quinta-feira, 3 de março de 2011

É esse o 9, Felipão?

Se continuar marcando gols, Felipão não verá
problema nenhum nas dancinhas de Adriano
(Agência Estado)
Desde que chegou ao Palmeiras, Felipão cobra um camisa 9, o legítimo centroavante pra balançar as redes adversárias. Em um time que já viu César Maluco, Evair, Luizão, dentre outros, era difícil conviver com as fracas opções existentes no ataque. Puxando pela memória, o último homem-gol efetivo foi Alex Mineiro, que, embora não fosse brilhante, marcou seus golzinhos e ajudou o time a ser campeão paulista em 2008. Antes dele, Vagner Love tinha sido o grande número 9 do Verdão.

Para 2011, Felipão sonhou com seu artilheiro. O time, que sonhava com o Imperador no começo do ano, ficou na vontade. Com o fraco Dinei no banco, o técnico por vezes usou Kléber na função. Logicamente, o Gladiador não é ‘o cara’ para a função, embora faça seus gols e seja grande jogador.

De repente, em um negociação que envolveu a ida do volante Edinho para o Fluminense, chegou ao Palestra Itália um outro Adriano. Não era o Imperador, mas outro que levava apelido de sucesso, ‘Michael Jackson’. Vindo do Bahia, onde ajudou a equipe de Salvador a conseguir o acesso no Brasileirão, o jogador chegou mais afamado pelo apelido do que por sua qualidade.

Após algumas semanas de treinamento, ele começou a aparecer. E, em uma semana, virou manchete em jornais e esperança alviverde de um futuro melhor. Contra o Comercial lá no Piauí, marcou finalmente seu primeiro gol. A desconfiança ainda existia, ninguém imaginava que ele pudesse suprir a carência do time. Veio então o clássico contra o São Paulo. No Morumbi, o time perdia por 1 a 0 e era dominado até Felipão chamar ele, lá do banco. Adriano entrou, cavou a expulsão do zagueiro Alex Silva e teve duas chances de ouro para marcar. Na primeira parou em Rogério Ceni, mas mostrou que centroavante vive de chances e não pode desperdiçar mais de uma. Na segunda, ele guardou.

O gol no Choque-Rei foi o estopim do ‘sucesso’. Após fazer dancinha, ele virou o cara no Palmeiras. Receosa, a torcida custou um pouco a acreditar que ele pudesse ser seu camisa 9. Ontem contra o Comercial, as dúvidas começaram a poder virar certeza.

Titular, não teve um primeiro tempo brilhante, assim como todo o Palmeiras. A equipe criou demais, mas faltou qualidade e eficiência. Além disso, o time tomou sustos, o Comercial chegou a marcar um gol, mal anulado pela arbitragem. E o 0 x 0 fraco foi o reflexo da etapa inicial.

No segundo tempo, Adriano voltou disposto a brilhar. Primeiro sofreu pênalti e provocou a expulsão do zagueiro piauiense. Mas Valdívia não aproveitou e parou nas mãos de Neto. Mais alguns minutos e outra expulsão no time do Comercial. Com 11 contra 9, finalmente os espaços aumentaram e o show do camisa 19 começou. Foi uma sequência esmagadora, em 18 minutos, Adriano marcou quatro vezes. Três deles de cabeça. Tudo bem que o adversário era frágil, muito fraco e tinha dois a menos, mas os gols mostraram a presença de área de Adriano, sua boa colocação e o faro de artilheiro. Ainda precisa provar muito, mas para a situação de hoje, pode ser de extrema utilidade para o time. Os seis gols em três jogos provam isso. No placar final, classificação tranqüila do Verdão, vencendo por 5 a 1.

Na coletiva no dia anterior, Felipão disse que dançaria com ele se o atacante marcasse 3 gols. O treinador deu uma de ‘malandro’ e fugiu da aposta, já que foram 4 gols. Se ele não dança, pelo menos fica feliz e imagina que esse pode ser o 9 que o Palmeiras tanto precisava.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O Santos não pode nem pensar em tropeço hoje

O futebol maravilhoso e envolvente do Santos de 2010 encantou o país. A dupla Paulo Henrique e Ganso e Neymar fez tanto sucesso, que até na Copa poderiam estar. Tanto brilho rendeu frutos, os títulos paulista e da Copa do Brasil. E a esperança para 2011 era de que o show continuasse. Ganso lesionou o joelho e está quase pronto para voltar. Neymar esteve no Sul-Americano sub 20 e só nos últimos jogos voltou ao time. Mas a diretoria trabalhou bem, repatriou Elano e deu ainda mais qualidade à ótima equipe.

