domingo, 8 de maio de 2011

O alto risco que Muricy quis correr pode custar muito caro ao Santos

Sem Ganso, o Santos pode ver Paulistão e Libertadores irem pelo ralo
(Miguel Schincariol - Lancenet!)
Ganhar um Campeonato Estadual em cima de seu maior rival é algo ótimo e todos os times gostariam de ter tal oportunidade. Mas e quando se tem, aleatoriamente, uma competição continental, de muito mais importância e visibilidade, que vale vaga para um confronto futuro contra Manchester United ou Barcelona? Vale a pena correr riscos querendo ganhar os dois e poder ficar sem nenhum? Esta pergunta é bem complexa e as opiniões variam. Muricy Ramalho, técnico do Santos, resolveu assumir os riscos e colocou o que tinha de melhor no duelo contra o Corinthians, exceto Léo e Arouca, que não podiam jogar mesmo.

Tudo caminhava de maneira normal. O Corinthians, contando com o apoio da torcida, começou com mais ímpeto e tentando se aproveitar do desgaste que a equipe do Litoral vem sofrendo, ainda mais depois da batalha dentro de campo e da longa viagem do México. Fosse um pouquinho mais competente e forte, o Timão teria aberto vantagem hoje.

O Santos entrou com o pretexto de segurar o jogo, atuar com a bola nos pés e calma, muita calma. Correria não combinava com o time da Baixada hoje. Assim, o duelo dos alvinegros ficou restrito a apenas dois lances de real perigo na etapa inicial, ambos em sequência. Primeiro foi Neymar, que usou de todo seu repertório de habilidade para achar um espaço entre a defesa, mas parar na trave. No contra-ataque, Bruno César fez tudo certinho, mas na hora de chutar, a bola subiu demais. O Corinthians parava em suas limitações e o Santos em seu extremo desgaste.

Quando o apito já ia soar para o intervalo, Muricy viu que sua aposta poderia sair muito errada. Ganso dividiu no meio e caiu, já colocando a mão sobre a coxa. Tentou voltar, mas não deu. A lesão foi forte, claro, apoiada também pelo cansaço, de quem atuou em quatro decisões em 10 dias. Muricy disse no desembaque de Querétaro, que o time estava arrebentado. Elano sentiu na pele no sábado passado contra o São Paulo. Hoje foi o maestro, o craque, o cérebro da equipe quem saiu. Azar gigante do Santos, que podia perder, com todo o respeito, um Danilo um Zé Eduardo, mas perdeu Ganso.

O segundo tempo do jogo foi muito mais animado e empolgante. O Corinthians tentou apertar. Nas mudanças, Tite foi bem em uma e péssimo na outra. William tardou, mas entrou. Tá mais do que na hora de ser titular. Mas entrou também Morais, que pouco acrescenta. Bruno César poderiam continuar sendo mais útil. Do lado do Santos, sem o camisa 10, o outro craque resolveu chamar a responsabilidade. Neymar foi dando baile e cansando os pobres Chicão e Wallace. Parou novamente na trave e deu o gol para Danilo, que Chicão salvou antes da linha fatal. Faltou pouco para o Santos vencer. Assim como faltou para Liedson, que encontrou a trave nos momentos finais.

O empate acabou justo. Talvez um 1 a 1 fosse mais merecido. Tudo continua indefinido. O Corinthians tem toda a semana para acertar o time e buscar uma estratégia que o faça sair do Urbano Caldeira com o título. O Santos tem o fator Vila como trunfo, mas tem também uma semana decisiva, com viagem para Manizales e um jogo durissímo contra o Once Caldas. Sem Ganso, que fica fora dos gramados por um bom tempo. O risco que Muricy quis correr e pode acabar pagando muito caro.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Uma noite que beira o inacreditável

Ver equipes brasileiras eliminadas na Libertadores logicamente não é nada anormal. Mas o que se viu na noite desta quarta-feira beirou o inacreditável. Até às 19h30 de hoje, quando o Internacional começou seu jogo contra o Peñarol, duvido, mas duvido mesmo, que alguém chegou a cogitar a queda dos quatro no mesmo dia.

