sábado, 28 de maio de 2011

Quem será o vice-europeu em 2012?

Prever o futuro é difícil. Mas vendo esse Barcelona jogar, dá pra imaginar que na próxima temporada, o domínio pode muito bem permanecer. O que os catalães fizeram em Wembley hoje, mostrou mais uma vez por que esse é o maior time dos últimos anos e já figura entre os maiores da história. O Manchester United é ótimo, mas nenhum time é páreo pra esse Barça, por mais que tente.

A final de hoje era muito aguardada. Para muitos, apenas os Red Devils seriam capazes de frear o time de Guardiola. E Ferguson, conhecedor disso, armou sua estratégia para o começo do jogo da melhor maneira possível. Com duas linhas de quatro, Rooney na ligação e Hernandéz mais a frente, o objetivo era apertar a marcação e tentar tomar a bola pra apostar na velocidade dos dois dianteiros. Evitar que a bola chegasse no envolvente passe do meio campo espanhol também era preciso.

Fazendo assim, o Manchester foi sim melhor nos primeiros 10, 15 minutos. Ao menos impediu os avanços adversários. Mas o gol não saiu. Aí o time perdeu o folêgo do início, já não conseguia mais marcar com eficiência e permitiu que o Barça crescesse no jogo. Então começou o massascre.

Tocando a bola, fazendo o jogo rodar e passando dos 65% de posse de bola, o Barcelona foi impondo seu estilo, dominando a partida e fazendo os ingleses apenas assistirem o jogo. As chances foram surgindo e o gol não demoraria a sair.

O erro do Manchester foi dar espaços. Seus zagueiros são ótimos, mas a proteção foi falha. E falha contra o Barça é suicídio. Deixarem o Xavi dominar a bola e carregar pela meia é pedir pra tomar gol. Era só esperar onde o espetacular camisa 6 colocaria a bola. Pra variar, ele foi perfeito e deixou Pedro mais do que tranquilo para balançar as redes e dar justiça ao placar.

Já parecia certa mais uma vitória tranquila do Barça. O Manchester foi se assustando, permitindo que os espanhois comandassem o jogo e a partida dava mostras de ser decidida rapidinho. Aí entrou um dos únicos fatores que podem complicar a vida de um time como esse, o talento. Claro que começou em um erro de saída dos Blaugranas, mas Rooney mostrou técnica e futebol para tabelar e concluir com precisão.

O gol veio em uma hora abençoada pros ingleses, que já não mostravam futebol. Era respirar e desfrutar do empate para, no intervalo, imaginar uma maneira de se recolocar no jogo.

Achei que o United viesse para o segundo tempo assim como entrou no jogo, marcando e sufocando. Talvez a intenção fosse até essa, mas desde o pontapé inicial, o Barcelona não deixou o rival nem ao menos pensar o jogo. Com o famoso toque de bola, paciência e técnica apurada, o time azul-grená foi comandando e só nos restou esperar os minutos pro gol sair. Ele veio com o maior do mundo e um dos maiores de todos os tempos. De novo o Manchester deu espaço na entrada da área. Messi percebeu, conduziu e acertou o gol de Van Der Sar, mostrando mais uma vez que é craque e decide quando precisa. Torço muito para que ele ganhe a Copa de 2014 sendo decisivo, pra de uma vez ser considerado um dos melhores, passando até mesmo Maradona.

Voltando ao jogo, a vantagem do Barça era merecida e faria o jogo voltar a sua normalidade. O Manchester pouco assustou. Sabia que se lançar a frente era sinônimo de goleada e continuou apostando em Rooney e Chicharito. O 'Shrek' não apareceu mais e o mexicano só deu as caras quando estava em impedimento.

Com seu futebol espetacular, o Barça então tratou de matar o jogo pra evitar qualquer susto, como no primeiro tempo. Villa recebeu e fez um gol com a cara de David Villa. Domínio, ajeitada e chute com curva, buscando o ângulo. Exatamente desse jeito aconteceu, um golaço e o caixão dos Diabos Vermelhos foi fechado.

