Vendo de camarote Fluminense e Corinthians serem derrotados no sábado, o São Paulo tinha a chance de se firmar de vez na luta por um provável título neste domingo contra o Botafogo no Engenhão. ma vitória no confronto direto deixaria o Tricolor muito próximo do G-4, mas faltou futebol para a equipe. Totalmente dominado, o time não segurou a pressão adversária e quebra uma sequência de cinco jogos sem perder.
Em campo, Baresi escalou o time que já era esperado. Com Samuel e Casemiro, nos lugares de Miranda e Cléber Santana, suspensos. Na frente, Dagoberto voltou e deixou Marlos no banco. Marcelinho seguia como grande esperança de jogadas ofensivas. Do lado alvinegro, Joel Santana deixou Loco Abreu sozinho na frente, porém contando com os apoios de Maicossuel e dos alas Alessandro e Marcelo Cordeiro.
Com força tanto pelo meio quanto pelos lados, o Fogão começou em um ímpeto insaciável. Marcou pressão desde o pontapé inicial e afobou demais o São Paulo. Apesar da maior presença ofensiva, os cariocas abusaram das jogadas aéreas, buscando a cabeça do uruguaio. O único que tentava algo mais lúcido era Maicossuel, porém a forte marcação em cima do armador botafoguense, atrapalhava as investidas. E Joel teve que mexer por duas vezes só na etapa inicial. Marcelo Cordeiro e seu xará Mattos, saíram para as entradas de Edno e Caio. Foi de Edno a grande chance de jogo nos primeiros 45 minutos, em chute forte, ele obrigou Rogério a praticar boa defesa.
O São Paulo começou sentindo o rimo do rival e demorou a sair da defesa e jogar seu jogo. Só que na frente o Tricolor não tinha qualidade. Assim como o Fogão, a bola longa era a mais usada, Fernandão buscava fazer o pivô, mas os companheiros não apareciam para jogar junto. Nas raras tabelas ocorridas, a finalização não ocorria. Para piorar, Marcelinho estava apagado. Tentava um outro drible, chegou a a plicar belas fintas, mas não conseguiu ser incisivo e objetivo como em outros jogos, parou na boa marcação dos zagueiros botafoguenses.
Sem alterações no intervalo, a postura das equipes também voltou a mesma. O Botafogo empolgado, envolvente, ofensivo. O São Paulo parecia assustado com a pressão e jogou buscando encaixar um contra-ataque. A intenção era boa, tanto é que entrou Marlos. Porém, mais uma vez Sérgio Baresi errou na substituição. A não ser que Marcelinho estivesse muito cansado ou lesionado, ter tirado o único jogador com alguma criatividade e manter Dagoberto em campo foi um erro crasso do jovem treinador.
O Fogão seguia tentando de todos os jeitos. Caio errou o gol na cara de Rogério. O lance foi o estopim pra torcida alvinegra entrar no jogo. O Engenhão virou um caldeirão de apoio maciço ao time, que continuou martelando e viu o resultado surtiu efeito. A zaga são paulina bateu cabeça, Caio saiu de novo na frente de Rogério e parou no goleiro, mas aí sobrou o rebote, que Loco Abreu mandou pra dentro do gol e finalmente abriu o placar, merecido pelo que faziam as duas equipes.
O gol deu tranquilidade aos cariocas e tirou aquela volúpia pela abertura do placar. Isso fez com que o São Paulo pudesse sair para o jogo e tentar alguma coisa. Tentou pouco, mas na única chance que teve, o preciosismo falou mais alto. Casemiro cruzou da direita e achou Dagoberto livre. O camisa 25 podia dominar, escolher o canto e empatar. Mas não, quis bater bonito, de primeira, conseguiu chutar por cima e jogar no lixo a chance do empate, que àquela altura, cairia do céu.
Nesse momento, Baresi já havia colocado em campo Carlinhos Paraíba e Ilsinho, que entraram por entrar, em nada acrescentaram. O resto do time também não ajudava, faltou inspiração e qualidade, as péssimas atuações de algum tempo atrás voltaram a assombrar os tricolores.
Em outro erro, o Botafogo matou o jogo no contra-ataque. Jean falhou na saída de bola e viu Edno ser lançado, invadir a área e bater cruzado para ampliar. Com a vitória garantida, o Botafogo esperou o fim de jogo sem ser incomodado e tocou a bola sob os gritos de olé no Engenhão.
Os cariocas aproveitaram os tropeços dos líderes e chegaram. Invicto em casa, o time se consolida no G-4 e começa a incomodar Fluminense e Corinthians. Um empate entre eles na próxima rodada seria ideal para o Fogão.
Outro ponto interessante é a incrível facilidade com que Joel Santana se dá bem no Rio de Janeiro. O time não tem um super craque, mas a junção de bons jogadores tem feito a diferença. O time encaixou, ataca muito e hoje exerceu uma pressão muito forte. Mantendo o mesmo ritmo e com as voltas de Jobson e Herrera, o título pode deixar de ser apenas um sonho.
Quanto ao São Paulo, a coisa complicou. A rodada era perfeita para tirar três pontos e emplacar de vez como candidato ao título. Faltou bola e encarando um adversário com campanha superior, a equipe não suportou. Título é algo bem utópico, só uma arrancada incrível como a de 2008. Com esse time, está difícil imaginar algo assim. A hora é de pensar mesmo em apenas uma vaga na Libertadores, mas só jogando muito mais bola que hoje, claro.



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