A 'zica' começou no Beira Rio. Tudo parecia maravilhoso para o Inter quando o Oscar fez 1 a 0 logo no primeiro minuto. O time tinha a vantagem, o apoio do torcedor e com tranquilidade, só precisaria administrar. Veio o segundo tempo e bastaram 13 segundos para os uruguaios empatarem. Ali, a lembrança do Mazembe retornou à mente dos colorados. E na sequência, o Peñarol virou. É impressionante como brasileiro se desespera em momento tenso. Nesse quesito, uruguaios e argentinos nos dão um banho. Quando a coisa apertou, o Inter não teve a competência de Leandro Damião, a técnica de um D'Alessandro e nem o talento de um Oscar. Falcão sentiu na pele e viu que, muitos anos depois, a tarefa de ser treinador permanece inglória.

Depois foi a vez do Grêmio. Após perder no Olímpico e recheado de desfalques, esta eliminação para o Universidad Católica já eram favas contadas. Não foi surpresa, só serviu para entrar na estatística. O detalhe é o velório que se desenha em Porto Alegre nesta quinta-feira. Ambos sonhavam com um duelo pela Libertadores, mas agora abrem os olhos e veem que os sobrou apenas a decisão do 'disputado', 'incrível' e 'fascinante' Gaúchão.

No Paraguai, o Fluminense entrou com uma vantagem bacana e difícil de ser tirada. Ainda mais quando se vê que é o Fluminense. Dono de façanhas históricas como a classificação na primeira fase, quem imaginaria que o Libertad reverteria a vantagem. Como dizem, tudo que é demais, uma hora acaba. Assim foi com a cota de milagres do Fluminense, que experimentou do próprio veneno e viu os paraguaios reverterem com muita luta. Pior para o time de Conca, Fred e Cia, é ter levado todos os gols do 3 a 0 no segundo tempo, quando já parecia administrada a classificação. Ter tomado o primeiro gol na falha de Ricardo Berna ajudou a desesperar os cariocas, que nem um pouco lembraram o time de guerreiros.

Fechando a noite trágica, Sete Lagoas. Melhor campanha da 1ª fase, goleada em todo mundo, até mesmo no algoz Estudiantes. Vitória por 2 a 1 em Manizales e vantagem mais do que considerável para receber e atropelar o Once Caldas em Minas. E o mais difícil, aquela que quando eu vi, eu custei a acreditar, o Cruzeiro caiu. Roger foi estúpido, bateu até receber o vermelho. Jogar com 10, por mais difícil que seja, ainda não parecia prejudicar a equipe celeste. Mas a bola não entrava, o time não rendia e o Once Caldas, que já aterrorizou brasileiros em 2004, marcou o gol.

Quem entrou em cena? Sim, o desespero. Os jogadores cruzeirenses nitidamente perceberam que a eliminação, até então inimaginável, poderia virar realidade. Assim, encarnaram o estigma de seu treinador, Cuca. Medroso e perdedor. Não deu outra, o fraco, mas nem um pouco bobo Once Caldas fez o segundo. Aí a vaca foi pro brejo, tudo desandou e a campanha, que era perfeita, não valeu de absolutamente nada. Ou melhor, serviu sim, para representar o quão grandiosa foi a vergonha passada pela equipe. Mais uma vez a melhor campanha de uma 1ª fase não vale título.