Dali pra frente era mais festa e esperar o tempo passar. O melhor futebol do mundo, de toque de bola, qualidade, que encanta e é competente, vence mais uma. A base deve ser mantida pelos próximos anos e apostar em mais algumas taças da Champions League no Camp Nou não é loucura. Essa equipe pode atingir mais do que já atingiu.

domingo, 22 de maio de 2011

Uma estratégia executada com sucesso

A atual crise do São Paulo é a pior dos últimos anos. Queda na Copa do Brasil, técnico balançando, briga de Carpegiani com Rivaldo, lesão de Luís Fabiano e outros fatores que não fazem o time engrenar. Com a moral em baixa e repleto de desfalques, a estreia no Brasileiro contra o atual campeão Fluminense era vista com desconfiança. Por isso, a estratégia principal de Carpegiani era não perder. Um empate já estava bom. Se o time conseguisse executar jogadas com eficiência e sair vitorioso então, ótimo. E foi assim que o Tricolor saiu do Rio om os primeiros três pontos.

Xandão, Luis Eduardo e Rodrigo Souto. Wellington, Casemiro e Carlinhos Paraíba. Foi desse jeito que a equipe entrou em campo. Recheada de volantes marcadores e com muita cautela. Os primeiros 30 minutos de jogo foram pavorosos. Sem inspiração, o Fluminense não conseguia passar da barreira imposta. Na única que chegou, Deco perdeu grande chance. O São Paulo também não parecia ter válvula de escape. Os volantes, que poderiam sair para o jogo, não recebiam a bola, já que os zagueiros, visivelmente nervosos, só rifavam.

Quando a bola chegou em alguém que tem alguma técnica, a estratégia funcionou. Casemiro foi o meia que não existia e Dagoberto mostrou por que é o nome do time em 2011 ao marcar o primeiro. Gol fundamental para as pretensões de segurar, forçar o Flu ao erro e buscar o contra-golpe.

Rogério Ceni só trabalhou em chutes de longa distância. Isso porque o argentino Conca não jogou. Ele até estava em campo, mas apagado e anulado por Wellington, que foi um carrapato, o hermano não conseguiu trabalhar.

O segundo tempo, que talvez reservasse uma pressão do clube carioca em busca do empate logo tomou outro rumo aos 3 minutos. Do jeitinho que a estratégia previa, Lucas partiu em velocidade, fez linda jogada individual e marcou o segundo. O gol que caiu do céu e jogou o derradeiro balde de água fria no Fluminense.

Dali pra frente, o São Paulo não se preocupou mais. Buscando contra-ataques, poderia até ampliar, mas não foi necessário. Enderson Moreira demorou a mudar, mas nada surtiu efeito. A equipe seguiu apostando em ineficientes tiros de fora e bolas na área, que consagraram Luis Eduardo e Xandão. Sem paciência, a torcida não aguentou e o time de guerreiros virou time sem vergonha.

Sem ter nada a ver com isso, o São Paulo vence o jogo e larga bem na estreia. Isso ainda não faz a crise terminar, mas a ameniza um pouco e mostra que estratégias dão certo. Quem sabe as coisas não comecem a funcionar pelos lados do Morumbi.

sábado, 21 de maio de 2011

O Nacional mais imprevisível e equilibrado do mundo vai começar

O futebol gira em torno da Europa. Lá estão os melhores jogadores, times e estrutura. As ligas, totalmente organizadas, promovem conforto a clubes e estabilidade às equipes. Tudo isso é muito bonito e extremamente útil. Mas como o futebol é feito de emoção, é aqui no Brasil que temos o melhor campeonato nacional do planeta, cheio de equilíbrio e na maioria das vezes imprevisível.

Se na Espanha é Barça ou Real. Na Itália não foge de Inter, Milan e talvez a Juve. Na Inglaterra, Arsenal, Manchester e Chelsea monopolizam as últimas conquistas, aqui não, não há um campeonato que começa já sabendo que de um grupo de dois ou três vai sair o campeão. E amanhã, quando a bola começar a rolar, teremos ainda mais certeza disso. Vai começar o Brasileirão 2011.

Serão 38 rodadas quentes, e com pelo menos um jogão envolvendo dois gigantes do país por fim de semana, já aqui temos simplesmente 12 clubes de elite, mais os emergentes que sempre são gratas surpresas. Teremos também a volta de craques, times fortes e uma rivalidade única, que só o nosso Brasileirão pode proporcionar.

