quinta-feira, 31 de março de 2011

O vexame e a vergonha sempre podem ser maiores

Quem vê a foto deste time de 78 sonha com dias melhores


Neneca, Mauro, Gomes, Edson e Miranda; Zé Carlos, Renato e Zenon; Capitão, Careca e Bozó. Todo o torcedor bugrino de coração conhece de cor e salteado essa escalação comanadada por Carlos Alberto Silva. O time, campeão brasileiro em 78, após vencer os poderosos Internacional, Vasco e Palmeiras na fase final, deu a maior glória da história para a equipe a rotulou como 'Único campeão brasileiro do interior'. O clube quase foi bicampeão nacional e quase venceu o Paulista na década de 80. Não só competitivo, o 'Bravo Bugre' também já foi um celeiro de bons jogadores. Luizão e Amoroso foram dois gênios que passaram pelos gramados do Brinco de Ouro da Princesa.

Mas administrações ridículas, times mal montados, falta de dinheiro e principalmente, falta de amor e respeito à camisa alviverde fazem o Guarani se afundar cada vez mais. Não bastasse os rebaixamentos e a falta de competitividade, o clube ontem protagonizou mais uma mancha em sua linda história. O Guarani conseguiu a proeza de ser eliminado pelo Horizonte do Ceará. Com todo o respeito do mundo ao time nordestino, mas em hipótese alguma o Guarani poderia passar tamanha vergonha. Quem é o Horizonte no cenário nacional. Se for a 4ª força do futebol cearense é muito. E o Guarani se presta a mais essa eliminação pavorosa.

Claro que time por time, o Horizonte pode até ser melhor. O elenco bugrino é fraco, digno da posição que infelizmente ocupa hoje, a segunda divisão tanto nacional, quanto estadual. O time, que ainda consegue arrastar alguns fanáticos a seu estádio (campo esse que está em vias de ser vendido, em mais uma 'proeza' das diretorias que passam por ali). A promessa é de que se desfazer deste patrimônio histórico, o palco da maior glória da equipe, renderá dinheiro e fim das dívidas. Mas conhecendo a atual situação do clube, é difícil acreditar.

Só para entristecer e machucar ainda mais o coração bugrino, é ano de centenário. E ele acontece neste sábado, dia 2. A maior festa está preparada, com fogos, passeata. Mas pra quê? Existe algum tipo de coisa a se comemorar? A única coisa a fazer é lamentar e tentar sonhar com dias como do passado. E tentar, na série A2, conseguir o acesso e pelo menos remediar um pouco os vexames sucessivos protagonizados pelo Guarani. Nunca uma festa de 100 anos foi tão triste. A instituíção Guarani, seus torcedores e sua história não merecem tudo isso. Quem já foi ao Brinco de Ouro e já viu aquele tobogã balançar se entristece. O Bugre é grande, definitivamente não merece sofrer pelas burradas de quem o comanda.

Mas que se comemorem os 100 anos. Mais uma vez se repense tudo o que há de errado. Que o bugrino possa sonhar com dias melhores, com um time competitivo, capaz de se manter em um campeonato sem risco de rebaixamento, saber que a equipe que entra em campo tem condições de vencer e não vai passar sufoco contra Horizontes da vida.

O futebol precisa disso, precisa que o MAIOR CLUBE DO INTERIOR DO BRASIL volte a ser grande.

domingo, 27 de março de 2011

Reverências a quem merece


No artigo anterior mencionei todos os ingredientes que faziam o clássico deste domingo ser imperdível. Para alegria e satisfação daqueles que gostam de futebol, o Majestoso foi espetacular. Não pelo 1º tempo, mas por uma etapa final fantástica, mágica e imortalizada aos 8 minutos, quando o maior goleiro artilheiro do mundo cruzou o gramado da Arena Barueri, ajeitou a bola com carinho, a colocou no ângulo e escreveu mais uma vez seu nome para a eternidade.

Mas antes disso a bola ainda rolou. Tite manteve o time dos últimos jogos, apostando nos três atacantes e a chegada de Morais. Já Carpegiani mudou muito a equipe. Casemiro deu lugar a Rodrigo Souto, responsável por segurar a onda na cabeça da área e marcar principalmente o 10 corintiano. Outra novidade foi Ilsinho, que substitituiu Marlos, com a incumbência de dar dinâmica pelo lado direito.