No comando estava Adilson Batista. O time até começou bem no Paulista, venceu as primeiras com autoridade, derrotou o São Paulo no 1º clássico, tudo isso sem as duas principais estrelas. Porém, o futebol começou a cair. Adilson começou a inventar escalações, substituições, improvisações e o time perdeu a força do início de temporada.

O desgaste resolveu piorar bem na estreia da Libertadores. Contra o muito inferior Deportivo Táchira, Adilson escalou três volantes e Diogo, que desde sua estreia, não fez nem gol ainda. Para piorar, no banco estavam Maykon Leite e Zé Eduardo, dois dos principais goleadores da equipe no ano. O time, claro, foi inoperante. Criou pouco e de longe pareceu aquele time envolvente e ofensivo do ano passado. O empate em 0 a 0, por ser uma estreia fora de casa, foi até engolido, mas ali já se percebia que algo iria mudar em breve.

Veio então o clássico contra o Corinthians. Mais uma vez Diogo em campo e os outros dois como suplentes. Neymar não parou desde o início do ano, segue jogando todas e nem substituído é. Pior, joga em posição diferente da que se destacou. Em vez de ficar na ponta, criando, driblando e enlouquecendo os zagueiros, ele joga mais centralizado e tem sido facilmente neutralizado pelos adversários. Contra o Timão ele praticamente não pegou na bola e de quebra, tomou chapéu de Ralf, uma vingança daquele em Chicão com a bola parada.

E no Pacaembu o Corinthians passeou e venceu por inquestionáveis 3 a 1. O torcedor santista pensava em duas coisas: O que aconteceu com o time, com Neymar, que até dias atrás dava show no Peru? E a outra, 'Cadê você Ganso?'

O estopim veio no último sábado contra o São Bernardo. Jogando de maneira burocrática, fria e sem inspiração, o atual campeão estadual não passou do empate com a equipe do ABC, recém chegada à elite do futebol paulista. Mais uma vez Adilson errou. Zé Eduardo até jogou, mas saiu no decorrer do jogo. Diogo permaneceu jogando uma bolinha ridícula. Neymar sumiu, e nervoso, descontou com um pisão no goleiro adversário. A diretoria não suportou mais. Mesmo com apenas uma derrota, Adilson Batista foi demitido após 11 jogos. Se o aproveitamento não era dos piores, o futebol não ajudava. Acostumados a verem os espetáculos de 2010, os santistas não queriam um time previsível e sem encanto.

A equipe, dos shows, é apenas a 5ª no Paulistão e tem pela frente um compromisso decisivo pela Libertadores. Na Vila, pega o Cerro Porteño, que venceu e bem na estreia. Derrotou o Colo Colo, que ontem foi a mesma Venezuela onde o Santos fez sua estreia e saiu de lá com uma excelente vitória. O Cerro não é uma máquina, mas é perigoso. Tem em Iturbe um dos grandes nomes, argentino que foi bem no Sul-Americano, tendo até feito gol no duelo contra o Brasil de Neymar. O time é rápido e vai entrar fechadinho, explorando a velocidade e os erros do Santos.

Marcelo Martelotti assume o time interinamente e apaga tudo o que Adilson fez. Voltou ao esquema com 3 atacantes. Zé Eduardo joga, Diogo também. Finalmente Neymar tem a chance de atuar na faixa de campo em que mais sabe, pelos lados, criando, finalizando. Elano tem toda a liberdade do mundo para fazer a articulação. Ainda sem Ganso, o time vai ter de satisfazer sua exigente torcida, que espera um futebol brilhante e semelhante ao que tanto lhe fez feliz. A vitória, mais do que necessária, é fundamental para as pretensões santistas nesta Libertadores.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A tarde foi da chuva e dos coadjuvantes

A chuva foi que mais deu as caras hoje
(Fernando Borges - Terra)
O Choque-Rei era esperado pelo duelo Lucas x Valdívia. Os dois armadores, grandes destaques das duas equipes, eram as esperanças de jogadas bonitas, velocidades e muitos gols. Para tristeza dos torcedores, nem a revelação são paulina e nem o Mago palmeirense foram brilhantes. Apesar de alguns lampejos, foram dois dos coadjuvantes que definiram o 1 a 1 do Morumbi.

