sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Desequilíbrio dá o tom na Ponte Preta

Diz a cartilha do futebol que para um time ser bem sucedido ele precisa de equilíbrio entre os seus setores. E, se isso é mesmo a realidade, o torcedor da Ponte Preta começa a se preocupar cada vez mais com o futuro do clube. Isto porque a equipe alvinegra é extremamente desequilibrada entre defesa e ataque.

No quesito gols marcados, a torcida não tem o que se preocupar. São 17 no Paulistão, o melhor ataque ao lado do São Paulo. Ainda que por vezes falte criatividade como no jogo desta sexta contra o Oeste, o setor ofensivo tem sido bem eficiente e aproveitado as oportunidades. Há de se ressaltar, porém, que o time é carente demais das jogadas de Renato Cajá. O próprio meia reconheceu hoje, que bem marcado, faltam opções de organização para o time.

Mas o verdadeiro problema da equipe está lá atrás. São inaceitáveis 13 gols sofridos em apenas oito rodadas, número semelhante aos times que frequentam a zona de rebaixamento do Estadual. Claro que tudo começa lá na frente, com os atacantes que de jeito nenhum marcam pressão na saída de bola, passa pelo meio-campo que poderia ser mais combativo e termina lá atrás, na dupla de zagueiros que ainda não se encontrou.

A torcida reclama, com um pouco de razão, das falhas do goleiro Lauro. Totalmente inseguro nas saídas de bola, ele parece sentir um pouco o mau momento e cada bola na área da Ponte se torna um verdadeiro Deus nos acuda. Mas o camisa 1 da Ponte está bem longe de ser o grande vilão. E o jogo de hoje prova isso. No primeiro gol, os volantes foram deixando o adversário chegar, o lateral-esquerdo Renan abriu espaços às suas costas e a bola foi cruzada na área, nem Ferrón nem Gian tiraram, aí Lauro não teve o que fazer na cabeçada de Tadeu.

Veio o segundo tempo e outra falha. O Oeste fez uma verdadeira linha de passes perto da área  e a bola foi nas costas de Guilherme. Ferrón chegou tarde para a cobertura e Mazinho bateu sem chances para Lauro. Tomar gols no futebol obviamente é normal, mas alguns erros são intoleráveis.

Quando o jogo terminou e a torcida saiu visivelmente decepcionada, percebia-se quem eram os considerados culpados. Estive no Majestoso e ouvi nítidos gritos contra Guilherme, Ferrón e Gian. Os repórteres cobraram o treinador do mau rendimento da dupla de beques. E Gilson Kleina fez a triste análise: ainda não conseguiu encaixar o time. Tem tempo, mas precisa ser rápido.

Para o Paulistão, a situação ainda é de certo modo cômoda. O time tem total capacidade de chegar entre os oito. O problema é lá na frente, no Brasileirão. Devem chegar reforços, mas desde já é bom se preocupar. Se o enorme desequilíbrio persistir, a torcida da Macaca certamente sofrerá muito no decorrer do ano.

Um líder incontestável

Até a noite de hoje, quando Guaratinguetá e Palmeiras se enfrentam no Vale do Paraíba, o Guarani e seu torcedor podemgritar para o mundo todo ouvir: "SOU LÍDER". Falar isso em uma mera oitava rodada do Estadual pode parecer tolo e pequeno, mas para uma torcida que praticamente apenas sofreu nos últimos 10, 12 anos, a ponta da tabela é sinal de glória e da sensação de que o futuro poderá ser diferente.

Sem querer secar, mas já secando, espero que Palmeiras e Corinthians ao menos empatem na rodada e mantenham o Guarani na liderança. Que seja por uma, duas, três ou até o fim, é muito bom ver o único campeão brasileiro do interior ostentar tal status. Por que? Porque de longe, o Guarani joga o melhor futebol e tem sido o mais competitivo. É líder incontestável.

E o grande mérito dessa campanha, parafraseando meu ilustre colega Carlo Carcani, coordenador de esportes da Rede Anhanguera de Comunicação, se deve a "uma diretoria a fim de trabalhar pelo bem do clube e não pelo bem do próprio bolso".

Quando Leonel Martins de Oliveira saiu do cargo de presidente e Marcelo Mingone assumiu, tive minhas dúvidas, até porque ambos eram do mesmo grupo político. Mas a partir da primeira medida do novo mandatário, que foi trazer o competente Cláudio Corrente ao Brinco, as coisas começaram a ganhar corpo. Veio om excelente Vadão e jogadores que deram a sustentação necessária para a equipe.

As permanências de Emerson e Fabinho foram fundamentais. Dois jogadores com a cara do time e identificação com a torcida. O zagueiro Neto tem feito partidas brilhantes, como nunca visto. O motorzinho Fábio Bahia, na minha visão, foi a melhor contratação. Deu o equilíbrio fundamental ao time. Depois que ele estreou, o time não sabe o que é perder. Os desacreditados Domingos e Danilo Sacramento tem rendido bem demais. O zagueiro, famoso pelas expulsões, só levou amarelos até agora. E o meia, com passagens apagadas por Ponte Preta e Red Bull, tem dado um show na armação do time. Some-se a isso a experiência de um Wellington Monteiro na proteção do meio-campo e e Fumagalli na criação. Na frente, o garoto Ronaldo tem guardado seus golzinhos.