E se a expectativa era de grande jogo, o primeiro tempo ficou devendo. Muitos passes errados, forte marcação, pouca objetividade e nenhum dos dois times se arriscava muito. Apesar de dominar amplamente o começo do jogo, o Corinthians não assustou de fato e deixou o jogo equiilibrar. Do lado corintiano, Morais não fazia a bola chegar. Jorge Henrique e Dentinho também tinham dificuldades em municiar Liedson, que pouco fez na etapa inicial. Na única chance que teve, impedido, parou em Rogério.

O São Paulo repetia os erros de quarta-feira. Muitos passes errados, pouca chegada pelos flancos. Jean e Junior César eram nulos, Ilsinho inventava uma ou outra jogada de efeito, sem sucesso. Fernandinho não conseguiu suas jogadas pela esquerda. ma das grandes chances foi em chute despretensioso de Rhodolfo.

Quando resolveram se arriscar, finalmente algo saiu. Paulinho mandou uma bola por cima do gol são paulino. Do lado tricolor era Dagoberto quem arriscava. Na 1ª, a bola passou perto, mas em seguida, o pé calibrado do 25 funcionou. Erro grave da defesa corintiana, que deu todo o espaço pro atacante bater forte no canto.

Um primeiro tempo bem fraquinho, que talvez nem merecesse vencedor, mas com certeza o gol foi fundamental, faria a etapa final ser bem mais movimentada, e ela foi.

Como era de se esperar, o Corinthians foi pra cima. Jorge Henrique teve a primeira grande chance, mas parou em milagre de Rogério. Apesar de ser goleiro e ter como tarefa defender, o que mais a torcida tricolor queria ver era outra coisa. E aos 8 minutos a oportunidade veio. Fernandinho e a falta na meia esquerda. Propícia, ótima, a grande chance. Confesso que não imaginei que Rogério fosse acertar assim logo na primeira. Mas esse cara tem o dom de surpreender e fazer o que ninguém espera. A barreira pulou, Júlio César saltou, mas o dia era dele, do capitão, do M1TO, do ídolo, de Rogério Ceni. Golaço, o centésimo, que alegrou e até fez chorar os são paulinos. Méritos a quem merece. Não é por sorte, Ceni treina, treina, batalha e é merecedor de tudo o que conseguiu, ser o maior goleiro artilheiro do mundo e campeão de tudo.

Parece que a empolgação pelo 100º contagiou a todos. O jogo cresceu de maneira incrível. Tite colocou Ramírez, William, tentando fazer a bola chegar com mais qualidade. Ânimos exaltados, Alessandro se destemperou e acertou um carrinho violento em Dagoberto. Dois gols de vantagem e um a mais em campo, especulava-se que a parada estava concluída, mas do outro lado era o incansável Corinthians. Dentinho aproveitou cobrança rápida de falta e descontou em outro belo chute de fora.

O jogo então ganhou contornos de drama. Dagoberto se enroscou com Castán, levou outro amarelo e foi expulso. Era o estopim que o Corinthians precisava para jogar água no chope são paulino. O Timão se empolgou e alugou o campo de ataque. Mas aí foi Dentinho quem atrapalhou tudo. Lance ridículo, que prejudicou demais o time. Sem necessidade o chute em Rodrigo Souto.

Marlos e Rivaldo entraram no São Paulo. O Corinthians seguiu tentando, atacando e parando em Ceni. O empate não saiu, mas se saísse, era pra debitar na conta de Marlos, que, por ser fominha, abusou dos erros em contra-ataques.

Apesar da pressão, o Tricolor se segurou. Venceu, quebrou um tabu incômodo de mais de 4 anos e mais do que tudo, viu seu maior ídolo marcar história contra o maior rival.

