Enquanto assistia Botafogo x Corinthians, eu pensava em como introduzir este artigo. Iria falar que dos últimos cinco jogos, o Timão havia vencido quatro por 1 a 0, mas o gol de Paulinho no finalzinho derrubou esta tese. A teoria caiu, mas o objetivo deste post não, que é falar de como a competência do Corinthians não precisa ser obtida dando espetáculo.
Vi quase todos os jogos do Corinthians no campeonato. Alguns atentamente, outros dividindo atenção ou acompanhando com menos afinco. Mesmo assim, pude perceber que o Corinthians deu apenas um espetáculo, que foi aquele 5 a 0 sobre o São Paulo. Houveram também aqueles jogos em que o time foi muito bem, como contra o Fluminense, o Vasco e o Internacional, apesar de vitórias apertadas nestes dois últimos.
O que espanta nesse Corinthians, além da regularidade, da invencibilidade e da defesa quase instransponível, é a calma que o time tem independente da situação do jogo. Quer esteja bem ou mal, o time não se apavora, não perde esse padrão. Chegou a um encaixe em um nível tão elevado, que ao assistir o jogo, você percebe que o Corinthians vai se dar bem, mesmo com todas as imprevisibilidades do futebol, né Tite?
A partida de hoje contra o Botafogo foi o fiel retrato disso. A começar pelo time que entrou em campo, que é a base do que vem dando certo. Encarar o time carioca fora de casa é tarefa complicada. O Botafogo, assim como o Inter que o Timão derrotou na quinta-feira, tem um sistema ofensivo rápido e de qualidade. Sem centroavante, o time do Rio aposta na velocidade para abrir a defesa. Mas é incrível como a marcação corintiana funciona. Começa lá da frente, com a participação importante e exuberante de Willian e Jorge Henrique na recomposição. Passa pela segurança dos volantes Ralf e Paulinho, até terminar lá atrás com Chicão e Castán, que tem executado papel brilhante.
O Botafogo pressionou, teve posse de bola, chutou a gol, chegou a assustar acertando a trave, mas não dava pinta de que iria marcar, porque a fase do Corinthians não permite isso. A fase lá atrás é fantástica, com apenas quatro gols sofridos, sendo somente um, UM nos últimos sete jogos.
E quando tudo resolve dar certo, tudo resolve dar certo. Na frente, as coisas também fluem. O Corinthians não é uma máquina que esmaga os rivais, mas faz o que tem que fazer, muito bem feito. Certas vezes cria muito, mas só marca um. Em outras cria bem pouco, mas também marca, como foi o caso de hoje.
Pressionado pelo Botafogo, o Timão chegava pouco no primeiro tempo. Se os cariocas tentavam de todo o jeito, os paulistas precisaram de um jeito só, com técnica e aplicação. Jorge Henrique veio fazer papel de meia e lançou Fábio Santos, que fez o que um lateral deve fazer, ir a linha de fundo e centrar. Quem chega? O atacante, ou melhor, o matador, Liedson estava lá no lugar certo pra só empurrar. Nada disso é incansavelmente treinado, mas as coisas parecem estar tão em sintonia, que de um toque em outro a bola cai no fundo do gol.
O gol que selou de vez mais três pontos veio depois de muito drama. Mais pressão adversária, lesão séria do Júlio César, time todo recuado. É claro que o risco de levar o empate ali era imenso, mas o risco de aplicar um contra-golpe mortal também era. Demorou, mas ele saiu e Paulinho jogou a pá de terra no Botafogo.
O Corinthians faz a campanha mais impressionante de todos os campeonatos por pontos corridos. Impressionante os 28 pontos em 30 disputados, mais ainda essa vantagem de sete pontos para o segundo colocado. Se o Corinthians tem cara de campeão e já possui essa gordura, os adversários tem muito com o que se preocupar. O campeonato é longo e todos tem altos e baixos. Uma hora o Corinthians vai tropeçar, mas quando? Pode ser tarde demais para os outros reagirem.














