domingo, 27 de fevereiro de 2011

A tarde foi da chuva e dos coadjuvantes

A chuva foi que mais deu as caras hoje
(Fernando Borges - Terra)
O Choque-Rei era esperado pelo duelo Lucas x Valdívia. Os dois armadores, grandes destaques das duas equipes, eram as esperanças de jogadas bonitas, velocidades e muitos gols. Para tristeza dos torcedores, nem a revelação são paulina e nem o Mago palmeirense foram brilhantes. Apesar de alguns lampejos, foram dois dos coadjuvantes que definiram o 1 a 1 do Morumbi.

Jogo este que demorou pra começar. A torrencial chuva que caiu no Cícero Pompeu de Toledo alagou o gramado. Marcado para as 16 horas, o jogo não tinha condições de ter início. A arbitragem esperou, os times esperaram e parecia que a bola não rolaria. Mas tão surpreendente quanto o temporal, foi a capacidade de drenagem do estádio. Em 1 hora, o gramado 'venceu o toró' e, se não mostrou condições perfeitas, permitiu que o jogo começasse.

E começou com o Palmeiras, escalado no esquema tradicional de Felipão, melhor. Com Kléber endiabrado como sempre, o Verdão tentou aproveitar as descidas de Cicinho. Carpegiani não quis se complicar e manteve o time que encantou na semana passada contra o Bragantino, mas o toque de bola e velocidade da equipe sofreram nos primeiros lances de gramado pesado.

Fernandinho fez um golaço e segue em boa fase
(Fernandoi Borges - Terra)
Dá para se afirmar que tecnicamente o Tricolor é mais time, e quando se acostumou com o campo, cresceu e passou a dominar. Alex Silva quase fez um golaço após jogada do parceiro de zaga Miranda.

Minutos depois, o primeiro coadjuvante apareceu. Do ataque tricolor, Lucas é o craque e Dagoberto vem sendo o destaque, artilheiro do time. Fernandinho ainda é questionado, mas hoje mostrou que a fase é boa. Recebeu, encarou Danilo e acertou um petardo inapelável para Deola. Quando dava a volta para comemorar, a energia caiu. Por mais que as equipes quisessem jogo, tava difícil. Mais quinze minutos de paralisação e a bola voltou a rolar. O São Paulo seguiu melhor, mas concluiu muito mal. Lucas até criou, mas não foi espetacular como de praxe. O Palmeiras se ressentia de um lance genial de Valdívia ou uma jogada grandiosa de Kléber, mas o que se viu foram chutes de longe, sem nenhum perigo.

O panorama da etapa final parecia semelhante, e até melhor para o São Paulo. Em desvantagem, o Verdão tinha de sair e dava a brecha para o contra-ataque tricolor, que veloz, poderia fazer a diferença e ampliar a vantagem. Aí faltou cabeça e frieza ao São Paulo. O jogo, que desde o início vinha quente, voltou a ficar nervoso e Alex Silva caiu na pilha. Foi aí que entrou em ação o segundo coadjuvante da tarde. Adriano 'Michael Jackson' entrou no lugar do inoperante Luan e provocou a expulsão do 3 são paulino.

O jogo, que estava até tranquilo para o São Paulo, mudou de lado. Felipão não quis se arriscar e manteve o time na mesma. Carpegiani tirou Fernandinho, que jogava bem, para recompor a zaga com Xandão. Com Lucas e Dagoberto mais perdidos, sentindo falta da presença de Fernandinho na esquerda, o Tricolor teve dificuldades. Rivaldo e Willian ainda entraram, mas isso tirou de vez a velocidade e só prejudicou o time. O Palmeiras também não sabia aproveitar de maneira correta a superioridade numérica, mas no finalzinho o 11 x 10 suriu efeito.

Com direito a dancinha, Adriano saiu do banco pra empatar
(Fernando Borges - Terra)
Primeiro foi Tinga, depois Valdívia e Adriano, todos eles tiveram grandes chances e pararam em Rogério Ceni. Não era hora de perder chances ali. Mas o fim de tarde não seria de decepção para os palmeirenses. Adriano recebeu outra chance e desta vez não deu chance alguma ao goleiro são paulino. Do banco, ele saiu pra dançar e concretizar o empate.

O resultado não é dos mais agradáveis para os dois times. O São Paulo, segue sem perder pro Palmeiras no Morumbi desde 2002. Mas sabe que jogou fora os 3 pontos com a expulsão de Alex Silva. O Verdão ainda tem muito a evoluir, isso se for possível, mas sabe também que apenas ter uma boa defesa não adianta. Fosse mais competente ofensivamente, poderia ter saído do Morumbi com a vitória.

Mais importante que isso, Felipão e Carpegiani sabem que se seus astros não estiverem inspirados, os coadjuvantes podem dar conta do recado.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Desse jeito não toma gols, mas também não faz



Souza e todo o Fluminense tem muito do que se lamentar
(Paulo Sérgio - Lancenet)

O clima pré-jogo para o Fluminense contra o Nacional do Uruguai não era dos melhores. Derrota para o inexpressivo Boa Vista e conseqüente eliminação na Taça Guanabara, mais uma lesão de Fred, a 9ª em dois anos de clube e a pressão pela vitória após o empate na estréia contra o Argentinos Juniors. O torcedor, que tinha o dever de apoiar, resolveu não fazer sua parte. Apenas pouco mais de 10 mil pessoas estiveram presentes no Engenhão. Um público ridículo para uma partida de Libertadores, ainda mais pelo fato do time precisar daquele apoio.

As coisas já não eram das mais otimistas e Muricy agravou ainda mais quando anunciou a escalação da equipe. Com desfalques, ele resolveu implantar o 3-6-1. Para um jogo em que o time precisava demais da vitória, ele errou feio. Independente dos desfalques, Muricy também pensou demais em seu sistema defensivo. Após tomar 12 gols em 9 jogos, ele queria evitar erros bobos como os vistos no jogo contra o Argentinos. O problema é que ao mesmo tempo em que ele arruma a defesa, ele resolve desestruturar seu ataque.

O Nacional não é o mesmo da década de 60, 70. A tradição ainda existe, mas o time está longe de ter a mesma força. Por isso, veio para o Brasil satisfeito com um empate, embora tenha atuado num 4-3-3 até ousado. Ousadia essa que faltou no técnico do Fluminense. Inteligente e conhecendo bem seu adversário, o treinador Juan Ramon Carrasco fez de tudo para travar as duas grandes armas do Fluminense, Conca e os avanços dos laterais Carlinhos e Mariano. O argentino foi discretíssimo e os laterais até criaram boas situações, principalmente Mariano, mas Rafael Moura não aproveitou. Sozinho, por vezes ficou perdido entre os zagueiros adversários.

Era nítido que o Fluminense não conseguiria o resultado de maneira tranqüila. Se fizesse o gol, seria em um lance isolado, fortuito, faltava qualidade. Com Diguinho e Valência apenas para combater, faltou técnica na saída de bola, na condução do time. Marquinho, o meia ao lado de Conca, até se esforçou, mas ainda não tem bola suficiente. Enquanto isso os uruguaios aproveitavam para chegar em contra-ataques, mas nenhum foi bem executado. Assim, as primeiras vaias já ecoavam ao fim do primeiro tempo no Engenhão.

Para o segundo tempo, o panorama seguiu semelhante. Com Tartá no lugar de Valencia, a expectativa é de uma aproximação maior entre meio e ataque e uma pressão efetiva. O Fluminense até tinha a bola, chegava próximo à área, mas faltava um lance que incendiasse o torcedor. Os lances sempre vinham pelos lados do campo e até gol anulado houve, mas Rafael Moura fez em impedimento. A coisa quase ficou mais trágica quando Santiago fez quase tudo certo, aproveitou o erro dos zagueiros, passou pelo goleiro Ricardo Berna, mas bisonhamente isolou a bola e tirou a chance dos uruguaios somarem três pontos.

