segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Obrigado Fenômeno

Na final da Copa, o ápice e os dois gols contra a Alemanha

O dia 14 de fevereiro de 2011 com certeza ficará marcado para sempre no mundo do futebol. Há pouco foi anunciada a aposentadoria de um dos maiores jogadores da história, o Fenômeno Ronaldo. Dono de façanhas espetaculares e indiscutíveis, o R9 não conseguiu mais aguentar e deixa o futebol aos 34 anos.

Ronaldo teve uma infância pobre e precisou lutar muito para buscar seu sonho. E luta é uma palavra que se encaixa perfeitamente a ele. A ascenção da carreira foi meteórica. Começou no São Cristovão, mas com 16 anos, o garoto dentuço já jogava em um dos gigantes do futebol brasileiro, o Cruzeiro. A velocidade e o faro de gol já davam indícios de que aquele menino era diferente. A seleção era questão de tempo. Carlos Alberto Parreira ousou e chamou Ronaldo para compor o grupo tetracampeão nos Estados Unidos. Ele não atuou um minuto sequer, mas aquela seria uma experiência pra anos futuros.

No Cruzeiro ele foi campeão e artilheiro do Estadual e foi para o PSV. Na Holanda, o mundo começou a conhecer Ronaldo. A passagem pelo PSV foi curta. O time já não condizia com o tamanho que Ronaldo se transformava. Era preciso algo maior e apareceu o Barcelona. Na Catalunha, nasceu o apelido que carrega até hoje, 'Fenômeno'. Foram gols memoráveis, como um contra o Salamanca em que ele passou por meio time. As arrancadas, dribles e lances mágicos fizeram com que em 1996, com apenas 20 anos, conquistasse o título de melhor jogador do planeta.

Após encantar a Espanha, ele foi para a Itália, após a Inter descarregar um caminhão de dinheiro no Camp Nou. Na 'Bota' ele não foi R9, mas sim R10, já que seu número tradicional era do chileno Zamorano. E mesmo assim ele foi mais uma vez melhor do mundo em 1997.

As lesões que tanto atrapalharam
Em 1998, já com a 9 interista, o ano foi mais complicado. A redenção poderia vir na Copa do Mundo, sua primeira como titular. Após boas atuações e um show na semifinal contra a Holanda, ele era a esperança contra os anfitriões franceses na decisão, mas a misteriosa convulsão que quase o tirou do jogo acabou com o sonho canarinho. Ronaldo atuou, mas nem de longe foi o jogador que se esperava em uma decisão.

Na Inter, Ronaldo começou a sofrer com as contusões. Nada muito sério até 12 de abril de 2000, quando em jogo contra a Lazio pela Copa da Itália, poucos minutos após entrar em campo, o joelho direito ceder e proporcionar uma cena incrível, triste. Foram meses e meses de recuperação. A dúvida que pairava era: será que ele volta? E voltou.

Em 2002, mais uma Copa do Mundo. Ainda com dúvidas, Ronaldo foi bancado por Felipão. O clamor popular pedia Romário, mas lá estava o Fenômeno para dar a volta por cima. Com oito gols, sendo dois deles na decisão contra a Alemanha, do carrancudo e frangueiro Oliver Kahn, Ronaldo mais uma vez ganhou o mundo. Como gênio que é, ele superou as críticas, desconfianças e fez a festa na Ásia.


Melhor do Mundo
E mais um capítulo da vida dele mudaria. Agora era em Madrid, em meio aos galácticos Zidane, Figo, Raúl, Roberto Carlos, ele fez seus gols e garantiu o título mundial de clubes aos merengues. No dia seguinte seria coroado pela terceira vez como melhor jogador do mundo, apenas ele e Zidane conseguiram tal façanha até hoje.

O fim de 2002 começou a representar o declínio do craque. Nos anos seguintes, apesar dos gols, a bola já não era a mesma e os fracassos começaram juntamente com o Real Madrid, repleto de craques, mas sem o brilho que deveriam. Também pela seleção ele não brilhou em 2006, mas o gol contra Gana, seu 15º na história das Copas, o colocou mais uma vez na história como maior artilheiro dos Mundiais.