Os favoritos sempre existem. Como não destacar o atual campeão Fluminense, de Fred, Conca e agora sob a batuta de Abel Braga. Ou o Flamengo de Ronaldinho Gaúcho, Thiago Neves e Luxemburgo. No Rio, Vasco e Botafogo estão um patamar abaixo. Mesmo semifinalista da Copa do Brasil, o Vasco não faz suspirar e parece não ter folêgo. Igual ao Bota, que vem de campanhas boas, mas não consegue emplacar.

Na Terra da Garoa está o maior favorito. Com o rei dos pontos corridos Muricy e um time que sabe jogar muita bola, o Santos desponta hoje como um grandioso candidato. Claro que uma conquista da Libertadores brecaria um pouco o ímpeto, mas com a força que tem, o Peixe chega pra ganhar. Quem também é sempre forte é o São Paulo. Dono de 3 títulos na era dos pontos corridos, o Tricolor vem reformulado, apesar de crises e pressões. Em campo é um time de respeito, que quando chega, chega pra vencer. No Corinthians, a aposta é ainda arriscada. Sem se encontrar muito, o Timão não demonstra ser um dos que vão brigar pelas cabeças. Seja por Tite ou pelas deficiências do elenco. Mesmo assim, é o Corinthians e há de se respeitar. Mesma coisa com o Palmeiras. Em crise que parece não ter fim e órfão de um título brasileiro que não chega há 17 anos, o Verdão precisa primeiro se encontrar e se reestruturar, para então buscar coisas melhores.

Nas Minas Gerais, a expectativa é grande. O Atlético tem no papel e pelo que já apresentou no ano, um time para finalmente brigar por cima fazer parar de sofrer seu torcedor, que já se cansou de brigar por baixo. Título é um sonho distante, mas o Galo surge como força emergente. O lado azul de BH já é muito favorito. A equipe que talvez mais tenha encantado até agora no ano, o Cruzeiro viu acontecer uma catástrofe na Libertadores e dela quer tirar uma lição. Com um time muito forte e de qualidade, ao lado dos Meninos da Vila, a Raposa é perigosa.

Pelos lados de Porto Alegre, Inter e Grêmio provocam reações diferentes. Os Colorados também são favoritos fortes ao caneco. Batendo na trave há muito tempo, O Inter é, depois do Galo, o time que possui a maior fila. Com uma legião estrangeira, querem dominar o Brasil. O Grêmio é a equipe que não empolga. É valente, lutador, mas de longe é o de ótimas campanhas nos últimos anos. Na superação pode ir longe.

Estes são os doze gigantes. Mas como não mencionar Coritiba, Avaí e Ceará, semifinalistas da Copa do Brasil e possíveis surpresas boas nesta competição. As voltas de Bahia, Figueirense e América MG também dão todo um brilho especial a esta competição.

Amanhã será apenas o primeiro passo de uma caminhada longa e que premia o mais regular, aquele que se impõe e se mantém por mais tempo. Com emoção e equilíbrio, só nos resta sentar e aguardar, para ver de camarote essa disputa sensacional.

domingo, 15 de maio de 2011

O melhor time foi o campeão

Desde o ano passado o Santos vem sendo de longe o melhor time do Estado e do país. Neste Paulistão, o início com Adilson Batista foi conturbado, complicado e o encanto de 2010 parecia ter sido exterminado. Hoje, com Muricy, o time não é aquele de encher os olhos, mas ainda é o melhor e, com todos os méritos, conquistou o título.

Arrasado fisicamente e em uma maratona de jogos importantes absurda, nunca imaginei que o Santos fosse ter tanto domínio no primeiro tempo. Sem o maestro Ganso e o motorzinho Danilo, a bola da vez teria de ser o 'papai' Neymar. E foi sob sua batuta que o Santos aniquilou o Corinthians no primeiro tempo. Arouca marcou após bela trama de Léo e Zé Eduardo, e 1 a 0 foi muito pouco. Fosse mais competente nas finalizações e tivesse tido sorte no chutaço de Arouca na trave, o Peixe teria ensacolado e definido a fatura bem antes.

E por mais que se conteste Muricy, seu esquema de jogo e por aí vai, ele tem um mérito espetacular nesse time, arrumar a defesa. A zaga que era uma peneira, tá cada vez mais segura. Durval e Dracena foram soberanos hoje, não perderam uma. Adriano então, fez uma partida fabulosa. Marcando firme e na bola, foi um leão. Arouca hoje teve mais liberdade e com isso, marcou seu primeiro gol com a camisa santista. E com a defesa arrumada, o ataque se diverte.