No desespero, Muricy colocou Souza e Araújo. Nomes que poderiam muito bem ter começado o jogo e só entraram na parte final da partida. O time já não tinha mais padrão e mesmo com as mudanças, Muricy não teve estrela e o jogo, insosso e fraco, ficou mesmo no 0 a 0.

A coisa nas Laranjeiras promete ficar tensa. A lua de mel do torcedor com o time após o título brasileiro já passou. A eliminação no 1º turno do Carioca e os dois empates em casa pela Libertadores ligam e muito o sinal de alerta do time. Agora a equipe tem o América lá na Cidade do México e só uma vitória pode apagar os dois tropeços no Engenhão. Não duvido que Muricy seja extremamente cauteloso no jogo lá na América do Norte. Assim, ele evita tomar gols, mas também vai ser difícil marcar algum. E com isso, a permanência do Fluminense na Libertadores pode ser muito mais relâmpago do que se esperava.



terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Por que ainda me surpreendo com as burradas da CBF?

Este é o grande objeto de discórdia
Segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011: No auditório do Tribunal Regional Federal, o São Paulo recebe a Taça das Bolinhas, dada pela CBF ao primeiro time pentacampeão brasileiro em anos alternados ou tricampeão consecutivo. A entrega do troféu significava ali o fim de qualquer dúvida sobre o título nacional em 1987, creditado apenas ao Sport. Com a Taça das Bolinhas em mãos, os são paulinos comemoraram, festejaram, Juvenal Juvêncio disse que se deliciaria com ela e tudo o mais. Por outro lado, os flamenguistas reclamavam da decisão. Campeão do módulo amarelo da Copa União em 87, o equivalente à 1ª divisão, a equipe carioca se negou a enfrentar o Sport, campeão do módulo verde, equivalente à segundona. Por isso, a CBF deu o título para os pernambucanos, embora a mídia e o público proclame o Mengo como campeão daquele ano.

Segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011: A CBF volta atrás e anuncia. Flamengo e Sport são os campeões brasileiros de 1987. Assim como nos títulos reconhecidos antes de 1971, temos dois campeões brasileiros no mesmo ano. E com muitos méritos né? O Flamengo, que se negou a disputar uma decisão contra um adversário teoricamente inferior. E o Sport, que conquistou uma divisão de acesso, mas pode comemorar como se fosse um título brasileiro.

Questionar quem foi o campeão daquele ano é algo que já foi tratado por tudo e todos e chega a ser chato bater nesta tecla de novo. A questão é: Por que dar a Taça das Bolinhas ao São Paulo em uma semana atestando que este foi o primeiro pentacampeão e exatamente uma semana depois mudar de opinião e dizer que o Flamengo conseguiu tal feito? Vou fingir que sou ingênuo e não sei o que se passa nos bastidores.

Briga entre CBF e Clube dos 13. Na eleição, melhor para o Clube dos 13. E agora, a briga pelos direitos de transmissão do Brasileirão no triênio 2012-2014. A Rede Globo, aliada à CBF, pode estar perdendo seu monopólio na competição nacional. Apesar da tradição em transmitir o Brasileirão, a emissora carioca não quer pagar o que o Clube dos 13 pede. Já a Rede Record disse que paga e é nisso que o C13 se apoia.

Para tentar ajudar a parceira, a CBF precisa do apoio dos grandes clubes. Do Corinthians já tem, ou você acha que Andrés Sanches participa da delegação brasileira á toa. Ou que a exclusão do Morumbi como sede da Copa do Mundo e a inclusão de um futuro estádio para o Corinthians não tem nada de estranho.

Com o Timão ao lado, a CBF precisa de outro time com a maior torcida do Brasil. O Flamengo vinha brigado por causa da Taça das Bolinhas. Patrícia Amorim abriu a boca contra Ricardo Teixeira. Quando a nossa 'louvável' confederação viu que a queridinha Globo poderia perder a queda de braço, teve que se contradizer. A Taça das Bolinhas é um mimo, um convite: "Venha pro nosso lado Flamengo, te dou a Taça, você nos dá apoio contra o Clube dos 13". Uma troca de favores suja, outra mancha que a CBF provoca em nosso futebol.

Agora, o Flamengo que porque quer esta Taça do São Paulo, que diz que não devolve. As coisas prometem esquentar, assim como a batalha Globo x Record e CBF x C13. Quem vai vencer estes duelos de gigantes ninguém sabe, mas que dá asco ver este tipo de atitude, ah se dá. Mais uma vez o órgão que rege nosso futebol comete uma atrocidade, provoca este circo de horrores.

Com relação à taça, de direito é do Flamengo. Merece tê-la, mas se a CBF já deu pro São Paulo, ela que se vire pra pegar de volta. Mas não duvide, porque de sujeira, a CBF entende bem.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Os Estaduais são traiçoeiros, levados a sério ou não

Muitos consideram os Campeonatos Estaduais hoje como mero estorvo no calendário do futebol, que atrapalha pré-temporada e em nada acrescenta aos times. Há ainda os que aprovam o torneio, já que é a grande chance dos tradicionais times do interior aparecerem e os grandes jogarem pelos estádios de várias cidades do estado. Independente da importância e da utilidade dos Estaduais, duas coisas são bem claras quanto a estas competições: O nível técnico é fraco, mas ao mesmo tempo, as armadilhas são enormes. Pra exemplificar bem isso, basta recorrermos ao último final de semana e vermos o que fizeram Fluminense e Internacional.

Atual campeão brasileiro, o Fluminense entrou com a ‘pompa’ de grande favorito no Cariocão. Com um time de estrelas comandado pelo grande Muricy, o time fez uma primeira fase impecável, sempre atuando com força máxima em suas partidas. Viu o Vasco ser eliminado precocemente e teve o privilégio e também a ‘sorte’ de enfrentar nas semifinais o único pequeno classificado, o Boa Vista.

As vésperas de compromisso pela Libertadores, buscando espantar a má estréia, escapar de um clássico era tido como bom negócio para o Tricolor. Logo no início de jogo a equipe abriu o marcador, e a certeza da classificação tranqüila era muito maior. Só que tem uma coisa que o futebol brasileiro não aprende de jeito nenhum e lições não faltam. Nenhum time ganha de véspera e salto alto é só pra torcida, jogador nunca pode entrar nisso. Achando que ganharia como e quando quisesse, o time das Laranjeiras se complicou demais e deixou o Boa Vista crescer. Naquela hora, o único que tinha algo a perder era o próprio Fluminense. O Boa Vista era o pequeno intruso entre os grandes, que estava lá apenas para figurar. Sem nenhuma responsabilidade, conseguiu segurar o poderoso adversário e levar a decisão para os pênaltis.

Na hora da marca da cal não existe favorito. Já diria a antiga expressão futebolística, ‘pênalti é loteria’. A responsabilidade pesou nas pernas dos tricolores, que erraram duas cobranças. Sem nenhum tipo de pressão, os jogadores do Boa Vista converteram todos e proporcionaram uma zebraça, mostrando que na hora do ‘vamo ver’, é preciso jogar com seriedade. Outro fato é o que acontece com Muricy Ramalho em mata-mata? O rei dos pontos corridos não consegue emplacar neste tipo de competição. Coincidência ou tem coisa errada nisso?

O oba-oba do título brasileiro no ano passado já acabou. Quarta tem jogo decisivo contra o Nacional do Uruguai no Engenhão e um tropeço vai deixar as coisas bem sombrias pelos lados das Laranjeiras.