Jogo este que demorou pra começar. A torrencial chuva que caiu no Cícero Pompeu de Toledo alagou o gramado. Marcado para as 16 horas, o jogo não tinha condições de ter início. A arbitragem esperou, os times esperaram e parecia que a bola não rolaria. Mas tão surpreendente quanto o temporal, foi a capacidade de drenagem do estádio. Em 1 hora, o gramado 'venceu o toró' e, se não mostrou condições perfeitas, permitiu que o jogo começasse.

E começou com o Palmeiras, escalado no esquema tradicional de Felipão, melhor. Com Kléber endiabrado como sempre, o Verdão tentou aproveitar as descidas de Cicinho. Carpegiani não quis se complicar e manteve o time que encantou na semana passada contra o Bragantino, mas o toque de bola e velocidade da equipe sofreram nos primeiros lances de gramado pesado.

Fernandinho fez um golaço e segue em boa fase
(Fernandoi Borges - Terra)
Dá para se afirmar que tecnicamente o Tricolor é mais time, e quando se acostumou com o campo, cresceu e passou a dominar. Alex Silva quase fez um golaço após jogada do parceiro de zaga Miranda.

Minutos depois, o primeiro coadjuvante apareceu. Do ataque tricolor, Lucas é o craque e Dagoberto vem sendo o destaque, artilheiro do time. Fernandinho ainda é questionado, mas hoje mostrou que a fase é boa. Recebeu, encarou Danilo e acertou um petardo inapelável para Deola. Quando dava a volta para comemorar, a energia caiu. Por mais que as equipes quisessem jogo, tava difícil. Mais quinze minutos de paralisação e a bola voltou a rolar. O São Paulo seguiu melhor, mas concluiu muito mal. Lucas até criou, mas não foi espetacular como de praxe. O Palmeiras se ressentia de um lance genial de Valdívia ou uma jogada grandiosa de Kléber, mas o que se viu foram chutes de longe, sem nenhum perigo.

O panorama da etapa final parecia semelhante, e até melhor para o São Paulo. Em desvantagem, o Verdão tinha de sair e dava a brecha para o contra-ataque tricolor, que veloz, poderia fazer a diferença e ampliar a vantagem. Aí faltou cabeça e frieza ao São Paulo. O jogo, que desde o início vinha quente, voltou a ficar nervoso e Alex Silva caiu na pilha. Foi aí que entrou em ação o segundo coadjuvante da tarde. Adriano 'Michael Jackson' entrou no lugar do inoperante Luan e provocou a expulsão do 3 são paulino.

O jogo, que estava até tranquilo para o São Paulo, mudou de lado. Felipão não quis se arriscar e manteve o time na mesma. Carpegiani tirou Fernandinho, que jogava bem, para recompor a zaga com Xandão. Com Lucas e Dagoberto mais perdidos, sentindo falta da presença de Fernandinho na esquerda, o Tricolor teve dificuldades. Rivaldo e Willian ainda entraram, mas isso tirou de vez a velocidade e só prejudicou o time. O Palmeiras também não sabia aproveitar de maneira correta a superioridade numérica, mas no finalzinho o 11 x 10 suriu efeito.

Com direito a dancinha, Adriano saiu do banco pra empatar
(Fernando Borges - Terra)
Primeiro foi Tinga, depois Valdívia e Adriano, todos eles tiveram grandes chances e pararam em Rogério Ceni. Não era hora de perder chances ali. Mas o fim de tarde não seria de decepção para os palmeirenses. Adriano recebeu outra chance e desta vez não deu chance alguma ao goleiro são paulino. Do banco, ele saiu pra dançar e concretizar o empate.

O resultado não é dos mais agradáveis para os dois times. O São Paulo, segue sem perder pro Palmeiras no Morumbi desde 2002. Mas sabe que jogou fora os 3 pontos com a expulsão de Alex Silva. O Verdão ainda tem muito a evoluir, isso se for possível, mas sabe também que apenas ter uma boa defesa não adianta. Fosse mais competente ofensivamente, poderia ter saído do Morumbi com a vitória.