Feito isso, o torcedor santista ri à toa neste momento. Com os brasileiros, talvez maiores rivais, de fora, o time de Neymar e Ganso tem grandes chances de buscar o tri. Basta ter calma, aprender com os erros dos conterrâneos e agradecer demais à Conmebol por ter marcado o jogo para terça, fugindo da quarta-feira sombria.

terça-feira, 3 de maio de 2011

A árdua missão santista no México

Animado, mas muito cansado. Assim chegou o Santos em Querétaro, no México para a disputa da partida mais importante da equipe no ano, o jogo de volta das oitavas de final da Libertadores contra o América. Talvez o desgaste excessivo no clássico de sábado possa trazer mais prejuízos ao time, que já não tem Elano, lesionado. Mesmo assim, o ânimo de uma classificação pode muito bem abastecer o Peixe rumo à vaga.

Após os problemas na chegada, o time de Muricy chega mesmo apenas com o desfalque do importante Elano. Importante sim, mas não é um desfalque que traga tantos malefícios, quanto seria uma falta de Neymar ou Ganso. Muricy não fez mistério e já confirmou, Adriano será o titular. Ele será o cão de guarda, liberando Arouca e Danilo para sair para o jogo e dando liberdade para Ganso armar. Assim, a equipe jogou contra o Cerro Porteño, e de lá saiu com o resultado positivo.

Danilo também faz importante dobradinha com Jonathan pela direita. Dali podem sair jogadas boas. O outro lado, bem servido com Léo e Neymar também é caminho para o jogo santista. Será primordial abrir a defesa adversária e buscar, na velocidade de seus atacantes, chegar a pelo menos um gol, que desesperaria o América e deixaria tudo mais fácil.

Os mexicanos vão muito animados também. Pareceu estranho a primeira vista a comemoração dos atletas no apito final do árbitro no jogo da Vila. Mas o mínimo 1 a 0, fora de casa, foi visto com muitos bons olhos pelos jogadores do América. A preocupação ali era clara. Perder de pouco, garantir a classificação no torneio caseiro no fim de semana e ir com tudo para cima do Peixe. Até o momento, o script está sendo bem seguido, falta faturar a classificação amanhã.

E é apostando na pressão que o América deve jogar. Se não tem o Azteca, com seus milhares de torcedores apoiando, a equipe deve ter muita ajuda mesmo em Querétaro. Segurar o ímpeto adversário no início é a tarefa primordial do Santos. Ter tranquilidade e fazer o jogo virar contra o América, que não é um primor de time. Quem viu algo dos jogos contra o Fluminense na primeira fase, viu um time até arrumadinho e esperto, mas muito longe de ser páreo para os Meninos da Vila. O fato de jogar em casa e ter o time completo é o que pode assustar a equipe brasileira.

Muricy e seu time sabem que o placar da ida foi pouco. A pressão e a disputa serão intensas e complicadas, mas jogando a bola que sabe, o Santos tem tudo e mais um pouco para sair do México classificado e já vislumbrando espetaculares confrontos contra o Cruzeiro pelas quartas de final.

domingo, 1 de maio de 2011

Um digno e verdadeiro Palmeiras x Corinthians

Depois de tanta emoção, Julio César garantiu a vaga para o Timão
(Créditos: Tom Dib - Lancenet!!)
Talvez São Paulo x Corinthians seja o clássico que mais tomou grandes dimensões nos últimos anos, ou Palmeiras x São Paulo seja aquele que provoca ódio mortal entre os times. Não se discute que são dois grandes jogos, mas Palmeiras x Corinthians é diferente, transcede a todos estes. O que se viu hoje no Pacaembu foi a prova viva de quanto esse clássico ainda é espetacular. No fim, deu Corinthians, após tudo o que podia ter acontecido acontecer.

Muitos gostam de ver clássicos com muitos gols e alto nível técnico. Mas eu parto de uma teoria diferente. Claro que ver gols é o máximo, mas sou muito mais ver um jogo com o de hoje. Briga, discussão, expulsão, pegada e muita, muita emoção, externada de vez na disputa de pênaltis.

Em campo, as equipes entraram como de costume. O Palmeiras cauteloso na teoria e o Corinthians apostando na velocidade e tentando surpreender o adversário, dono da melhor defesa do campeonato.