Colorado também foi vítima

Outra vítima da armadilha dos Estaduais foi o Sport Club Internacional. Tudo bem que o Colorado é o time do país que mais despreza esse tipo de competição, já que atuou com o time B até mesmo no Grenal. Mas a derrota e eliminação nas quartas de final do primeiro turno do Gauchão fizeram as coisas mudarem de figura.

Celso Roth poupou todo o time para a Libertadores e viu a vitória escapar pelos dedos aos 49 minutos da segunda etapa contra o Emelec. Na competição caseira, o time capengava, mas contra os fragilíssimos adversários do estado, conseguia garantir a classificação. Contra o Cruzeiro, os pênaltis determinaram a eliminação de maneira precoce.

Até entende-se o menosprezo do time pela competição. Mas vai falar isso pro torcedor. Ninguém quer perder um título, ainda mais quando na mesma competição está o maior rival. O Grêmio entrou completo e goleou. O Inter só tem o segundo turno pra disputar e isso provocou mudanças drásticas no planejamento. O time B não funcionou. Com outro técnico, montado para suportar e atuar em alto nível no desgastante calendário nacional, a equipe caiu na primeira decisão. A partir de agora, essa divisão não existe mais o técnico foi mandado embora e os garotos terão que tentar se encaixar no time principal. Os astros Tinga, Bolatti, Guiñazu, Kléber e D’Alessandro terão que pagar pela ineficácia dos meninos da base e atuar nos prejudicados gramados espalhados pelo Rio Grande do Sul. Além disso, terão que se dar bem na Libertadores, porque os colorados não querem nem imaginar um novo Mazembe em suas vidas.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Pra quê Ronaldo?

O 'Levezinho' fez a torcida nem se lembrar de Ronaldo
(Ari Ferreira - Lancenet)
Ele se aposentou na última segunda-feira e vai ser assunto durante muito tempo ainda. Mas no que se refere à camisa 9 do Corinthians, o nome Ronaldo pode ir se esquecendo aos poucos. No primeiro jogo do Corinthians com a confirmação definitiva da saída do Fenômeno, Liédson mostrou que é o substituto ideal e guardou dois na vitória sobre o Mogi Mirim em jogo adiado do Campeonato Paulista.

O Timão entrou em campo ainda com a desconfiança e um pouco do descrédito de seu torcedor. Pouco mais de 7 mil pessoas estiveram presentes no Pacaembu. Dentro de campo, os dois times protagonizaram um primeiro tempo muito fraco. Eu achava que Deportivo Táchira x Santos na terça-feira seria o pior jogo da semana, mas a partida de ontem quis competir de igual para igual. A etapa inicial foi difícil de assistir. Burocrático, o Corinthians até teve um começo mais animado e dava a impressão de que faria um bom jogo. Mas com o passar do tempo, o time foi se nivelando à ruindade do adversário. Para piorar, o capitão Chicão se lesionou e é desfalque no clássico contra o Santos.

No meio-campo, o mistério que ninguém explica. Em campo Danilo e Ramírez. Até aí tudo bem, mas lá na arquibancada, assistindo o jogo, estava Bruno César, e com certeza imaginando: "Se eu estivesse aí dentro, as coisas seriam diferentes". Como uma das maiores revelações de 2010 nem relacionado é mais para os jogos? Falam de lesão, problemas físicos, mas tá difícil de acreditar. A relação dele com Tite não é boa e não me surpreenderia ele vestindo outra camisa daqui um tempo. E foi sem um grande articulador, que o jogo acabou com todo o merecimento no 0 a 0. Quem assistiu o jogo com um pouco mais de sono, de certo 'capotou' durante a etapa inicial.

O mistério em torno de Bruno César
 prossegue, sem explicação
(Tom Dib - Lancenet)
Para o segundo tempo, a estrela de alguém teria de brilhar. Liédson acertou a trave no início e deu o indício de que coisas boas aconteceriam. O time não se acertava. Deu sorte de que o Mogi Mirim é candidatissímo ao rebaixamento, senão as coisas no Pacaembu poderiam ser mais sombrias. O empate foi deixando a Fiel cada vez mais impaciente e Tite resolveu mudar. O esforçado, mas apagado Danilo saiu para a entrada de Dentinho, para festa do torcedor. Quem também saiu foi Jucilei, visivelmente contrariado, para a entrada de Morais. Não se sabe, mas essa pode ter sido a última atuação de Jucilei com a camisa corintiana, destino dele é o mesmo de Roberto Carlos, a Rússia. Será que esse foi o motivo da substituição?

Independente disso, seu substituto Morais entrou bem no jogo. E o gol, que parecia não vir mais, finalmente saiu. Dentinho arriscou de longe, o goleiro deu rebote e Liédson mostrou seu faro de artilheiro, conferindo e finalmente tirando o peso no Pacaembu. Sem reação, o Mogi Mirim continuou entregue. O Corinthians tentou fazer mais um pra liquidar de vez, mas a noite não era da melhores. O segundo gol só saiu porque o goleiro João Paulo resolveu fazer uma daquelas memoráveis. Sem a mínima intimidade com a bola, ele quis sair driblando. Liédson esperto, tomou a bola do atrapalhado arqueiro e fez o segundo dele no jogo.

Fim de papo. Jogo fraco, atuação muito abaixo da média do Corinthians, mas o que vale são os três pontos e a subida na classificação. Pelo menos de uma coisa o torcedor pode ter certeza. A falta de Ronaldo não será tão sentida, Liédson, ou Liédshow, como dizem os corintianos, já tem dado conta do recado. Os quatro gols em três jogos falam por si.

O alvi-negros ainda se entristecem de pensar que a diretoria poderia ter sido mais rápida. O contrataram para a Libertadores, já ignorando o Tolima. O time perdeu a fica uma grande sensação de que com Liédson, as coisas seriam diferentes.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Ufa, ele voltou

Para alegria do são paulino, Lucas voltou com tudo
(Rubens Chiri/Site oficial do SPFC)

O torcedor são paulino passou nervoso neste começo de ano. Viu um time inconstante, irregular e sem brilho contra Linense, Botafogo, Ponte Preta, entre outros. Ao mesmo tempo acompanhava e se encantava com Lucas e seus companheiros de sub-20 no Sul-Americano da categoria no Peru. A torcida e principalmente o treinador Paulo César Carpegiani contavam os minutos para a volta da grande revelação do time. Pois bem, ele voltou nesta quarta, em Campina Grande, na estreia da Copa do Brasil contra o Treze, e mostrou que toda a expectativa era fundamentada. Sem sentir o peso da responsabilidade de ser o maestro de um dos maiores times do planeta, Lucas deu show e foi decisivo na vitória e classificação tricolor.

Em campo, o time entrou no 3-5-2, que tanto fez sucesso na equipe nos últimos anos. Carpegiani apostou nos laterais e na velocidade do trio de frente, composto pelo próprio Lucas, Dagoberto e Fernandinho. Do outro lado, o Treze entrou animado, querendo fazer o jogo da vida. Invicto havia 39 jogos no estádio Ernani Sátiro, o time paraibano via a chance de brilhar para o país neste jogo. Mas logo a diferença técnica se fez presente. O São Paulo entrou em campo disposto a definir logo. Marcando sob pressão, o time não deixou o adversário respirar e foi chegando. Não demorou pro primeiro gol sair. Lucas fez um 'carnaval' na defesa nordestina, se livrou dos defensores e achou Dagoberto no lugar certo e na hora certa para inaugurar o marcador.