Mais importante que isso, Felipão e Carpegiani sabem que se seus astros não estiverem inspirados, os coadjuvantes podem dar conta do recado.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Desse jeito não toma gols, mas também não faz



Souza e todo o Fluminense tem muito do que se lamentar
(Paulo Sérgio - Lancenet)

O clima pré-jogo para o Fluminense contra o Nacional do Uruguai não era dos melhores. Derrota para o inexpressivo Boa Vista e conseqüente eliminação na Taça Guanabara, mais uma lesão de Fred, a 9ª em dois anos de clube e a pressão pela vitória após o empate na estréia contra o Argentinos Juniors. O torcedor, que tinha o dever de apoiar, resolveu não fazer sua parte. Apenas pouco mais de 10 mil pessoas estiveram presentes no Engenhão. Um público ridículo para uma partida de Libertadores, ainda mais pelo fato do time precisar daquele apoio.

As coisas já não eram das mais otimistas e Muricy agravou ainda mais quando anunciou a escalação da equipe. Com desfalques, ele resolveu implantar o 3-6-1. Para um jogo em que o time precisava demais da vitória, ele errou feio. Independente dos desfalques, Muricy também pensou demais em seu sistema defensivo. Após tomar 12 gols em 9 jogos, ele queria evitar erros bobos como os vistos no jogo contra o Argentinos. O problema é que ao mesmo tempo em que ele arruma a defesa, ele resolve desestruturar seu ataque.

O Nacional não é o mesmo da década de 60, 70. A tradição ainda existe, mas o time está longe de ter a mesma força. Por isso, veio para o Brasil satisfeito com um empate, embora tenha atuado num 4-3-3 até ousado. Ousadia essa que faltou no técnico do Fluminense. Inteligente e conhecendo bem seu adversário, o treinador Juan Ramon Carrasco fez de tudo para travar as duas grandes armas do Fluminense, Conca e os avanços dos laterais Carlinhos e Mariano. O argentino foi discretíssimo e os laterais até criaram boas situações, principalmente Mariano, mas Rafael Moura não aproveitou. Sozinho, por vezes ficou perdido entre os zagueiros adversários.

Era nítido que o Fluminense não conseguiria o resultado de maneira tranqüila. Se fizesse o gol, seria em um lance isolado, fortuito, faltava qualidade. Com Diguinho e Valência apenas para combater, faltou técnica na saída de bola, na condução do time. Marquinho, o meia ao lado de Conca, até se esforçou, mas ainda não tem bola suficiente. Enquanto isso os uruguaios aproveitavam para chegar em contra-ataques, mas nenhum foi bem executado. Assim, as primeiras vaias já ecoavam ao fim do primeiro tempo no Engenhão.

Para o segundo tempo, o panorama seguiu semelhante. Com Tartá no lugar de Valencia, a expectativa é de uma aproximação maior entre meio e ataque e uma pressão efetiva. O Fluminense até tinha a bola, chegava próximo à área, mas faltava um lance que incendiasse o torcedor. Os lances sempre vinham pelos lados do campo e até gol anulado houve, mas Rafael Moura fez em impedimento. A coisa quase ficou mais trágica quando Santiago fez quase tudo certo, aproveitou o erro dos zagueiros, passou pelo goleiro Ricardo Berna, mas bisonhamente isolou a bola e tirou a chance dos uruguaios somarem três pontos.

No desespero, Muricy colocou Souza e Araújo. Nomes que poderiam muito bem ter começado o jogo e só entraram na parte final da partida. O time já não tinha mais padrão e mesmo com as mudanças, Muricy não teve estrela e o jogo, insosso e fraco, ficou mesmo no 0 a 0.

A coisa nas Laranjeiras promete ficar tensa. A lua de mel do torcedor com o time após o título brasileiro já passou. A eliminação no 1º turno do Carioca e os dois empates em casa pela Libertadores ligam e muito o sinal de alerta do time. Agora a equipe tem o América lá na Cidade do México e só uma vitória pode apagar os dois tropeços no Engenhão. Não duvido que Muricy seja extremamente cauteloso no jogo lá na América do Norte. Assim, ele evita tomar gols, mas também vai ser difícil marcar algum. E com isso, a permanência do Fluminense na Libertadores pode ser muito mais relâmpago do que se esperava.



terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Por que ainda me surpreendo com as burradas da CBF?

