domingo, 29 de agosto de 2010

Só a evolução não garante três pontos

Findada mais uma rodada do Brasileirão. Destaque positivo para os paulistas. O Santos ainda não sentiu tanto a falta de Ganso, derrotou o Goiás no sábado. No Pacaembu o Corinthians permanece invencível, na volta de Ronaldo, a vítima foi o Vitória. Em Ipatinga, o Verdão enfim comemorou o aniversário em paz, Felipão ganhou ma uma do freguês Luxa.

Outro alvi-verde que se deu bem foi o Guarani. Com uma virada incrível, o Bugrão, sob os olhos de Mano Menezes, derrubou o Flamengo e se reabilitou. Destaques negativos seguem sendo o Grêmio e o Atlético MG, que precisam abrir os olhos logo, ou o rebaixamento bate à porta de novo.

O São Paulo também tem que se ligar, apesar de ter tido atuação mais interessante hoje, ainda não voltou a vencer. Pelo menos ter segurado o líder deixou um sentimento mais otimista, graças ao capitão-artilheiro.


Jogão que teve de tudo


O duelo entre tricolores no Maracanã teve de tudo. Belas defesas, boas jogadas, erro de arbitragem, gol de falta, penalti perdido, um tempo de cada time e muita emoção.

Na teoria o jogo era todo do Flu. Líder, com o dobro de pontos do rival e contando com um clima totalmente contrário ao do time paulista, a vitória era esperada, para que a liderança continuasse bem folgada. Como dentro de campo, a história é outra, o maior campeão brasileiro mostrou que está mal, mas não morto e quase complicou a vida do Fluminense.

Sérgio Baresi fez o time voltar ao 3-5-2, muito preocupado com o poderio ofensivo do adversário. Muricy surpreendeu. Sem Émerson, deixou apenas Washington na frente, incumbindo Deco e Conca de encostarem no camisa 9.

A postura do São Paulo empolgou no início. Mais animado e com um ânimo maior, o time não se intimidou com o líder e jogou seu jogo. A má fase e falta de sorte atrapalharam um pouco. Apesar das tentativas, a bola não encontrava o caminho correto. Pior ficou quando os cariocas encaixaram o primeiro ataque.

Conca - sempre ele - percebeu Julio César passando e lançou, o lateral bateu pra trás e achou Deco, o luso-brasileiro não perdoou e marcou seu primeiro gol no clube.

Na jogada seguinte, um lance muito semelhante. Mas aí você troca Deco por Richarlysson, lógico que o destino não é o mesmo, o volante bateu fraco e permitiu a recuperação da defesa.

Mesmo atrás do placar, o São Paulo permaneceu bem, tentando. Fernandinho deu trabalho pela esquerda. Marcelinho dá nova cara a esse time, porém falta muita maturidade e tranquilidade ao garoto. Todos estas virtudes sobram no capitão Rogério Ceni e tinha que ser ele o responsável pela mudança.

Como há algum tempo não se via, ele marcou de falta, batendo bem no cantinho do goleiro. 90º gol do maior goleiro-artilheiro do mundo, está a apenas dez de uma marca histórica e extraordinária para um arqueiro.

Não deu nem tempo dos paulistas comemorarem o primeiro. Eles já emplacaram outra vibração na sequência. A sorte parecia ter mudado. Richarlysson cruzou, Fernando Henrique caçou borboleta e Fernandão, que mais uma vez estava apagado, apareceu no lugar certo e virou o jogo. Um time desanimado e pragmático dava uma canseira no líder do campeonato em sua própria casa. As coisas pareciam que iam mudar, mas o segundo tempo mostrou que as deficiências continuam.

Como tem feito há muito tempo, o São Paulo se acomodou com a vantagem e recuou de maneira absurda. Começou pelo interino Sérgio Baresi. Tirar um Fernandão lesionado é compreensível. Porém colocar em campo Cléber Santana é pra irritar o torcedor. Ele tinha a desculpa de não ter outro atacante no banco, mas que colocasse Marlos ou relacionasse o garoto Lucas Gaúcho e o escalasse. Mas a diretoria anda errando muito. Henrique, hoje titular no Vitória, muito bem poderia estar em campo pelo São Paulo.