Daqui dois, três meses, o Guarani pode somar 15 derrotas consecutivas, o time entrar em crise, declínio e não jogar mais nada. O futebol é volúvel e toda essa qualidade dos jogadores acima pode não 'existir' mais. Mas hoje tem sido fácil cravar que o Bugre joga o melhor futebol do Estadual, mais do que o Palmeiras dependente de Marcos Assunção, ou o Santos que anda longe de ser Santos, o Corinthians do pragmático 1 a 0, o São Paulo de oscilações constantes ou a Portuguesa que de Barcelusa não tem nada.

Líder até hoje, amanhã ou até a próxima rodada. Mas tudo isto é bom para o futebol do Interior, para o futebol de Campinas e para quem admira times de tradição.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Não precisava disso, né Suárez

Mais do que falar do sempre emocionante e intenso campeonato, o papo da vez na Premier League é o racismo. Primeiro foi o caso entre Luis Suárez e Evra. Depois Ferdinand, do QPR e John Terry, do Chelsea. No segundo caso, a repercussão foi tanta que até mesmo custou o emprego do técnico da Seleção Inglesa. Fabio Capello deixou o comando por não concordar com a Federação, que não queria mais Terry como capitão da equipe.

Hoje, Manchester United e Liverpool entraram em campo no Old Trafford para um jogo recheado de polêmica. Após o suposto ato racista de Suárez no jogo do turno, o uruguaio levou uma punição de oito jogos e seu retorno ao time titular foi, justamente contra o United.

Que ele seria vaiado a cada toque na bola, isso era claro. A torcida não perdoaria. Independente do que viesse das arquibancadas, o caso poderia começar a morrer ali no encontro entre Suárez e Evra no momento do cumprimento das equipes.

Ele pode ter se sentido injustiçado, irado ou simplesmente teve uma atitude de extremo idiota, mas a recusa do uruguaio em cumprimentar o francês não jogo a última pá de cal no caso, mas apenas fomenta mais polêmica.

Evra não é santo, longe disso. Claro que houve provocação de ambos os lados. Mas o francês até estendeu a mão para o cumprimento, sendo sumariamente ignorado. Escrevo esse post antes do jogo terminar, ambos podem brigar, serem expulsos ou até protagonizarem novamente uma polêmica.

Mas, a conclusão que se chega é única: a atitude de Suárez foi totalmente desnecessária.

A 'deixada no vácuo', você confere no vídeo abaixo.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Como jogar fora um jogo na mão

Por mais respeito que mereça o Comercial, era um jogo para três pontos tranquilos do São Paulo. Com quatro minutos, Willian José repetiu o faro de gol dos últimos jogos e abriu o placar. Parecia um roteiro sem sustos, mais um, dois gols e a vitória incontestável do São Paulo. Passou-se o primeiro tempo inteiro e, embora sem brilhar, o Tricolor teve todo o jogo na mão. O meio formado por Jadson, Cícero e Maicon mostrou mobilidade e qualidade, Cortez foi bem pelo lado esquerdo e o jogo fluía. No último lance da etapa inicial, o Comercial chegou pela primeira vez e quase empatou. Seria um sinal? Seria.

No intervalo, Leão, provavelmente satisfeito com o rendimento do time e querendo poupar para o clássico contra o Corinthians, sacou Jadson e Maicon. O time perdia ali toda sua organização e criatividade para ser refém da velocidade de Lucas e Osvaldo, que fez sua estreia. Só que o que nem treinador e nenhum torcedor do Morumbi esperavam era o gol do Comercial com um minuto, em falha de Paulo Miranda. (Edson Silva foi tão bem quando atuou, não entendo até hoje porque saiu).

A vantagem já não existia e o time não tinha mais dois jogadores que poderiam ditar o ritmo do jogo. E virou aquele famoso joguinho do São Paulo de 2009, 2010 e 2011. Tentar marcar de qualquer jeito e achar o gol na marra. Oportunidades até existiram, mas sempre em chutes de longe ou lances isolados.

Sem muitas opções, o professor Leão colocou Fernandinho em campo. O time virou um verdadeiro carro de corrida. Sobraram pernas, faltou cérebro.  O time tentou desordenadamente, mas nada. E terminou assim. O jogo, que parecia tão tranquilo e típico de goleada, virou outro tropeço em casa. O time é líder, só disso valeu o jogo desta quinta-feira.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Mini-metas no Guarani. Saindo bem melhor do que a encomenda

Era 2009. Após cair para a Série A-2 do Paulista, o Guarani tinha um novo comando: Oswaldo Alvarez, o Vadão. O técnico, que teve como grande trunfo na carreira a montagem do famoso Carrossel Caipira do Mogi Mirim no começo dos anos 90, chegava para treinar o time na Série-B do Brasileirão com uma nova proposta: as mini-metas, um número x de pontos em determinadas rodadas que serviriam como base para o que o time precisaria fazer a cada período.