O gol tirou um pouco do nervosismo de uma estreia para os paulistas e fez o Treze cair na realidade, que não é páreo para o poderoso adversário. O São Paulo foi conduzindo o jogo à sua maneira, atacando, impondo velocidade e apostando em Lucas, que continuou atormentando a zaga. Atrás, Rodolfo, Miranda e Alex Silva não tinham tanto trabalho, exceto uma ou outra rara chegada dos paraibanos.

Tanta superioridade resultaria no segundo gol em breve. E foi um lance que retratou bem a diferença técnica entre os dois times. Marcando forte, o São Paulo forçou o Treze a errar. Com tranquilidade, Juan recebeu, conduziu a bola como quis, olhou para a área e viu exatamente o que precisava fazer, sem nenhuma pressão dos jogadores paraibanos. Na bola levantada, Dagoberto estava lá, sozinho, para escorar e dobrar a vantagem, marcando o gol que já eliminava o jogo de volta.

O São Paulo poderia até mesmo ter feito mais um, dois, três gols na etapa inicial. Fernandinho e Jean erraram gols feitos e o camisa 12 ainda mandou a bola no travessão, sempre com jogadas de quem? Sim, Lucas. Não parecia cansado nem desgastado, jogava fácil e criava, sempre com velocidade, as principais investidas ofensivas do Tricolor. Na saída para o intervalo, Dagoberto falou bem sobre a facilidade que o time encontrava, a velocidade na frente, aliada a boa chegada dos alas e dos homens de trás, deixava tudo mais tranquilo para o Tricolor.

O gol de Fernandinho liquidou o confronto
(Rubens Chiri - Site oficial do SPFC)
Para o segundo tempo, imagino que Carpegiani tenha pedido uma coisa a seus atletas. Marcar o terceiro logo e 'matar' de vez o jogo. Se foi isso, o time seguiu á risca. Com três minutos, Dagoberto tocou no vazio, Fernandinho apareceu em extrema velocidade, invadiu a área e não mostrou afobação, só deslocou do goleiro, fazendo o terceiro.

Com a bela vantagem e a vaga praticamente garantida, o Tricolor parou. Desgastado da viagem e já tendo feito o suficiente, o time não teve mais a mesma pegada do resto do jogo. Carpegiani foi inteligente, sacou Lucas, para dar um descanso ao ótimo jogador e também Dagoberto, de atuação destacada. As entradas de Marlos e Marcelinho deram velocidade, mobilidade, mas o resto do time não não estava tão interessado em ampliar a parada. Assim, o jogo terminou mesmo no 3 a 0 e o São Paulo liquida a fatura, elimina o jogo de volta e se garante na 2ª fase.

Duas considerações são importantes: 1ª O 3-5-2 parece que é o esquema ideal mesmo. O time foi mais seguro, teve boa chegada dos dois alas e abusou da velocidade. Por mais que Carpegiani não goste do esquema, vai ter que dar o braço a torcer e ver que é assim que o time rendeu nos últimos anos e parece que em 2011 não será diferente.

2ª Lucas é peça mais do que chave neste time. Com ele, o futebol é outro, mais veloz, envolvente, objetivo. Rivaldo tem lugar neste time, resta saber na vaga de quem. Aí é com Carpegiani.

O Treze não é parâmetro para nada, mas com Lucas inspirado, a torcida tricolor respira aliviada.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O objetivo é a América


A partir das 17 horas de hoje, quando a bola rolar para Ceilândia x Caxias e Bangu x Portuguesa, começa o torneio mais democrático do país, a Copa do Brasil. São 64 equipes de todos os 26 estados da nação mais o Distrito Federal. Times gigantes, médios e também os pequenos, todos com um objetivo em comum: o título e a vaga na Libertadores da América de 2012. Conhecido pelas famosas zebras, o torneio tem seus favortios e suas surpresas rotineiras. Desta vem sem os maiores campeões Grêmio, Cruzeiro e Corinthians, dá pra destacar grandes favoritos, cinco deles não podem fugir da lista: Atlético MG, Botafogo, Flamengo, Palmeiras e São Paulo.

Tardelli é o homem-gol do Galo
em busca do título
O Galo entrou animado em 2011. Com Dorival Júnior, o time tem um começo de ano promissor, venceu os três jogos que disputou, inclusive o último contra o arquirrival Cruzeiro. O ataque rápido, de Neto Berola e Diego Tardelli preocupa os adversários. O técnico Dorival é o atual campeão e pode fazer o Galo alçar voos muito altos nesta edição. Se ele não tem o mesmo time letal que era o Santos na temporada passada, os mineiros são fortes e buscam retomar as glórias nacionais. Os jovens Renan Ribeiro, Renan Oliveira e a experiência de Leandro, Richarlysson, Diego Souza e Ricardinho são outros dos pilares da equipe, que começa sua participação semana que vem contra o desconhecido IAPE do Maranhão.


O uruguaio Abreu
éo grande nome do Fogão

Outro alvi-negro que vem forte é o Botafogo de Joel Santana. Após uma campanha muito satisfatória em 2010 com o título estadual e uma ótima colocação no Brasileirão, o time de Papai Joel é outro que busca o título inédito, que escapou em 1999 em pleno Maracanã para o Juventude. A maior esperança do time da Estrela Solitária recai na dupla de frente. Os gringos Herrera e Loco Abreu voltaram com fome de bola em 2011 e tem feito bastante gols nos gramados do Rio de Janeiro. O goleiro Jeferson, que já esteve na seleção, a boa fase do lateral Alessandro e o meio comandado por Renato Cajá são outras boas opções do time carioca. Antes da estreia na semana que vem contra o River Plate do Sergipe, o time tem batalha durissíma contra o Flamengo pela Taça Guanabara. Jogo para o time mostrar que não está para brincadeira.

Ronaldinho é o maior
destaque da Copa do Brasil
Também do Rio vem o jogador mais olhado, vigiado e falado neste início de temporada. Quando a bola rolar para o duelo contra o Murici de Alagoas hoje, Ronaldinho Gaúcho voltará a atuar pela competição. Após desfilar pelos gramados da Europa, como Camp Nou e San Siro, o craque voltará a sofrer nos esburacados, complicados e pesados campos canarinhos. Os holofotes são todos dele. Se ainda não brilhou com a camisa rubro-negra, a chance é essa. E é no camisa 10 que o Mengão se apega em busca de mais um título. O time do professor Luxemburgo é muito bom no papel, com Felipe, Léo Moura, Willians, Thiago Neves e Deivid, mas a empolgação não pode ser maior do que o futebol, já que o torcedor cobrará e muito.

Com Felipão e o Gladiador,
o Verdão busca o bi
Fazendo a ponte aérea, o favoritismo também está presente na Terra da Garoa. Os dois únicos grandes do estado a disputarem a Copa do Brasil chegam com peso e status de favorito. O Palmeiras passou maus bocados em 2010. Parecia que este ano seria semelhante, mas Felipão deu um jeito na casa. Arrumou sua defesa e mostrou que futebol é sim resultado. De 1 a 0 em 1 a 0, o Palmeiras lidera o Paulistão e mostra que time limitado pode se acertar. A defesa anda uma maravilha, a melhor do estado, Kléber tem se destacado jogo após jogo. O torcedor alvi-verde ainda aguarda Valdívia, e espera que Scolari repita 98 e traga o título para o Palestra Itália. O primeiro jogo é só semana que vem contra o Comercial no Piauí.


