Ver equipes brasileiras eliminadas na Libertadores logicamente não é nada anormal. Mas o que se viu na noite desta quarta-feira beirou o inacreditável. Até às 19h30 de hoje, quando o Internacional começou seu jogo contra o Peñarol, duvido, mas duvido mesmo, que alguém chegou a cogitar a queda dos quatro no mesmo dia.
A 'zica' começou no Beira Rio. Tudo parecia maravilhoso para o Inter quando o Oscar fez 1 a 0 logo no primeiro minuto. O time tinha a vantagem, o apoio do torcedor e com tranquilidade, só precisaria administrar. Veio o segundo tempo e bastaram 13 segundos para os uruguaios empatarem. Ali, a lembrança do Mazembe retornou à mente dos colorados. E na sequência, o Peñarol virou. É impressionante como brasileiro se desespera em momento tenso. Nesse quesito, uruguaios e argentinos nos dão um banho. Quando a coisa apertou, o Inter não teve a competência de Leandro Damião, a técnica de um D'Alessandro e nem o talento de um Oscar. Falcão sentiu na pele e viu que, muitos anos depois, a tarefa de ser treinador permanece inglória.
Depois foi a vez do Grêmio. Após perder no Olímpico e recheado de desfalques, esta eliminação para o Universidad Católica já eram favas contadas. Não foi surpresa, só serviu para entrar na estatística. O detalhe é o velório que se desenha em Porto Alegre nesta quinta-feira. Ambos sonhavam com um duelo pela Libertadores, mas agora abrem os olhos e veem que os sobrou apenas a decisão do 'disputado', 'incrível' e 'fascinante' Gaúchão.
No Paraguai, o Fluminense entrou com uma vantagem bacana e difícil de ser tirada. Ainda mais quando se vê que é o Fluminense. Dono de façanhas históricas como a classificação na primeira fase, quem imaginaria que o Libertad reverteria a vantagem. Como dizem, tudo que é demais, uma hora acaba. Assim foi com a cota de milagres do Fluminense, que experimentou do próprio veneno e viu os paraguaios reverterem com muita luta. Pior para o time de Conca, Fred e Cia, é ter levado todos os gols do 3 a 0 no segundo tempo, quando já parecia administrada a classificação. Ter tomado o primeiro gol na falha de Ricardo Berna ajudou a desesperar os cariocas, que nem um pouco lembraram o time de guerreiros.
Fechando a noite trágica, Sete Lagoas. Melhor campanha da 1ª fase, goleada em todo mundo, até mesmo no algoz Estudiantes. Vitória por 2 a 1 em Manizales e vantagem mais do que considerável para receber e atropelar o Once Caldas em Minas. E o mais difícil, aquela que quando eu vi, eu custei a acreditar, o Cruzeiro caiu. Roger foi estúpido, bateu até receber o vermelho. Jogar com 10, por mais difícil que seja, ainda não parecia prejudicar a equipe celeste. Mas a bola não entrava, o time não rendia e o Once Caldas, que já aterrorizou brasileiros em 2004, marcou o gol.
Quem entrou em cena? Sim, o desespero. Os jogadores cruzeirenses nitidamente perceberam que a eliminação, até então inimaginável, poderia virar realidade. Assim, encarnaram o estigma de seu treinador, Cuca. Medroso e perdedor. Não deu outra, o fraco, mas nem um pouco bobo Once Caldas fez o segundo. Aí a vaca foi pro brejo, tudo desandou e a campanha, que era perfeita, não valeu de absolutamente nada. Ou melhor, serviu sim, para representar o quão grandiosa foi a vergonha passada pela equipe. Mais uma vez a melhor campanha de uma 1ª fase não vale título.
Feito isso, o torcedor santista ri à toa neste momento. Com os brasileiros, talvez maiores rivais, de fora, o time de Neymar e Ganso tem grandes chances de buscar o tri. Basta ter calma, aprender com os erros dos conterrâneos e agradecer demais à Conmebol por ter marcado o jogo para terça, fugindo da quarta-feira sombria.

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