. O Corinthians tentou apertar. Nas mudanças, Tite foi bem em uma e péssimo na outra. William tardou, mas entrou. Tá mais do que na hora de ser titular. Mas entrou também Morais, que pouco acrescenta. Bruno César poderiam continuar sendo mais útil. Do lado do Santos, sem o camisa 10, o outro craque resolveu chamar a responsabilidade. Neymar foi dando baile e cansando os pobres Chicão e Wallace. Parou novamente na trave e deu o gol para Danilo, que Chicão salvou antes da linha fatal. Faltou pouco para o Santos vencer. Assim como faltou para Liedson, que encontrou a trave nos momentos finais.

O empate acabou justo. Talvez um 1 a 1 fosse mais merecido. Tudo continua indefinido. O Corinthians tem toda a semana para acertar o time e buscar uma estratégia que o faça sair do Urbano Caldeira com o título. O Santos tem o fator Vila como trunfo, mas tem também uma semana decisiva, com viagem para Manizales e um jogo durissímo contra o Once Caldas. Sem Ganso, que fica fora dos gramados por um bom tempo. O risco que Muricy quis correr e pode acabar pagando muito caro.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Uma noite que beira o inacreditável

Ver equipes brasileiras eliminadas na Libertadores logicamente não é nada anormal. Mas o que se viu na noite desta quarta-feira beirou o inacreditável. Até às 19h30 de hoje, quando o Internacional começou seu jogo contra o Peñarol, duvido, mas duvido mesmo, que alguém chegou a cogitar a queda dos quatro no mesmo dia.

A 'zica' começou no Beira Rio. Tudo parecia maravilhoso para o Inter quando o Oscar fez 1 a 0 logo no primeiro minuto. O time tinha a vantagem, o apoio do torcedor e com tranquilidade, só precisaria administrar. Veio o segundo tempo e bastaram 13 segundos para os uruguaios empatarem. Ali, a lembrança do Mazembe retornou à mente dos colorados. E na sequência, o Peñarol virou. É impressionante como brasileiro se desespera em momento tenso. Nesse quesito, uruguaios e argentinos nos dão um banho. Quando a coisa apertou, o Inter não teve a competência de Leandro Damião, a técnica de um D'Alessandro e nem o talento de um Oscar. Falcão sentiu na pele e viu que, muitos anos depois, a tarefa de ser treinador permanece inglória.

Depois foi a vez do Grêmio. Após perder no Olímpico e recheado de desfalques, esta eliminação para o Universidad Católica já eram favas contadas. Não foi surpresa, só serviu para entrar na estatística. O detalhe é o velório que se desenha em Porto Alegre nesta quinta-feira. Ambos sonhavam com um duelo pela Libertadores, mas agora abrem os olhos e veem que os sobrou apenas a decisão do 'disputado', 'incrível' e 'fascinante' Gaúchão.

No Paraguai, o Fluminense entrou com uma vantagem bacana e difícil de ser tirada. Ainda mais quando se vê que é o Fluminense. Dono de façanhas históricas como a classificação na primeira fase, quem imaginaria que o Libertad reverteria a vantagem. Como dizem, tudo que é demais, uma hora acaba. Assim foi com a cota de milagres do Fluminense, que experimentou do próprio veneno e viu os paraguaios reverterem com muita luta. Pior para o time de Conca, Fred e Cia, é ter levado todos os gols do 3 a 0 no segundo tempo, quando já parecia administrada a classificação. Ter tomado o primeiro gol na falha de Ricardo Berna ajudou a desesperar os cariocas, que nem um pouco lembraram o time de guerreiros.

Fechando a noite trágica, Sete Lagoas. Melhor campanha da 1ª fase, goleada em todo mundo, até mesmo no algoz Estudiantes. Vitória por 2 a 1 em Manizales e vantagem mais do que considerável para receber e atropelar o Once Caldas em Minas. E o mais difícil, aquela que quando eu vi, eu custei a acreditar, o Cruzeiro caiu. Roger foi estúpido, bateu até receber o vermelho. Jogar com 10, por mais difícil que seja, ainda não parecia prejudicar a equipe celeste. Mas a bola não entrava, o time não rendia e o Once Caldas, que já aterrorizou brasileiros em 2004, marcou o gol.

Quem entrou em cena? Sim, o desespero. Os jogadores cruzeirenses nitidamente perceberam que a eliminação, até então inimaginável, poderia virar realidade. Assim, encarnaram o estigma de seu treinador, Cuca. Medroso e perdedor. Não deu outra, o fraco, mas nem um pouco bobo Once Caldas fez o segundo. Aí a vaca foi pro brejo, tudo desandou e a campanha, que era perfeita, não valeu de absolutamente nada. Ou melhor, serviu sim, para representar o quão grandiosa foi a vergonha passada pela equipe. Mais uma vez a melhor campanha de uma 1ª fase não vale título.

Feito isso, o torcedor santista ri à toa neste momento. Com os brasileiros, talvez maiores rivais, de fora, o time de Neymar e Ganso tem grandes chances de buscar o tri. Basta ter calma, aprender com os erros dos conterrâneos e agradecer demais à Conmebol por ter marcado o jogo para terça, fugindo da quarta-feira sombria.

terça-feira, 3 de maio de 2011

A árdua missão santista no México

Animado, mas muito cansado. Assim chegou o Santos em Querétaro, no México para a disputa da partida mais importante da equipe no ano, o jogo de volta das oitavas de final da Libertadores contra o América. Talvez o desgaste excessivo no clássico de sábado possa trazer mais prejuízos ao time, que já não tem Elano, lesionado. Mesmo assim, o ânimo de uma classificação pode muito bem abastecer o Peixe rumo à vaga.

Após os problemas na chegada, o time de Muricy chega mesmo apenas com o desfalque do importante Elano. Importante sim, mas não é um desfalque que traga tantos malefícios, quanto seria uma falta de Neymar ou Ganso. Muricy não fez mistério e já confirmou, Adriano será o titular. Ele será o cão de guarda, liberando Arouca e Danilo para sair para o jogo e dando liberdade para Ganso armar. Assim, a equipe jogou contra o Cerro Porteño, e de lá saiu com o resultado positivo.

Danilo também faz importante dobradinha com Jonathan pela direita. Dali podem sair jogadas boas. O outro lado, bem servido com Léo e Neymar também é caminho para o jogo santista. Será primordial abrir a defesa adversária e buscar, na velocidade de seus atacantes, chegar a pelo menos um gol, que desesperaria o América e deixaria tudo mais fácil.

Os mexicanos vão muito animados também. Pareceu estranho a primeira vista a comemoração dos atletas no apito final do árbitro no jogo da Vila. Mas o mínimo 1 a 0, fora de casa, foi visto com muitos bons olhos pelos jogadores do América. A preocupação ali era clara. Perder de pouco, garantir a classificação no torneio caseiro no fim de semana e ir com tudo para cima do Peixe. Até o momento, o script está sendo bem seguido, falta faturar a classificação amanhã.