O mais lamentável de hoje foi o primeiro tempo do Corinthians. Começou com o erro grosseiro de Tite em manter Dentinho no time titular e deixar William no banco. O Timão assistiu o adversário jogar. Sem pegada, sem raça e sem técnica, saiu pro intervalo agradecendo aos céus por não ter tomado muito mais. Tudo bem que o time é fraco, Fábio Santos, Leandro Castán, Paulinho e por aí vai, são muito abaixo do nível Corinthians, mas quem podia aparecer sumiu.

O segundo tempo começou com o Corinthians sendo um pouco menos medroso e tentando ao menos mostrar que estava em uma final. Tite finalmente acordou e alterou o que devia ter feito de início, mas depois mostrou porque é um técnico extremamente defensivo e nem um pouco ousado. Tirar Bruno César por Morais precisando de gol é dose.

O Santos puxou o freio de mão. Desgastado, o time tocou bola em busca de um contra-ataque que matasse o jogo. No momento em que mais passava um sufoco e via o Corinthians se animar, o craque apareceu. Neymar levou, lá pela esquerda, na dele. Chamou a marcação e achou aquele espacinho, suficiente pra ir pro gol e contar com uma falha absurda de Julio César. O mesmo que errou feio no jogo final do Brasileirão do ano passado e ajudou a tirar a vaga direta para a Libertadores. É um jovem valor e esforçado, mas não é um goleiro a nivel de Corinthians. Bola na rede e festa de Neymar.

Na sequência, outro gol estranho. Falta batida por Morais e Rafael viu a bola ir passando. O gol que até deu uma ponta de esperança pro Corinthians, sanada minutos depois com o apito final do árbitro, discreto por sinal, não comprometeu em nada. E quando o juiz não aparece, quer dizer que foi bem.

Assim, o melhor time foi campeão. Do craque Neymar, do iluminado Muricy. Assim como no ano passado, a dobradinha é mais do que possível. A Libertadores pro Peixe é um sonho muito próximo.

Já o Corinthians caiu para um time superior. Não dá para achar que é o fim do mundo, mas ter tal atitude em uma decisão do campeonato é deplorável. O Brasileirão vem aí e mudanças devem ocorrer, se o Timão quiser mesmo alguma coisa na competição nacional.

domingo, 8 de maio de 2011

O alto risco que Muricy quis correr pode custar muito caro ao Santos

Sem Ganso, o Santos pode ver Paulistão e Libertadores irem pelo ralo
(Miguel Schincariol - Lancenet!)
Ganhar um Campeonato Estadual em cima de seu maior rival é algo ótimo e todos os times gostariam de ter tal oportunidade. Mas e quando se tem, aleatoriamente, uma competição continental, de muito mais importância e visibilidade, que vale vaga para um confronto futuro contra Manchester United ou Barcelona? Vale a pena correr riscos querendo ganhar os dois e poder ficar sem nenhum? Esta pergunta é bem complexa e as opiniões variam. Muricy Ramalho, técnico do Santos, resolveu assumir os riscos e colocou o que tinha de melhor no duelo contra o Corinthians, exceto Léo e Arouca, que não podiam jogar mesmo.

Tudo caminhava de maneira normal. O Corinthians, contando com o apoio da torcida, começou com mais ímpeto e tentando se aproveitar do desgaste que a equipe do Litoral vem sofrendo, ainda mais depois da batalha dentro de campo e da longa viagem do México. Fosse um pouquinho mais competente e forte, o Timão teria aberto vantagem hoje.

O Santos entrou com o pretexto de segurar o jogo, atuar com a bola nos pés e calma, muita calma. Correria não combinava com o time da Baixada hoje. Assim, o duelo dos alvinegros ficou restrito a apenas dois lances de real perigo na etapa inicial, ambos em sequência. Primeiro foi Neymar, que usou de todo seu repertório de habilidade para achar um espaço entre a defesa, mas parar na trave. No contra-ataque, Bruno César fez tudo certinho, mas na hora de chutar, a bola subiu demais. O Corinthians parava em suas limitações e o Santos em seu extremo desgaste.