Voltando ao jogo, a etapa final foi toda dos cariocas. Muricy mexeu, colocou mais força ofensiva e partiu com tudo pra cima do rival. Rodriguinho, Deco, Conca, Washington, todos tentaram e nada. Um zagueiro foi o responsável pelo empate. O craque argentino cruzou e em mais uma falha da defesa são paulina em bola aérea, Leandro Euzébio empatou.

O Maracanã veio á baixo, apesar do público abaixo do esperado. Sob os gritos de "Vamo virar, Nense", o estádio começou a pulsar forte e empurrar o time carioca rumo à virada. A pressão seguiu forte e constante. Mesmo assim, certos jogadores pouco são afetados e nem se incomodam com isso. Um deles é Rogério Ceni.

Neste domingo demonstrou duas de seuas grandes qualidades. Primeiro com a categoria que ele tem como poucos ao marcar o gol. Depois foi com as mãos, na sua tarefa obrigatória. Segurou tudo, inclusive mais um penalti para a coleção. Washington devia imaginar que Ceni o conhece bem, sabe como ele cobra. O Coração Valente ouviu algumas coisas do capitão antes de bater, sentiu a pressão, caiu na pilha e mandou nas mãos do camisa 1, impedindo a virada e a disparada do Flu.


A influência de Rogério deu uma animada nos companheiros que, enfim, resolveram jogar bola. Duas chances boas foram criadas, uma com Cléber Santana e outra com Marcelinho, que pecou pela inexperiência e afobação. Coisa de garoto, que tende muito a crescer e dar alegrias à torcida.

Assim terminou o jogo. Primeiro tempo do Tricolor Paulista e depois domínio do carioca. Jogo bom, resultado justo. Para o São Paulo, valeu pela evolução e por encarar de frente o poderoso adversário. Como na rodada anterior, o time evoluiu, mas não venceu, só evoluir não basta, assim como ficar dependendo das noites inspiradas de Ceni sempre. Já o Fluminense viu sua vantagem ser reduzida e a emoção permanecer ativa na competição.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O Fluminense vai tirar a graça do Brasileirão?


Com quase um turno de Brasileirão já jogado, as coisas já vão se desenhando e apontando um certo monopólio na disputa pelo título. Fluminense e Corinthians abriram vantagem dos demais e despontam como grandes favoritos. Sendo um pouco mais radical, o time carioca já vai sozinho abrindo margem pra todo mundo e se concretando como o futuro campeão.

Claro que futebol é futebol e o Fluzão mais do que ninguém sabe disso. Ano passado o rebaixamento era evidente. Em uma reação histórica, o time das Laranjeiras escapou da Série B em uma das maiores reviravoltas já vistas na competição nacional.

Porém o time anda fazendo bonito, muito bonito. Sem perder a espantosos 13 jogos, a equipe possuí características bem peculiares a de um time campeão.

Tudo começa no comando. O rei do Brasileirão de pontos corridos, Muricy Ramalho, sabe como ninguém o que é vencer a competição e busca o seu quarto título em cinco anos. É incrível o aproveitamento do marrento professor neste tipo de disputa.

Una-se a isso uma equipe compacta, equilibrada, competente e técnica. Se o ataque faz o seu lá na frente, na defesa não é diferente. Dona da 2ª melhor defesa, a equipe sofre poucos gols, tendo a segurança de Gum e Leandro Euzébio no miolo de zaga, além de Fernando Henrique, goleiro promissor, que passou por uma má fase, mas parece estar em sua melhor forma novamente.

Na direita, Mariano está voando. O atleta arrebentou no final do ano passado e neste Brasileiro tem tido ótimas atuações, seguramente é o melhor lateral disparado hoje no país.

Do meio pra frente, a tranquilidade reina. Deco, Conca, Emerson, Washington e Fred. Nomes de peso. Ainda por cima um deles deve frequentar o banco, mais provável que seja Washington, quando Fred voltar. Olho a que luxo se dá a equipe carioca.

O argentino Conca vive fase esplendorosa. Quando esteve no Palmeiras e no São Paulo, Muricy sonhava em conter com o meia. Hoje o tem como craque do time.