E é apostando na pressão que o América deve jogar. Se não tem o Azteca, com seus milhares de torcedores apoiando, a equipe deve ter muita ajuda mesmo em Querétaro. Segurar o ímpeto adversário no início é a tarefa primordial do Santos. Ter tranquilidade e fazer o jogo virar contra o América, que não é um primor de time. Quem viu algo dos jogos contra o Fluminense na primeira fase, viu um time até arrumadinho e esperto, mas muito longe de ser páreo para os Meninos da Vila. O fato de jogar em casa e ter o time completo é o que pode assustar a equipe brasileira.

Muricy e seu time sabem que o placar da ida foi pouco. A pressão e a disputa serão intensas e complicadas, mas jogando a bola que sabe, o Santos tem tudo e mais um pouco para sair do México classificado e já vislumbrando espetaculares confrontos contra o Cruzeiro pelas quartas de final.

domingo, 1 de maio de 2011

Um digno e verdadeiro Palmeiras x Corinthians

Depois de tanta emoção, Julio César garantiu a vaga para o Timão
(Créditos: Tom Dib - Lancenet!!)
Talvez São Paulo x Corinthians seja o clássico que mais tomou grandes dimensões nos últimos anos, ou Palmeiras x São Paulo seja aquele que provoca ódio mortal entre os times. Não se discute que são dois grandes jogos, mas Palmeiras x Corinthians é diferente, transcede a todos estes. O que se viu hoje no Pacaembu foi a prova viva de quanto esse clássico ainda é espetacular. No fim, deu Corinthians, após tudo o que podia ter acontecido acontecer.

Muitos gostam de ver clássicos com muitos gols e alto nível técnico. Mas eu parto de uma teoria diferente. Claro que ver gols é o máximo, mas sou muito mais ver um jogo com o de hoje. Briga, discussão, expulsão, pegada e muita, muita emoção, externada de vez na disputa de pênaltis.

Em campo, as equipes entraram como de costume. O Palmeiras cauteloso na teoria e o Corinthians apostando na velocidade e tentando surpreender o adversário, dono da melhor defesa do campeonato.

Foi um jogo nervoso desde o pontapé inicial. O Palmeiras, empurrado pela torcida, fez uma coisa que não costuma, agredir o adversário. Valdívia parecia querer chamar o jogo no início, com chutes, dribles e movimentação. Sempre batendo de fora da área, o Palmeiras tentava chegar. O Corinthians, mais atrás, buscava um contra-ataque veloz.

O início até promissor e melhor do Palmeiras se transformou em preocupação em dez minutos. Primeiro foi Valdívia. O chute no vácuo foi inútil, imbecil, desnecessário. A perna não aguentou e o Mago, esperança de desequilíbrio para o time, saiu do jogo, mostrando porque não pode ser considerado um fora de série, apesar de jogar bem.

Expulsão e confusão: Isso não podia faltar
(Créditos: Tom Dib - Lancenet!)
Depois veio o lance polêmico do jogo. Danilo dá um carrinho forte em Liedson. Paulo César Oliveira, contestado dias antes do jogo, não teve dúvidas e expulsou o zagueiro alviverde. Versões variam para o lance. O carrinho foi forte, perigoso, mas atingiu primeiro a bola. Liedson também não foi santo, deixou o pé por cima. Poderia ter amarelado os dois, expulsado os dois ou não ter feito nada. Mas isso não foi o preponderante na eliminação palmeirense.

Depois veio a expulsão de Scolai. Quem tem uma experiência como a de Felipão não pode se comportar daquela maneira. Tudo bem que é jogo decisivo, sangue quente e sentimento de injustiça, mas sempre o treinador é o reflexo de sua equipe e não é de hoje que o gaúcho dá seus chiliques. Isso só 'pilha' mais seu time.

Já no segundo tempo, o futebol resolveu tomar o primeiro plano. Muito equilibrado, o jogo ganhava ares de emoção a cada minuto. Melhor postado, apesar de ter um a menos, o Palmeiras chegou como havia de chegar, na bola parada. Leandro Amaro subiu bem e desviou cobrança de escanteio de Marcos Assunção para abrir o placar.

Era o que precisava o Palmeiras. Com a vantagem, o time que sofre poucos gols só precisava continuar fazendo o que mais sabe, se defender. Do outro lado, Tite teve que arriscar. O Corinthians não tinha vibração, não demonstrava técnica. Quando o técnico raciocicou e colocou William, que por sinal devia ter entrado desde o início, o time ganhou alguma força ofensiva. Só que foi com a bola parada que o empate veio, com o atacante predestinado.

O empate voltou a trazer emoção e a expectativa de pênaltis. O Palmeiras não se abateu e foi melhor nos últimos minutos, mas um clássico como esse tinha que ter mais essa pitada sensacional de emoção: a bola na marca da cal.

Aí nos pênaltis, é só emoção, angústia e torcer demais. Claro que quase todos bateram bem demais. Deola só saltou de um lado. João Vitor cobrou mal e fez Julio César ser heroi. Mas no fim das contas, deu Corinthians.

Se para muitos, o Palmeiras foi melhor, só mais um ingrediente, não é sempre que os que jogam melhor ganhamm, principalmente em um Palmeiras x Corinthians.

quinta-feira, 31 de março de 2011

O vexame e a vergonha sempre podem ser maiores

Quem vê a foto deste time de 78 sonha com dias melhores


Neneca, Mauro, Gomes, Edson e Miranda; Zé Carlos, Renato e Zenon; Capitão, Careca e Bozó. Todo o torcedor bugrino de coração conhece de cor e salteado essa escalação comanadada por Carlos Alberto Silva. O time, campeão brasileiro em 78, após vencer os poderosos Internacional, Vasco e Palmeiras na fase final, deu a maior glória da história para a equipe a rotulou como 'Único campeão brasileiro do interior'. O clube quase foi bicampeão nacional e quase venceu o Paulista na década de 80. Não só competitivo, o 'Bravo Bugre' também já foi um celeiro de bons jogadores. Luizão e Amoroso foram dois gênios que passaram pelos gramados do Brinco de Ouro da Princesa.

Mas administrações ridículas, times mal montados, falta de dinheiro e principalmente, falta de amor e respeito à camisa alviverde fazem o Guarani se afundar cada vez mais. Não bastasse os rebaixamentos e a falta de competitividade, o clube ontem protagonizou mais uma mancha em sua linda história. O Guarani conseguiu a proeza de ser eliminado pelo Horizonte do Ceará. Com todo o respeito do mundo ao time nordestino, mas em hipótese alguma o Guarani poderia passar tamanha vergonha. Quem é o Horizonte no cenário nacional. Se for a 4ª força do futebol cearense é muito. E o Guarani se presta a mais essa eliminação pavorosa.

Claro que time por time, o Horizonte pode até ser melhor. O elenco bugrino é fraco, digno da posição que infelizmente ocupa hoje, a segunda divisão tanto nacional, quanto estadual. O time, que ainda consegue arrastar alguns fanáticos a seu estádio (campo esse que está em vias de ser vendido, em mais uma 'proeza' das diretorias que passam por ali). A promessa é de que se desfazer deste patrimônio histórico, o palco da maior glória da equipe, renderá dinheiro e fim das dívidas. Mas conhecendo a atual situação do clube, é difícil acreditar.

