domingo, 8 de maio de 2011

O alto risco que Muricy quis correr pode custar muito caro ao Santos

Sem Ganso, o Santos pode ver Paulistão e Libertadores irem pelo ralo
(Miguel Schincariol - Lancenet!)
Ganhar um Campeonato Estadual em cima de seu maior rival é algo ótimo e todos os times gostariam de ter tal oportunidade. Mas e quando se tem, aleatoriamente, uma competição continental, de muito mais importância e visibilidade, que vale vaga para um confronto futuro contra Manchester United ou Barcelona? Vale a pena correr riscos querendo ganhar os dois e poder ficar sem nenhum? Esta pergunta é bem complexa e as opiniões variam. Muricy Ramalho, técnico do Santos, resolveu assumir os riscos e colocou o que tinha de melhor no duelo contra o Corinthians, exceto Léo e Arouca, que não podiam jogar mesmo.

Tudo caminhava de maneira normal. O Corinthians, contando com o apoio da torcida, começou com mais ímpeto e tentando se aproveitar do desgaste que a equipe do Litoral vem sofrendo, ainda mais depois da batalha dentro de campo e da longa viagem do México. Fosse um pouquinho mais competente e forte, o Timão teria aberto vantagem hoje.

O Santos entrou com o pretexto de segurar o jogo, atuar com a bola nos pés e calma, muita calma. Correria não combinava com o time da Baixada hoje. Assim, o duelo dos alvinegros ficou restrito a apenas dois lances de real perigo na etapa inicial, ambos em sequência. Primeiro foi Neymar, que usou de todo seu repertório de habilidade para achar um espaço entre a defesa, mas parar na trave. No contra-ataque, Bruno César fez tudo certinho, mas na hora de chutar, a bola subiu demais. O Corinthians parava em suas limitações e o Santos em seu extremo desgaste.

Quando o apito já ia soar para o intervalo, Muricy viu que sua aposta poderia sair muito errada. Ganso dividiu no meio e caiu, já colocando a mão sobre a coxa. Tentou voltar, mas não deu. A lesão foi forte, claro, apoiada também pelo cansaço, de quem atuou em quatro decisões em 10 dias. Muricy disse no desembaque de Querétaro, que o time estava arrebentado. Elano sentiu na pele no sábado passado contra o São Paulo. Hoje foi o maestro, o craque, o cérebro da equipe quem saiu. Azar gigante do Santos, que podia perder, com todo o respeito, um Danilo um Zé Eduardo, mas perdeu Ganso.

O segundo tempo do jogo foi muito mais animado e empolgante. O Corinthians tentou apertar. Nas mudanças, Tite foi bem em uma e péssimo na outra. William tardou, mas entrou. Tá mais do que na hora de ser titular. Mas entrou também Morais, que pouco acrescenta. Bruno César poderiam continuar sendo mais útil. Do lado do Santos, sem o camisa 10, o outro craque resolveu chamar a responsabilidade. Neymar foi dando baile e cansando os pobres Chicão e Wallace. Parou novamente na trave e deu o gol para Danilo, que Chicão salvou antes da linha fatal. Faltou pouco para o Santos vencer. Assim como faltou para Liedson, que encontrou a trave nos momentos finais.

O empate acabou justo. Talvez um 1 a 1 fosse mais merecido. Tudo continua indefinido. O Corinthians tem toda a semana para acertar o time e buscar uma estratégia que o faça sair do Urbano Caldeira com o título. O Santos tem o fator Vila como trunfo, mas tem também uma semana decisiva, com viagem para Manizales e um jogo durissímo contra o Once Caldas. Sem Ganso, que fica fora dos gramados por um bom tempo. O risco que Muricy quis correr e pode acabar pagando muito caro.

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