1º de setembro de 1910. À luz de um lampião no bairro do Bom Retiro, cinco operários - Joaquim Ambrósio, Carlos da Silva, Rafael Perrone, Antônio Pereira e Anselmo Correia - se reúnem e resolvem criar uma nova equipe de futebol. Inspirados no Corinthian Fc, equipe de Londres que excursionava pelo Brasil, nascia o Sport Club Corinthians Paulista, que de origem da várzea, virou um dos maiores clubes do país do futebol.
Passado um século, a equipe chega à seu Centenário. Hoje não são só cinco, são vinte e cinco milhões de apaixonados pelo Alvinegro do Parque São Jorge.
A história é longa, bonita e reserva momentos de alegria, tristeza, emoção, mas acima de tudo, muita entrega, marca registrada deste clube. Livros e mais livros contam esta história, humildemente tentarei passar minha visão nas próximas linhas.
Glórias e títulos não faltam. Maior campeão paulista, tetra-campeão brasileiro, tri da Copa do Brasil, além de inúmeros outros troféus guardados com carinho no memorial corintiano. Falar de todos eles é difícil, mas alguns merecem destaque especial.
Em 1954, ano do quarto centenário da cidade de São Paulo, a equipe batia o arquiinimigo Palmeiras e conquistava o título mais importante que alguém poderia ganhar na época, uma marca jamais esquecida. E a torcida demoraria muito tempo a comemorar outra coisa.
O jejum foi longo, tenso, mas serviu para aumentar ainda mais a devoção corintiana. Vinte e três anos depois foram necessárias três batalhas contra a Ponte Preta, para que em 13 de outubro, a bola sobrasse no pé de Basílio e ele marcasse o gol mais importante da sua vida. O pé de anjo, como era conhecido, não foi um gênio da bola, mas escreveu seu nome na história do futebol, jamais será esquecido. Aquela quebra de tabu representou de vez a força do Corinthians.
Porém essa força ainda não havia transposto barreiras. Soberano no estado, o clube ainda se ressentia de um título nacional. Havia se passado a Taça Brasil, Robertão e quase vinte campeonatos brasileiros. Aquele time de 1990 não era brilhante, porém lutador e com o espírito guerreiro que o Coringão sempre demonstrou. Com gol do talismã Tupãzinho, conquistou seu primeiro título brasileiro.
Faltava vencer o Mundo. Demorou mais dez anos, mas a façanha foi conquistada. Mesmo contestado, motivo de chacota por parte dos rivais, o Mundial de Clubes tem a chancela da FIFA e vale. Vale porque o Corinthians foi, disputou e venceu. Azar de quem não deu a mínima para a competição. Naquela noite de janeiro no Maracanã, outro capítulo brilhante era escrito.
Um time campeão também tem suas equipes e seus jogadores inesquecíveis. No Timão não foi diferente. Começando lá atrás com Neco, Teleco, Servílio. Passando por Cláudio – maior artilheiro da equipe até hoje -, Baltazar, Luizinho, Rivelino, Zé Maria, Wladimir - o recordista de jogos -, Casagrande, Biro Biro, Sócrates, Neto, Marcelinho Carioca, Tevez e atualmente Ronaldo. Ainda existem dezenas de outros nomes que deixaram saudade e ficarão eternizados para sempre no inconsciente do torcedor.
Quando penso em times marcantes do Corinthians, dois são especiais. O time da Democracia Corintiana, bi campeão paulista em 1982-1983 e aquele esquadrão campeão de quase tudo no final da década de 90. Vi apenas o de 98-2000, bi campeão brasileiro e campeão mundial. Como se esquecer de Dida, Gamarra, Kleber e daquele meio campo espetacular. Rincón, Vampeta, Ricardinho e Marcelinho, e ainda tinha Edilson e Luizão no ataque. Uma verdadeira máquina, que só sucumbiu na Libertadores, uma pena.
E se tem duas coisas que atormentam demais um corintiano são a Libertadores e o estádio. Agüentar a zoação dos rivais com relação a estes aspectos é tarefa árdua para o torcedor. Mas cá entre nós, para um time com a grandeza do Corinthians, o que é uma Libertadores? Não passa de só um título a mais, é pouco perante a magnitude deste clube. Claro que vencer essa obsessão é o sonho maior do corintiano e talvez seja o passo final para a glória eterna.
Já que o estádio deve sair para a Copa de 2014. Após promessas e mais promessas, a coisa deve andar finalmente e um peso enorme será tirado das costas dos alvinegros.
Dando fim a esta singela homenagem, falo do maior patrimônio desta equipe, sua torcida. Muitos dizem que no Corinthians, não é o time que tem uma torcida, mas sim a torcida que tem um time. Confesso que acredito piamente nesse comentário. O próprio nome já demonstra seu sentimento, FIEL TORCIDA, aquela que não abandona, que junta um BANDO DE LOUCO pra apoiar, aquela que NÃO PARA, NÃO PARA, NÃO PARA.
Mais de vinte e cinco milhões que já viram filas, derrotas vexatórias, tropeços contra rivais em momentos decisivos e que já foram condenados a disputar uma Série B. Tudo isso sem nunca abandonar seu ideal, de estar com o time a todo o momento e NUNCA TE ABANDONAR, pois eles são Corinthians. Todas as dificuldades passam, as glórias vêm e a devoção, o amor incondicional continuam, em um grau cada vez maior. Já que pro corintiano, quanto mais sofrido, mais gostoso é.
Dizem que o torcedor corintiano é diferente. Um time que leva dezenas de milhares de torcedores de um estado a outro e divide o Maracanã com uma equipe carioca, e que tem o recorde de público do estádio de um rival, 146.082 presentes no Morumbi na quebra do jejum em 77, realmente tem algo que o difere dos outros.
Felizmente ou infelizmente, nunca tive e nem terei esta sensação de ser corintiano. Mas posso atestar pelo que vejo em vários alvi-negros espalhados por este país, que de fato, o sentimento é forte. No meu próprio convívio, vejo aqueles que gritam, choram, torcem, expressam de todo seu coração essa paixão, alguns a fazem até marcando em seu próprio corpo.
É algo sublime e impressionante, essa imensa nação merece comemorar muito esse Centenário. A equipe com uma grandeza dessas e um amor ainda maior só aumenta a força de nosso futebol. Nesta quarta, todos os corintianos vestiram sua camisa e saíram com ela de casa, para a escola, trabalho ou qualquer outra atividade, com o único intuito de expressar seu grande amor, pois como diz seu hino, “Salve o Corinthians, de tradições e glórias mil, tú és orgulho dos desportistas do Brasil”.
Parabéns nação corintiana.





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