Só para entristecer e machucar ainda mais o coração bugrino, é ano de centenário. E ele acontece neste sábado, dia 2. A maior festa está preparada, com fogos, passeata. Mas pra quê? Existe algum tipo de coisa a se comemorar? A única coisa a fazer é lamentar e tentar sonhar com dias como do passado. E tentar, na série A2, conseguir o acesso e pelo menos remediar um pouco os vexames sucessivos protagonizados pelo Guarani. Nunca uma festa de 100 anos foi tão triste. A instituíção Guarani, seus torcedores e sua história não merecem tudo isso. Quem já foi ao Brinco de Ouro e já viu aquele tobogã balançar se entristece. O Bugre é grande, definitivamente não merece sofrer pelas burradas de quem o comanda.

Mas que se comemorem os 100 anos. Mais uma vez se repense tudo o que há de errado. Que o bugrino possa sonhar com dias melhores, com um time competitivo, capaz de se manter em um campeonato sem risco de rebaixamento, saber que a equipe que entra em campo tem condições de vencer e não vai passar sufoco contra Horizontes da vida.

O futebol precisa disso, precisa que o MAIOR CLUBE DO INTERIOR DO BRASIL volte a ser grande.

domingo, 27 de março de 2011

Reverências a quem merece


No artigo anterior mencionei todos os ingredientes que faziam o clássico deste domingo ser imperdível. Para alegria e satisfação daqueles que gostam de futebol, o Majestoso foi espetacular. Não pelo 1º tempo, mas por uma etapa final fantástica, mágica e imortalizada aos 8 minutos, quando o maior goleiro artilheiro do mundo cruzou o gramado da Arena Barueri, ajeitou a bola com carinho, a colocou no ângulo e escreveu mais uma vez seu nome para a eternidade.

Mas antes disso a bola ainda rolou. Tite manteve o time dos últimos jogos, apostando nos três atacantes e a chegada de Morais. Já Carpegiani mudou muito a equipe. Casemiro deu lugar a Rodrigo Souto, responsável por segurar a onda na cabeça da área e marcar principalmente o 10 corintiano. Outra novidade foi Ilsinho, que substitituiu Marlos, com a incumbência de dar dinâmica pelo lado direito.

E se a expectativa era de grande jogo, o primeiro tempo ficou devendo. Muitos passes errados, forte marcação, pouca objetividade e nenhum dos dois times se arriscava muito. Apesar de dominar amplamente o começo do jogo, o Corinthians não assustou de fato e deixou o jogo equiilibrar. Do lado corintiano, Morais não fazia a bola chegar. Jorge Henrique e Dentinho também tinham dificuldades em municiar Liedson, que pouco fez na etapa inicial. Na única chance que teve, impedido, parou em Rogério.

O São Paulo repetia os erros de quarta-feira. Muitos passes errados, pouca chegada pelos flancos. Jean e Junior César eram nulos, Ilsinho inventava uma ou outra jogada de efeito, sem sucesso. Fernandinho não conseguiu suas jogadas pela esquerda. ma das grandes chances foi em chute despretensioso de Rhodolfo.

Quando resolveram se arriscar, finalmente algo saiu. Paulinho mandou uma bola por cima do gol são paulino. Do lado tricolor era Dagoberto quem arriscava. Na 1ª, a bola passou perto, mas em seguida, o pé calibrado do 25 funcionou. Erro grave da defesa corintiana, que deu todo o espaço pro atacante bater forte no canto.

Um primeiro tempo bem fraquinho, que talvez nem merecesse vencedor, mas com certeza o gol foi fundamental, faria a etapa final ser bem mais movimentada, e ela foi.

Como era de se esperar, o Corinthians foi pra cima. Jorge Henrique teve a primeira grande chance, mas parou em milagre de Rogério. Apesar de ser goleiro e ter como tarefa defender, o que mais a torcida tricolor queria ver era outra coisa. E aos 8 minutos a oportunidade veio. Fernandinho e a falta na meia esquerda. Propícia, ótima, a grande chance. Confesso que não imaginei que Rogério fosse acertar assim logo na primeira. Mas esse cara tem o dom de surpreender e fazer o que ninguém espera. A barreira pulou, Júlio César saltou, mas o dia era dele, do capitão, do M1TO, do ídolo, de Rogério Ceni. Golaço, o centésimo, que alegrou e até fez chorar os são paulinos. Méritos a quem merece. Não é por sorte, Ceni treina, treina, batalha e é merecedor de tudo o que conseguiu, ser o maior goleiro artilheiro do mundo e campeão de tudo.

Parece que a empolgação pelo 100º contagiou a todos. O jogo cresceu de maneira incrível. Tite colocou Ramírez, William, tentando fazer a bola chegar com mais qualidade. Ânimos exaltados, Alessandro se destemperou e acertou um carrinho violento em Dagoberto. Dois gols de vantagem e um a mais em campo, especulava-se que a parada estava concluída, mas do outro lado era o incansável Corinthians. Dentinho aproveitou cobrança rápida de falta e descontou em outro belo chute de fora.

O jogo então ganhou contornos de drama. Dagoberto se enroscou com Castán, levou outro amarelo e foi expulso. Era o estopim que o Corinthians precisava para jogar água no chope são paulino. O Timão se empolgou e alugou o campo de ataque. Mas aí foi Dentinho quem atrapalhou tudo. Lance ridículo, que prejudicou demais o time. Sem necessidade o chute em Rodrigo Souto.

Marlos e Rivaldo entraram no São Paulo. O Corinthians seguiu tentando, atacando e parando em Ceni. O empate não saiu, mas se saísse, era pra debitar na conta de Marlos, que, por ser fominha, abusou dos erros em contra-ataques.

Apesar da pressão, o Tricolor se segurou. Venceu, quebrou um tabu incômodo de mais de 4 anos e mais do que tudo, viu seu maior ídolo marcar história contra o maior rival.

Até porque ele merece demais.

sábado, 26 de março de 2011

Gol 100 de Ceni, tabu e liderança, o Majestoso promete

Elias foi o principal carrasco do São Paulo durante estes 4 anos. Sem ele, o Corinthians mantém o tabu
ou o São Paulo se livra da freguesia?
Em condições normais, São Paulo e Corinthians já seria de longe o grande jogo desta 16ª rodada do Paulistão. Só que, para apimentar ainda mais o clássico e deixá-lo imperdível, teremos três ingredientes capazes de fazer a expectativa com relação ao jogo subir demais.

A primeira delas envolve diretamente a tabela. Líder com 34 pontos, o Timão praticamente se garante na ponta da tabela com uma vitória domingo, já que os adversários até o fim desta fase não são tão assustadores, e ficar na ponta é de suma importância, já que dá vantagens nas fases seguintes.

E é por isso que o São Paulo também entra com este objetivo. Era líder, mas o tropeço contra o Paulista, que empurrou o Tricolor para 3º, com 31 pontos, obriga a equipe a vencer para tomar o lugar do rival. Além disso, ainda precisa passar o Palmeiras. O Verdão assiste tudo de camarote, já que joga neste sábado.

