quarta-feira, 2 de março de 2011

O Santos não pode nem pensar em tropeço hoje

O futebol maravilhoso e envolvente do Santos de 2010 encantou o país. A dupla Paulo Henrique e Ganso e Neymar fez tanto sucesso, que até na Copa poderiam estar. Tanto brilho rendeu frutos, os títulos paulista e da Copa do Brasil. E a esperança para 2011 era de que o show continuasse. Ganso lesionou o joelho e está quase pronto para voltar. Neymar esteve no Sul-Americano sub 20 e só nos últimos jogos voltou ao time. Mas a diretoria trabalhou bem, repatriou Elano e deu ainda mais qualidade à ótima equipe.

No comando estava Adilson Batista. O time até começou bem no Paulista, venceu as primeiras com autoridade, derrotou o São Paulo no 1º clássico, tudo isso sem as duas principais estrelas. Porém, o futebol começou a cair. Adilson começou a inventar escalações, substituições, improvisações e o time perdeu a força do início de temporada.

O desgaste resolveu piorar bem na estreia da Libertadores. Contra o muito inferior Deportivo Táchira, Adilson escalou três volantes e Diogo, que desde sua estreia, não fez nem gol ainda. Para piorar, no banco estavam Maykon Leite e Zé Eduardo, dois dos principais goleadores da equipe no ano. O time, claro, foi inoperante. Criou pouco e de longe pareceu aquele time envolvente e ofensivo do ano passado. O empate em 0 a 0, por ser uma estreia fora de casa, foi até engolido, mas ali já se percebia que algo iria mudar em breve.

Veio então o clássico contra o Corinthians. Mais uma vez Diogo em campo e os outros dois como suplentes. Neymar não parou desde o início do ano, segue jogando todas e nem substituído é. Pior, joga em posição diferente da que se destacou. Em vez de ficar na ponta, criando, driblando e enlouquecendo os zagueiros, ele joga mais centralizado e tem sido facilmente neutralizado pelos adversários. Contra o Timão ele praticamente não pegou na bola e de quebra, tomou chapéu de Ralf, uma vingança daquele em Chicão com a bola parada.

E no Pacaembu o Corinthians passeou e venceu por inquestionáveis 3 a 1. O torcedor santista pensava em duas coisas: O que aconteceu com o time, com Neymar, que até dias atrás dava show no Peru? E a outra, 'Cadê você Ganso?'

O estopim veio no último sábado contra o São Bernardo. Jogando de maneira burocrática, fria e sem inspiração, o atual campeão estadual não passou do empate com a equipe do ABC, recém chegada à elite do futebol paulista. Mais uma vez Adilson errou. Zé Eduardo até jogou, mas saiu no decorrer do jogo. Diogo permaneceu jogando uma bolinha ridícula. Neymar sumiu, e nervoso, descontou com um pisão no goleiro adversário. A diretoria não suportou mais. Mesmo com apenas uma derrota, Adilson Batista foi demitido após 11 jogos. Se o aproveitamento não era dos piores, o futebol não ajudava. Acostumados a verem os espetáculos de 2010, os santistas não queriam um time previsível e sem encanto.

A equipe, dos shows, é apenas a 5ª no Paulistão e tem pela frente um compromisso decisivo pela Libertadores. Na Vila, pega o Cerro Porteño, que venceu e bem na estreia. Derrotou o Colo Colo, que ontem foi a mesma Venezuela onde o Santos fez sua estreia e saiu de lá com uma excelente vitória. O Cerro não é uma máquina, mas é perigoso. Tem em Iturbe um dos grandes nomes, argentino que foi bem no Sul-Americano, tendo até feito gol no duelo contra o Brasil de Neymar. O time é rápido e vai entrar fechadinho, explorando a velocidade e os erros do Santos.

Marcelo Martelotti assume o time interinamente e apaga tudo o que Adilson fez. Voltou ao esquema com 3 atacantes. Zé Eduardo joga, Diogo também. Finalmente Neymar tem a chance de atuar na faixa de campo em que mais sabe, pelos lados, criando, finalizando. Elano tem toda a liberdade do mundo para fazer a articulação. Ainda sem Ganso, o time vai ter de satisfazer sua exigente torcida, que espera um futebol brilhante e semelhante ao que tanto lhe fez feliz. A vitória, mais do que necessária, é fundamental para as pretensões santistas nesta Libertadores.

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