quinta-feira, 3 de março de 2011

É esse o 9, Felipão?

Se continuar marcando gols, Felipão não verá
problema nenhum nas dancinhas de Adriano
(Agência Estado)
Desde que chegou ao Palmeiras, Felipão cobra um camisa 9, o legítimo centroavante pra balançar as redes adversárias. Em um time que já viu César Maluco, Evair, Luizão, dentre outros, era difícil conviver com as fracas opções existentes no ataque. Puxando pela memória, o último homem-gol efetivo foi Alex Mineiro, que, embora não fosse brilhante, marcou seus golzinhos e ajudou o time a ser campeão paulista em 2008. Antes dele, Vagner Love tinha sido o grande número 9 do Verdão.

Para 2011, Felipão sonhou com seu artilheiro. O time, que sonhava com o Imperador no começo do ano, ficou na vontade. Com o fraco Dinei no banco, o técnico por vezes usou Kléber na função. Logicamente, o Gladiador não é ‘o cara’ para a função, embora faça seus gols e seja grande jogador.

De repente, em um negociação que envolveu a ida do volante Edinho para o Fluminense, chegou ao Palestra Itália um outro Adriano. Não era o Imperador, mas outro que levava apelido de sucesso, ‘Michael Jackson’. Vindo do Bahia, onde ajudou a equipe de Salvador a conseguir o acesso no Brasileirão, o jogador chegou mais afamado pelo apelido do que por sua qualidade.

Após algumas semanas de treinamento, ele começou a aparecer. E, em uma semana, virou manchete em jornais e esperança alviverde de um futuro melhor. Contra o Comercial lá no Piauí, marcou finalmente seu primeiro gol. A desconfiança ainda existia, ninguém imaginava que ele pudesse suprir a carência do time. Veio então o clássico contra o São Paulo. No Morumbi, o time perdia por 1 a 0 e era dominado até Felipão chamar ele, lá do banco. Adriano entrou, cavou a expulsão do zagueiro Alex Silva e teve duas chances de ouro para marcar. Na primeira parou em Rogério Ceni, mas mostrou que centroavante vive de chances e não pode desperdiçar mais de uma. Na segunda, ele guardou.

O gol no Choque-Rei foi o estopim do ‘sucesso’. Após fazer dancinha, ele virou o cara no Palmeiras. Receosa, a torcida custou um pouco a acreditar que ele pudesse ser seu camisa 9. Ontem contra o Comercial, as dúvidas começaram a poder virar certeza.

Titular, não teve um primeiro tempo brilhante, assim como todo o Palmeiras. A equipe criou demais, mas faltou qualidade e eficiência. Além disso, o time tomou sustos, o Comercial chegou a marcar um gol, mal anulado pela arbitragem. E o 0 x 0 fraco foi o reflexo da etapa inicial.

No segundo tempo, Adriano voltou disposto a brilhar. Primeiro sofreu pênalti e provocou a expulsão do zagueiro piauiense. Mas Valdívia não aproveitou e parou nas mãos de Neto. Mais alguns minutos e outra expulsão no time do Comercial. Com 11 contra 9, finalmente os espaços aumentaram e o show do camisa 19 começou. Foi uma sequência esmagadora, em 18 minutos, Adriano marcou quatro vezes. Três deles de cabeça. Tudo bem que o adversário era frágil, muito fraco e tinha dois a menos, mas os gols mostraram a presença de área de Adriano, sua boa colocação e o faro de artilheiro. Ainda precisa provar muito, mas para a situação de hoje, pode ser de extrema utilidade para o time. Os seis gols em três jogos provam isso. No placar final, classificação tranqüila do Verdão, vencendo por 5 a 1.

Na coletiva no dia anterior, Felipão disse que dançaria com ele se o atacante marcasse 3 gols. O treinador deu uma de ‘malandro’ e fugiu da aposta, já que foram 4 gols. Se ele não dança, pelo menos fica feliz e imagina que esse pode ser o 9 que o Palmeiras tanto precisava.

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