A festa está pronta, só falta
o gol do capitão
 Outro item que movimenta o Majestoso é o tabu. Invencibilidades longas tem sido rotina neste clássico. Primeiro foi o São Paulo, que passou 4 anos e meio e 14 jogos sem perder para o rival, maior série invicta da história. Entre os triunfos, esteve aquele 5 a 1 no Pacaembu e inúmeras quedas de técnicos alvinegros.

Mas 'a maldição de Betão' em 2007 fez a freguesia mudar de lado. Se aquele gol não alterou em nada o rumo daquele Brasileirão, já que o São Paulo mesmo derrotado foi campeão e o Corinthians rebaixado, serviu para abrir uma série impiedosa do Corinthians. Tudo bem que o tabu começou no primeiro turno, com o empate em 1 a 1, gols de Dagoberto e Zelão, mas foi aquele jogo que serviu de estopim. Desde então, o Corinthians passeia nos clássicos. Como se esquecer das duas semifinais do Paulistão de 2009, com direito à golaço de Ronaldo, ou os 3 a 0 do Brasileirão de 2010, com show de Elias. Para alívio dos tricolores, o volante/meia, principal carrasco desta série, já não está mais no Timão. São mais de quatro anos de freguesia, sete vitórias corintianas e quatro empates. A Fiel espera aumentar a série, enquanto os são paulinos esperam desesperados por uma vitória.

Se mantiver a média,
tem gol de Liedson domingo
Por fim, surge o ingrediente mais recente, o gol 100 de Rogério Ceni. A FIFA considera 97, mas bobagem descartar amistosos, então ele tem 99. E pode chegar a marca centenária contra o arquirrival na Arena Barueri. Rogério marcou apenas duas vezes contra o Corinthians, é o rival que menos sofreu 'nos pés' do goleiro artilheiro. Domingo ele tem uma grande chance. Júlio César tem plena noção de que faltas perto da área podem ser fatais. Se não tem a mesma precisão de anos atrás, os gols contra Linense e Portuguesa neste Paulistão mostram que ainda existe pontaria. Mas se não vier de falta, pode vir de pênalti, Castán e Chicão que se cuidem com Dagoberto e Fernandinho, um toque pode ser letal. Mesmo sem Lucas, o São Paulo é veloz, toca bem e chega fácil no gol. Se o pé estiver calibrado, dará trabalho.

E a zaga tricolor fique muito esperta também, pois tem sido impossível parar Liedson. Marcar 10 gols em nove jogos é para poucos, muito poucos. Na fase em que está, o Levezinho aparece como principal protagonista do Timão. Se a bola chegar e ele tiver espaço, a rede balança. Por isso, o duelo entre a ótima linha de zaga formada por Rhodolfo/Alex/Miranda contra o rápido e incisivo ataque corintiano tem tudo para ser ótimo.

Ainda poderia me alongar falando da eterna briga de bastidores entre as duas diretorias, que culmina até mesmo em apresentações simultâneas dos astros Luís Fabiano e Adriano no Morumbi e no Parque São Jorge, respectivamente. Mas isso é papo pra outro post, o que mais importa é o que vai rolar dentro das quatro linhas, e a promessa é de coisa muito boa, já que sobram ingredientes para fazer ferver a Arena Barueri.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Twitter: Ferramenta para interação ou polêmica?

Twitter: Diversão que tem trazido desavenças no mundo do futebol
(Reprodução)
Se você é um assíduo usuário da rede mundial de computadores, certamente possui pelo menos duas destas quatro grandes redes sociais: MSN, Orkut, Facebook e Twitter. Tem aqueles que utilizam todas elas, como este que vos tecla, seja pra assuntos pessoais, profissionais, troca de informações, etc.

Como não podia deixar de ser, o mundo se inseriu nesta rede e cresce a cada vez mais. No esporte, estas mídias sociais são além de diversão, também de fundamental importância para a informação. O que sai no twitter, está em um portal de notícias 10 minutos depois e aparece como manchete de jornal no dia seguinte. Há os que utilizam para fins de diversão, conversa com amigos, familiares que estão longe, ou até mesmo uma aproximação com o fã. Outros, como o presidente do Atlético MG, Alexandre Kalil, preferiam revelar as contratações do Galo primeiramente no twitter. O órgão de imprensa que fosse mais rápido publicava primeiro.

 Atletas, dirigentes, jornalistas, redes de notícias, todos possuem sua página. Porém, uma coisa que deveria servir apenas como hobby, tem se transformado em fonte de polêmica no mundo do futebol nas últimas semanas. Usando só o Brasil de base, vemos alguns entreveros acontecendo.

Após a eliminação para o Tolima na Libertadores, o hoje aposentado Ronaldo reclamou do comportamento dos torcedores do Corinthians, que exageraram nas cobranças. Neto, um dos ídolos alvinegros, retrucou dizendo que o Fenômeno ganhava demais e fazia pouco. Após uma troca de 'elogios', ambos resolveram apelar. Ronaldo lembrou do caso de Neto e a cusparada que deu no árbitro José de Assis Aragão, dizendo que o ex-meia não tinha caráter. O comentarista da Bandeirantes não deixou por menos e 'twittou' para todo mundo ver, a 'aventura' de Ronaldo com três travestis, sendo que um deles morreu de AIDS. Ambas as partes pararam ali as acusações. Depois, Neto veio á imprensa afirmar que conversou com o Fenômeno e a situação estava resolvida.

Outro corintiano que se complicou foi Jucilei. Alvo de cobranças excessivas. assim como todo o time após o fiasco na Libertadores, ele resolveu ironizar a Gaviões da Fiel, torcida organizada do time, que foi uma das que mais 'pegaram no pé'. Após a derrota da escola de samba no Carnaval, o volante questionou o por quê da não vitória, já que fizeram pressão para o time ganhar, mas eles também não conseguiram sucesso. Choveram xingamentos e questionamentos ao jogador, muitos deles exaltados da torcida. Ciente da besteira que cometeu, inventou uma desculpinha de que haviam invadido sua conta. Menos né Jucilei, depois que fez, não adianta se lamentar, nem procurar explicações. Não creio que a Gaviões vá tomar alguma atitude drástica, mas que isso ficará marcado em uma possível volta dele, não há dúvida.

Outro que usou o twitter pra desabafar e 'falar demais' foi Alex Silva. Quando usava a ferramenta apenas para agradecer a torcida e fazer juras de amor ao time ótimo. Mas a partir do clássico contra o Palmeiras, o zagueiro perdeu a noção. Primeiro chamou Valdívia para a briga. Depois reclamou de não ter sido escalado para o jogo contra o Ituano. Sempre com palavras que deixavam claro seu enorme descontentamento. Carpegiani não gostou nem um pouco e costuma não tolerar mais de uma indisciplina. É bom Alex se conter, pois por mais bom que seja, paciência tem limite.