Até porque ele merece demais.

sábado, 26 de março de 2011

Gol 100 de Ceni, tabu e liderança, o Majestoso promete

Elias foi o principal carrasco do São Paulo durante estes 4 anos. Sem ele, o Corinthians mantém o tabu
ou o São Paulo se livra da freguesia?
Em condições normais, São Paulo e Corinthians já seria de longe o grande jogo desta 16ª rodada do Paulistão. Só que, para apimentar ainda mais o clássico e deixá-lo imperdível, teremos três ingredientes capazes de fazer a expectativa com relação ao jogo subir demais.

A primeira delas envolve diretamente a tabela. Líder com 34 pontos, o Timão praticamente se garante na ponta da tabela com uma vitória domingo, já que os adversários até o fim desta fase não são tão assustadores, e ficar na ponta é de suma importância, já que dá vantagens nas fases seguintes.

E é por isso que o São Paulo também entra com este objetivo. Era líder, mas o tropeço contra o Paulista, que empurrou o Tricolor para 3º, com 31 pontos, obriga a equipe a vencer para tomar o lugar do rival. Além disso, ainda precisa passar o Palmeiras. O Verdão assiste tudo de camarote, já que joga neste sábado.

A festa está pronta, só falta
o gol do capitão
 Outro item que movimenta o Majestoso é o tabu. Invencibilidades longas tem sido rotina neste clássico. Primeiro foi o São Paulo, que passou 4 anos e meio e 14 jogos sem perder para o rival, maior série invicta da história. Entre os triunfos, esteve aquele 5 a 1 no Pacaembu e inúmeras quedas de técnicos alvinegros.

Mas 'a maldição de Betão' em 2007 fez a freguesia mudar de lado. Se aquele gol não alterou em nada o rumo daquele Brasileirão, já que o São Paulo mesmo derrotado foi campeão e o Corinthians rebaixado, serviu para abrir uma série impiedosa do Corinthians. Tudo bem que o tabu começou no primeiro turno, com o empate em 1 a 1, gols de Dagoberto e Zelão, mas foi aquele jogo que serviu de estopim. Desde então, o Corinthians passeia nos clássicos. Como se esquecer das duas semifinais do Paulistão de 2009, com direito à golaço de Ronaldo, ou os 3 a 0 do Brasileirão de 2010, com show de Elias. Para alívio dos tricolores, o volante/meia, principal carrasco desta série, já não está mais no Timão. São mais de quatro anos de freguesia, sete vitórias corintianas e quatro empates. A Fiel espera aumentar a série, enquanto os são paulinos esperam desesperados por uma vitória.

Se mantiver a média,
tem gol de Liedson domingo
Por fim, surge o ingrediente mais recente, o gol 100 de Rogério Ceni. A FIFA considera 97, mas bobagem descartar amistosos, então ele tem 99. E pode chegar a marca centenária contra o arquirrival na Arena Barueri. Rogério marcou apenas duas vezes contra o Corinthians, é o rival que menos sofreu 'nos pés' do goleiro artilheiro. Domingo ele tem uma grande chance. Júlio César tem plena noção de que faltas perto da área podem ser fatais. Se não tem a mesma precisão de anos atrás, os gols contra Linense e Portuguesa neste Paulistão mostram que ainda existe pontaria. Mas se não vier de falta, pode vir de pênalti, Castán e Chicão que se cuidem com Dagoberto e Fernandinho, um toque pode ser letal. Mesmo sem Lucas, o São Paulo é veloz, toca bem e chega fácil no gol. Se o pé estiver calibrado, dará trabalho.

E a zaga tricolor fique muito esperta também, pois tem sido impossível parar Liedson. Marcar 10 gols em nove jogos é para poucos, muito poucos. Na fase em que está, o Levezinho aparece como principal protagonista do Timão. Se a bola chegar e ele tiver espaço, a rede balança. Por isso, o duelo entre a ótima linha de zaga formada por Rhodolfo/Alex/Miranda contra o rápido e incisivo ataque corintiano tem tudo para ser ótimo.

Ainda poderia me alongar falando da eterna briga de bastidores entre as duas diretorias, que culmina até mesmo em apresentações simultâneas dos astros Luís Fabiano e Adriano no Morumbi e no Parque São Jorge, respectivamente. Mas isso é papo pra outro post, o que mais importa é o que vai rolar dentro das quatro linhas, e a promessa é de coisa muito boa, já que sobram ingredientes para fazer ferver a Arena Barueri.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Twitter: Ferramenta para interação ou polêmica?