Foi um jogo nervoso desde o pontapé inicial. O Palmeiras, empurrado pela torcida, fez uma coisa que não costuma, agredir o adversário. Valdívia parecia querer chamar o jogo no início, com chutes, dribles e movimentação. Sempre batendo de fora da área, o Palmeiras tentava chegar. O Corinthians, mais atrás, buscava um contra-ataque veloz.

O início até promissor e melhor do Palmeiras se transformou em preocupação em dez minutos. Primeiro foi Valdívia. O chute no vácuo foi inútil, imbecil, desnecessário. A perna não aguentou e o Mago, esperança de desequilíbrio para o time, saiu do jogo, mostrando porque não pode ser considerado um fora de série, apesar de jogar bem.

Expulsão e confusão: Isso não podia faltar
(Créditos: Tom Dib - Lancenet!)
Depois veio o lance polêmico do jogo. Danilo dá um carrinho forte em Liedson. Paulo César Oliveira, contestado dias antes do jogo, não teve dúvidas e expulsou o zagueiro alviverde. Versões variam para o lance. O carrinho foi forte, perigoso, mas atingiu primeiro a bola. Liedson também não foi santo, deixou o pé por cima. Poderia ter amarelado os dois, expulsado os dois ou não ter feito nada. Mas isso não foi o preponderante na eliminação palmeirense.

Depois veio a expulsão de Scolai. Quem tem uma experiência como a de Felipão não pode se comportar daquela maneira. Tudo bem que é jogo decisivo, sangue quente e sentimento de injustiça, mas sempre o treinador é o reflexo de sua equipe e não é de hoje que o gaúcho dá seus chiliques. Isso só 'pilha' mais seu time.

Já no segundo tempo, o futebol resolveu tomar o primeiro plano. Muito equilibrado, o jogo ganhava ares de emoção a cada minuto. Melhor postado, apesar de ter um a menos, o Palmeiras chegou como havia de chegar, na bola parada. Leandro Amaro subiu bem e desviou cobrança de escanteio de Marcos Assunção para abrir o placar.

Era o que precisava o Palmeiras. Com a vantagem, o time que sofre poucos gols só precisava continuar fazendo o que mais sabe, se defender. Do outro lado, Tite teve que arriscar. O Corinthians não tinha vibração, não demonstrava técnica. Quando o técnico raciocicou e colocou William, que por sinal devia ter entrado desde o início, o time ganhou alguma força ofensiva. Só que foi com a bola parada que o empate veio, com o atacante predestinado.

O empate voltou a trazer emoção e a expectativa de pênaltis. O Palmeiras não se abateu e foi melhor nos últimos minutos, mas um clássico como esse tinha que ter mais essa pitada sensacional de emoção: a bola na marca da cal.

Aí nos pênaltis, é só emoção, angústia e torcer demais. Claro que quase todos bateram bem demais. Deola só saltou de um lado. João Vitor cobrou mal e fez Julio César ser heroi. Mas no fim das contas, deu Corinthians.

Se para muitos, o Palmeiras foi melhor, só mais um ingrediente, não é sempre que os que jogam melhor ganhamm, principalmente em um Palmeiras x Corinthians.

quinta-feira, 31 de março de 2011

O vexame e a vergonha sempre podem ser maiores

Quem vê a foto deste time de 78 sonha com dias melhores


Neneca, Mauro, Gomes, Edson e Miranda; Zé Carlos, Renato e Zenon; Capitão, Careca e Bozó. Todo o torcedor bugrino de coração conhece de cor e salteado essa escalação comanadada por Carlos Alberto Silva. O time, campeão brasileiro em 78, após vencer os poderosos Internacional, Vasco e Palmeiras na fase final, deu a maior glória da história para a equipe a rotulou como 'Único campeão brasileiro do interior'. O clube quase foi bicampeão nacional e quase venceu o Paulista na década de 80. Não só competitivo, o 'Bravo Bugre' também já foi um celeiro de bons jogadores. Luizão e Amoroso foram dois gênios que passaram pelos gramados do Brinco de Ouro da Princesa.