Deco estreou há pouco. Precisou de apenas dois jogos para já ir se encaixando no esquema. Ontem contra o Goiás foi peça chave. Jogando o que sabe, o luso-brasileiro destoa de longe do resto dos atletas daqui.

Na frente são três matadores. Emerson veio do Oriente Médio sob alguma desconfiança, mas logo mostrou seu valor. O Sheik é peça fundamental desse time. Outro que veio com a moral baixa foi Washington. Cornetadissímo no São Paulo, inclusive por este blogueiro,  Coração Valente já mandou seis bolas pras redes em seis jogos e se candidata a ser artilheiro de novo.

Por fim temos Fred. Atacante de seleção, outro especialista da bola. Hoje está lesionado, mas é bom voltar com a corda toda, senão acaba perdendo seu lugar no time.

Com doze pontos de vantagem pro quinto colocado, o torcedor do Fluminense já vislumbra o bi-campeonato. Melhor ataque, segunda melhor defesa, time cheio de talentos individuais e um técnico que conhece do riscado.

É exagero afirmar algo agora, mas que esse Fluminense pode transformar o Brasileirão 2010 no mais fácil da história,,isso pode. Ainda mais se contar com tropeços dos outros e a incrível mania de seu principal perseguidor, o Corinthians, em ganhar todas em casa e perder pontos fora.



OBS: Menção especial à Sociedade Esportiva Palmeiras pelos seus 96 anos. Cheio de glórias, títulos e craques, o Verdão não passa por uma situação confortável hoje. Mas sua imensa nação alvi-verde, além de todo o mundo do futebol, espera que os bons tempos voltem. De um time que já foi uma acadêmia, já venceu um estadual marcando 102 gols e que já foi dono da América.

"Sabe sempre levar de vencida e mostrar, que de fato é campeão"

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Um freguês humilhado


E não foi desta vez que o tabu foi quebrado, longe disso, a freguesia aumentou de maneira humilhante, ridícula, que envergonhou os são paulinos que viram o jogo do Pacaembu.

Em campo, um time que ainda não perdeu como mandante, vice líder da competição e com bons jogadores em grande fase. Do outro, um time desfacelado, flertando com a zona de rebaixamento, sem um rumo certo, sem técnico, sem lateral direito, sem meia armador e acima de tudo, sem alma.

O jogo foi todo do Timão, foi 3, mas se fossem 5, 6, não seria nenhuma coisa de outro mundo, tamanha a superioridade corintiana.

A única chance clara dos tricolores foi quando o jogo estava 0 x 0, Ricardo Oliveira aproveitou erro de William e partiu na diagonal, bateu rente a trave O camisa 99 é artilheiro, faz gol demais, mas todos eles foram no Morumbi. O que acontece com os tentos dele fora de casa? Algo a se pensar.

Porém cornetá-lo é besteira, tem coisa pior pra falar mal. Vamos a lista. Começando por Miranda, passou de melhor zagueiro do país a beque que erra toda hora, a ida para a Europa anda fazendo mal ao defensor, ontem pensou mais no Velho Mundo e deixou Jucilei subir sozinho, fora os quase dois gols contra um pouco antes.

Jean e Júnior César até se esforçam, mas é pouco. Pela direita, o improvisado faz até mais do que pode, mas visto ali não ser a dele, a coisa complica. Pela esquerda, o camisa 6 vai bem até a linha de fundo, quando chega la parece não ser lateral, já que ou morre de medo de cruzar ou não sabe o fundamento mesmo.

Cléber Santana e Marlos são outros dois que bem fazendo hora extra no time. Cléber veio da Europa com status de grande jogador, não fez uma grande partida por aqui. Ontem sumiu o jogo inteiro, na única vez que apareceu, deu de bandeija para que o segundo tento adversário saísse. Marlos corre, cisca, tenta, mas nunca será o camisa 10 que a torcida espera.

Fernandão também veio, jogou dois grandes jogos contra o Cruzeiro, virou ídolo da torcida e repentinamente sumiu. Não sei se é questão física, técnica ou algo assim, fato é que o camisa 15 não faz nada, absolutamente nada de útil os 90 minutos.