Multi-campeão, a Copa do Brasil é um dos
 poucos títulos que falta a Rogério

Do outro lado do muro da Barra Funda, um velho conhecido da Copa do Brasil está de volta. Após sete anos seguidos disputando a Libertadores e sequer ligando para a competição nacional, o São Paulo pagou o preço por um ano irregular e disputa a competição, que não traz as melhores recordações. Sem nunca ter conquistado o título, os paulistas tem apenas um vice-campeonato, em um dos jogos mais doídos da história da equipe, a derrota para o Cruzeiro no último lance da final de 2000. Jogando o campeonato caseiro, o time não se reforçou como de costume. Para a estreia desta noite contra o Treze na Paraíba, a esperança é no misto de juventude e experiência. O capitão Rogério Ceni, de quase 1000 jogos e 100 gols conduz o Tricolor. Ao lado dele os bons Miranda, Alex Silva e o penta-campeão Rivaldo que deverão servir de referência para a garotada que surge, Casemiro, Willian José e Lucas, promessa de craque e esperança de bom futebol. Cabe a Carpegiani comandar esta mescla e recolocar o time na competição que a torcida mais gosta, a Libertadores.

Além de todos estes favoritos, não dá para esquecer dos tradicionais Vasco, Coritiba, Atlético PR, Vitória, Bahia, Sport, dos candidatos a surpresa Ponte Preta, Portuguesa, Atlético-GO, Avaí. E claro as zebras. Santo André e Paulista que espantaram o país ao vencerem a competição em 2004 e 2005 estão nesta edição e sonham repetir a dose, assim como diversas equipes espalhadas por este imenso Brasil. A chance de muitas delas é única, serão os jogos da vida, que os grandes do nosso futebol se cuidem pois a história mostra que a Copa do Brasil é um torneio muito traiçoeiro. A sorte está lançada, que vença o melhor.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Obrigado Fenômeno

Na final da Copa, o ápice e os dois gols contra a Alemanha

O dia 14 de fevereiro de 2011 com certeza ficará marcado para sempre no mundo do futebol. Há pouco foi anunciada a aposentadoria de um dos maiores jogadores da história, o Fenômeno Ronaldo. Dono de façanhas espetaculares e indiscutíveis, o R9 não conseguiu mais aguentar e deixa o futebol aos 34 anos.

Ronaldo teve uma infância pobre e precisou lutar muito para buscar seu sonho. E luta é uma palavra que se encaixa perfeitamente a ele. A ascenção da carreira foi meteórica. Começou no São Cristovão, mas com 16 anos, o garoto dentuço já jogava em um dos gigantes do futebol brasileiro, o Cruzeiro. A velocidade e o faro de gol já davam indícios de que aquele menino era diferente. A seleção era questão de tempo. Carlos Alberto Parreira ousou e chamou Ronaldo para compor o grupo tetracampeão nos Estados Unidos. Ele não atuou um minuto sequer, mas aquela seria uma experiência pra anos futuros.

No Cruzeiro ele foi campeão e artilheiro do Estadual e foi para o PSV. Na Holanda, o mundo começou a conhecer Ronaldo. A passagem pelo PSV foi curta. O time já não condizia com o tamanho que Ronaldo se transformava. Era preciso algo maior e apareceu o Barcelona. Na Catalunha, nasceu o apelido que carrega até hoje, 'Fenômeno'. Foram gols memoráveis, como um contra o Salamanca em que ele passou por meio time. As arrancadas, dribles e lances mágicos fizeram com que em 1996, com apenas 20 anos, conquistasse o título de melhor jogador do planeta.

Após encantar a Espanha, ele foi para a Itália, após a Inter descarregar um caminhão de dinheiro no Camp Nou. Na 'Bota' ele não foi R9, mas sim R10, já que seu número tradicional era do chileno Zamorano. E mesmo assim ele foi mais uma vez melhor do mundo em 1997.

As lesões que tanto atrapalharam
Em 1998, já com a 9 interista, o ano foi mais complicado. A redenção poderia vir na Copa do Mundo, sua primeira como titular. Após boas atuações e um show na semifinal contra a Holanda, ele era a esperança contra os anfitriões franceses na decisão, mas a misteriosa convulsão que quase o tirou do jogo acabou com o sonho canarinho. Ronaldo atuou, mas nem de longe foi o jogador que se esperava em uma decisão.

Na Inter, Ronaldo começou a sofrer com as contusões. Nada muito sério até 12 de abril de 2000, quando em jogo contra a Lazio pela Copa da Itália, poucos minutos após entrar em campo, o joelho direito ceder e proporcionar uma cena incrível, triste. Foram meses e meses de recuperação. A dúvida que pairava era: será que ele volta? E voltou.

Em 2002, mais uma Copa do Mundo. Ainda com dúvidas, Ronaldo foi bancado por Felipão. O clamor popular pedia Romário, mas lá estava o Fenômeno para dar a volta por cima. Com oito gols, sendo dois deles na decisão contra a Alemanha, do carrancudo e frangueiro Oliver Kahn, Ronaldo mais uma vez ganhou o mundo. Como gênio que é, ele superou as críticas, desconfianças e fez a festa na Ásia.


Melhor do Mundo
E mais um capítulo da vida dele mudaria. Agora era em Madrid, em meio aos galácticos Zidane, Figo, Raúl, Roberto Carlos, ele fez seus gols e garantiu o título mundial de clubes aos merengues. No dia seguinte seria coroado pela terceira vez como melhor jogador do mundo, apenas ele e Zidane conseguiram tal façanha até hoje.

O fim de 2002 começou a representar o declínio do craque. Nos anos seguintes, apesar dos gols, a bola já não era a mesma e os fracassos começaram juntamente com o Real Madrid, repleto de craques, mas sem o brilho que deveriam. Também pela seleção ele não brilhou em 2006, mas o gol contra Gana, seu 15º na história das Copas, o colocou mais uma vez na história como maior artilheiro dos Mundiais.

Em 2007 Ronaldo foi dar o ar de sua graça novamente em Milão, mas dessa vez na equipe rubro-negra da cidade. Após algumas atuações destacadas e outras apagadas, novamente o joelho foi o vilão. Mais uma lesão e novamente ele teria de dar a volta por cima. O Milan não quis e Ronaldo ficou livre para atuar em outro time. O Flamengo, equipe do coração, abriu as portas para o tratamento do craque. Neste meio tempo, ocorreu uma das maiores polêmicas na vida do craque, a confusão com três travestis no Rio.

No fim de 2008 caiu a bomba no futebol brasileiro. O interesse do Corinthians parecia 'jogo de cena', mas o sonho de tornou realidade e o Fenômeno foi anunciado e voltaria a atuar por aqui, ganhando muito e trazendo patrocínios milionários ao Timão. Na apresentação, ele se intitulou mais 'um louco no bando'. E era com ele que o Corinthians começava 2009, após a passagem pela série B. Se recuperando fisicamente e já acima do peso, ele estreou contra o Itumbiara, mas foi no jogo seguinte, contra o arquirrival Palmeiras, que R9 caiu de vez nos braços da Fiel. Ao marcar o gol de empate, ele provocou a derrubada do alambrado do estádio em Presidente Prudente.

Ali era o começo de um semestre mágico para o time, que ganhou tudo. Relembrando suas espetaculares arrancadas, ele fez o zagueiro Rodrigo do São Paulo 'comer poeira' na semifinal do Paulistão. E na decisão contra o Santos veio o ápice. Dois golaços, um deles digno de gênio. Após uma bela finta, a bola por cobertura, milimétrica, espetacular. A dobradinha veio na Copa do Brasil. Na decisão contra o Internacional, o Fenômeno fez o que quis com Índio e marcou o segundo gol no Pacaembu, o que praticamente deu o título à equipe.