Mas administrações ridículas, times mal montados, falta de dinheiro e principalmente, falta de amor e respeito à camisa alviverde fazem o Guarani se afundar cada vez mais. Não bastasse os rebaixamentos e a falta de competitividade, o clube ontem protagonizou mais uma mancha em sua linda história. O Guarani conseguiu a proeza de ser eliminado pelo Horizonte do Ceará. Com todo o respeito do mundo ao time nordestino, mas em hipótese alguma o Guarani poderia passar tamanha vergonha. Quem é o Horizonte no cenário nacional. Se for a 4ª força do futebol cearense é muito. E o Guarani se presta a mais essa eliminação pavorosa.

Claro que time por time, o Horizonte pode até ser melhor. O elenco bugrino é fraco, digno da posição que infelizmente ocupa hoje, a segunda divisão tanto nacional, quanto estadual. O time, que ainda consegue arrastar alguns fanáticos a seu estádio (campo esse que está em vias de ser vendido, em mais uma 'proeza' das diretorias que passam por ali). A promessa é de que se desfazer deste patrimônio histórico, o palco da maior glória da equipe, renderá dinheiro e fim das dívidas. Mas conhecendo a atual situação do clube, é difícil acreditar.

Só para entristecer e machucar ainda mais o coração bugrino, é ano de centenário. E ele acontece neste sábado, dia 2. A maior festa está preparada, com fogos, passeata. Mas pra quê? Existe algum tipo de coisa a se comemorar? A única coisa a fazer é lamentar e tentar sonhar com dias como do passado. E tentar, na série A2, conseguir o acesso e pelo menos remediar um pouco os vexames sucessivos protagonizados pelo Guarani. Nunca uma festa de 100 anos foi tão triste. A instituíção Guarani, seus torcedores e sua história não merecem tudo isso. Quem já foi ao Brinco de Ouro e já viu aquele tobogã balançar se entristece. O Bugre é grande, definitivamente não merece sofrer pelas burradas de quem o comanda.

Mas que se comemorem os 100 anos. Mais uma vez se repense tudo o que há de errado. Que o bugrino possa sonhar com dias melhores, com um time competitivo, capaz de se manter em um campeonato sem risco de rebaixamento, saber que a equipe que entra em campo tem condições de vencer e não vai passar sufoco contra Horizontes da vida.

O futebol precisa disso, precisa que o MAIOR CLUBE DO INTERIOR DO BRASIL volte a ser grande.

domingo, 27 de março de 2011

Reverências a quem merece


No artigo anterior mencionei todos os ingredientes que faziam o clássico deste domingo ser imperdível. Para alegria e satisfação daqueles que gostam de futebol, o Majestoso foi espetacular. Não pelo 1º tempo, mas por uma etapa final fantástica, mágica e imortalizada aos 8 minutos, quando o maior goleiro artilheiro do mundo cruzou o gramado da Arena Barueri, ajeitou a bola com carinho, a colocou no ângulo e escreveu mais uma vez seu nome para a eternidade.

Mas antes disso a bola ainda rolou. Tite manteve o time dos últimos jogos, apostando nos três atacantes e a chegada de Morais. Já Carpegiani mudou muito a equipe. Casemiro deu lugar a Rodrigo Souto, responsável por segurar a onda na cabeça da área e marcar principalmente o 10 corintiano. Outra novidade foi Ilsinho, que substitituiu Marlos, com a incumbência de dar dinâmica pelo lado direito.

E se a expectativa era de grande jogo, o primeiro tempo ficou devendo. Muitos passes errados, forte marcação, pouca objetividade e nenhum dos dois times se arriscava muito. Apesar de dominar amplamente o começo do jogo, o Corinthians não assustou de fato e deixou o jogo equiilibrar. Do lado corintiano, Morais não fazia a bola chegar. Jorge Henrique e Dentinho também tinham dificuldades em municiar Liedson, que pouco fez na etapa inicial. Na única chance que teve, impedido, parou em Rogério.