Pra fechar o momento corneta, Sérgio Baresi. Treina o time, tenta dar uma cara, mas é difícil, a coisa anda feia. Talvez não suporte a goleada e já seja dispensado, não duvido. Porém, os maiores culpados são os homens da diretoria. Estão transformando o "Soberano", papa-títulos do país em time fácil de ser batido, humilhado em clássicos e pasmem, candidato a rebaixamento. No início do ano passado era inimaginável algo assim.

Ao Corinthians só elogios. Dominou o jogo, aproveitou o momneto sombrio do rival e manteve o estigma de atropelar o São Paulo. Já são quase 3 anos sem derrota pro Tricolor. Destaque mais do que positivo para o meio campo corintiano. Se o ataque sem Ronaldo não faz gols, os 4 homens de meio dão show. Ralf nos desarmes, se bem que contra Cléber Santana e Marlos, a tarefa é fácil. Jucilei marcou o seu e distribuiu bem o jogo.

Mas os grandes nomes foram mesmo Elias e Bruno César. Um marcou dois e se consolida como grande carrasco do Tricolor. O outro é o clássico 10 que o time do Morumbi precisava. Arma, finaliza, dá cadência e quase marca um gol antológico de voleio. Parou em um milagre de Ceni.

E assim o tabu persiste, o São Paulo em frangalhos precisa urgentemente se levantar, ver o Tricolor na Série B é impossível, mas se tantos já caíram, não dá pra achar que não pode acontecer.

Já o Timão caminha a passos largos para travar uma disputa particular com o Fluminense pelo título. Disparados, os dois vão nadando de braçadas, mantendo o ritmo, farão uma disputa sensacional no fim.

sábado, 21 de agosto de 2010

Eis o Majestoso! Quebra de tabu ou manutenção da freguesia no Pacaembu?

Corinthians e São Paulo fazem o clássico paulista da rodada do Brasileirão. Um encontro histórico, emocionante e que há algum tempo tem se tornado ainda mais acirrado. No cômputo geral, o Timão leva vantagem, venceu 109, contra 88 do rival, além de 92 empates. Embora sempre brigado, foram os últimos 15 anos que marcaram de vez esta eterna rivalidade.

Voltamos ao passado até 1996, quando o alvi-negro aplicou humilhantes 5 x 0 no rival, naquela que é até hoje, a maior goleada do clássico. Dois anos depois o Timão levou a melhor de novo, conquistando o Paulistão em pleno Morumbi.

No ano seguinte veio a vingança. Comandado por Raí, recém chegado da Europa, o Tricolor deu o troco e levou o Estadual com um show de França e Denílson. Só que o ídolo  passaria de heroi para vilão. Mais uma ano se passou e um novo encontro decisivo, nas semifinais do Brasileirão. Por duas vezes, o camisa 10 viu suas cobranças de penalti pararem nas mãos de Dida e culminarem na eliminação do Tricolor.

Em 2000, nova vingança. Nas semifinais do Paulistão, o então Campeão Mundial parou no São Paulo, que deu show e venceu com propriedade as duas partidas.

A partir de 2002 as coisas começaram a ficar ainda mais quentes no clássico, começou então a era dos tabus e freguesia. Primeiro foi o Corinthians quem deu as cartas. Em 12 dias, venceu 3 de 4 jogos contra o rival. A consequencia? Título do Torneio Rio São Paulo e vaga na final da Copa do Brasil. O estigma de amarelão e freguês atormentava o São Paulo naquele momento. Ficaria ainda mais latente em 2003 quando de novo em uma final, o Timão saíria vencedor.

A partir daí a coisa começou a mudar de figura. Começaram as trocas de farpas entre diretoria, briga pelo uso do Morumbi, ingressos. Em 15 de junho de 2003, o São Paulo vencia o rival no Morumbi e inaugurava uma série de 14 jogos sem saber o que era derrota para o arqui-inimigo. E foram momentos memoráveis, que culminaram nas demissões de Júnior, Daniel Passarella e Ademar Braga, além de confrontos marcantes. Talvez o maior deles no Brasileiro de 2005. Como um trator, o Tricolor atropelou por 5 x 1 em pleno Pacaembu a equipe que no futuro se sagraria campeã brasileira.