Twitter: Diversão que tem trazido desavenças no mundo do futebol
(Reprodução)
Se você é um assíduo usuário da rede mundial de computadores, certamente possui pelo menos duas destas quatro grandes redes sociais: MSN, Orkut, Facebook e Twitter. Tem aqueles que utilizam todas elas, como este que vos tecla, seja pra assuntos pessoais, profissionais, troca de informações, etc.

Como não podia deixar de ser, o mundo se inseriu nesta rede e cresce a cada vez mais. No esporte, estas mídias sociais são além de diversão, também de fundamental importância para a informação. O que sai no twitter, está em um portal de notícias 10 minutos depois e aparece como manchete de jornal no dia seguinte. Há os que utilizam para fins de diversão, conversa com amigos, familiares que estão longe, ou até mesmo uma aproximação com o fã. Outros, como o presidente do Atlético MG, Alexandre Kalil, preferiam revelar as contratações do Galo primeiramente no twitter. O órgão de imprensa que fosse mais rápido publicava primeiro.

 Atletas, dirigentes, jornalistas, redes de notícias, todos possuem sua página. Porém, uma coisa que deveria servir apenas como hobby, tem se transformado em fonte de polêmica no mundo do futebol nas últimas semanas. Usando só o Brasil de base, vemos alguns entreveros acontecendo.

Após a eliminação para o Tolima na Libertadores, o hoje aposentado Ronaldo reclamou do comportamento dos torcedores do Corinthians, que exageraram nas cobranças. Neto, um dos ídolos alvinegros, retrucou dizendo que o Fenômeno ganhava demais e fazia pouco. Após uma troca de 'elogios', ambos resolveram apelar. Ronaldo lembrou do caso de Neto e a cusparada que deu no árbitro José de Assis Aragão, dizendo que o ex-meia não tinha caráter. O comentarista da Bandeirantes não deixou por menos e 'twittou' para todo mundo ver, a 'aventura' de Ronaldo com três travestis, sendo que um deles morreu de AIDS. Ambas as partes pararam ali as acusações. Depois, Neto veio á imprensa afirmar que conversou com o Fenômeno e a situação estava resolvida.

Outro corintiano que se complicou foi Jucilei. Alvo de cobranças excessivas. assim como todo o time após o fiasco na Libertadores, ele resolveu ironizar a Gaviões da Fiel, torcida organizada do time, que foi uma das que mais 'pegaram no pé'. Após a derrota da escola de samba no Carnaval, o volante questionou o por quê da não vitória, já que fizeram pressão para o time ganhar, mas eles também não conseguiram sucesso. Choveram xingamentos e questionamentos ao jogador, muitos deles exaltados da torcida. Ciente da besteira que cometeu, inventou uma desculpinha de que haviam invadido sua conta. Menos né Jucilei, depois que fez, não adianta se lamentar, nem procurar explicações. Não creio que a Gaviões vá tomar alguma atitude drástica, mas que isso ficará marcado em uma possível volta dele, não há dúvida.

Outro que usou o twitter pra desabafar e 'falar demais' foi Alex Silva. Quando usava a ferramenta apenas para agradecer a torcida e fazer juras de amor ao time ótimo. Mas a partir do clássico contra o Palmeiras, o zagueiro perdeu a noção. Primeiro chamou Valdívia para a briga. Depois reclamou de não ter sido escalado para o jogo contra o Ituano. Sempre com palavras que deixavam claro seu enorme descontentamento. Carpegiani não gostou nem um pouco e costuma não tolerar mais de uma indisciplina. É bom Alex se conter, pois por mais bom que seja, paciência tem limite.

