sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Rivaldo deu show, mas era só o Linense

A estreia do camisa 10 foi mais do que especial  (Nelson Antoine/Foto arena)

O torcedor são paulino que esteve ontem no Morumbi ou qualquer outro que tenha visto a atuação de Rivaldo com certeza se animou e se encantou com o show do camisa 10. Ele fez de tudo, deu belos passes, chapéus, bola entre as pernas e um golaço. Acho que ninguém esperava tamanha exuberância logo em sua primeira partida, ainda mais após o grande tempo longe dos gramados, porém há de salientar quem estava do outro lado, o Linense. Sem menosprezo algum ao time do interior, mas tratá-lo como parâmetro não dá.

Em campo, o São Paulo sofreu e foi sofrível na etapa inicial. Sem um centro-avante, a equipe carece demais. O time estava leve, mas faltava chegada. Ilsinho, Fernandinho e Dagoberto pouco produziram. Rivaldo tentou algo mais incisivo, deu boas invertidas de jogo, bateu uma falta que levou perigo e deu um chapéu maravilhoso em Alessandro. Só que perigo mesmo quem levou foi o Linense, com dois bons chutes, que Rogério defendeu. Carpegiani não deve ter gostado do que viu, assim como todo o Morumbi.

A expectativa era de melhora para a etapa final, mas foram precisos dois sustos para o time acordar. Primeiro foi um gol bem anulado do time interiorano. Depois não teve jeito. Após cruzamento da esquerda, Miranda furou bisonhamente e Eric aproveitou para bater de primeira e inaugurar o marcador. Susto no Morumbi. A desvantagem deixou os tricolores apreensivos. Era a hora de o craque aparecer. Jogada de Dagoberto pela esquerda e bola lançada para Rivaldo. O camisa 10 dominou já chapelando o zagueiro, saiu na cara do goleiro e mostrou a frieza de quem sabe o que faz com a ‘pelota’ nos pés. Empate e explosão no Morumbi.

O golaço incendiou o jogo e a equipe, que, com Fernandão e Marlos, cresceu no jogo. O camisa 15 foi nulo, mas sua presença na área, liberou os companheiros para flutuarem mais em campo e criarem jogadas mais rápidas. Marlos foi decisivo. Após boa troca de passes, o camisa 11 recebeu na área e fuzilou o gol adversário, virando a partida.

O são paulino confia muito nos dois (Tom Dib)
O placar deixou o time de Lins atordoado e sem assustar o Tricolor. Daí pra frente, o São Paulo mais treinou do que se esforçou. Quem teve bela atuação ontem foi Jean. Tendo que se adaptar na ‘marra’ a ser lateral, o jogador cresceu na etapa final e criou boas jogadas pelo lado direito. Rivaldo, já um pouco desgastado, passou a se poupar e conduzir o jogo com a experiência que tem.

Quando o jogo se encaminhava para seu término, uma falta frontal para o time da capital. Na cobrança, Rogério Ceni e Rivaldo, que somados, possuem 76 anos. O goleiro Paulo Musse não parecia nem um pouco feliz no que estava encarando, de onde viesse, era chumbo grosso. Imaginei que Rivaldo cobraria, até pelo baixo aproveitamento do goleiro-artilheiro nas últimas cobranças de falta. Só que o capitão ‘calou minha boca’ e bateu com uma precisão absurda, fazendo um golaço. Mais incrível foi a comemoração, efusiva e extravasada, como poucas vezes vi Rogério fazer. Faltam apenas três para o centésimo e o maior goleiro-artilheiro do mundo está cada vez mais perto de fazer história outra vez.

Nos acréscimos, Alessandro ainda descontou, mas nada que tirasse os 3 pontos e o brilho da estréia de Rivaldo. Desde a aposentadoria de Raí, o São Paulo sente a falta de um camisa 10 deste nível, e quem sabe, ele não apareceu. Categoria e técnica ele tem de sobra, o são paulino pode se animar, mas deve manter os pés no chão, pois do outro lado estava o Linense. Se Rivaldo fizer isso na Copa do Brasil, Brasileirão e nos clássicos, veremos que o investimento valeu e muito.

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