Em 2006 outra vitória marcante. Três dias depois de ser eliminado na Libertadores, o Timão caía de novo frente ao São Paulo. E olha que os alvi-negros tinham um timaço, com Nilmar e Tevez. Curiosamente o argentino jamais marcou um gol no clássico.

E se é de fatos impensados que vive este confronto, o maior deles veio na quebra do tabu. Ano de 2007, no jogo mais previsível de todos entre as duas equipes, a magia do futebol fez das suas. O São Paulo estava a poucos jogos do título brasileiro, com uma defesa intransponível, versus um Corinthians destroçado, á vias de ser rebaixado. Não é que o improvável aconteceu. Betão fez o gol da vitória. Não adiantou muito, o Tricolor foi campeão e o Timão rebaixado, mas o tabu havia sido exterminado e...

...mudado de lado. Desde então, é o Corinthians que não sabe o que é perder o Majestoso. São quase 3 anos e sete jogos. Entre eles outro triunfo em mata-mata, no paulista de 2009.

Neste domingo mais um capítulo será escrito, o último foi belíssimo, um sensacional 4 x 3 para os alvi-negros no mesmo Pacaembu.

Agora vale muito, vale a continuação da boa fase corintiana ou a chance do treinador são paulino Sérgio Baresi poder cair nas graças do torcedor.

As apostas estão feitas, cai o tabu ou segue a freguesia? Só saberemos no domingo, quando uma das duas torcidas irá dormir mais feliz.

domingo, 15 de agosto de 2010

Domingo que vem alguém se reabilita no Majestoso?

Repleta de gols esta rodada do Brasileirão. No sábado, o Botafogo atingiu o G-4 ao bater o lanterna Atlético GO. Atlético MG, Flamengo e Palmeiras finalmente acordaram e voltaram a vencer, afastando por hora mais sinais de crise e respirando um pouco aliviados, embora o Galo de Minas ainda esteja na zona de rebaixamento.

Neste domingo, o Fluminense venceu mais uma. Aproveitando o descaso momentâneo do Inter com a competição, o time de Muricy aproveitou para abrir boa vantagem na ponta da tabela. Agora com Deco, a tendência é de ainda mais qualidade na equipe. Outro que vem bem demais é o Vasco, que tomou novo rumo após a chegada de Paulo César Gusmão, venceu nesta tarde o Grêmio Prudente, fora de casa. Em Salvador, o Vitória se vingou da derrota na final da Copa do Brasil, ao despachar o desfalcado e cada vez mais desmanchado Santos. Outra vingança foi no Olímpico, onde o Grêmio devolveu o 2 x 0 sofrido contra o Goiás na quinta feira.

Já em Floripa e no Morumbi, dois bons jogos.

Promissor, mas preocupante


A estreia de Sérgio Baresi no comando do São Paulo parecia tranquila, mas uma daquelas panes famosas no time esse ano transformou uma vitória em um empate pra lá de sofrido.

Com o time no 4-4-2 e vários desfalques, a esperança era ver um Tricolor renovado, com novo ânimo. Carlinhos Paraíba e Casemiro foram as novidades. O atleta da base mostraria no decorrer do jogo que pode sim ser um "futuro Hernanes".

De fato, o futebol apresentado na primeira etapa foi bem promissor. Foram jogadas ensaiadas, toques rápidos e várias chances. Os destaques eram os dois volantes, surpresas bem agradáveis na partida. A defesa remendada não mostrava problemas, apesar do estreante Montillo dar trabalho, a zaga segurou o chileno, pelo menos na etapa inicial. Outro que segurou quase tudo foi Fábio. Com duas defesas simplesmente espetaculares, o arqueiro - que já merece uma chance na seleção há tempos - impediu gols de Cléber Santana e Fernandão, esta em uma cabeçada a queima-roupa.

Apesar de trabalhar bem, uma hora a estrela do camisa 1 não brilhou, brilharia a do jovem de Cotia, que enche de esperanças a torcida tricolor. Jean levantou na área e Casemiro apareceu de trás para escorar bem e marcar seu primeiro gol com a camisa do São Paulo, dentro do Morumbi, em um de seus primeiros jogos como profissional. Era o primeiro tempo que Baresi pediu aos céus, um time rendendo e que não tomava sustos.