No Brasileiro, ele foi discreto, se guardando para o objetivo principal, a Libertadores no ano do centenário, ao lado do parceiro Roberto Carlos. Em 2010, apesar dos gols, a falta de condição física começou a pesar e nem o gol marcado contra o Flamengo foi capaz de evitar a eliminação. Ele ainda teve a chance de ser campeão brasileiro, mas as lesões continuaram atrapalhando e o time perdeu o título nas rodadas finais. O gol polêmico de pênalti contra o Cruzeiro seria o último dele.

Contra o Tolima, o último jogo
2011 começou mais uma vez com o time sonhando com a Libertadores e com o Fenômeno já anunciando a aposentadoria para o fim do ano. Só que isso acabou em Ibagué, na Colômbia. Derrotado pelo Tolima, o Corinthians caiu vergonhosamente. Sem palavras para explicar algo, Ronaldo sentiu o golpe e a fúria da torcida, que xingou, cobrou e ameaçou.

Sob pressão, ele preferiu parar. Sabe que não tem mais condições. O que a cabeça ordena a perna não obedece, o peso não baixa, o corpo já não aguenta. Cansado de sofrer, a aposentadoria foi a melhor opção. Infelizmente ele abandona o futebol por baixo, mas nada disso apagará toda a história dele, os dribles, gols, títulos e jogadas que nos encantaram durante todos estes anos.

Torcedores do Cruzeiro, PSV, Barcelona, Internazionale, Real Madrid, Milan e Corinthians podem dizer com orgulho que torceram por ele em seus times. E os brasileiros que viram ele ganhar uma Copa e brilhar com a amarelinha. Aquele garoto dentuço do Cruzeiro ganhou o mundo, foi melhor do mundo e é o maior artilheiro da história das Copas do Mundo.

Por tudo isso, só nos resta aplaudir e dizer OBRIGADO RONALDO!!!!!!!!!


domingo, 13 de fevereiro de 2011

A garotada do sub 20 é mesmo a peça que falta a esse São Paulo?

Bruno Uvini, Casemiro, Lucas, Henrique e Willian José. Juventude boa de bola, campeã do Sul-Americano e que colocou o Brasil nas Olimpíadas de Londres no ano que vem. No Peru eles deitaram e rolaram e agora vêm com uma responsabilidade grande. Ser a peça da engrenagem que o São Paulo tanto precisa se quer mesmo decolar em 2011. Claro que não falo de todos, já que Bruno Uvini está operado e só volta no meio do ano e, mesmo que estivesse 100%, seria apenas banco, ainda mais com a aquisição de Rhodolfo. Henrique também não deve ser aproveitado. Se não for emprestado, alternará presença no banco de reservas e cortes do time que vai ao jogo. Já os outros três são figuras que devem figurar neste time de Carpegiani.

Começando por Casemiro. Foi ótimo na seleção e tem lugar neste time do São Paulo. Rodrigo Souto não tem dado segurança e suporte aos zagueiros, diversas vezes a defesa do time está sendo exposta. Hoje contra a Lusa, faltou competência aos rubro-verdes, porque poderiam ter saído com um resultado melhor. Casemiro é importante também no ataque, fez gols aparecendo como elemento surpresa, cabeceando bem. Ele pode entrar também no lugar de Carlinhos Paraíba, que sai mais pro jogo, o que também não duvido acontecer.

Falar que Lucas é titular absoluto neste time é tão óbvio quanto 2 + 2 são 4. A dúvida que fica é de quem sai nesse time. Aposto em Fernandinho, com Rivaldo sendo adiantado e Lucas fazendo a função de ligação, claro com o camisa 10 voltando também para articular. Outra opção seria Carlinhos Paraíba, mas aí o time ficaria muito ofensivo e, do jeito que anda sofrendo na defesa, as coisas ficariam ainda piores. Para quarta-feira contra o Treze, em Campina Grande, na estreia da Copa do Brasil, Lucas entra no lugar de Rivaldo, poupado. Carpegiani terá uma semana para pensar seu time.

Na frente temos Willian José. Pivô, bate bem na bola, mas não é o artilheiro nato ou o camisa 9 dos sonhos. Dependendo de como Carpegiani resolver montar o time, ele entra. Mas no momento, não consigo vislumbrar um espaço pra ele, embora um homem de área seja fundamental. Se o treinador optar pelo 4-4-2, a chance dele é maior.

Rogério Ceni, Rhodolfo, Alex Silva e Miranda; Jean, Souto, Casemiro, Lucas e Juan; Dagoberto e Fernandinho. Esse deve ser o time de quarta-feira.

Que Casemiro ajude muita na contenção do meio campo. O trio de zaga anda sofrendo um bocado e Rhodolfo não é lateral, como quis fazer Carpegiani hoje. É bom zagueiro, estreou de forma regular, precisa de mais entrosamento com Miranda e o 'monstro' Alex Silva, que demonstra uma dedicação e raça inacreditáveis. Rhodolfo tem 1,98, pode até bater com quem cai pelo lado esquerdo do adversário, mas deixá-lo ali complica. Por mais que Jean também seja improvisado, é mais garantido. O camisa 2 só precisa saber que não dá pra descer sempre, assim como Juan, que tem sido discretissímo e perde vaga fácil quando Júnior César voltar.

Do meio pra frente, os gols têm saído, mas ainda há as preocupações. Com sua técnica, velocidade e habilidade, Lucas somará demais ao time. Caindo como um ponta de lança, pode fazer muito bem as jogadas rápidas como as vistas no Peru. O problema é que agora ele não tabela mais com Neymar e sim com Fernandinho. Terá trabalho, mas tem tudo para brilhar, ainda mais ao lado de Rivaldo, que poderá dividir responsabilidade e melhorar seu rendimento.

Sem nenhuma contratação bombástica á vista, o São Paulo deposita muito sua esperança nestes garotos campeões. A qualidade deles é indiscutível, resta a Carpegiani montar o time ideal e os outros em campo atuarem no nível esperado, sem os costumeiros sustos. Completo, o São Paulo é muito forte e favorito em tudo que joga, ainda mais com a nova geração do nosso futebol.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

1 mês no futebol é muito tempo


No domingo, outro capítulo do clássico será escrito


Neste domingo Palmeiras e Corinthians entram em campo para mais um duelo. O dérbi, como é conhecido o jogo, é um dos maiores clássicos do Brasil, senão do Mundo. E as duas equipes vão para a partida em situações extremamente opostas. O Palmeiras em estado de graça e o Corinthians em estado de desgraça. Porém, há um mês atrás, quando o ano começou, as coisas eram totalmente diferentes. Você, palmeirense, estava triste, desiludido e imaginando outro ano sofrível do Verdão. O corintiano esperava ansiosamente a disputa da Libertadores, sonhando com o inédito título. Confira como houve uma mudança de 180 graus na situação das duas equipes neste começo de 2011 e mostra que um mês no futebol é muito tempo.

Fim de 2010

O Palmeiras protagonizou um sofrível 2010. A equipe foi apenas a 10ª colocada no Paulistão, caiu na Copa do Brasil para o Atlético GO e fez campanha medíocre no Brasileirão. Porém, a decepção maior foi na Copa Sul-Americana. Na semifinal, o alviverde encarou o Goiás. Venceu na ida no Serra Dourada e tudo levaav a crer que o time chegaria à final e deixaria a vaga para a Libertadores muito perto. Porém, os traumas palmeirenses que assolam a equipe há alguns anos reapareceram, o time foi derrotado de virada para a equipe goiana em pleno Pacaembu abarrotado de torcedores e viu o sonho ir mais uma vez por água abaixo.