Quando o apito já ia soar para o intervalo, Muricy viu que sua aposta poderia sair muito errada. Ganso dividiu no meio e caiu, já colocando a mão sobre a coxa. Tentou voltar, mas não deu. A lesão foi forte, claro, apoiada também pelo cansaço, de quem atuou em quatro decisões em 10 dias. Muricy disse no desembaque de Querétaro, que o time estava arrebentado. Elano sentiu na pele no sábado passado contra o São Paulo. Hoje foi o maestro, o craque, o cérebro da equipe quem saiu. Azar gigante do Santos, que podia perder, com todo o respeito, um Danilo um Zé Eduardo, mas perdeu Ganso.

O segundo tempo do jogo foi muito mais animado e empolgante. O Corinthians tentou apertar. Nas mudanças, Tite foi bem em uma e péssimo na outra. William tardou, mas entrou. Tá mais do que na hora de ser titular. Mas entrou também Morais, que pouco acrescenta. Bruno César poderiam continuar sendo mais útil. Do lado do Santos, sem o camisa 10, o outro craque resolveu chamar a responsabilidade. Neymar foi dando baile e cansando os pobres Chicão e Wallace. Parou novamente na trave e deu o gol para Danilo, que Chicão salvou antes da linha fatal. Faltou pouco para o Santos vencer. Assim como faltou para Liedson, que encontrou a trave nos momentos finais.

O empate acabou justo. Talvez um 1 a 1 fosse mais merecido. Tudo continua indefinido. O Corinthians tem toda a semana para acertar o time e buscar uma estratégia que o faça sair do Urbano Caldeira com o título. O Santos tem o fator Vila como trunfo, mas tem também uma semana decisiva, com viagem para Manizales e um jogo durissímo contra o Once Caldas. Sem Ganso, que fica fora dos gramados por um bom tempo. O risco que Muricy quis correr e pode acabar pagando muito caro.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Uma noite que beira o inacreditável

Ver equipes brasileiras eliminadas na Libertadores logicamente não é nada anormal. Mas o que se viu na noite desta quarta-feira beirou o inacreditável. Até às 19h30 de hoje, quando o Internacional começou seu jogo contra o Peñarol, duvido, mas duvido mesmo, que alguém chegou a cogitar a queda dos quatro no mesmo dia.

A 'zica' começou no Beira Rio. Tudo parecia maravilhoso para o Inter quando o Oscar fez 1 a 0 logo no primeiro minuto. O time tinha a vantagem, o apoio do torcedor e com tranquilidade, só precisaria administrar. Veio o segundo tempo e bastaram 13 segundos para os uruguaios empatarem. Ali, a lembrança do Mazembe retornou à mente dos colorados. E na sequência, o Peñarol virou. É impressionante como brasileiro se desespera em momento tenso. Nesse quesito, uruguaios e argentinos nos dão um banho. Quando a coisa apertou, o Inter não teve a competência de Leandro Damião, a técnica de um D'Alessandro e nem o talento de um Oscar. Falcão sentiu na pele e viu que, muitos anos depois, a tarefa de ser treinador permanece inglória.

Depois foi a vez do Grêmio. Após perder no Olímpico e recheado de desfalques, esta eliminação para o Universidad Católica já eram favas contadas. Não foi surpresa, só serviu para entrar na estatística. O detalhe é o velório que se desenha em Porto Alegre nesta quinta-feira. Ambos sonhavam com um duelo pela Libertadores, mas agora abrem os olhos e veem que os sobrou apenas a decisão do 'disputado', 'incrível' e 'fascinante' Gaúchão.

No Paraguai, o Fluminense entrou com uma vantagem bacana e difícil de ser tirada. Ainda mais quando se vê que é o Fluminense. Dono de façanhas históricas como a classificação na primeira fase, quem imaginaria que o Libertad reverteria a vantagem. Como dizem, tudo que é demais, uma hora acaba. Assim foi com a cota de milagres do Fluminense, que experimentou do próprio veneno e viu os paraguaios reverterem com muita luta. Pior para o time de Conca, Fred e Cia, é ter levado todos os gols do 3 a 0 no segundo tempo, quando já parecia administrada a classificação. Ter tomado o primeiro gol na falha de Ricardo Berna ajudou a desesperar os cariocas, que nem um pouco lembraram o time de guerreiros.