O treinador adversário Cuca mudou o Cruzeiro no intervalo, em peças e no esquema. Aí três fatores foram fundamentais para alterar o panorama da partida, a atitude do Cruzeiro, a qualidade de Montillo, e mais uma vez o recuo excessivo do São Paulo.

A Raposa foi pra cima com tudo. Desligado, o Tricolor se acomodou e chamou os mineiros pro jogo. Quando a pressão começou pra valer, foi difícil segurar, Wellington Paulista empatou.

O jogo melhorou demais, com o Cruzeiro empolgado e o São Paulo correndo atrás do prejuízo. Apareceu então talvez o único erro de Baresi nesta semana. O treinador tirou Carlinhos Paraíba que vinha bem na partida e manteve em campo Cléber Santana e Fernandão, visivelmente extenuados.

O Cruzeiro se manteve aceso e contou com a habilidade de Montillo pra virar o jogo. O meia achou o único espaço que tinha para deixar Thiago Ribeiro na cara do gol, e ele não perdoou, após driblar Rogério Ceni.

Após um primeiro tempo consistente, o apagão do time decepcionou mais uma vez os Tricolores, e era hora de correr atrás novamente. Raça não faltou, o time correu, lutou e mostrou que tem muito a evoluir, claro que precisa de reforços e de uma estabilidade durante os noventa minutos. Estabilidade essa mostrada no fim, quando Fernandinho fez bela jogada pela direita e cruzou para Ricardo Oliveira, o Sr Morumbi, igualar a partida. Quase a virada veio, faltou sorte.

Resultado ruim por ser em casa, apesar da derrota ter estado muito perto. Uma semana para pensar, melhorar esse time e preparar a equipe da maneira mais eficiente possível para o clássico contra o Corinthians no Pacaembu, o grande teste de Sérgio Baresi. Dá pra ser otimista, mas ainda há uma pulga atrás da orelha.

Ganhar só no Pacaembu não resolve


Um time extremamente eficiente e competitivo jogando em casa. Fora, um time que erra muito e deixa escapar pontos importantes.

Neste domingo o adversário era dos mais encardidos, encarar o Avaí dentro da Ressacada é problema pra qualquer um. Dentro de campo, Adílson tinha a volta de Bruno César e a ausência de Dentinho. Elias mantinha-se um tanto mais avançado, esperava-se atuação semelhante a do último domingo.

Com de praxe, o time de Floripa foi com tudo no começo. Envolvente, rápido e avassalador, foram necessários poucos minutos para o gol sair. O ótimo Caio achou Davi entrando na área corintiana, e ele só deslocou Júlio César.

O tento cedo na teoria era uma maravilha para os catarinenses e trágico para os paulistas, mas o jogo mudou dali pra frente. O Corinthians segurou o ritmo alucinante dos mandantes e resolveu jogar bola. Duas chances foram de destaque. Uma delas com Chicão, após uma lindíssima jogada ensaiada, que passou por Roberto Carlos, Elias, Iarley e terminou com o zagueiro chutando próximo ao gol. A outra foi uma cabeçada de Iarley, que beijou o travessão.

Com a pressão invertida, o gol do empate tinha que sair. Começou com Bruno César e terminou com ele mesmo, um chute colocado, mais um do camisa 10 na competição. Empate justo numa primeira etapa de domínio alternado.

A etapa complementar começou igualzinha. A única diferença é que os catarinenses resolveram ser mais rápidos e letais. Com oito minutos e duas falhas da defesa corintiana. Na primeira foi Chicão quem marcou contra, depois a falha foi coletiva, ninguém subiu no escanteio, todo mundo olhando Rafael ampliar.

Só depois de sofrer de novo é que o Corinthians votou pro jogo. Adílson alterou peças no intuito de aumentar o poderio ofensivo, funcionou, só não rendeu os gols necessários.

