| Souza e todo o Fluminense tem muito do que se lamentar (Paulo Sérgio - Lancenet) |
O clima pré-jogo para o Fluminense contra o Nacional do Uruguai não era dos melhores. Derrota para o inexpressivo Boa Vista e conseqüente eliminação na Taça Guanabara, mais uma lesão de Fred, a 9ª em dois anos de clube e a pressão pela vitória após o empate na estréia contra o Argentinos Juniors. O torcedor, que tinha o dever de apoiar, resolveu não fazer sua parte. Apenas pouco mais de 10 mil pessoas estiveram presentes no Engenhão. Um público ridículo para uma partida de Libertadores, ainda mais pelo fato do time precisar daquele apoio.
As coisas já não eram das mais otimistas e Muricy agravou ainda mais quando anunciou a escalação da equipe. Com desfalques, ele resolveu implantar o 3-6-1. Para um jogo em que o time precisava demais da vitória, ele errou feio. Independente dos desfalques, Muricy também pensou demais em seu sistema defensivo. Após tomar 12 gols em 9 jogos, ele queria evitar erros bobos como os vistos no jogo contra o Argentinos. O problema é que ao mesmo tempo em que ele arruma a defesa, ele resolve desestruturar seu ataque.
O Nacional não é o mesmo da década de 60, 70. A tradição ainda existe, mas o time está longe de ter a mesma força. Por isso, veio para o Brasil satisfeito com um empate, embora tenha atuado num 4-3-3 até ousado. Ousadia essa que faltou no técnico do Fluminense. Inteligente e conhecendo bem seu adversário, o treinador Juan Ramon Carrasco fez de tudo para travar as duas grandes armas do Fluminense, Conca e os avanços dos laterais Carlinhos e Mariano. O argentino foi discretíssimo e os laterais até criaram boas situações, principalmente Mariano, mas Rafael Moura não aproveitou. Sozinho, por vezes ficou perdido entre os zagueiros adversários.
Era nítido que o Fluminense não conseguiria o resultado de maneira tranqüila. Se fizesse o gol, seria em um lance isolado, fortuito, faltava qualidade. Com Diguinho e Valência apenas para combater, faltou técnica na saída de bola, na condução do time. Marquinho, o meia ao lado de Conca, até se esforçou, mas ainda não tem bola suficiente. Enquanto isso os uruguaios aproveitavam para chegar em contra-ataques, mas nenhum foi bem executado. Assim, as primeiras vaias já ecoavam ao fim do primeiro tempo no Engenhão.
Para o segundo tempo, o panorama seguiu semelhante. Com Tartá no lugar de Valencia, a expectativa é de uma aproximação maior entre meio e ataque e uma pressão efetiva. O Fluminense até tinha a bola, chegava próximo à área, mas faltava um lance que incendiasse o torcedor. Os lances sempre vinham pelos lados do campo e até gol anulado houve, mas Rafael Moura fez em impedimento. A coisa quase ficou mais trágica quando Santiago fez quase tudo certo, aproveitou o erro dos zagueiros, passou pelo goleiro Ricardo Berna, mas bisonhamente isolou a bola e tirou a chance dos uruguaios somarem três pontos.
No desespero, Muricy colocou Souza e Araújo. Nomes que poderiam muito bem ter começado o jogo e só entraram na parte final da partida. O time já não tinha mais padrão e mesmo com as mudanças, Muricy não teve estrela e o jogo, insosso e fraco, ficou mesmo no 0 a 0.
A coisa nas Laranjeiras promete ficar tensa. A lua de mel do torcedor com o time após o título brasileiro já passou. A eliminação no 1º turno do Carioca e os dois empates em casa pela Libertadores ligam e muito o sinal de alerta do time. Agora a equipe tem o América lá na Cidade do México e só uma vitória pode apagar os dois tropeços no Engenhão. Não duvido que Muricy seja extremamente cauteloso no jogo lá na América do Norte. Assim, ele evita tomar gols, mas também vai ser difícil marcar algum. E com isso, a permanência do Fluminense na Libertadores pode ser muito mais relâmpago do que se esperava.

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