Este é o grande objeto de discórdia
Segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011: No auditório do Tribunal Regional Federal, o São Paulo recebe a Taça das Bolinhas, dada pela CBF ao primeiro time pentacampeão brasileiro em anos alternados ou tricampeão consecutivo. A entrega do troféu significava ali o fim de qualquer dúvida sobre o título nacional em 1987, creditado apenas ao Sport. Com a Taça das Bolinhas em mãos, os são paulinos comemoraram, festejaram, Juvenal Juvêncio disse que se deliciaria com ela e tudo o mais. Por outro lado, os flamenguistas reclamavam da decisão. Campeão do módulo amarelo da Copa União em 87, o equivalente à 1ª divisão, a equipe carioca se negou a enfrentar o Sport, campeão do módulo verde, equivalente à segundona. Por isso, a CBF deu o título para os pernambucanos, embora a mídia e o público proclame o Mengo como campeão daquele ano.

Segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011: A CBF volta atrás e anuncia. Flamengo e Sport são os campeões brasileiros de 1987. Assim como nos títulos reconhecidos antes de 1971, temos dois campeões brasileiros no mesmo ano. E com muitos méritos né? O Flamengo, que se negou a disputar uma decisão contra um adversário teoricamente inferior. E o Sport, que conquistou uma divisão de acesso, mas pode comemorar como se fosse um título brasileiro.

Questionar quem foi o campeão daquele ano é algo que já foi tratado por tudo e todos e chega a ser chato bater nesta tecla de novo. A questão é: Por que dar a Taça das Bolinhas ao São Paulo em uma semana atestando que este foi o primeiro pentacampeão e exatamente uma semana depois mudar de opinião e dizer que o Flamengo conseguiu tal feito? Vou fingir que sou ingênuo e não sei o que se passa nos bastidores.

Briga entre CBF e Clube dos 13. Na eleição, melhor para o Clube dos 13. E agora, a briga pelos direitos de transmissão do Brasileirão no triênio 2012-2014. A Rede Globo, aliada à CBF, pode estar perdendo seu monopólio na competição nacional. Apesar da tradição em transmitir o Brasileirão, a emissora carioca não quer pagar o que o Clube dos 13 pede. Já a Rede Record disse que paga e é nisso que o C13 se apoia.

Para tentar ajudar a parceira, a CBF precisa do apoio dos grandes clubes. Do Corinthians já tem, ou você acha que Andrés Sanches participa da delegação brasileira á toa. Ou que a exclusão do Morumbi como sede da Copa do Mundo e a inclusão de um futuro estádio para o Corinthians não tem nada de estranho.

Com o Timão ao lado, a CBF precisa de outro time com a maior torcida do Brasil. O Flamengo vinha brigado por causa da Taça das Bolinhas. Patrícia Amorim abriu a boca contra Ricardo Teixeira. Quando a nossa 'louvável' confederação viu que a queridinha Globo poderia perder a queda de braço, teve que se contradizer. A Taça das Bolinhas é um mimo, um convite: "Venha pro nosso lado Flamengo, te dou a Taça, você nos dá apoio contra o Clube dos 13". Uma troca de favores suja, outra mancha que a CBF provoca em nosso futebol.

Agora, o Flamengo que porque quer esta Taça do São Paulo, que diz que não devolve. As coisas prometem esquentar, assim como a batalha Globo x Record e CBF x C13. Quem vai vencer estes duelos de gigantes ninguém sabe, mas que dá asco ver este tipo de atitude, ah se dá. Mais uma vez o órgão que rege nosso futebol comete uma atrocidade, provoca este circo de horrores.