Em 2007 Ronaldo foi dar o ar de sua graça novamente em Milão, mas dessa vez na equipe rubro-negra da cidade. Após algumas atuações destacadas e outras apagadas, novamente o joelho foi o vilão. Mais uma lesão e novamente ele teria de dar a volta por cima. O Milan não quis e Ronaldo ficou livre para atuar em outro time. O Flamengo, equipe do coração, abriu as portas para o tratamento do craque. Neste meio tempo, ocorreu uma das maiores polêmicas na vida do craque, a confusão com três travestis no Rio.

No fim de 2008 caiu a bomba no futebol brasileiro. O interesse do Corinthians parecia 'jogo de cena', mas o sonho de tornou realidade e o Fenômeno foi anunciado e voltaria a atuar por aqui, ganhando muito e trazendo patrocínios milionários ao Timão. Na apresentação, ele se intitulou mais 'um louco no bando'. E era com ele que o Corinthians começava 2009, após a passagem pela série B. Se recuperando fisicamente e já acima do peso, ele estreou contra o Itumbiara, mas foi no jogo seguinte, contra o arquirrival Palmeiras, que R9 caiu de vez nos braços da Fiel. Ao marcar o gol de empate, ele provocou a derrubada do alambrado do estádio em Presidente Prudente.

Ali era o começo de um semestre mágico para o time, que ganhou tudo. Relembrando suas espetaculares arrancadas, ele fez o zagueiro Rodrigo do São Paulo 'comer poeira' na semifinal do Paulistão. E na decisão contra o Santos veio o ápice. Dois golaços, um deles digno de gênio. Após uma bela finta, a bola por cobertura, milimétrica, espetacular. A dobradinha veio na Copa do Brasil. Na decisão contra o Internacional, o Fenômeno fez o que quis com Índio e marcou o segundo gol no Pacaembu, o que praticamente deu o título à equipe.

No Brasileiro, ele foi discreto, se guardando para o objetivo principal, a Libertadores no ano do centenário, ao lado do parceiro Roberto Carlos. Em 2010, apesar dos gols, a falta de condição física começou a pesar e nem o gol marcado contra o Flamengo foi capaz de evitar a eliminação. Ele ainda teve a chance de ser campeão brasileiro, mas as lesões continuaram atrapalhando e o time perdeu o título nas rodadas finais. O gol polêmico de pênalti contra o Cruzeiro seria o último dele.

Contra o Tolima, o último jogo
2011 começou mais uma vez com o time sonhando com a Libertadores e com o Fenômeno já anunciando a aposentadoria para o fim do ano. Só que isso acabou em Ibagué, na Colômbia. Derrotado pelo Tolima, o Corinthians caiu vergonhosamente. Sem palavras para explicar algo, Ronaldo sentiu o golpe e a fúria da torcida, que xingou, cobrou e ameaçou.

Sob pressão, ele preferiu parar. Sabe que não tem mais condições. O que a cabeça ordena a perna não obedece, o peso não baixa, o corpo já não aguenta. Cansado de sofrer, a aposentadoria foi a melhor opção. Infelizmente ele abandona o futebol por baixo, mas nada disso apagará toda a história dele, os dribles, gols, títulos e jogadas que nos encantaram durante todos estes anos.

Torcedores do Cruzeiro, PSV, Barcelona, Internazionale, Real Madrid, Milan e Corinthians podem dizer com orgulho que torceram por ele em seus times. E os brasileiros que viram ele ganhar uma Copa e brilhar com a amarelinha. Aquele garoto dentuço do Cruzeiro ganhou o mundo, foi melhor do mundo e é o maior artilheiro da história das Copas do Mundo.

Por tudo isso, só nos resta aplaudir e dizer OBRIGADO RONALDO!!!!!!!!!


2 comentários:

  1. Ronaldo fez o mundo se ajoelhar aos seus pés, merece uma despedida digna de um fenômeno. E digo mais; Ronaldo foi o maior jogador do futebol mundial. Uma palavra que define bem ele é superação.

    PS:Texto muito bom, Parabéns.

    ResponderExcluir
  2. Leonardo:
    Com certeza o mundo reverencia e aplaude o Fenômeno. Dizer que ele foi o maior é complicado, mas sem sombra de dúvidas figura entre os grandes que já desfilaram pelos gramados do planeta.

    Superação e força de vontade, garra de quem sempre lutou e que mostra que nada é impossível, basta querer.

    Obrigado pelo elogio, agradeço muito e espero mais visitas e comentários, um abraço.

    ResponderExcluir

 

Contador Grátis