A última aprontada por jogadores foi nesta quinta-feira. Machucado e ausente das duas últimas partidas do Palmeiras, Kléber foi visto nos camarotes do Carnaval em São Paulo. Felipão desaprovou a atitude, pediu profissionalismo e disse que jogador lesionado devia se tratar e não ir para a festa. Todos sabem como o 'Gladiador' é esquentadinho em campo. No twitter não foi diferente. Resolveu abrir a boca e falou tudo. Disse que segurou a onda sozinho por dois meses e Felipão nem elogiava. Disse que o treinador jogava tudo para a imprensa e que brigava com os atletas, mas protegia treinador rival. (Ele falava de Tite, já que Luís Felipe disse que se pudesse perderia o clássico para ajudar o amigo. E o Palmeiras foi derrotado.). O comandante palmeirense fez que 'passou por um ouvido e saiu pelo outro'. Hoje Kléber pediu desculpas, quis se retratar. Mas a relação dele com Felipão não será a mesma, se desculpando ou não.

Depois de tudo isso fica a dúvida: Será que os times devem coibir ou orientar seus atletas quanto ao uso destas ferramentas? Que o twitter é importante e útil, não há dúvidas, desde que usado de maneira correta. Mas se jogadores não usarem a cabeça para interagir nestas redes, muito mais polêmicas aparecerão. E nisso, o futebol dentro de campo fica em segundo plano.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Até onde pode chegar esta Ponte Preta?

Everton Santos foi a última peça a chegar, mas tem sido importantissímo na campanha
(Ari Ferreira-Lance)
11 jogos de invencibilidade e seis vitórias seguidas fora de casa. Números surpreendentes e até inimagináveis para uma equipe que começou o ano sofrendo críticas e cercada de dúvidas e incertezas. Esta é a Ponte Preta, que ontem deu mostras de que a fase realmente é boa ao vencer o Corinthians em pleno Pacaembu e exterminar a invencibilidade do rival no Paulistão.

A crônica esportiva campineira, eu, os torcedores da Macaca e qualquer outro que acompanha mais de perto o time, imaginava que o início do ano seria de muito trabalho. Após campanha pífia na Série B do ano passado, o time mudou e o comandante também. Gilson Kleina foi o escolhido para este ano. Como nos anos anteriores, usar o Paulistão de laboratório para uma campanha de sucesso e o acesso no Brasileirão.

Como todo começo de trabalho é difícil, Gilson sentiu na pele logo no início o que seria dirigir a Ponte. Seu modo de escalar o time, com três volantes, não agradou no primeiro momento. Derrotas para o Mirassol e para o Mogi Mirim, dentro do Majestoso, faziam a vida do treinador já ficar complicada. A falta de qualidade nas primeiras apresentações assustou e deu abertura para que as primeiras críticas fortes aparecessem.

Até que um jogo foi o divisor de águas. Contra o São Paulo no Morumbi, essa Ponte Preta começou a mostrar suas caras. Fechada, compacta, marcando forte e apostando nos contra-ataques. O time fez exatamente o que Kleina queria e saiu da capital com uma ótima vitória por 1 a 0, a primeira de muitas que viriam. A mesma postura foi adotada dias depois contra a Portuguesa no Canindé. Novamente segurando o adversário e sendo fatal nos contra-golpes, a Macaca venceu mais uma.

As críticas começaram a virar elogios. Só não agradou 100% porque os tropeços em casa continuavam. Empates contra São Caetano e Linense no Majestoso eram tidos como resultados chave para pretensões futuras. Mas era fácil saber o que acontecia. O time, montado para marcar forte e no contra-ataque, tem total tranquilidade para fazer isso como visitante. O problema é que, em casa, a obrigação de atacar é da Ponte. Os adversários vieram retrancados e os jogos foram fracos. A Ponte de 2011 não foi feita para ir com tudo para o ataque.

Aí entra o trabalho mágnifico que Gilson Kleina vem fazendo. Fora de casa a Ponte é aquela, três volantes, marcação forte, pegada e dá-lhe contra-ataque. No Majestoso, ele não abre mão do esquema, mas fez com que um destes marcadores, no caso Gil, tenha liberdade para encostar no meia Renatinho e criar as oportunidades. Gil tem tido boas atuações e é mais um item da forte Ponte Preta, que começa com Bruno, um goleiro que já deu seus vacilos, mas hoje demonstra segurança. Na zaga, Ferron e Leandro Silva tem sido quase perfeitos. Ontem no Pacaembu, o badalado Liedson nada fez. Os volantes tem sido a peça chave desse time. Marcam forte, retomam a bola e começam a ligação dos contra-ataques. Renatinho, mesmo não tendo atuado ontem, é um dos destaques da competição. Rápido e habilidoso, dribla fácil e cria oportunidades. Na frente, apesar de algumas boas atuações de Ricardo de Jesus, Márcio Diogo e Rômulo, a contratação de Everton Santos caiu como uma luva. Experiente, rápido e fazedor de gols, tem tudo também para ser o grande nome do time durante esta campanha.

Tudo isto respaldado por Gilson Kleina, que merece aplausos e elogios até o momento. Escala bem, tem feito o time jogar da maneira como quer e, principalmente, não abriu mão do que fez desde o início. Mesmo com as críticas, manteve o esquema e o resultado tem sido visto hoje.

Onde esta Ponte vai chegar é impossível de prever. Passará de fase. Agora, se fica nas quartas, nas semifinais ou se vai ser campeã, só o tempo vai dizer. Mas hoje é nítido que esse time vai dar trabalho para qualquer um que cruzar seu caminho.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Quem quer Adriano? O Imperador da bola e dos problemas

Ele está de volta, alguém quer?
Foto: Globo Esporte
Ótimo cabeceador, chute potente de fora da área, forte fisicamente, capaz de trombar e ganhar na disputa dos zagueiros, exímio artilheiro e com talento reconhecido no Brasil e na Europa. Que time do Mundo não gostaria de um jogador com tais virtudes?

Descomprometido, faltoso à treinos por causa de festas e bebedeiras. Envolvimento com traficantes, maus cuidados com o peso e o físico. Gostaria de ter um atleta assim no seu time? Creio que não.

Por mais estranho que possa parecer, um mesmo jogador engloba todas estas características citadas, Adriano, o Imperador. De nome de destaque no futebol para uma rescisão de contrato na Roma por péssimo rendimento e nenhum compromisso com o time. É esta a situação dele hoje. E fica a dúvida. Qual será o novo caminho de Adriano?

Ele tinha tudo, mas tudo mesmo para ser um dos grandes nomes do futebol nos últimos anos. Começou no Flamengo, já ostentava um porte físico avantajado, que impunha respeito. Sua primeira passagem no Rubro Negro foi rápida, porém suficiente para logo despertar a cobiça de times europeus. Logo a Internazionale o comprou. Não estreou logo de cara na equipe de Milão, mas o empréstimo para o Parma fez bem à sua carreira. Garoto, poderia perder a cabeça ali, mas surpreendentemente, conseguiu se firmar e apresentar um futebol vistoso, competitivo, com muitos gols. Logo a Inter o quis de volta e lá começou a surgir seu apelido de 'Imperador.