A última aprontada por jogadores foi nesta quinta-feira. Machucado e ausente das duas últimas partidas do Palmeiras, Kléber foi visto nos camarotes do Carnaval em São Paulo. Felipão desaprovou a atitude, pediu profissionalismo e disse que jogador lesionado devia se tratar e não ir para a festa. Todos sabem como o 'Gladiador' é esquentadinho em campo. No twitter não foi diferente. Resolveu abrir a boca e falou tudo. Disse que segurou a onda sozinho por dois meses e Felipão nem elogiava. Disse que o treinador jogava tudo para a imprensa e que brigava com os atletas, mas protegia treinador rival. (Ele falava de Tite, já que Luís Felipe disse que se pudesse perderia o clássico para ajudar o amigo. E o Palmeiras foi derrotado.). O comandante palmeirense fez que 'passou por um ouvido e saiu pelo outro'. Hoje Kléber pediu desculpas, quis se retratar. Mas a relação dele com Felipão não será a mesma, se desculpando ou não.

Depois de tudo isso fica a dúvida: Será que os times devem coibir ou orientar seus atletas quanto ao uso destas ferramentas? Que o twitter é importante e útil, não há dúvidas, desde que usado de maneira correta. Mas se jogadores não usarem a cabeça para interagir nestas redes, muito mais polêmicas aparecerão. E nisso, o futebol dentro de campo fica em segundo plano.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Até onde pode chegar esta Ponte Preta?

Everton Santos foi a última peça a chegar, mas tem sido importantissímo na campanha
(Ari Ferreira-Lance)
11 jogos de invencibilidade e seis vitórias seguidas fora de casa. Números surpreendentes e até inimagináveis para uma equipe que começou o ano sofrendo críticas e cercada de dúvidas e incertezas. Esta é a Ponte Preta, que ontem deu mostras de que a fase realmente é boa ao vencer o Corinthians em pleno Pacaembu e exterminar a invencibilidade do rival no Paulistão.

A crônica esportiva campineira, eu, os torcedores da Macaca e qualquer outro que acompanha mais de perto o time, imaginava que o início do ano seria de muito trabalho. Após campanha pífia na Série B do ano passado, o time mudou e o comandante também. Gilson Kleina foi o escolhido para este ano. Como nos anos anteriores, usar o Paulistão de laboratório para uma campanha de sucesso e o acesso no Brasileirão.

Como todo começo de trabalho é difícil, Gilson sentiu na pele logo no início o que seria dirigir a Ponte. Seu modo de escalar o time, com três volantes, não agradou no primeiro momento. Derrotas para o Mirassol e para o Mogi Mirim, dentro do Majestoso, faziam a vida do treinador já ficar complicada. A falta de qualidade nas primeiras apresentações assustou e deu abertura para que as primeiras críticas fortes aparecessem.

Até que um jogo foi o divisor de águas. Contra o São Paulo no Morumbi, essa Ponte Preta começou a mostrar suas caras. Fechada, compacta, marcando forte e apostando nos contra-ataques. O time fez exatamente o que Kleina queria e saiu da capital com uma ótima vitória por 1 a 0, a primeira de muitas que viriam. A mesma postura foi adotada dias depois contra a Portuguesa no Canindé. Novamente segurando o adversário e sendo fatal nos contra-golpes, a Macaca venceu mais uma.

As críticas começaram a virar elogios. Só não agradou 100% porque os tropeços em casa continuavam. Empates contra São Caetano e Linense no Majestoso eram tidos como resultados chave para pretensões futuras. Mas era fácil saber o que acontecia. O time, montado para marcar forte e no contra-ataque, tem total tranquilidade para fazer isso como visitante. O problema é que, em casa, a obrigação de atacar é da Ponte. Os adversários vieram retrancados e os jogos foram fracos. A Ponte de 2011 não foi feita para ir com tudo para o ataque.

Aí entra o trabalho mágnifico que Gilson Kleina vem fazendo. Fora de casa a Ponte é aquela, três volantes, marcação forte, pegada e dá-lhe contra-ataque. No Majestoso, ele não abre mão do esquema, mas fez com que um destes marcadores, no caso Gil, tenha liberdade para encostar no meia Renatinho e criar as oportunidades. Gil tem tido boas atuações e é mais um item da forte Ponte Preta, que começa com Bruno, um goleiro que já deu seus vacilos, mas hoje demonstra segurança. Na zaga, Ferron e Leandro Silva tem sido quase perfeitos. Ontem no Pacaembu, o badalado Liedson nada fez. Os volantes tem sido a peça chave desse time. Marcam forte, retomam a bola e começam a ligação dos contra-ataques. Renatinho, mesmo não tendo atuado ontem, é um dos destaques da competição. Rápido e habilidoso, dribla fácil e cria oportunidades. Na frente, apesar de algumas boas atuações de Ricardo de Jesus, Márcio Diogo e Rômulo, a contratação de Everton Santos caiu como uma luva. Experiente, rápido e fazedor de gols, tem tudo também para ser o grande nome do time durante esta campanha.