Bruno César ainda descontou, mas os paulistas chiaram e com razão, de um penalti não marcado em Jorge Henrique. O árbitro fingiu que não era com ele e seguiu o jogo. Ainda deu tempo de Juci marcar, em impedimento, desta vez um acerto da arbitragem.

O Timão vê o Fluminense abrir vantagem. O Corinthians segue imbatível no Pacaembu, mas fora de casa não garante pontos que podem fazer diferença no fim.

Semana que vem tem Majestoso com o São Paulo. Para alegria da Fiel, o jogo é no Paulo Machado de Carvalho.

sábado, 14 de agosto de 2010

Tem futuro o São Paulo de Baresi ?


A correria dos últimos dias me impediu de escrever um artigo sobre o assunto antes, mas como a estreia de Sérgio Baresi é amanhã, ainda há tempo para uma análise sem considerar nenhum resultado.

A efetivação do técnico dos juniores foi surpreendente para muitos, com tantos nomes consagrados ventilados por aí, o nome de Baresi era mera especulação, que acabou se confirmando. O que muda com o novato treinador no comando?

Vou dividir em duas partes esta análise: a primeira com relação apenas ao jogo de amanhã e outra envolvendo o trabalho em si. Para o jogo deste domingo contra o Cruzeiro, o estreante conta com diversos desfalques, seja por contusão ou suspensão. Ele mantém o 4-4-2, haja vista que quase não tem zagueiros pra escalar, foi obrigado a subir Bruno Uvini do time de baixo para compor o banco.

No meio, Casimiro desponta como o substituto de Hernanes. Destaque nos juniores, o atleta é uma das grandes esperanças de salvar a base de Cotia e no futuro render belas cifras ao Tricolor. A outra grande novidade será Carlinhos Paraíba. De quase negociado a titular da equipe.

Mas o que interessa mesmo para os tricolores é o futuro deste time. Sem Hernanes a equipe carece muito de qualidade e, com alguns atletas já muito desgastados, a tarefa no Brasileirão será árdua. Terá Sérgio Baresi pulso, controle e fará ele uma campanha de destaque colocando o São Paulo entre os primeiros?

O plantel é bom, mas a falta de futebol neste ano tem deixado os tricolores pra lá de ressabiados, há enormes dúvidas quanto ao rendimento do time no campeonato nacional. Baresi já subiu vários atletas da base, atitude mais do que correta. O time campeão da Copinha em Janeiro reserva vários talentos, que trabalhados bem, podem ser de extrema serventia nos próximos anos. É a hora deles aparecerem e mostrarem seu valor.

E caso não venha a vaga na Libertadores e a atuação no campeonato seja pífia? De prontidão o que se imagina é a saída de Baresi e uma enorme reformulação no time. Para o são paulino, é um devaneio cogitar qualquer possibilidade de estar ausente da próxima Libertadores. Porém, analisando friamente, um ano fora até seria bom para repensar as coisas e remontar todo o time.

Desde 2005 quando ganhou a competição continental, a equipe vem decaindo na disputa do torneio. Em 2007, 2008 e 2009 campanhas muito abaixo do esperado culminaram em três eliminações para brasileiros. Esse ano, embora tenha chegado entre os quatro melhores, a bola da equipe ficou muito aquém do que a torcida deseja, até chegou muito longe do que o rendimento apontava.

Além disso, esse ano sem a pressão de conquistar a América culmina também na saída de Juvenal Juvêncio. Convenhamos que a gestão dele também deixou a desejar. Compreensível a luta pelo Morumbi na Copa a briga com a CBF, mas muitas vezes deixar o time de lado foi besteira. Tanto tempo no comando e sempre querendo trazer jogadores de graça. Pior que isso, o tão esperado e necessário camisa 10 não veio até hoje, nem parece que virá tão cedo.

Desejo toda a sorte do mundo à Sérgio Baresi. Que faça uma campanha digna do São Paulo Futebol Clube e conquiste os melhores resultados possíveis. Se ele fica ou não para o ano que vem, difícil prever, mas caso seja necessário abdicar da Libertadores para que o São Paulo renasça, passe a usar pra valer sua base, o futuro da sua equipe, que isso aconteça. A recompensa promete ser boa.