Na equipe Neuroazurri Adriano se destacou, fez gols, lances bonitos. Uma atuação sua que me marca até hoje foi contra o Porto, Uefa Champions League de 2005, oitavas de final. No San Siro ele literalmente humilhou os portugueses, fez 3 e deu show, mostrando que sua fase era fantástica.

E essa fase, que já vinha do ano anterior lhe rendeu convocações para a seleção. Na Copa América de 2004, quem não se lembra daquele gol na raça e na vontade contra a Argentina, já nos acréscimos e que levou a decisão para os pênaltis com vitória brasileira. Ou no ano seguinte, pela Copa das Confederações, mais atuações fantásticas de Adriano, a artilharia do torneio e a esperança de um craque para a Copa do Mundo.

Só que 2006 foi cruel com o jogador. Perdeu o pai, perdeu a Copa do Mundo, gordo, sem ritmo, insosso como toda aquela seleção. Dali pra frente, a torcida da Internazionale não tinha mais seu artilheiro, seu craque. Lesões, confusões e poucos gols fizeram o treinador Roberto Mancini perder a paciência com Adriano e sua estadia na Inter chegava ao seu 'primeiro' fim. Lesionado, veio ao Brasil para se tratar. O São Paulo lhe abriu as portas e lá ele passaria os primeiros meses de 2008. No Brasil ele foi bem. Apesar de não conquistar títulos com o Tricolor, carregou o time nas costas até as quartas de final, onde parou no Fluminense.

Parecia que o velho 'Adriano' tinha voltado. A Inter o quis de volta, mas seria pela última vez. Em outra temporada abaixo do que podia mostrar, cavou seu fim na equipe italiana quando abandonou o clube sem mais nem menos e voltou para o aconchego do lar. Esteve desaparecido por dias na Vila Cruzeiro, mas voltou. Disse que havia perdido a alegria de jogar. Muitos diziam que ele havia se tornado um alcoólatra e precisava de tratamento. A Inter rescindiu seu contrato e ele voltou para casa, o Flamengo.

E atuando em um futebol de menor nível técnico, mais uma vez ele se sobressaiu. Não precisou fazer muito para conduzir o Flamengo rumo ao título brasileiro. Foram gols, grandes atuações e outra esperança de que o então craque reaparecesse. Teve outras chances na seleção.

Mas 2010 foi novamente um ano sombrio. A alegria em atuar no Flamengo desapareceu. Os problemas com bebida, favela e peso em excesso vieram à tona. Ele, que até tinha bola pra estar na África do Sul, foi preterido por Dunga. Ainda assim a Roma o queria, acreditava quer pudesse reabilitar o Imperador. E em outra fase obscura, ele não fez nada. Sequer balançou as redes pelo clube da capital e vê sua carreira de novo atingir o fundo do poço.

E ele pode voltar para o Brasil. Trazendo sua técnica, que por mais esquecida, ainda existe. Mas vem trazendo também seus eternos problemas extra-campo. Flamengo, Palmeiras e Corinthians seriam os interessados. Apenas por seu futebol, a contratação seria feita de olhos fechados. Mas com tudo que permeia o Imperador, é difícil confiar que valha a pena. Vejamos quem vai se arriscar.

terça-feira, 8 de março de 2011

Sobrou medo no Arsenal e faltou cérebro ao Van Persie

Com mais um show do argentino, o Barça está nas quartas
(EFE)
Segurar o Barcelona no Camp Nou era tarefa das mais ingratas para o Arsenal. Ou melhor, isso é para qualquer time do mundo hoje. A menos que os catalães estejam em uma noite muito pouco inspirada ou os adversários em uma jornada maravilhosa, o placar final sempre é favorável ao time azul-grená. Nesta terça-feira não foi diferente. Os Gunners não seguraram e o Barçla atropelou, 3 x 1. Muito disso se deve ao medo do Arsenal e à falta de cabeça de Van Persie, que expulso imbecilmente, atrapalhou sua equipe.

Na semana que antecede uma partida, os treinadores tem o costume de assitir as últimas partidas de seu adversário. Tenho pra mim o jogo que mais Arsene Wenger assistiu nestes dias foi aquele da semifinal da Liga no ano passado entre Barcelona x Internazionale. Mais que isso, não duvidaria se ele tivesse ligado para José Mourinho e pedido umas dicas e lições de como parar o Barcelona, já que a equipe italiana ano passado se classificou em pleno Camp Nou dando uma aula de aplicação tática defensiva. Perdeu de 1 a 0 porque podia perder e mesmo com um a menos fez a festa.

Wenger montou o Arsenal do jeitinho que Mourinho fez no ano passado. Fechado e apostando nos contra-ataques puxados por Fábregas, Nasri, Wilshere e Van Persie. Talvez Walcott fez falta e Arshavin podia ter entrado desde o início, mas acho que isso não mudaria muito o panorama. No Barça, Guardiola não contou com a dupla de zaga e improvisou Abidal e Busquets por ali. Mascherano foi o volante e a saída de bola ficou mais prejudicada.

Mas, assim como fez com a Inter em 2010, o Barcelona foi para o abafa e partiu com tudo para cima. O Arsenal, fechadinho, morrendo de medo de tomar um gol, quase não passava do meio-campo e qualquer bola que rondasse sua área era rifada para a frente. Xavi, Iniesta, Pedro, Messi e Villa faziam a bola rodar a procura do momento ideal, mas foram poucas as chances no primeiro tempo, um chute de Adriano na trave e conclusões de Villa e Messi que pararam em Almúnia, além de um suposto pênalti reclamado, para mim foi, mas a arbitragem do suiço Busacca mandou seguir.

O time inglês via seu jogo dando certo. Mas, quando um time joga extremamente recuado, de maneira alguma pode errar, e o Arsenal errou. Fábregas quis inventar um calcanhar perto de sua área e deixou para Iniesta. E o Barcelona é fatal. Iniesta achou o espaço que a defesa deu e deixou Messi na cara do gol. E quando o melhor do mundo sai na frente do goleiro, não há muito o que se fazer, Almúnia ficou vendo estrelas e a bola encontrou a rede. Balde de água fria no esquema retrancado de Wenger e merecimento do Barça, já que o time que busca o gol, sempre merece vencer.

Para o segundo tempo, Arsene Wenger não mexeu em peças, mas deve ter pedido outra postura. O time não podia se satisfazer com o 1 x 0 assim como a Inter em 2010, já que este resultado era do Barcelona. Adiantando a marcação, os Gunners ao menos saíram do sufoco e foram tentando ganhar terreno. Não seria fácil marcar um gol naquelas circunstâncias, mas futebol é futebol. Escanteio para a área e Busquets mandou contra o próprio patrimônio. Um gol que caiu do céu para os ingleses. Sem dar um chute no gol sequer, contaram com a infelicidade do volante espanhol.