Tudo isto respaldado por Gilson Kleina, que merece aplausos e elogios até o momento. Escala bem, tem feito o time jogar da maneira como quer e, principalmente, não abriu mão do que fez desde o início. Mesmo com as críticas, manteve o esquema e o resultado tem sido visto hoje.

Onde esta Ponte vai chegar é impossível de prever. Passará de fase. Agora, se fica nas quartas, nas semifinais ou se vai ser campeã, só o tempo vai dizer. Mas hoje é nítido que esse time vai dar trabalho para qualquer um que cruzar seu caminho.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Quem quer Adriano? O Imperador da bola e dos problemas

Ele está de volta, alguém quer?
Foto: Globo Esporte
Ótimo cabeceador, chute potente de fora da área, forte fisicamente, capaz de trombar e ganhar na disputa dos zagueiros, exímio artilheiro e com talento reconhecido no Brasil e na Europa. Que time do Mundo não gostaria de um jogador com tais virtudes?

Descomprometido, faltoso à treinos por causa de festas e bebedeiras. Envolvimento com traficantes, maus cuidados com o peso e o físico. Gostaria de ter um atleta assim no seu time? Creio que não.

Por mais estranho que possa parecer, um mesmo jogador engloba todas estas características citadas, Adriano, o Imperador. De nome de destaque no futebol para uma rescisão de contrato na Roma por péssimo rendimento e nenhum compromisso com o time. É esta a situação dele hoje. E fica a dúvida. Qual será o novo caminho de Adriano?

Ele tinha tudo, mas tudo mesmo para ser um dos grandes nomes do futebol nos últimos anos. Começou no Flamengo, já ostentava um porte físico avantajado, que impunha respeito. Sua primeira passagem no Rubro Negro foi rápida, porém suficiente para logo despertar a cobiça de times europeus. Logo a Internazionale o comprou. Não estreou logo de cara na equipe de Milão, mas o empréstimo para o Parma fez bem à sua carreira. Garoto, poderia perder a cabeça ali, mas surpreendentemente, conseguiu se firmar e apresentar um futebol vistoso, competitivo, com muitos gols. Logo a Inter o quis de volta e lá começou a surgir seu apelido de 'Imperador.

Na equipe Neuroazurri Adriano se destacou, fez gols, lances bonitos. Uma atuação sua que me marca até hoje foi contra o Porto, Uefa Champions League de 2005, oitavas de final. No San Siro ele literalmente humilhou os portugueses, fez 3 e deu show, mostrando que sua fase era fantástica.

E essa fase, que já vinha do ano anterior lhe rendeu convocações para a seleção. Na Copa América de 2004, quem não se lembra daquele gol na raça e na vontade contra a Argentina, já nos acréscimos e que levou a decisão para os pênaltis com vitória brasileira. Ou no ano seguinte, pela Copa das Confederações, mais atuações fantásticas de Adriano, a artilharia do torneio e a esperança de um craque para a Copa do Mundo.

Só que 2006 foi cruel com o jogador. Perdeu o pai, perdeu a Copa do Mundo, gordo, sem ritmo, insosso como toda aquela seleção. Dali pra frente, a torcida da Internazionale não tinha mais seu artilheiro, seu craque. Lesões, confusões e poucos gols fizeram o treinador Roberto Mancini perder a paciência com Adriano e sua estadia na Inter chegava ao seu 'primeiro' fim. Lesionado, veio ao Brasil para se tratar. O São Paulo lhe abriu as portas e lá ele passaria os primeiros meses de 2008. No Brasil ele foi bem. Apesar de não conquistar títulos com o Tricolor, carregou o time nas costas até as quartas de final, onde parou no Fluminense.

