O futebol gira em torno da Europa. Lá estão os melhores jogadores, times e estrutura. As ligas, totalmente organizadas, promovem conforto a clubes e estabilidade às equipes. Tudo isso é muito bonito e extremamente útil. Mas como o futebol é feito de emoção, é aqui no Brasil que temos o melhor campeonato nacional do planeta, cheio de equilíbrio e na maioria das vezes imprevisível.
Se na Espanha é Barça ou Real. Na Itália não foge de Inter, Milan e talvez a Juve. Na Inglaterra, Arsenal, Manchester e Chelsea monopolizam as últimas conquistas, aqui não, não há um campeonato que começa já sabendo que de um grupo de dois ou três vai sair o campeão. E amanhã, quando a bola começar a rolar, teremos ainda mais certeza disso. Vai começar o Brasileirão 2011.
Serão 38 rodadas quentes, e com pelo menos um jogão envolvendo dois gigantes do país por fim de semana, já aqui temos simplesmente 12 clubes de elite, mais os emergentes que sempre são gratas surpresas. Teremos também a volta de craques, times fortes e uma rivalidade única, que só o nosso Brasileirão pode proporcionar.
Os favoritos sempre existem. Como não destacar o atual campeão Fluminense, de Fred, Conca e agora sob a batuta de Abel Braga. Ou o Flamengo de Ronaldinho Gaúcho, Thiago Neves e Luxemburgo. No Rio, Vasco e Botafogo estão um patamar abaixo. Mesmo semifinalista da Copa do Brasil, o Vasco não faz suspirar e parece não ter folêgo. Igual ao Bota, que vem de campanhas boas, mas não consegue emplacar.
Na Terra da Garoa está o maior favorito. Com o rei dos pontos corridos Muricy e um time que sabe jogar muita bola, o Santos desponta hoje como um grandioso candidato. Claro que uma conquista da Libertadores brecaria um pouco o ímpeto, mas com a força que tem, o Peixe chega pra ganhar. Quem também é sempre forte é o São Paulo. Dono de 3 títulos na era dos pontos corridos, o Tricolor vem reformulado, apesar de crises e pressões. Em campo é um time de respeito, que quando chega, chega pra vencer. No Corinthians, a aposta é ainda arriscada. Sem se encontrar muito, o Timão não demonstra ser um dos que vão brigar pelas cabeças. Seja por Tite ou pelas deficiências do elenco. Mesmo assim, é o Corinthians e há de se respeitar. Mesma coisa com o Palmeiras. Em crise que parece não ter fim e órfão de um título brasileiro que não chega há 17 anos, o Verdão precisa primeiro se encontrar e se reestruturar, para então buscar coisas melhores.
Nas Minas Gerais, a expectativa é grande. O Atlético tem no papel e pelo que já apresentou no ano, um time para finalmente brigar por cima fazer parar de sofrer seu torcedor, que já se cansou de brigar por baixo. Título é um sonho distante, mas o Galo surge como força emergente. O lado azul de BH já é muito favorito. A equipe que talvez mais tenha encantado até agora no ano, o Cruzeiro viu acontecer uma catástrofe na Libertadores e dela quer tirar uma lição. Com um time muito forte e de qualidade, ao lado dos Meninos da Vila, a Raposa é perigosa.
Pelos lados de Porto Alegre, Inter e Grêmio provocam reações diferentes. Os Colorados também são favoritos fortes ao caneco. Batendo na trave há muito tempo, O Inter é, depois do Galo, o time que possui a maior fila. Com uma legião estrangeira, querem dominar o Brasil. O Grêmio é a equipe que não empolga. É valente, lutador, mas de longe é o de ótimas campanhas nos últimos anos. Na superação pode ir longe.
Estes são os doze gigantes. Mas como não mencionar Coritiba, Avaí e Ceará, semifinalistas da Copa do Brasil e possíveis surpresas boas nesta competição. As voltas de Bahia, Figueirense e América MG também dão todo um brilho especial a esta competição.
Amanhã será apenas o primeiro passo de uma caminhada longa e que premia o mais regular, aquele que se impõe e se mantém por mais tempo. Com emoção e equilíbrio, só nos resta sentar e aguardar, para ver de camarote essa disputa sensacional.

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