O empate fez o jogo voltar como foi no começo. O Arsenal recuou todo mundo de novo pra segurar o Barça, que viria faminto e deixaria os contra-ataques. Um destes responsáveis por puxar o contra-golpe resolveu mostrar por que não pode ser chamado de craque. Van Persie recebeu a bola e concluiu a gol após o apito do árbitro marcando impedimento. Tomou o segundo amarelo e o consequente vermelho. Nem adianta reclamar que o barulho da torcida atrapalhou. Faltou mesmo cérebro ao holandes.

A expulsão não mudaria o comportamento defensivo, mas faria ele ser ainda mais necessário e forte. O jogo acabava ali para o Arsenal. Era segurar o Barcelona e quem sabe, com muita sorte, abocanhar um lance de perigo.

Por outro lado, o Barça começou a dar seu massacre de chances e posse de bola. Momentaneamente eliminado, o time mostrou por que é um dos grandes da história. Não se desesperou, seguiu tocando a bola, procurando achar o momento certo de dar o bote, marcando pressão e alugando todo o gramado do Camp Nou. Com um a mais, cansando o adversário, uma hora o espaço viria. O espetacular time de Guardiola tocou, tocou e finalmente marcou em uma troca de passes maravilhosa. Iniesta pra Villa, Villa pra Xavi e Xavi pro gol. Com calma, precisão e uma técnica de encher os olhos, 2 x 1 Barça. Resultado que levaria a decisão para a prorrogação.

Levaria porque o Barça queria decidir a fatura logo e ampliou em seguida. Mais uma vez com rapidez e toques inteligentes, Pedro sofreu pênalti. Questionável, mas marcado pelo árbitro. O melhor do Mundo chamou a responsabilidade e não perdoou, Messi mandou no cantinho e fez 3 a 1.

A situação de novo mudou, mas aí o Arsenal já estava tonto, desorientando, como um boxeador que leva um cruzado. Precisando de gol, Wenger colocou Arshavin, Bendtner e colocaria quem mais precisasse, mas a postura defensiva do time arruinou qualquer chance da bola entrar. E mesmo que quisesse chegar, não passava do Barça, que deu um show também marcando.

O Barcelona, que tanto toca para buscar o gol, foi tocando a bola para o tempo passar. O placar foi de 3, mas poderia ser bem maior, já que chances sobraram. No final do jogo, uma vitória justa e merecida do Barcelona. O time que mais encanta no mundo fez o que precisava e garantiu a vaga para as quartas de final.

Medroso, o Arsenal fica mais uma vez pelo caminho. Extremamente defensivo, Wenger mostrou que não aprendeu com Mourinho. Seu time, conhecido pelo futebol bonito, foi medroso e vai para a Inglaterra outra vez só sonhando com a UCL. E bota um pouquinho dessa eliminação na conta do Van Persie, que com sua expulsão, preejudicou demais a equipe.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Uma missão impossível?

Fazendo uma pesquisa rápida pelas últimas Libertadores, desde 2005, apenas três times que terminaram o turno com menos de 3 pontos conseguiram avançar de fase. Independiente Medellín e Once Caldas em 2005 e o San Luís em 2009. E é só nisso que o Fluminense pode se apegar agora, porque a situação ficou caótica e como diz o título do artigo, praticamente impossível.

Contra o América lá no México, a vitória era primordial. Talvez o empate não fosse de se jogar fora também e foi nisso que Muricy Ramalho pensou. Ele insistiu no erro do último jogo no Engenhão. Foi defensivo demais. Os três zagueiros e dois volantes até seguram a onda lá atrás, mas sobrecarregam demais os laterais, Conca e principalmente Rafael Moura que, isolado, é mais um espectador do jogo do que qualquer outra coisa. O argentino não é nem sombra do craque do ano passado.

E dentro de campo o roteiro foi semelhante ao do jogo contra o Argentinos Juniors semana passada. Sem criatividade, o Flu apostava unicamente em raros e pouco efetivos chutes de longe e nos chuveirinhos. Mariano bem que tentou ajudar pela direita, já que pela esquerda Carlinhos não foi a opção viável que se apresentou em outras partidas. Do outro lado, o América também não é um bicho de 7 cabeças. É uma equipe que toca rápido e com a força da torcida, que lotou o Azteca, tentou pressionar o Fluminense, mas a congestionada defesa segurou os mexicanos.

No segundo tempo o Fluminense pareceu perceber que dava pra sair de lá com o resultado positivo e cresceu, avançou a marcação e arriscou mais. Muricy podia ser mais ousado, mas parece que em Libertadores ele não sabe mesmo comandar o time. Com a saída de Valencia, era uma hora viável para dar mais ofensividade ao time. Só que quem entrou foi Edinho e o panorama seguiu o mesmo. A coragem que faltou ao técnico tricolor, sobrou no comandante mexicano. Ao colocar mais um homem de frente, Carlos Reinoso lançou seu time para o abafa e a pressão. O jogo virou, o Flu já não tinha mais a tranquilidade de jogar seu jogo e foi cedendo. Uma hora não aguentaria.

Montenegro teve espaço pra enfiar a bola pra Marques. Os três zagueiros e dois volantes não conteram o atacante, que deslocou Ricardo Berna e complicou ainda mais a vida do Fluminense. Mais uma vez Muricy mostrou que só muda quando a coisa aperta. Ele tinha Souza e Araújo aptos para entrar a qualquer momento, quem sabe no começo da etapa final quando o time estava mais inteiro. Mas não, ele só os colocou quando o nervosismo tomava conta do time. E, como era de se esperar, de nada adiantou.

O jog acabou mesmo 1 a 0. A defesa fortemente montada para não tomar gols, tomou. E o ataque, fragilizado demais, passou novamente em branco, tendo criado quase nada. A situação do Fluminense e de Muricy é complicada demais, o time corre serissímos riscos de ser eliminado logo na primeira fase.

Os times citados no começo do artigo só se recuperaram porque resolveram jogar bola e é isso que o Fluminense deve fazer a partir de agora. Só que Muricy não pode mais ser tão retrancado e abdicar do ataque. Independente de tudo, vai ter que abrir mão da marra e escalar esse time muito ofensivamente. Se não a missão que já é complicada, fica impossível de vez.


É esse o 9, Felipão?

Se continuar marcando gols, Felipão não verá
problema nenhum nas dancinhas de Adriano
(Agência Estado)
Desde que chegou ao Palmeiras, Felipão cobra um camisa 9, o legítimo centroavante pra balançar as redes adversárias. Em um time que já viu César Maluco, Evair, Luizão, dentre outros, era difícil conviver com as fracas opções existentes no ataque. Puxando pela memória, o último homem-gol efetivo foi Alex Mineiro, que, embora não fosse brilhante, marcou seus golzinhos e ajudou o time a ser campeão paulista em 2008. Antes dele, Vagner Love tinha sido o grande número 9 do Verdão.

Para 2011, Felipão sonhou com seu artilheiro. O time, que sonhava com o Imperador no começo do ano, ficou na vontade. Com o fraco Dinei no banco, o técnico por vezes usou Kléber na função. Logicamente, o Gladiador não é ‘o cara’ para a função, embora faça seus gols e seja grande jogador.