Com relação à taça, de direito é do Flamengo. Merece tê-la, mas se a CBF já deu pro São Paulo, ela que se vire pra pegar de volta. Mas não duvide, porque de sujeira, a CBF entende bem.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Os Estaduais são traiçoeiros, levados a sério ou não

Muitos consideram os Campeonatos Estaduais hoje como mero estorvo no calendário do futebol, que atrapalha pré-temporada e em nada acrescenta aos times. Há ainda os que aprovam o torneio, já que é a grande chance dos tradicionais times do interior aparecerem e os grandes jogarem pelos estádios de várias cidades do estado. Independente da importância e da utilidade dos Estaduais, duas coisas são bem claras quanto a estas competições: O nível técnico é fraco, mas ao mesmo tempo, as armadilhas são enormes. Pra exemplificar bem isso, basta recorrermos ao último final de semana e vermos o que fizeram Fluminense e Internacional.

Atual campeão brasileiro, o Fluminense entrou com a ‘pompa’ de grande favorito no Cariocão. Com um time de estrelas comandado pelo grande Muricy, o time fez uma primeira fase impecável, sempre atuando com força máxima em suas partidas. Viu o Vasco ser eliminado precocemente e teve o privilégio e também a ‘sorte’ de enfrentar nas semifinais o único pequeno classificado, o Boa Vista.

As vésperas de compromisso pela Libertadores, buscando espantar a má estréia, escapar de um clássico era tido como bom negócio para o Tricolor. Logo no início de jogo a equipe abriu o marcador, e a certeza da classificação tranqüila era muito maior. Só que tem uma coisa que o futebol brasileiro não aprende de jeito nenhum e lições não faltam. Nenhum time ganha de véspera e salto alto é só pra torcida, jogador nunca pode entrar nisso. Achando que ganharia como e quando quisesse, o time das Laranjeiras se complicou demais e deixou o Boa Vista crescer. Naquela hora, o único que tinha algo a perder era o próprio Fluminense. O Boa Vista era o pequeno intruso entre os grandes, que estava lá apenas para figurar. Sem nenhuma responsabilidade, conseguiu segurar o poderoso adversário e levar a decisão para os pênaltis.

Na hora da marca da cal não existe favorito. Já diria a antiga expressão futebolística, ‘pênalti é loteria’. A responsabilidade pesou nas pernas dos tricolores, que erraram duas cobranças. Sem nenhum tipo de pressão, os jogadores do Boa Vista converteram todos e proporcionaram uma zebraça, mostrando que na hora do ‘vamo ver’, é preciso jogar com seriedade. Outro fato é o que acontece com Muricy Ramalho em mata-mata? O rei dos pontos corridos não consegue emplacar neste tipo de competição. Coincidência ou tem coisa errada nisso?

O oba-oba do título brasileiro no ano passado já acabou. Quarta tem jogo decisivo contra o Nacional do Uruguai no Engenhão e um tropeço vai deixar as coisas bem sombrias pelos lados das Laranjeiras.

Colorado também foi vítima

Outra vítima da armadilha dos Estaduais foi o Sport Club Internacional. Tudo bem que o Colorado é o time do país que mais despreza esse tipo de competição, já que atuou com o time B até mesmo no Grenal. Mas a derrota e eliminação nas quartas de final do primeiro turno do Gauchão fizeram as coisas mudarem de figura.

Celso Roth poupou todo o time para a Libertadores e viu a vitória escapar pelos dedos aos 49 minutos da segunda etapa contra o Emelec. Na competição caseira, o time capengava, mas contra os fragilíssimos adversários do estado, conseguia garantir a classificação. Contra o Cruzeiro, os pênaltis determinaram a eliminação de maneira precoce.

Até entende-se o menosprezo do time pela competição. Mas vai falar isso pro torcedor. Ninguém quer perder um título, ainda mais quando na mesma competição está o maior rival. O Grêmio entrou completo e goleou. O Inter só tem o segundo turno pra disputar e isso provocou mudanças drásticas no planejamento. O time B não funcionou. Com outro técnico, montado para suportar e atuar em alto nível no desgastante calendário nacional, a equipe caiu na primeira decisão. A partir de agora, essa divisão não existe mais o técnico foi mandado embora e os garotos terão que tentar se encaixar no time principal. Os astros Tinga, Bolatti, Guiñazu, Kléber e D’Alessandro terão que pagar pela ineficácia dos meninos da base e atuar nos prejudicados gramados espalhados pelo Rio Grande do Sul. Além disso, terão que se dar bem na Libertadores, porque os colorados não querem nem imaginar um novo Mazembe em suas vidas.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Pra quê Ronaldo?

