domingo, 13 de fevereiro de 2011

A garotada do sub 20 é mesmo a peça que falta a esse São Paulo?

Bruno Uvini, Casemiro, Lucas, Henrique e Willian José. Juventude boa de bola, campeã do Sul-Americano e que colocou o Brasil nas Olimpíadas de Londres no ano que vem. No Peru eles deitaram e rolaram e agora vêm com uma responsabilidade grande. Ser a peça da engrenagem que o São Paulo tanto precisa se quer mesmo decolar em 2011. Claro que não falo de todos, já que Bruno Uvini está operado e só volta no meio do ano e, mesmo que estivesse 100%, seria apenas banco, ainda mais com a aquisição de Rhodolfo. Henrique também não deve ser aproveitado. Se não for emprestado, alternará presença no banco de reservas e cortes do time que vai ao jogo. Já os outros três são figuras que devem figurar neste time de Carpegiani.

Começando por Casemiro. Foi ótimo na seleção e tem lugar neste time do São Paulo. Rodrigo Souto não tem dado segurança e suporte aos zagueiros, diversas vezes a defesa do time está sendo exposta. Hoje contra a Lusa, faltou competência aos rubro-verdes, porque poderiam ter saído com um resultado melhor. Casemiro é importante também no ataque, fez gols aparecendo como elemento surpresa, cabeceando bem. Ele pode entrar também no lugar de Carlinhos Paraíba, que sai mais pro jogo, o que também não duvido acontecer.

Falar que Lucas é titular absoluto neste time é tão óbvio quanto 2 + 2 são 4. A dúvida que fica é de quem sai nesse time. Aposto em Fernandinho, com Rivaldo sendo adiantado e Lucas fazendo a função de ligação, claro com o camisa 10 voltando também para articular. Outra opção seria Carlinhos Paraíba, mas aí o time ficaria muito ofensivo e, do jeito que anda sofrendo na defesa, as coisas ficariam ainda piores. Para quarta-feira contra o Treze, em Campina Grande, na estreia da Copa do Brasil, Lucas entra no lugar de Rivaldo, poupado. Carpegiani terá uma semana para pensar seu time.

Na frente temos Willian José. Pivô, bate bem na bola, mas não é o artilheiro nato ou o camisa 9 dos sonhos. Dependendo de como Carpegiani resolver montar o time, ele entra. Mas no momento, não consigo vislumbrar um espaço pra ele, embora um homem de área seja fundamental. Se o treinador optar pelo 4-4-2, a chance dele é maior.

Rogério Ceni, Rhodolfo, Alex Silva e Miranda; Jean, Souto, Casemiro, Lucas e Juan; Dagoberto e Fernandinho. Esse deve ser o time de quarta-feira.

Que Casemiro ajude muita na contenção do meio campo. O trio de zaga anda sofrendo um bocado e Rhodolfo não é lateral, como quis fazer Carpegiani hoje. É bom zagueiro, estreou de forma regular, precisa de mais entrosamento com Miranda e o 'monstro' Alex Silva, que demonstra uma dedicação e raça inacreditáveis. Rhodolfo tem 1,98, pode até bater com quem cai pelo lado esquerdo do adversário, mas deixá-lo ali complica. Por mais que Jean também seja improvisado, é mais garantido. O camisa 2 só precisa saber que não dá pra descer sempre, assim como Juan, que tem sido discretissímo e perde vaga fácil quando Júnior César voltar.

Do meio pra frente, os gols têm saído, mas ainda há as preocupações. Com sua técnica, velocidade e habilidade, Lucas somará demais ao time. Caindo como um ponta de lança, pode fazer muito bem as jogadas rápidas como as vistas no Peru. O problema é que agora ele não tabela mais com Neymar e sim com Fernandinho. Terá trabalho, mas tem tudo para brilhar, ainda mais ao lado de Rivaldo, que poderá dividir responsabilidade e melhorar seu rendimento.

Sem nenhuma contratação bombástica á vista, o São Paulo deposita muito sua esperança nestes garotos campeões. A qualidade deles é indiscutível, resta a Carpegiani montar o time ideal e os outros em campo atuarem no nível esperado, sem os costumeiros sustos. Completo, o São Paulo é muito forte e favorito em tudo que joga, ainda mais com a nova geração do nosso futebol.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

1 mês no futebol é muito tempo


No domingo, outro capítulo do clássico será escrito


Neste domingo Palmeiras e Corinthians entram em campo para mais um duelo. O dérbi, como é conhecido o jogo, é um dos maiores clássicos do Brasil, senão do Mundo. E as duas equipes vão para a partida em situações extremamente opostas. O Palmeiras em estado de graça e o Corinthians em estado de desgraça. Porém, há um mês atrás, quando o ano começou, as coisas eram totalmente diferentes. Você, palmeirense, estava triste, desiludido e imaginando outro ano sofrível do Verdão. O corintiano esperava ansiosamente a disputa da Libertadores, sonhando com o inédito título. Confira como houve uma mudança de 180 graus na situação das duas equipes neste começo de 2011 e mostra que um mês no futebol é muito tempo.