De repente, em um negociação que envolveu a ida do volante Edinho para o Fluminense, chegou ao Palestra Itália um outro Adriano. Não era o Imperador, mas outro que levava apelido de sucesso, ‘Michael Jackson’. Vindo do Bahia, onde ajudou a equipe de Salvador a conseguir o acesso no Brasileirão, o jogador chegou mais afamado pelo apelido do que por sua qualidade.

Após algumas semanas de treinamento, ele começou a aparecer. E, em uma semana, virou manchete em jornais e esperança alviverde de um futuro melhor. Contra o Comercial lá no Piauí, marcou finalmente seu primeiro gol. A desconfiança ainda existia, ninguém imaginava que ele pudesse suprir a carência do time. Veio então o clássico contra o São Paulo. No Morumbi, o time perdia por 1 a 0 e era dominado até Felipão chamar ele, lá do banco. Adriano entrou, cavou a expulsão do zagueiro Alex Silva e teve duas chances de ouro para marcar. Na primeira parou em Rogério Ceni, mas mostrou que centroavante vive de chances e não pode desperdiçar mais de uma. Na segunda, ele guardou.

O gol no Choque-Rei foi o estopim do ‘sucesso’. Após fazer dancinha, ele virou o cara no Palmeiras. Receosa, a torcida custou um pouco a acreditar que ele pudesse ser seu camisa 9. Ontem contra o Comercial, as dúvidas começaram a poder virar certeza.

Titular, não teve um primeiro tempo brilhante, assim como todo o Palmeiras. A equipe criou demais, mas faltou qualidade e eficiência. Além disso, o time tomou sustos, o Comercial chegou a marcar um gol, mal anulado pela arbitragem. E o 0 x 0 fraco foi o reflexo da etapa inicial.

No segundo tempo, Adriano voltou disposto a brilhar. Primeiro sofreu pênalti e provocou a expulsão do zagueiro piauiense. Mas Valdívia não aproveitou e parou nas mãos de Neto. Mais alguns minutos e outra expulsão no time do Comercial. Com 11 contra 9, finalmente os espaços aumentaram e o show do camisa 19 começou. Foi uma sequência esmagadora, em 18 minutos, Adriano marcou quatro vezes. Três deles de cabeça. Tudo bem que o adversário era frágil, muito fraco e tinha dois a menos, mas os gols mostraram a presença de área de Adriano, sua boa colocação e o faro de artilheiro. Ainda precisa provar muito, mas para a situação de hoje, pode ser de extrema utilidade para o time. Os seis gols em três jogos provam isso. No placar final, classificação tranqüila do Verdão, vencendo por 5 a 1.

Na coletiva no dia anterior, Felipão disse que dançaria com ele se o atacante marcasse 3 gols. O treinador deu uma de ‘malandro’ e fugiu da aposta, já que foram 4 gols. Se ele não dança, pelo menos fica feliz e imagina que esse pode ser o 9 que o Palmeiras tanto precisava.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O Santos não pode nem pensar em tropeço hoje

O futebol maravilhoso e envolvente do Santos de 2010 encantou o país. A dupla Paulo Henrique e Ganso e Neymar fez tanto sucesso, que até na Copa poderiam estar. Tanto brilho rendeu frutos, os títulos paulista e da Copa do Brasil. E a esperança para 2011 era de que o show continuasse. Ganso lesionou o joelho e está quase pronto para voltar. Neymar esteve no Sul-Americano sub 20 e só nos últimos jogos voltou ao time. Mas a diretoria trabalhou bem, repatriou Elano e deu ainda mais qualidade à ótima equipe.

No comando estava Adilson Batista. O time até começou bem no Paulista, venceu as primeiras com autoridade, derrotou o São Paulo no 1º clássico, tudo isso sem as duas principais estrelas. Porém, o futebol começou a cair. Adilson começou a inventar escalações, substituições, improvisações e o time perdeu a força do início de temporada.

O desgaste resolveu piorar bem na estreia da Libertadores. Contra o muito inferior Deportivo Táchira, Adilson escalou três volantes e Diogo, que desde sua estreia, não fez nem gol ainda. Para piorar, no banco estavam Maykon Leite e Zé Eduardo, dois dos principais goleadores da equipe no ano. O time, claro, foi inoperante. Criou pouco e de longe pareceu aquele time envolvente e ofensivo do ano passado. O empate em 0 a 0, por ser uma estreia fora de casa, foi até engolido, mas ali já se percebia que algo iria mudar em breve.

Veio então o clássico contra o Corinthians. Mais uma vez Diogo em campo e os outros dois como suplentes. Neymar não parou desde o início do ano, segue jogando todas e nem substituído é. Pior, joga em posição diferente da que se destacou. Em vez de ficar na ponta, criando, driblando e enlouquecendo os zagueiros, ele joga mais centralizado e tem sido facilmente neutralizado pelos adversários. Contra o Timão ele praticamente não pegou na bola e de quebra, tomou chapéu de Ralf, uma vingança daquele em Chicão com a bola parada.

E no Pacaembu o Corinthians passeou e venceu por inquestionáveis 3 a 1. O torcedor santista pensava em duas coisas: O que aconteceu com o time, com Neymar, que até dias atrás dava show no Peru? E a outra, 'Cadê você Ganso?'

O estopim veio no último sábado contra o São Bernardo. Jogando de maneira burocrática, fria e sem inspiração, o atual campeão estadual não passou do empate com a equipe do ABC, recém chegada à elite do futebol paulista. Mais uma vez Adilson errou. Zé Eduardo até jogou, mas saiu no decorrer do jogo. Diogo permaneceu jogando uma bolinha ridícula. Neymar sumiu, e nervoso, descontou com um pisão no goleiro adversário. A diretoria não suportou mais. Mesmo com apenas uma derrota, Adilson Batista foi demitido após 11 jogos. Se o aproveitamento não era dos piores, o futebol não ajudava. Acostumados a verem os espetáculos de 2010, os santistas não queriam um time previsível e sem encanto.

A equipe, dos shows, é apenas a 5ª no Paulistão e tem pela frente um compromisso decisivo pela Libertadores. Na Vila, pega o Cerro Porteño, que venceu e bem na estreia. Derrotou o Colo Colo, que ontem foi a mesma Venezuela onde o Santos fez sua estreia e saiu de lá com uma excelente vitória. O Cerro não é uma máquina, mas é perigoso. Tem em Iturbe um dos grandes nomes, argentino que foi bem no Sul-Americano, tendo até feito gol no duelo contra o Brasil de Neymar. O time é rápido e vai entrar fechadinho, explorando a velocidade e os erros do Santos.

Marcelo Martelotti assume o time interinamente e apaga tudo o que Adilson fez. Voltou ao esquema com 3 atacantes. Zé Eduardo joga, Diogo também. Finalmente Neymar tem a chance de atuar na faixa de campo em que mais sabe, pelos lados, criando, finalizando. Elano tem toda a liberdade do mundo para fazer a articulação. Ainda sem Ganso, o time vai ter de satisfazer sua exigente torcida, que espera um futebol brilhante e semelhante ao que tanto lhe fez feliz. A vitória, mais do que necessária, é fundamental para as pretensões santistas nesta Libertadores.
 

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