Parecia que o velho 'Adriano' tinha voltado. A Inter o quis de volta, mas seria pela última vez. Em outra temporada abaixo do que podia mostrar, cavou seu fim na equipe italiana quando abandonou o clube sem mais nem menos e voltou para o aconchego do lar. Esteve desaparecido por dias na Vila Cruzeiro, mas voltou. Disse que havia perdido a alegria de jogar. Muitos diziam que ele havia se tornado um alcoólatra e precisava de tratamento. A Inter rescindiu seu contrato e ele voltou para casa, o Flamengo.

E atuando em um futebol de menor nível técnico, mais uma vez ele se sobressaiu. Não precisou fazer muito para conduzir o Flamengo rumo ao título brasileiro. Foram gols, grandes atuações e outra esperança de que o então craque reaparecesse. Teve outras chances na seleção.

Mas 2010 foi novamente um ano sombrio. A alegria em atuar no Flamengo desapareceu. Os problemas com bebida, favela e peso em excesso vieram à tona. Ele, que até tinha bola pra estar na África do Sul, foi preterido por Dunga. Ainda assim a Roma o queria, acreditava quer pudesse reabilitar o Imperador. E em outra fase obscura, ele não fez nada. Sequer balançou as redes pelo clube da capital e vê sua carreira de novo atingir o fundo do poço.

E ele pode voltar para o Brasil. Trazendo sua técnica, que por mais esquecida, ainda existe. Mas vem trazendo também seus eternos problemas extra-campo. Flamengo, Palmeiras e Corinthians seriam os interessados. Apenas por seu futebol, a contratação seria feita de olhos fechados. Mas com tudo que permeia o Imperador, é difícil confiar que valha a pena. Vejamos quem vai se arriscar.

terça-feira, 8 de março de 2011

Sobrou medo no Arsenal e faltou cérebro ao Van Persie

Com mais um show do argentino, o Barça está nas quartas
(EFE)
Segurar o Barcelona no Camp Nou era tarefa das mais ingratas para o Arsenal. Ou melhor, isso é para qualquer time do mundo hoje. A menos que os catalães estejam em uma noite muito pouco inspirada ou os adversários em uma jornada maravilhosa, o placar final sempre é favorável ao time azul-grená. Nesta terça-feira não foi diferente. Os Gunners não seguraram e o Barçla atropelou, 3 x 1. Muito disso se deve ao medo do Arsenal e à falta de cabeça de Van Persie, que expulso imbecilmente, atrapalhou sua equipe.

Na semana que antecede uma partida, os treinadores tem o costume de assitir as últimas partidas de seu adversário. Tenho pra mim o jogo que mais Arsene Wenger assistiu nestes dias foi aquele da semifinal da Liga no ano passado entre Barcelona x Internazionale. Mais que isso, não duvidaria se ele tivesse ligado para José Mourinho e pedido umas dicas e lições de como parar o Barcelona, já que a equipe italiana ano passado se classificou em pleno Camp Nou dando uma aula de aplicação tática defensiva. Perdeu de 1 a 0 porque podia perder e mesmo com um a menos fez a festa.

Wenger montou o Arsenal do jeitinho que Mourinho fez no ano passado. Fechado e apostando nos contra-ataques puxados por Fábregas, Nasri, Wilshere e Van Persie. Talvez Walcott fez falta e Arshavin podia ter entrado desde o início, mas acho que isso não mudaria muito o panorama. No Barça, Guardiola não contou com a dupla de zaga e improvisou Abidal e Busquets por ali. Mascherano foi o volante e a saída de bola ficou mais prejudicada.

Mas, assim como fez com a Inter em 2010, o Barcelona foi para o abafa e partiu com tudo para cima. O Arsenal, fechadinho, morrendo de medo de tomar um gol, quase não passava do meio-campo e qualquer bola que rondasse sua área era rifada para a frente. Xavi, Iniesta, Pedro, Messi e Villa faziam a bola rodar a procura do momento ideal, mas foram poucas as chances no primeiro tempo, um chute de Adriano na trave e conclusões de Villa e Messi que pararam em Almúnia, além de um suposto pênalti reclamado, para mim foi, mas a arbitragem do suiço Busacca mandou seguir.

