domingo, 27 de março de 2011

Reverências a quem merece


No artigo anterior mencionei todos os ingredientes que faziam o clássico deste domingo ser imperdível. Para alegria e satisfação daqueles que gostam de futebol, o Majestoso foi espetacular. Não pelo 1º tempo, mas por uma etapa final fantástica, mágica e imortalizada aos 8 minutos, quando o maior goleiro artilheiro do mundo cruzou o gramado da Arena Barueri, ajeitou a bola com carinho, a colocou no ângulo e escreveu mais uma vez seu nome para a eternidade.

Mas antes disso a bola ainda rolou. Tite manteve o time dos últimos jogos, apostando nos três atacantes e a chegada de Morais. Já Carpegiani mudou muito a equipe. Casemiro deu lugar a Rodrigo Souto, responsável por segurar a onda na cabeça da área e marcar principalmente o 10 corintiano. Outra novidade foi Ilsinho, que substitituiu Marlos, com a incumbência de dar dinâmica pelo lado direito.

E se a expectativa era de grande jogo, o primeiro tempo ficou devendo. Muitos passes errados, forte marcação, pouca objetividade e nenhum dos dois times se arriscava muito. Apesar de dominar amplamente o começo do jogo, o Corinthians não assustou de fato e deixou o jogo equiilibrar. Do lado corintiano, Morais não fazia a bola chegar. Jorge Henrique e Dentinho também tinham dificuldades em municiar Liedson, que pouco fez na etapa inicial. Na única chance que teve, impedido, parou em Rogério.

O São Paulo repetia os erros de quarta-feira. Muitos passes errados, pouca chegada pelos flancos. Jean e Junior César eram nulos, Ilsinho inventava uma ou outra jogada de efeito, sem sucesso. Fernandinho não conseguiu suas jogadas pela esquerda. ma das grandes chances foi em chute despretensioso de Rhodolfo.

Quando resolveram se arriscar, finalmente algo saiu. Paulinho mandou uma bola por cima do gol são paulino. Do lado tricolor era Dagoberto quem arriscava. Na 1ª, a bola passou perto, mas em seguida, o pé calibrado do 25 funcionou. Erro grave da defesa corintiana, que deu todo o espaço pro atacante bater forte no canto.

Um primeiro tempo bem fraquinho, que talvez nem merecesse vencedor, mas com certeza o gol foi fundamental, faria a etapa final ser bem mais movimentada, e ela foi.

Como era de se esperar, o Corinthians foi pra cima. Jorge Henrique teve a primeira grande chance, mas parou em milagre de Rogério. Apesar de ser goleiro e ter como tarefa defender, o que mais a torcida tricolor queria ver era outra coisa. E aos 8 minutos a oportunidade veio. Fernandinho e a falta na meia esquerda. Propícia, ótima, a grande chance. Confesso que não imaginei que Rogério fosse acertar assim logo na primeira. Mas esse cara tem o dom de surpreender e fazer o que ninguém espera. A barreira pulou, Júlio César saltou, mas o dia era dele, do capitão, do M1TO, do ídolo, de Rogério Ceni. Golaço, o centésimo, que alegrou e até fez chorar os são paulinos. Méritos a quem merece. Não é por sorte, Ceni treina, treina, batalha e é merecedor de tudo o que conseguiu, ser o maior goleiro artilheiro do mundo e campeão de tudo.

Parece que a empolgação pelo 100º contagiou a todos. O jogo cresceu de maneira incrível. Tite colocou Ramírez, William, tentando fazer a bola chegar com mais qualidade. Ânimos exaltados, Alessandro se destemperou e acertou um carrinho violento em Dagoberto. Dois gols de vantagem e um a mais em campo, especulava-se que a parada estava concluída, mas do outro lado era o incansável Corinthians. Dentinho aproveitou cobrança rápida de falta e descontou em outro belo chute de fora.

O jogo então ganhou contornos de drama. Dagoberto se enroscou com Castán, levou outro amarelo e foi expulso. Era o estopim que o Corinthians precisava para jogar água no chope são paulino. O Timão se empolgou e alugou o campo de ataque. Mas aí foi Dentinho quem atrapalhou tudo. Lance ridículo, que prejudicou demais o time. Sem necessidade o chute em Rodrigo Souto.

Marlos e Rivaldo entraram no São Paulo. O Corinthians seguiu tentando, atacando e parando em Ceni. O empate não saiu, mas se saísse, era pra debitar na conta de Marlos, que, por ser fominha, abusou dos erros em contra-ataques.

Apesar da pressão, o Tricolor se segurou. Venceu, quebrou um tabu incômodo de mais de 4 anos e mais do que tudo, viu seu maior ídolo marcar história contra o maior rival.

Até porque ele merece demais.

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