O São Paulo repetia os erros de quarta-feira. Muitos passes errados, pouca chegada pelos flancos. Jean e Junior César eram nulos, Ilsinho inventava uma ou outra jogada de efeito, sem sucesso. Fernandinho não conseguiu suas jogadas pela esquerda. ma das grandes chances foi em chute despretensioso de Rhodolfo.

Quando resolveram se arriscar, finalmente algo saiu. Paulinho mandou uma bola por cima do gol são paulino. Do lado tricolor era Dagoberto quem arriscava. Na 1ª, a bola passou perto, mas em seguida, o pé calibrado do 25 funcionou. Erro grave da defesa corintiana, que deu todo o espaço pro atacante bater forte no canto.

Um primeiro tempo bem fraquinho, que talvez nem merecesse vencedor, mas com certeza o gol foi fundamental, faria a etapa final ser bem mais movimentada, e ela foi.

Como era de se esperar, o Corinthians foi pra cima. Jorge Henrique teve a primeira grande chance, mas parou em milagre de Rogério. Apesar de ser goleiro e ter como tarefa defender, o que mais a torcida tricolor queria ver era outra coisa. E aos 8 minutos a oportunidade veio. Fernandinho e a falta na meia esquerda. Propícia, ótima, a grande chance. Confesso que não imaginei que Rogério fosse acertar assim logo na primeira. Mas esse cara tem o dom de surpreender e fazer o que ninguém espera. A barreira pulou, Júlio César saltou, mas o dia era dele, do capitão, do M1TO, do ídolo, de Rogério Ceni. Golaço, o centésimo, que alegrou e até fez chorar os são paulinos. Méritos a quem merece. Não é por sorte, Ceni treina, treina, batalha e é merecedor de tudo o que conseguiu, ser o maior goleiro artilheiro do mundo e campeão de tudo.

Parece que a empolgação pelo 100º contagiou a todos. O jogo cresceu de maneira incrível. Tite colocou Ramírez, William, tentando fazer a bola chegar com mais qualidade. Ânimos exaltados, Alessandro se destemperou e acertou um carrinho violento em Dagoberto. Dois gols de vantagem e um a mais em campo, especulava-se que a parada estava concluída, mas do outro lado era o incansável Corinthians. Dentinho aproveitou cobrança rápida de falta e descontou em outro belo chute de fora.

O jogo então ganhou contornos de drama. Dagoberto se enroscou com Castán, levou outro amarelo e foi expulso. Era o estopim que o Corinthians precisava para jogar água no chope são paulino. O Timão se empolgou e alugou o campo de ataque. Mas aí foi Dentinho quem atrapalhou tudo. Lance ridículo, que prejudicou demais o time. Sem necessidade o chute em Rodrigo Souto.

Marlos e Rivaldo entraram no São Paulo. O Corinthians seguiu tentando, atacando e parando em Ceni. O empate não saiu, mas se saísse, era pra debitar na conta de Marlos, que, por ser fominha, abusou dos erros em contra-ataques.

Apesar da pressão, o Tricolor se segurou. Venceu, quebrou um tabu incômodo de mais de 4 anos e mais do que tudo, viu seu maior ídolo marcar história contra o maior rival.

Até porque ele merece demais.

sábado, 26 de março de 2011

Gol 100 de Ceni, tabu e liderança, o Majestoso promete

Elias foi o principal carrasco do São Paulo durante estes 4 anos. Sem ele, o Corinthians mantém o tabu
ou o São Paulo se livra da freguesia?
Em condições normais, São Paulo e Corinthians já seria de longe o grande jogo desta 16ª rodada do Paulistão. Só que, para apimentar ainda mais o clássico e deixá-lo imperdível, teremos três ingredientes capazes de fazer a expectativa com relação ao jogo subir demais.