O time inglês via seu jogo dando certo. Mas, quando um time joga extremamente recuado, de maneira alguma pode errar, e o Arsenal errou. Fábregas quis inventar um calcanhar perto de sua área e deixou para Iniesta. E o Barcelona é fatal. Iniesta achou o espaço que a defesa deu e deixou Messi na cara do gol. E quando o melhor do mundo sai na frente do goleiro, não há muito o que se fazer, Almúnia ficou vendo estrelas e a bola encontrou a rede. Balde de água fria no esquema retrancado de Wenger e merecimento do Barça, já que o time que busca o gol, sempre merece vencer.

Para o segundo tempo, Arsene Wenger não mexeu em peças, mas deve ter pedido outra postura. O time não podia se satisfazer com o 1 x 0 assim como a Inter em 2010, já que este resultado era do Barcelona. Adiantando a marcação, os Gunners ao menos saíram do sufoco e foram tentando ganhar terreno. Não seria fácil marcar um gol naquelas circunstâncias, mas futebol é futebol. Escanteio para a área e Busquets mandou contra o próprio patrimônio. Um gol que caiu do céu para os ingleses. Sem dar um chute no gol sequer, contaram com a infelicidade do volante espanhol.

O empate fez o jogo voltar como foi no começo. O Arsenal recuou todo mundo de novo pra segurar o Barça, que viria faminto e deixaria os contra-ataques. Um destes responsáveis por puxar o contra-golpe resolveu mostrar por que não pode ser chamado de craque. Van Persie recebeu a bola e concluiu a gol após o apito do árbitro marcando impedimento. Tomou o segundo amarelo e o consequente vermelho. Nem adianta reclamar que o barulho da torcida atrapalhou. Faltou mesmo cérebro ao holandes.

A expulsão não mudaria o comportamento defensivo, mas faria ele ser ainda mais necessário e forte. O jogo acabava ali para o Arsenal. Era segurar o Barcelona e quem sabe, com muita sorte, abocanhar um lance de perigo.

Por outro lado, o Barça começou a dar seu massacre de chances e posse de bola. Momentaneamente eliminado, o time mostrou por que é um dos grandes da história. Não se desesperou, seguiu tocando a bola, procurando achar o momento certo de dar o bote, marcando pressão e alugando todo o gramado do Camp Nou. Com um a mais, cansando o adversário, uma hora o espaço viria. O espetacular time de Guardiola tocou, tocou e finalmente marcou em uma troca de passes maravilhosa. Iniesta pra Villa, Villa pra Xavi e Xavi pro gol. Com calma, precisão e uma técnica de encher os olhos, 2 x 1 Barça. Resultado que levaria a decisão para a prorrogação.

Levaria porque o Barça queria decidir a fatura logo e ampliou em seguida. Mais uma vez com rapidez e toques inteligentes, Pedro sofreu pênalti. Questionável, mas marcado pelo árbitro. O melhor do Mundo chamou a responsabilidade e não perdoou, Messi mandou no cantinho e fez 3 a 1.

A situação de novo mudou, mas aí o Arsenal já estava tonto, desorientando, como um boxeador que leva um cruzado. Precisando de gol, Wenger colocou Arshavin, Bendtner e colocaria quem mais precisasse, mas a postura defensiva do time arruinou qualquer chance da bola entrar. E mesmo que quisesse chegar, não passava do Barça, que deu um show também marcando.

O Barcelona, que tanto toca para buscar o gol, foi tocando a bola para o tempo passar. O placar foi de 3, mas poderia ser bem maior, já que chances sobraram. No final do jogo, uma vitória justa e merecida do Barcelona. O time que mais encanta no mundo fez o que precisava e garantiu a vaga para as quartas de final.

Medroso, o Arsenal fica mais uma vez pelo caminho. Extremamente defensivo, Wenger mostrou que não aprendeu com Mourinho. Seu time, conhecido pelo futebol bonito, foi medroso e vai para a Inglaterra outra vez só sonhando com a UCL. E bota um pouquinho dessa eliminação na conta do Van Persie, que com sua expulsão, preejudicou demais a equipe.
 

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