Neste momento, o time já tinha Kléber, Felipão e Valdívia, três estrelas que pareciam dar alguma sobrevida ao time. Kléber fez seu papel, mas sozinho não fez milagre. Felipão chegou com pompa de estrela, que recolocaria o Verdão no caminho dos títulos, mas teve um péssimo trabalho em 2010. Já Valdívia não foi o 'Mago' que o torcedor esperava. Seguidas lesões e atuações burocráticas fizeram o meia render pouco. Com um fim de ano melancólico, o palmeirense já se entristecia com o que 2011 o reservava.

Por outro lado, o Corinthians terminou o ano de 2010 mais tranquilo. Evidente que a perda do título brasileiro e o ano do Centenário sem conquistas machucou os corintianos, mas em comparação com o eterno rival, a situação alvinegra era até cômoda. O time disputaria novamente a Libertadores, seu sonho maior. Ronaldo e Roberto Carlos eram as esperanças de um ano de sucessos, ainda mais com o Fenômeno em sua última temporada de carreira. Além disso, os boatos de que o estádio corintiano finalmente saíria do papel, esboçava sorrisos na Fiel Torcida, que aguardava um 2011 feliz.

Começo de 2011

Feliz, o palmeirense vibra com o começo de 2011
(Caio Messias - Lancenet)
O Palmeiras abriu os trabalhos em 2011 envolto em muitas dúvidas. Com Valdívia machucado e em meio a um entrevero com Felipão, esta 'rixa' entre dois dos astros do time deixou a torcida ressabiada. Nos bastidores, as coisas mudaram. Arnaldo Tirone substituiu Luis Gonzaga Belluzo no comando do clube. Belluzo, tido como salvador da pátria, foi uma decepção na presidência do Palmeiras. Sob muitas desconfianças e incertezas, o Verdão iniciou o Paulistão com um empate em 0 a 0 contra o Botafogo no Pacaembu. De novo a torcida sentia que o sofrimento viria cedo.

Porém, a coisa mudou de figura. Desde aquele jogo, o Palmeiras nãsó venceu. São cinco triunfos consecutivos e a liderança do campeonato, coisa que talvez nem o mais otimista esperava no começo da temporada. O time não é brilhante. Valdívia sequer atuou pra valer neste ano. Porém, sobra disposição e entrega. O time parece ter se encaixado e aprendido a atuar sem craques, mas todos com sua parcela de contribuição, correndo mais, se dedicando. Jogadores como Cicinho, Luan, Patrik, entre outros, que se em um primeiro momento pareciam descartáveis, têm sido peça fundamental à equipe, além de Kléber, astro maior do time e Felipão, que mostrou que ainda conhece muito do riscado e mesmo sem grandes estrelas, montou um time operário e até agora competitivo. Não se sabe até onde vai isso, se essa sequência positiva continuará, mas o fato é que de um começo de temporada preocupante, o time tem surpreendido.

Diferente do rival, o Corinthians iniciou a pré-temporada com objetivos mais traçados. A boa vitória na estreia contra a Portuguesa, com gol olímpico de Roberto Carlos e outro de Paulinho - o substituto de Elias, que havia ido embora - trouxe muita esperança para a Fiel. O bom começo deixou a torcida esperançosa de conquistas. Mas bastou uma sequência ruim para as dificuldades começarem a aparecer. Empates contra Bragantino e Noroeste ligaram o sinal de alerta. A tragédia começou a ser construída no primeiro jogo contra o Tolima pela Libertadores. O empate sem gols no Pacaembu escancarou as carências corintianas.


A cobrança no Corinthians é intensa
(Marcos Ribolli - Globoesporte.com)

Sem o capitão William, a zaga sofreu, Lenadro Castan não se entendeu com Chicão e o time sofria. O futebol de Roberto Carlos desapareceu depois daquele gol olímpico. Paulinho, aquele que deveria ser o elemento surpresa, não fez 1% do que Elias fazia. Bruno César, revelação de 2010, não teve mais as atuações destacadas. Mais preocupado em chutar de onde desse, recebeu críticas indiretas dos companheiros e caiu de rendimento. Ronaldo, claramente fora de forma, não fez nada nos primeiros jogos.Sem mobilidade, só a genialidade do Fenômeno não resolveu. A diretoria errou também ao não repor peças. O golpe de misericórdia veio na última quarta-feira em Ibagué.

Como já salientei no artigo de quinta-feira, sobraram culpados. A diretoria, os atletas e Tite, que montou um esquema totalmente inexplicável, com três volantes e três atacantes, Jorge Henrique, o tal homem que deveria servir de articulador, não tem caguete para fazer isso. O que se viu em campo foi um time apático e dominado pelos colombianos, que com méritos se classificaram.

Após o jogo, protestos da torcida no CT, carros quebrados, muros pichados, xingamentos e muita cobrança. O ano praticamente acabou para o Corinthians. Todos serão alvos, principalmente diretoria, técnico e Ronaldo, o que deveria decidir, mas parece desinteressado e sem motivação. Uma derrota domingo contra o maior rival só piora as coisas. Como canta uma das torcidas organizadas do alvinegro: "SE O CORINTHIANS NÃO GANHAR, OLÊ, OLÊ, OLÁ, O PAU VAI QUEBRAR". E não duvide disso acontecer em caso de vexame contra o Palmeiras.

Por isso o clássico é mais uma vez incrível. De um time que parecia perdido no começo do ano e aos poucos vislumbra dias melhores contra outro que sonhava com a América e a jogou fora em dois jogos. Mais uma vez o esporte mostra que é fascinante. Cravar o Palmeiras favorito? Jamais. Por mais que a fase corintiana seja sombria, faço minhas as palavras de Jardel, "Clássico é clássico e vice-versa".

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Rivaldo deu show, mas era só o Linense

A estreia do camisa 10 foi mais do que especial  (Nelson Antoine/Foto arena)

O torcedor são paulino que esteve ontem no Morumbi ou qualquer outro que tenha visto a atuação de Rivaldo com certeza se animou e se encantou com o show do camisa 10. Ele fez de tudo, deu belos passes, chapéus, bola entre as pernas e um golaço. Acho que ninguém esperava tamanha exuberância logo em sua primeira partida, ainda mais após o grande tempo longe dos gramados, porém há de salientar quem estava do outro lado, o Linense. Sem menosprezo algum ao time do interior, mas tratá-lo como parâmetro não dá.

Em campo, o São Paulo sofreu e foi sofrível na etapa inicial. Sem um centro-avante, a equipe carece demais. O time estava leve, mas faltava chegada. Ilsinho, Fernandinho e Dagoberto pouco produziram. Rivaldo tentou algo mais incisivo, deu boas invertidas de jogo, bateu uma falta que levou perigo e deu um chapéu maravilhoso em Alessandro. Só que perigo mesmo quem levou foi o Linense, com dois bons chutes, que Rogério defendeu. Carpegiani não deve ter gostado do que viu, assim como todo o Morumbi.

A expectativa era de melhora para a etapa final, mas foram precisos dois sustos para o time acordar. Primeiro foi um gol bem anulado do time interiorano. Depois não teve jeito. Após cruzamento da esquerda, Miranda furou bisonhamente e Eric aproveitou para bater de primeira e inaugurar o marcador. Susto no Morumbi. A desvantagem deixou os tricolores apreensivos. Era a hora de o craque aparecer. Jogada de Dagoberto pela esquerda e bola lançada para Rivaldo. O camisa 10 dominou já chapelando o zagueiro, saiu na cara do goleiro e mostrou a frieza de quem sabe o que faz com a ‘pelota’ nos pés. Empate e explosão no Morumbi.

O golaço incendiou o jogo e a equipe, que, com Fernandão e Marlos, cresceu no jogo. O camisa 15 foi nulo, mas sua presença na área, liberou os companheiros para flutuarem mais em campo e criarem jogadas mais rápidas. Marlos foi decisivo. Após boa troca de passes, o camisa 11 recebeu na área e fuzilou o gol adversário, virando a partida.

