Desde o ano passado o Santos vem sendo de longe o melhor time do Estado e do país. Neste Paulistão, o início com Adilson Batista foi conturbado, complicado e o encanto de 2010 parecia ter sido exterminado. Hoje, com Muricy, o time não é aquele de encher os olhos, mas ainda é o melhor e, com todos os méritos, conquistou o título.
Arrasado fisicamente e em uma maratona de jogos importantes absurda, nunca imaginei que o Santos fosse ter tanto domínio no primeiro tempo. Sem o maestro Ganso e o motorzinho Danilo, a bola da vez teria de ser o 'papai' Neymar. E foi sob sua batuta que o Santos aniquilou o Corinthians no primeiro tempo. Arouca marcou após bela trama de Léo e Zé Eduardo, e 1 a 0 foi muito pouco. Fosse mais competente nas finalizações e tivesse tido sorte no chutaço de Arouca na trave, o Peixe teria ensacolado e definido a fatura bem antes.
E por mais que se conteste Muricy, seu esquema de jogo e por aí vai, ele tem um mérito espetacular nesse time, arrumar a defesa. A zaga que era uma peneira, tá cada vez mais segura. Durval e Dracena foram soberanos hoje, não perderam uma. Adriano então, fez uma partida fabulosa. Marcando firme e na bola, foi um leão. Arouca hoje teve mais liberdade e com isso, marcou seu primeiro gol com a camisa santista. E com a defesa arrumada, o ataque se diverte.
O mais lamentável de hoje foi o primeiro tempo do Corinthians. Começou com o erro grosseiro de Tite em manter Dentinho no time titular e deixar William no banco. O Timão assistiu o adversário jogar. Sem pegada, sem raça e sem técnica, saiu pro intervalo agradecendo aos céus por não ter tomado muito mais. Tudo bem que o time é fraco, Fábio Santos, Leandro Castán, Paulinho e por aí vai, são muito abaixo do nível Corinthians, mas quem podia aparecer sumiu.
O segundo tempo começou com o Corinthians sendo um pouco menos medroso e tentando ao menos mostrar que estava em uma final. Tite finalmente acordou e alterou o que devia ter feito de início, mas depois mostrou porque é um técnico extremamente defensivo e nem um pouco ousado. Tirar Bruno César por Morais precisando de gol é dose.
O Santos puxou o freio de mão. Desgastado, o time tocou bola em busca de um contra-ataque que matasse o jogo. No momento em que mais passava um sufoco e via o Corinthians se animar, o craque apareceu. Neymar levou, lá pela esquerda, na dele. Chamou a marcação e achou aquele espacinho, suficiente pra ir pro gol e contar com uma falha absurda de Julio César. O mesmo que errou feio no jogo final do Brasileirão do ano passado e ajudou a tirar a vaga direta para a Libertadores. É um jovem valor e esforçado, mas não é um goleiro a nivel de Corinthians. Bola na rede e festa de Neymar.
Na sequência, outro gol estranho. Falta batida por Morais e Rafael viu a bola ir passando. O gol que até deu uma ponta de esperança pro Corinthians, sanada minutos depois com o apito final do árbitro, discreto por sinal, não comprometeu em nada. E quando o juiz não aparece, quer dizer que foi bem.
Assim, o melhor time foi campeão. Do craque Neymar, do iluminado Muricy. Assim como no ano passado, a dobradinha é mais do que possível. A Libertadores pro Peixe é um sonho muito próximo.
Já o Corinthians caiu para um time superior. Não dá para achar que é o fim do mundo, mas ter tal atitude em uma decisão do campeonato é deplorável. O Brasileirão vem aí e mudanças devem ocorrer, se o Timão quiser mesmo alguma coisa na competição nacional.

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