Fechando a noite trágica, Sete Lagoas. Melhor campanha da 1ª fase, goleada em todo mundo, até mesmo no algoz Estudiantes. Vitória por 2 a 1 em Manizales e vantagem mais do que considerável para receber e atropelar o Once Caldas em Minas. E o mais difícil, aquela que quando eu vi, eu custei a acreditar, o Cruzeiro caiu. Roger foi estúpido, bateu até receber o vermelho. Jogar com 10, por mais difícil que seja, ainda não parecia prejudicar a equipe celeste. Mas a bola não entrava, o time não rendia e o Once Caldas, que já aterrorizou brasileiros em 2004, marcou o gol.

Quem entrou em cena? Sim, o desespero. Os jogadores cruzeirenses nitidamente perceberam que a eliminação, até então inimaginável, poderia virar realidade. Assim, encarnaram o estigma de seu treinador, Cuca. Medroso e perdedor. Não deu outra, o fraco, mas nem um pouco bobo Once Caldas fez o segundo. Aí a vaca foi pro brejo, tudo desandou e a campanha, que era perfeita, não valeu de absolutamente nada. Ou melhor, serviu sim, para representar o quão grandiosa foi a vergonha passada pela equipe. Mais uma vez a melhor campanha de uma 1ª fase não vale título.

Feito isso, o torcedor santista ri à toa neste momento. Com os brasileiros, talvez maiores rivais, de fora, o time de Neymar e Ganso tem grandes chances de buscar o tri. Basta ter calma, aprender com os erros dos conterrâneos e agradecer demais à Conmebol por ter marcado o jogo para terça, fugindo da quarta-feira sombria.

terça-feira, 3 de maio de 2011

A árdua missão santista no México

Animado, mas muito cansado. Assim chegou o Santos em Querétaro, no México para a disputa da partida mais importante da equipe no ano, o jogo de volta das oitavas de final da Libertadores contra o América. Talvez o desgaste excessivo no clássico de sábado possa trazer mais prejuízos ao time, que já não tem Elano, lesionado. Mesmo assim, o ânimo de uma classificação pode muito bem abastecer o Peixe rumo à vaga.

Após os problemas na chegada, o time de Muricy chega mesmo apenas com o desfalque do importante Elano. Importante sim, mas não é um desfalque que traga tantos malefícios, quanto seria uma falta de Neymar ou Ganso. Muricy não fez mistério e já confirmou, Adriano será o titular. Ele será o cão de guarda, liberando Arouca e Danilo para sair para o jogo e dando liberdade para Ganso armar. Assim, a equipe jogou contra o Cerro Porteño, e de lá saiu com o resultado positivo.

Danilo também faz importante dobradinha com Jonathan pela direita. Dali podem sair jogadas boas. O outro lado, bem servido com Léo e Neymar também é caminho para o jogo santista. Será primordial abrir a defesa adversária e buscar, na velocidade de seus atacantes, chegar a pelo menos um gol, que desesperaria o América e deixaria tudo mais fácil.

Os mexicanos vão muito animados também. Pareceu estranho a primeira vista a comemoração dos atletas no apito final do árbitro no jogo da Vila. Mas o mínimo 1 a 0, fora de casa, foi visto com muitos bons olhos pelos jogadores do América. A preocupação ali era clara. Perder de pouco, garantir a classificação no torneio caseiro no fim de semana e ir com tudo para cima do Peixe. Até o momento, o script está sendo bem seguido, falta faturar a classificação amanhã.

E é apostando na pressão que o América deve jogar. Se não tem o Azteca, com seus milhares de torcedores apoiando, a equipe deve ter muita ajuda mesmo em Querétaro. Segurar o ímpeto adversário no início é a tarefa primordial do Santos. Ter tranquilidade e fazer o jogo virar contra o América, que não é um primor de time. Quem viu algo dos jogos contra o Fluminense na primeira fase, viu um time até arrumadinho e esperto, mas muito longe de ser páreo para os Meninos da Vila. O fato de jogar em casa e ter o time completo é o que pode assustar a equipe brasileira.