O são paulino confia muito nos dois (Tom Dib)
O placar deixou o time de Lins atordoado e sem assustar o Tricolor. Daí pra frente, o São Paulo mais treinou do que se esforçou. Quem teve bela atuação ontem foi Jean. Tendo que se adaptar na ‘marra’ a ser lateral, o jogador cresceu na etapa final e criou boas jogadas pelo lado direito. Rivaldo, já um pouco desgastado, passou a se poupar e conduzir o jogo com a experiência que tem.

Quando o jogo se encaminhava para seu término, uma falta frontal para o time da capital. Na cobrança, Rogério Ceni e Rivaldo, que somados, possuem 76 anos. O goleiro Paulo Musse não parecia nem um pouco feliz no que estava encarando, de onde viesse, era chumbo grosso. Imaginei que Rivaldo cobraria, até pelo baixo aproveitamento do goleiro-artilheiro nas últimas cobranças de falta. Só que o capitão ‘calou minha boca’ e bateu com uma precisão absurda, fazendo um golaço. Mais incrível foi a comemoração, efusiva e extravasada, como poucas vezes vi Rogério fazer. Faltam apenas três para o centésimo e o maior goleiro-artilheiro do mundo está cada vez mais perto de fazer história outra vez.

Nos acréscimos, Alessandro ainda descontou, mas nada que tirasse os 3 pontos e o brilho da estréia de Rivaldo. Desde a aposentadoria de Raí, o São Paulo sente a falta de um camisa 10 deste nível, e quem sabe, ele não apareceu. Categoria e técnica ele tem de sobra, o são paulino pode se animar, mas deve manter os pés no chão, pois do outro lado estava o Linense. Se Rivaldo fizer isso na Copa do Brasil, Brasileirão e nos clássicos, veremos que o investimento valeu e muito.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Mais do mesmo

Indignada, a torcida cobrará muito
É difícil explicar o que acontece com o Corinthians na Libertadores. Mais uma vez a esperança existiu e a derrota foi doída. Em dois jogos, o alvinegro não conseguiu passar pelo fraco e inexpressivo Deportes Tolima da Colômbia. Depois da ridícula apresentação no Pacaembu semana passada, era complicado imaginar que pudesse ser pior, mas foi. É a 9ª eliminação do Corinthians na Libertadores e o mais incrível, a primeira de um brasileiro neste fase preliminar, onde até o Paraná, isso mesmo, o Paraná já havia conseguido avançar.

O jogo foi um show de horror e decepção para a Fiel Torcida. Com três volantes e três atacantes, não dava pra saber o que Tite queria. Com Bruno César, Danilo e Edno no banco, ele preferiu optar por priorizar a marcação e deixar a cargo de Jucilei e Paulinho a tarefa de armar. O que se viu foi um buraco entre o meio e o ataque. Jorge Henrique foi o único que tentou contornar a situação, mas não teve êxito. Ronaldo não foi visto fazendo nada. Aplicada, a equipe colombiana neutralizou a frágil criação corintiana. Com a bola nos pés, o Tolima assustou muito no primeiro tempo. Semelhante ao jogo de São Paulo, a defesa corintiana optou pela linha de impedimento, e cometeu erros grosseiros. Chicão e Castán não se entenderam. Fabio Santos, estranhamente escalado no lugar de Roberto Carlos, deixou uma avenida em suas costas. Se o pretexto de tirar o experiente lateral-esquerdo era fortalecer a marcação, mais uma vez o treinador gaúcho errou feio. Mesmo assim, o Timão passou ileso na etapa inicial, graças à Julio César e a falta de pontaria dos avantes colombianos.

Para o segundo tempo, o jogo mudou um pouco de cara a favor dos brasileiros. Sem a mesma força inicial, o Tolima não tinha tanta a bola e chegava menos ao ataque. A chance do Corinthians crescer na partida era grande, mas continuava faltando acertar o toque final. Quando o meio campo se aproximou do ataque, alguma lucidez foi vista. Paulinho, Ronaldo e Chicão criaram as chances que pararam no goleiro Antony Silva. O tempo foi passando e a disputa de pênaltis já era algo imaginado, até mais uma vez a ridícula linha de impedimento corintiana entrar em ação. Sabedores disso, os colombianos insistiram nas jogadas em profundidade e uma hora iria dar certo. Murillo lançou Santoya, que em posição legal, só tirou de Julio César, abriu o placar e começou a desmoronar a vida do alvinegro.

Mesmo assim, o 1 x 0 não era pra se desesperar. O Corinthians, com a tradição e toda a história que tem, devia marcar um gol no Tolima e esse gol mudaria a partida. Mas Corinthians e Libertadores não parecem combinar, sempre algo acontece pra atrapalhar tudo. Quando Tite finalmente acordou e tentou arrumar a besteira que fez, colocando os articuladores Danilo e Ramírez, contou com a ingenuidade e burrice do peruano. Com menos de cinco minutos em campo e sem quase nem tocar a bola, Ramírez ‘desceu’ o braço no adversário e foi expulso com justiça. Aí a barca afundou de vez. Desesperado e sem atitude, o time mostrou a fragilidade e a fraqueza que tem na Libertadores. Medina aproveitou outro erro da defesa e fechou a tampa do caixão. Fim de jogo e eliminação corintiana.


Culpados?

Fora de forma, Ronaldo pouco fez em campo
Achar culpados nesta hora é muito fácil. E são muitos. A começar pela diretoria. William já havia anunciado a aposentadoria há tempos. Elias, com a bola que jogava, dava na cara que iria embora a qualquer momento. Ronaldo há tempos demonstra não ter nenhuma condição física. O que Andrés Sanches e seus ‘colegas’ fizeram? Quase nada. O nem um pouco badalado Wallace veio pra ser zagueiro e nem jogou. Paulinho foi a opção para o lugar de Elias e está longe, muito longe de apresentar futebol semelhante. Para o ataque, Liédson foi contratado, mas muito tarde. Veio pra quê, se nem na Libertadores jogará. Em seu último ano de mandato, Andrés não vai poder se vangloriar de levar a América e terá muito a explicar.

Parcela de culpa também aos jogadores. Àqueles que só empataram com o time reserva do rebaixado Goiás no Brasileirão, o que acarretou na disputa da Pré-Libertadores. Aos que entraram em campo no Pacaembu semana passada e foram omissos, se entregaram à marcação adversária. Não honraram a camisa e a tradição corintiana, propiciaram uma vergonha incrível para o torcedor. Que dizer de Ronaldo? Sem condição física, ele só faz número dentro de campo. Ronaldo não precisa do Corinthians, é o Timão que anda dependendo muito dele. E o camisa 9 não demonstra a maior vontade de mudar o panorama e melhorar. Quem paga é o time.

Porém, se dá pra colocar a culpa maior em alguém, esse é Tite. Medroso, cauteloso ao extremo, consegue ter a proeza de demonstrar medo perante o ridículo Tolima. Jogou sem meia de criação tendo vários no barco, armou pessimamente a equipe e permitiu que sua defesa insistisse na ineficaz linha de impedimento. Os seguidos empates no Paulistão não ensinaram Adenor Leonardo Bacchi. Ele insistiu nas ‘cagadas’ e pagou caro.

O corintiano se decepciona de novo. O ano acabou, só sobrou Paulistão e Brasileiro, que viraram obrigações. E tentar chegar de novo a competição mais importante da América. Porém, com esse estigma que Corinthians e Libertadores têm, é melhor a Fiel nem se iludir muito.
 

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