domingo, 19 de setembro de 2010

Seja como Marcelinho ou Lucas, o São Paulo é diferente com ele inspirado


O nome na camisa mudou, a responsabilidade não. Com a tarefa de organizar e dar a vida ao time, Lucas, o ex-Marcelinho, brilhou no Choque-Rei deste domingo e comandou o São Paulo rumo à vitória.

Sérgio Baresi mudou o esquema. Sacou Dagoberto e colocou Ilsinho entre os titulares. Era uma mistura de 3-6-1 com 4-5-1, Fernandão era o único homem de frente, auxiliado por Lucas. A intenção era povoar o meio campo e contar com as individualidades de Ilsinho e Lucas. Felipão sofreu com o desfalque de Kléber. Ver o Gladiador fora e Tadeu em campo é algo bem triste para os alvi-verdes. Valdívia começou entre os onze, mas sozinho teria tarde complicada.

A aposta de Baresi foi válida no início. Ilsinho chamou jogo pela direita, deu caneta e bom passe para um chute de Jean. Porém, a sorte não estava com o camisa 77. Em uma faltas cometida por ele mesmo, lesionou o joelho. Tentou voltar, mas não aguentou. Zé Vitor foi para seu lugar.

Sem o toque de qualidade no time, o São Paulo sofreu e caiu demais de rendimento. A bola pouco chegava a frente, Jorge Wágner tinha dificuldades em criar jogadas, dificultando totalmente as chegadas ofensivas. Lucas e Fernandão eram peças nulas até então.

Do outro lado Felipão foi o protagonista. Falou demais pro bandeira e foi expulso. De quebra, perdeu Ewerthon lesionado. Tinga entrou e deixou bem retratado o que foi o péssimo primeiro tempo. A entrada dele representava a presença de 11 jogadores só de meio campo. Exatamente metade dos atletas em campo atuavam pela faixa central do estádio do Pacaembu. Talvez por isso, a partida foi tão fraca, sem qualquer emoção e adrenalina, bem típica de dois times que estão deixando demais a desejar.

Para o segundo tempo as equipes voltaram iguais. A atitude teria de ser diferente. O Palmeiras seguia esperando Valdívia brilhar, enquanto o rival buscava um lampejo do garoto Lucas. Foi dele que finalmente saiu algo produtivo. Jogada simples e objetiva. Rogério Ceni bateu falta do campo de defesa, Fernandão deu uma casquinha, Jorge Wágner ajeitou, o camisa 37 ganhou na velocidade dos zagueiros e deslocou Deola. Se não foi uma jogada primorosa, ao menos tirou um peso das costas tricolores.

Com o placar adverso, o alvi-verde tinha que sair mais ainda pro jogo. Luan entrou para dar força ofensiva, porém não fez nada, exceto uma cabeçada bem espalmada por Ceni. O São Paulo controlava a vantagem e apostava nos contra-ataques para matar o jogo. Aí a estrela de Lucas brilhou. Veloz e envolvente, ele deu uma canseira danada na retaguarda palmeirense, especialmente Fabrício, que vai sonhar com os dribles que tomou.

Foi do jovem da base que saíram as outras duas jogadas de grande destaque no jogo. Primeiro após chapelar Marcos Assunção e dar azar na conclusão. Um golaço estava desenhado, que se saísse, lembraria aquele da ex-referência, Marcelinho Carioca, contra o Santos na Vila.

Na segunda bola ele não bateu a gol, mas ajudou a matar o jogo. Ganhou dividida no meio, disparou e serviu Fernandão. Mais uma vez o camisa 15 esteve apagado, mas participou nos lances capitais da partida. Com frieza, ele balançou a rede, ampliou o marcador e exterminou qualquer tipo de reação palmeirense.

Fim de jogo e reabilitação do São Paulo. Com atuação destacada de Lucas, mas uma menção mais do que honrosa para a dupla de zaga. Como joga bola esse Alex Silva. Com ele o time também é outro, mais raça, pegada e força na marcação. Até Miranda parece crescer ao lado dele. Não dá para o são paulino se iludir e achar que agora o time engrena de vez. Falta muita bola ainda e a dependência de Lucas está sendo grande. Mantendo a defesa como hoje e evoluindo nos outros setores, pode até ser que as coisas se encaixem.

Quanto ao Palmeiras, a rotina de derrotas voltou a assombrar. Kléber e um homem-gol fazem falta, Valdívia ainda está devendo, e Felipão precisa se segurar. Injusto ou não, a boca do treinador precisa ficar mais fechada, reclamar do árbitro não resolve e só prejudica sua equipe, como no jogo de hoje.




2 comentários:

  1. Muito bom o texto. Um bom resumo do que foi o clássico. Com boas análises, equilibradas e informativas.
    No lance do Lucas, em que ele chapelou o zagueiro do Palmeiras, também pensei no lance do Marcelinho Carioca.

    É importante falarmos de um detalhe, as categorias de base. O Palmeiras paga o preço de não ter categoria de base, sempre que está em crise não tem como recorrer a uma garotada identificada com o clube e bem formada. O São Paulo, do contrário, forma bons jogadores, do ponto de vista humano e profissional, que são identificados com o clube. O time não tava bem. Vendeu Ernanis. E agora apareceu mais esse futuro grande jogador, o Lucas.
    Que o Palmeiras aprenda!

    ResponderExcluir
  2. opa, vlw.

    essa questão da categoria de base é bem emblemática.

    Apesar do Lucas, do Hernanes e outros, o São Paulo ainda deve muito nas categorias de base. Se formos ver quanto é gasto naquele CT de Cotia para a base, era pra revelar 4, 5 por ano. O projeto pra 2011 é ter um time inteiro só de revelações, é esperar pra ver.

    Por outro lado, o Palmeiras tem se apegado muito a parcerias nos últimos anos. Primeiro a Parmalat e agora a Traffic. Isso mina qualquer chance de utilização da base. E o Palmeiras nunca foi um grande formador também.

    ResponderExcluir

 

Contador Grátis