Há tempos eu e toda torcida são paulina cobramos por uma camisa 10 para o São Paulo. Um meia armador que chame a responsabilidade, crie jogadas e dê uma dinâmica maior à equipe. Ninguém foi contratado, realmente, mas parece que lá mesmo, naquele caro CT de Cotia que o São Paulo mantém à duras penas, está o tão sonhado camisa 10. Hoje ele é o 37, mas seu futebol tem dado mostras de que o futuro lhe reserva coisas boas. Ainda é cedo para qualquer previsão, tem apenas 18 anos, menos de vida do que o capitão Rogério tem só de São Paulo, mas esperança há, e muita.
Hoje na festa dos 20 anos de casa de Rogério Ceni, o jogo contra o Flamengo era a chance de confirmar de vez a reação. Sem Casemiro e Dagoberto, Baresi também sacou Júnior César e deu chances à Jorge Wágner, Cléber Santana e Marlos, com Richarlysson do lado esquerdo.
Com um time forte na marcação do meio campo, tanto Marlos quanto Marcelinho tinham toda a liberdade para jogar e criar para Fernandão, a referência. E saiu dos pés dos dois jovens o primeiro gol, logo cedo. Marcelinho achou Marlos entrando na área e deu um passe açucarado. O camisa 16 fintou o goleiro e guardou. Gol cedo e de extrema importância para a equipe.
Diferentemente de jogos anteriores, a atitude do São Paulo depois do gol foi positiva. Sem recuar, o time manteve-se em cima e só tomou um susto. Na frente, o trio de ataque continuava atormentando a retaguarda rubro-negra, Fernandão teve sua primeira chance no jogo, mas parou na trave.
O Flamengo de Silas está perdido. Apesar das boas peças, o time cria pouco e finaliza menos ainda. Falta técnica e no jogo de hoje, faltou também cabeça. Diogo fez falta boba e tomou amarelo. No minuto seguinte se jogou na área e foi expulso. O que já era difícil, se desmoronou.
Aproveitando o momento, o Tricolor tratou de matar o jogo. Jorge Wagner levantou na área e Fernandão testou bonito para ampliar. Mais uma vez o camisa 15 não teve uma participação extraordinária no jogo, mas seu gol, o 7º na competição, foi de fundamental importância para a equipe, a fase está melhorando.
Para a segunda etapa, Baresi resolveu mexer e fechar o time. Tirou Cléber Santana para a entrada de Renato Silva, que jogaria na direita e deslocaria Jean para o meio. A mexida tirou um pouco da força ofensiva dos paulistas e chamou mais o Flamengo. De nada adiantou, Silas não mexeu, Petkovic ficou quase o tempo todo no banco. A única chance foi de Léo Moura, que acertou a trave em cobrança de falta.
Com o jogo definido e sem sustos, era hora de estreias. Zé Vitor e Ilsinho entraram. O primeiro, 18 anos, jogador da base, campeão da Copa SP desse ano com Baresi. Já o segundo chega para resolver o problema crônico da lateral direita, porém hoje entrou como um meia, as opções são variadas. Quem continuava com a bola toda era Marcelinho. Abusado, incisivo, o jovem meia tentava abrir a defesa flamenguista com dribles, bons passes e muita correria. Deu uma canseira danada nos adversários, de longe, foi o melhor do jogo.
Fim de jogo, ótimo resultado que ratifica a reação e garante a comemoração dos 20 anos de Ceni, que mais uma vez foi seguro quando exigido. O teste de fogo é domingo contra o Botafogo no Engenhão. Um triunfo vai escancarar os gritos de "O Campeão voltou", ouvidos de forma tímida hoje. Jogando com a mesma pegada, a mesma força e contando com o bom de bola Marcelinho, - o camisa 10 que parecia impossível e estava mais perto do que se podia imaginar - o Tricolor do Morumbi pode vislumbrar uma nova arrancada.



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