Nota rápida: O Palmeiras finalmente voltou a vencer hoje. Mesmo tendo Felipão expulso, o alvi-verde bateu o Atlético PR por 2 x 0 no Pacaembu. Felipão terá um pouco de sossego, mas só até o meio de semana, quando terá a tarefa duríssima de reverter a vantagem do Vitória pela Copa Sul-Americana.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A essência da amarelinha voltou?


Pensar em futebol brasileiro é pensar em dribles, jogo bonito, toque de bola e muita categoria. Todas estas características estão mais do que presentes no nosso futebol e em nossos atletas, porém a Seleção há algum tempo não faz valer essa fama. Pegando como exemplo as três últimas Copas do Mundo percebemos isso.

Em 2002, a seleção campeã jogava com três zagueiros, esquema tido como defensivo. A equipe venceu o Mundial, atuou muito bem em várias partidas, mas não chegou a encantar, ou ser aquela seleção inesquecível, tinha mais a raça personificada no comandante, Felipão.

Quatro anos depois, a expectativa era de espetáculo. O quadrado mágico composto por Kaká, Ronaldinho (melhor do mundo na época), Adriano e Ronaldo era garantia de show. Ficamos longe disso, apesar da qualidade indiscutível deles, os fatores extra-campo falaram mais forte e ofuscaram totalmente o esperado futebol de qualidade e campeão.

Esse ano foi a vez do time de Dunga. Após dois títulos e algumas atuações memoráveis, na hora do vamos ver o time sucumbiu. Mas engana-se quem acha que essa seleção era de espetáculo. Com três volantes, era sim a seleção do mortal contra-ataque. As mais belas atuações do time de Dunga foram matando seus adversários na velocidade dos contra-golpes. Quando precisa atacar pra valer, o time sofria, que o diga a estreia na África contra a Coréia do Norte.

Agora é a seleção de Mano. Totalmente renovada, a equipe foi extremamente bem na sua primeira apresentação. Se a máxima de que a primeira impressão é a que fica, os brasileiros já podem sonhar com dias muito melhores.

Ontem contra os Estados Unidos, o estreante treinador escalou a equipe no 4-3-3, ultra-ofensivo. Com Lucas e Ramíres de volantes, o segundo saindo muito ao ataque. Na armação, o 10 que o país tanto pediu, Paulo Henrique Ganso, o maestro, o responsável por ditar o ritmo deste time. Na frente, um trio capaz de decidir a qualquer momento. A dupla santista Neymar e Robinho e o centro-avante desta nova etapa, Alexandre Pato.

Em campo, o início foi nervoso, jovem, a seleção sentiu um pouco, já que a partida marcava esta estreia de uma nova era. Foi só a ansiedade inicial passar para o time deslanchar. Era toque de bola bonito, dribles desconcertantes, jogadas rápidas e incisivas, que foram desnorteando os americanos.

E as jogadas não fluíram apenas com o pessoal da frente, os laterais resolveram aparecer e de um deles o primeiro gol saiu. Da perna esquerda de André Santos para a cabeça de Neymar, que testou para fazer seu primeiro gol com a camisa canarinho, logo na estreia.

A defesa ianque sofria e o Brasil passeava. Antes de acabar a etapa inicial, outra jogada veloz. Ramíres achou Pato entrando nas costas da defesa. O camisa 9 teve tranquilidade para ampliar. Um primeiro tempo vistoso e que deixou a melhor das impressões.

O segundo tempo talvez tenha sido ainda melhor, bolas na trave, mais jogadas de perigo e até gritos de olé ouvidos em Nova Jérsei, faltou a bola na rede. Apesar de uma ou outra desatenção defensiva, a equipe dominou por completo a partida. Todo mundo apareceu bem, desde David Luís com desarmes e intervenções precisas lá atrás, até a linha de frente, letal e que se entendeu muito bem.

Mano gostou, foi um início promissor. Diferente das seleções anteriores, esta parece que alia futebol bem jogado com eficiência e resultado. Claro que foi só o primeiro teste, muita coisa vem por aí. Mas tirando como base o jogo de ontem, essa nova geração tem tudo para recolocar o Brasil no topo e fazer renascer o encanto pelo futebol brasileiro, aquele de encher os olhos.
 

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