Muricy e seu time sabem que o placar da ida foi pouco. A pressão e a disputa serão intensas e complicadas, mas jogando a bola que sabe, o Santos tem tudo e mais um pouco para sair do México classificado e já vislumbrando espetaculares confrontos contra o Cruzeiro pelas quartas de final.

domingo, 1 de maio de 2011

Um digno e verdadeiro Palmeiras x Corinthians

Depois de tanta emoção, Julio César garantiu a vaga para o Timão
(Créditos: Tom Dib - Lancenet!!)
Talvez São Paulo x Corinthians seja o clássico que mais tomou grandes dimensões nos últimos anos, ou Palmeiras x São Paulo seja aquele que provoca ódio mortal entre os times. Não se discute que são dois grandes jogos, mas Palmeiras x Corinthians é diferente, transcede a todos estes. O que se viu hoje no Pacaembu foi a prova viva de quanto esse clássico ainda é espetacular. No fim, deu Corinthians, após tudo o que podia ter acontecido acontecer.

Muitos gostam de ver clássicos com muitos gols e alto nível técnico. Mas eu parto de uma teoria diferente. Claro que ver gols é o máximo, mas sou muito mais ver um jogo com o de hoje. Briga, discussão, expulsão, pegada e muita, muita emoção, externada de vez na disputa de pênaltis.

Em campo, as equipes entraram como de costume. O Palmeiras cauteloso na teoria e o Corinthians apostando na velocidade e tentando surpreender o adversário, dono da melhor defesa do campeonato.

Foi um jogo nervoso desde o pontapé inicial. O Palmeiras, empurrado pela torcida, fez uma coisa que não costuma, agredir o adversário. Valdívia parecia querer chamar o jogo no início, com chutes, dribles e movimentação. Sempre batendo de fora da área, o Palmeiras tentava chegar. O Corinthians, mais atrás, buscava um contra-ataque veloz.

O início até promissor e melhor do Palmeiras se transformou em preocupação em dez minutos. Primeiro foi Valdívia. O chute no vácuo foi inútil, imbecil, desnecessário. A perna não aguentou e o Mago, esperança de desequilíbrio para o time, saiu do jogo, mostrando porque não pode ser considerado um fora de série, apesar de jogar bem.

Expulsão e confusão: Isso não podia faltar
(Créditos: Tom Dib - Lancenet!)
Depois veio o lance polêmico do jogo. Danilo dá um carrinho forte em Liedson. Paulo César Oliveira, contestado dias antes do jogo, não teve dúvidas e expulsou o zagueiro alviverde. Versões variam para o lance. O carrinho foi forte, perigoso, mas atingiu primeiro a bola. Liedson também não foi santo, deixou o pé por cima. Poderia ter amarelado os dois, expulsado os dois ou não ter feito nada. Mas isso não foi o preponderante na eliminação palmeirense.

Depois veio a expulsão de Scolai. Quem tem uma experiência como a de Felipão não pode se comportar daquela maneira. Tudo bem que é jogo decisivo, sangue quente e sentimento de injustiça, mas sempre o treinador é o reflexo de sua equipe e não é de hoje que o gaúcho dá seus chiliques. Isso só 'pilha' mais seu time.

Já no segundo tempo, o futebol resolveu tomar o primeiro plano. Muito equilibrado, o jogo ganhava ares de emoção a cada minuto. Melhor postado, apesar de ter um a menos, o Palmeiras chegou como havia de chegar, na bola parada. Leandro Amaro subiu bem e desviou cobrança de escanteio de Marcos Assunção para abrir o placar.

Era o que precisava o Palmeiras. Com a vantagem, o time que sofre poucos gols só precisava continuar fazendo o que mais sabe, se defender. Do outro lado, Tite teve que arriscar. O Corinthians não tinha vibração, não demonstrava técnica. Quando o técnico raciocicou e colocou William, que por sinal devia ter entrado desde o início, o time ganhou alguma força ofensiva. Só que foi com a bola parada que o empate veio, com o atacante predestinado.

O empate voltou a trazer emoção e a expectativa de pênaltis. O Palmeiras não se abateu e foi melhor nos últimos minutos, mas um clássico como esse tinha que ter mais essa pitada sensacional de emoção: a bola na marca da cal.

Aí nos pênaltis, é só emoção, angústia e torcer demais. Claro que quase todos bateram bem demais. Deola só saltou de um lado. João Vitor cobrou mal e fez Julio César ser heroi. Mas no fim das contas, deu Corinthians.

Se para muitos, o Palmeiras foi melhor, só mais um ingrediente, não é sempre que os que jogam melhor ganhamm, principalmente em um Palmeiras x Corinthians.
 

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