A primeira delas envolve diretamente a tabela. Líder com 34 pontos, o Timão praticamente se garante na ponta da tabela com uma vitória domingo, já que os adversários até o fim desta fase não são tão assustadores, e ficar na ponta é de suma importância, já que dá vantagens nas fases seguintes.

E é por isso que o São Paulo também entra com este objetivo. Era líder, mas o tropeço contra o Paulista, que empurrou o Tricolor para 3º, com 31 pontos, obriga a equipe a vencer para tomar o lugar do rival. Além disso, ainda precisa passar o Palmeiras. O Verdão assiste tudo de camarote, já que joga neste sábado.

A festa está pronta, só falta
o gol do capitão
 Outro item que movimenta o Majestoso é o tabu. Invencibilidades longas tem sido rotina neste clássico. Primeiro foi o São Paulo, que passou 4 anos e meio e 14 jogos sem perder para o rival, maior série invicta da história. Entre os triunfos, esteve aquele 5 a 1 no Pacaembu e inúmeras quedas de técnicos alvinegros.

Mas 'a maldição de Betão' em 2007 fez a freguesia mudar de lado. Se aquele gol não alterou em nada o rumo daquele Brasileirão, já que o São Paulo mesmo derrotado foi campeão e o Corinthians rebaixado, serviu para abrir uma série impiedosa do Corinthians. Tudo bem que o tabu começou no primeiro turno, com o empate em 1 a 1, gols de Dagoberto e Zelão, mas foi aquele jogo que serviu de estopim. Desde então, o Corinthians passeia nos clássicos. Como se esquecer das duas semifinais do Paulistão de 2009, com direito à golaço de Ronaldo, ou os 3 a 0 do Brasileirão de 2010, com show de Elias. Para alívio dos tricolores, o volante/meia, principal carrasco desta série, já não está mais no Timão. São mais de quatro anos de freguesia, sete vitórias corintianas e quatro empates. A Fiel espera aumentar a série, enquanto os são paulinos esperam desesperados por uma vitória.

Se mantiver a média,
tem gol de Liedson domingo
Por fim, surge o ingrediente mais recente, o gol 100 de Rogério Ceni. A FIFA considera 97, mas bobagem descartar amistosos, então ele tem 99. E pode chegar a marca centenária contra o arquirrival na Arena Barueri. Rogério marcou apenas duas vezes contra o Corinthians, é o rival que menos sofreu 'nos pés' do goleiro artilheiro. Domingo ele tem uma grande chance. Júlio César tem plena noção de que faltas perto da área podem ser fatais. Se não tem a mesma precisão de anos atrás, os gols contra Linense e Portuguesa neste Paulistão mostram que ainda existe pontaria. Mas se não vier de falta, pode vir de pênalti, Castán e Chicão que se cuidem com Dagoberto e Fernandinho, um toque pode ser letal. Mesmo sem Lucas, o São Paulo é veloz, toca bem e chega fácil no gol. Se o pé estiver calibrado, dará trabalho.

E a zaga tricolor fique muito esperta também, pois tem sido impossível parar Liedson. Marcar 10 gols em nove jogos é para poucos, muito poucos. Na fase em que está, o Levezinho aparece como principal protagonista do Timão. Se a bola chegar e ele tiver espaço, a rede balança. Por isso, o duelo entre a ótima linha de zaga formada por Rhodolfo/Alex/Miranda contra o rápido e incisivo ataque corintiano tem tudo para ser ótimo.

Ainda poderia me alongar falando da eterna briga de bastidores entre as duas diretorias, que culmina até mesmo em apresentações simultâneas dos astros Luís Fabiano e Adriano no Morumbi e no Parque São Jorge, respectivamente. Mas isso é papo pra outro post, o que mais importa é o que vai rolar dentro das quatro linhas, e a promessa é de coisa muito boa, já que sobram ingredientes para fazer ferver a Arena Barueri.
 

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