O 'Levezinho' fez a torcida nem se lembrar de Ronaldo
(Ari Ferreira - Lancenet)
Ele se aposentou na última segunda-feira e vai ser assunto durante muito tempo ainda. Mas no que se refere à camisa 9 do Corinthians, o nome Ronaldo pode ir se esquecendo aos poucos. No primeiro jogo do Corinthians com a confirmação definitiva da saída do Fenômeno, Liédson mostrou que é o substituto ideal e guardou dois na vitória sobre o Mogi Mirim em jogo adiado do Campeonato Paulista.

O Timão entrou em campo ainda com a desconfiança e um pouco do descrédito de seu torcedor. Pouco mais de 7 mil pessoas estiveram presentes no Pacaembu. Dentro de campo, os dois times protagonizaram um primeiro tempo muito fraco. Eu achava que Deportivo Táchira x Santos na terça-feira seria o pior jogo da semana, mas a partida de ontem quis competir de igual para igual. A etapa inicial foi difícil de assistir. Burocrático, o Corinthians até teve um começo mais animado e dava a impressão de que faria um bom jogo. Mas com o passar do tempo, o time foi se nivelando à ruindade do adversário. Para piorar, o capitão Chicão se lesionou e é desfalque no clássico contra o Santos.

No meio-campo, o mistério que ninguém explica. Em campo Danilo e Ramírez. Até aí tudo bem, mas lá na arquibancada, assistindo o jogo, estava Bruno César, e com certeza imaginando: "Se eu estivesse aí dentro, as coisas seriam diferentes". Como uma das maiores revelações de 2010 nem relacionado é mais para os jogos? Falam de lesão, problemas físicos, mas tá difícil de acreditar. A relação dele com Tite não é boa e não me surpreenderia ele vestindo outra camisa daqui um tempo. E foi sem um grande articulador, que o jogo acabou com todo o merecimento no 0 a 0. Quem assistiu o jogo com um pouco mais de sono, de certo 'capotou' durante a etapa inicial.

O mistério em torno de Bruno César
 prossegue, sem explicação
(Tom Dib - Lancenet)
Para o segundo tempo, a estrela de alguém teria de brilhar. Liédson acertou a trave no início e deu o indício de que coisas boas aconteceriam. O time não se acertava. Deu sorte de que o Mogi Mirim é candidatissímo ao rebaixamento, senão as coisas no Pacaembu poderiam ser mais sombrias. O empate foi deixando a Fiel cada vez mais impaciente e Tite resolveu mudar. O esforçado, mas apagado Danilo saiu para a entrada de Dentinho, para festa do torcedor. Quem também saiu foi Jucilei, visivelmente contrariado, para a entrada de Morais. Não se sabe, mas essa pode ter sido a última atuação de Jucilei com a camisa corintiana, destino dele é o mesmo de Roberto Carlos, a Rússia. Será que esse foi o motivo da substituição?

Independente disso, seu substituto Morais entrou bem no jogo. E o gol, que parecia não vir mais, finalmente saiu. Dentinho arriscou de longe, o goleiro deu rebote e Liédson mostrou seu faro de artilheiro, conferindo e finalmente tirando o peso no Pacaembu. Sem reação, o Mogi Mirim continuou entregue. O Corinthians tentou fazer mais um pra liquidar de vez, mas a noite não era da melhores. O segundo gol só saiu porque o goleiro João Paulo resolveu fazer uma daquelas memoráveis. Sem a mínima intimidade com a bola, ele quis sair driblando. Liédson esperto, tomou a bola do atrapalhado arqueiro e fez o segundo dele no jogo.

Fim de papo. Jogo fraco, atuação muito abaixo da média do Corinthians, mas o que vale são os três pontos e a subida na classificação. Pelo menos de uma coisa o torcedor pode ter certeza. A falta de Ronaldo não será tão sentida, Liédson, ou Liédshow, como dizem os corintianos, já tem dado conta do recado. Os quatro gols em três jogos falam por si.

O alvi-negros ainda se entristecem de pensar que a diretoria poderia ter sido mais rápida. O contrataram para a Libertadores, já ignorando o Tolima. O time perdeu a fica uma grande sensação de que com Liédson, as coisas seriam diferentes.
 

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