As mini-metas impostas por Vadão acabaram não saindo exatamente como o planejado. Não pelo lado ruim, mas sim pelo começo espetacular de campanha do Bugre naquele campeonato. Foram 27 pontos em 11 rodadas. Gordura suficiente e que permitiu que o time tivesse seus altos e baixos no campeonato, mas conseguisse o acesso sem sustos.

Vadão ainda disputou, desta vez sem sucesso, o Paulista de 2010. O time foi mal e quase caiu pra Terceirona. O treinador saiu, muita gente passou pelo comando técnico do clube, mas ele voltou dois anos depois. Mais uma vez o momento não era bom. O Guarani em crise, devendo salários e entrando no Estadual com status de time que lutaria para não cair.

Logo em suas primeiras entrevistas, Vadão reviveu as mini-metas. No Paulistão, na visão do técnico, são necessários cinco pontos a cada nove jogados. O que daria no fim da primeira fase 30 pontos ganhos e a classificação para a próxima fase. Isso se recorrermos ao retrospecto. Desde que o Paulista começou a ser disputado em pontos corridos, nenhum time foi pelo menos oitavo colocado com mais de 30 pontos.

Na primeira mini-meta, foram seis pontos. Vitórias sobre Oeste e Ituano e uma derrota fora pro Mogi. A segunda mini-meta era uma prova de fogo, e o time conseguiu ser ainda mais competente. Foram sete pontos, quatro fora de casa contra o poderoso São Paulo e o sempre incômodo São Caetano e a vitória sobre um concorrente direto, a Portuguesa, em casa.

Dos 10 pontos que Vadão planejava, o time levou 13, uma importante gordura de três pontos. O próximo compromisso é novamente em Campinas, contra o Paulista. Outro rival direto e que dará trabalho. Mas basta uma vitória para que a terceira mini-meta se cumpra com dois jogos de antecedência.

O artifício de Vadão vem funcionando. Mais do que isso, vem saindo muito melhor do que a encomenda.

Rodada de confirmação para Ponte e Guarani

O futebol campineiro, que de tão poucas boas coisas tem vivido nos últimos anos, não pode reclamar da atual situação de seus dois principais representantes, Guarani e Ponte Preta. Bem no Campeonato Paulista, ambos os times tem uma importante tarefa hoje: confirmar que não serão apenas 'mais um' no Estadual.

O Guarani entrou em 2012 afundado em dívidas, sem um time e com a perspectiva de apenas fugir do rebaixamento. Foi aí que a nova diretoria fez seu primeiro grande acerto, trazer Vadão para o comando. O competente treinador montou um time sem nenhuma peça de grande impacto, mas com jogadores experientes que não sentiriam tanto a pressão que ronda o Brinco de Ouro. André Leone, Domingos, Wellington Monteiro e Fumagalli, nomes que caíram como uma luva no time. E nos últimos dois jogos o time mostrou que pode sonhar com algo muito melhor do que apenas escapar da queda. O improvável empate com o São Paulo no Morumbi e a grande vitória sobre o São Caetano no ABC revelaram um time que não dá show, mas sabe bem o quer nem campo. Uma defesa segura, um meio equilibrado e um ataque que aproveita suas chances. Mas hoje, no Brinco de Ouro, esse grupo tem a chance de confirmar que é forte candidato à uma das oito vagas. O jogo é contra a Portuguesa. Bem longe da Barcelusa de 2011, o time do Canindé perdeu peças importantes e precisa se reabilitar.

Eis o jogo-chave para o Bugre. Uma vitória incontestável em casa, além de encher de moral o time, faz com que o alviverde abra 7 pontos de vantagem para um adversário direto. Aí sim o sonho de estar entre os melhores do Paulistão poderá começar a se tornar uma realidade mais concreta.

PONTE PRETA
A situação da Ponte é um pouco diferente. A Macaca entrou no Paulistão como uma das fortes candidatas a se classificar após o acesso no Brasileiro. Em sexto lugar, o time faz uma campanha boa e hoje estaria cumprindo seu objetivo. O que a equipe tem a confirmar nos próximos dois jogos é sua força perante os outros adversários do Interior.
A tal força ficou provada no último jogo contra o São Paulo, de modo contrário. O Tricolor foi para o jogo com o favoritismo e com a incumbência de vencer por ter mais time, mais tradição, etc. Foi 3 a 1 para o São Paulo, mas diante do que aconteceu no Majestoso, o 3 a 1 para a Ponte Preta não seria nenhum absurdo. Ambos tiveram muitas chances, aí pesou a maior eficiência do time mais forte, que matou o jogo quando teve chance.
A Ponte agora tem Catanduvense e Mirassol, pela frente. Mesmo fora de casa, a Macaca entra em campo como favorita e, na comparação de elencos, não pode desperdiçar pontos. É a oportunidade de mostrar sua superioridade sobre os adversários. Se o jogo porventura estiver empatado, será que a Macaca vai impor sua qualidade e vencer, ou vai fraquejar. É essa a missão do time.
 

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