Fim de 2010

O Palmeiras protagonizou um sofrível 2010. A equipe foi apenas a 10ª colocada no Paulistão, caiu na Copa do Brasil para o Atlético GO e fez campanha medíocre no Brasileirão. Porém, a decepção maior foi na Copa Sul-Americana. Na semifinal, o alviverde encarou o Goiás. Venceu na ida no Serra Dourada e tudo levaav a crer que o time chegaria à final e deixaria a vaga para a Libertadores muito perto. Porém, os traumas palmeirenses que assolam a equipe há alguns anos reapareceram, o time foi derrotado de virada para a equipe goiana em pleno Pacaembu abarrotado de torcedores e viu o sonho ir mais uma vez por água abaixo.

Neste momento, o time já tinha Kléber, Felipão e Valdívia, três estrelas que pareciam dar alguma sobrevida ao time. Kléber fez seu papel, mas sozinho não fez milagre. Felipão chegou com pompa de estrela, que recolocaria o Verdão no caminho dos títulos, mas teve um péssimo trabalho em 2010. Já Valdívia não foi o 'Mago' que o torcedor esperava. Seguidas lesões e atuações burocráticas fizeram o meia render pouco. Com um fim de ano melancólico, o palmeirense já se entristecia com o que 2011 o reservava.

Por outro lado, o Corinthians terminou o ano de 2010 mais tranquilo. Evidente que a perda do título brasileiro e o ano do Centenário sem conquistas machucou os corintianos, mas em comparação com o eterno rival, a situação alvinegra era até cômoda. O time disputaria novamente a Libertadores, seu sonho maior. Ronaldo e Roberto Carlos eram as esperanças de um ano de sucessos, ainda mais com o Fenômeno em sua última temporada de carreira. Além disso, os boatos de que o estádio corintiano finalmente saíria do papel, esboçava sorrisos na Fiel Torcida, que aguardava um 2011 feliz.

Começo de 2011

Feliz, o palmeirense vibra com o começo de 2011
(Caio Messias - Lancenet)
O Palmeiras abriu os trabalhos em 2011 envolto em muitas dúvidas. Com Valdívia machucado e em meio a um entrevero com Felipão, esta 'rixa' entre dois dos astros do time deixou a torcida ressabiada. Nos bastidores, as coisas mudaram. Arnaldo Tirone substituiu Luis Gonzaga Belluzo no comando do clube. Belluzo, tido como salvador da pátria, foi uma decepção na presidência do Palmeiras. Sob muitas desconfianças e incertezas, o Verdão iniciou o Paulistão com um empate em 0 a 0 contra o Botafogo no Pacaembu. De novo a torcida sentia que o sofrimento viria cedo.

Porém, a coisa mudou de figura. Desde aquele jogo, o Palmeiras nãsó venceu. São cinco triunfos consecutivos e a liderança do campeonato, coisa que talvez nem o mais otimista esperava no começo da temporada. O time não é brilhante. Valdívia sequer atuou pra valer neste ano. Porém, sobra disposição e entrega. O time parece ter se encaixado e aprendido a atuar sem craques, mas todos com sua parcela de contribuição, correndo mais, se dedicando. Jogadores como Cicinho, Luan, Patrik, entre outros, que se em um primeiro momento pareciam descartáveis, têm sido peça fundamental à equipe, além de Kléber, astro maior do time e Felipão, que mostrou que ainda conhece muito do riscado e mesmo sem grandes estrelas, montou um time operário e até agora competitivo. Não se sabe até onde vai isso, se essa sequência positiva continuará, mas o fato é que de um começo de temporada preocupante, o time tem surpreendido.

Diferente do rival, o Corinthians iniciou a pré-temporada com objetivos mais traçados. A boa vitória na estreia contra a Portuguesa, com gol olímpico de Roberto Carlos e outro de Paulinho - o substituto de Elias, que havia ido embora - trouxe muita esperança para a Fiel. O bom começo deixou a torcida esperançosa de conquistas. Mas bastou uma sequência ruim para as dificuldades começarem a aparecer. Empates contra Bragantino e Noroeste ligaram o sinal de alerta. A tragédia começou a ser construída no primeiro jogo contra o Tolima pela Libertadores. O empate sem gols no Pacaembu escancarou as carências corintianas.


A cobrança no Corinthians é intensa
(Marcos Ribolli - Globoesporte.com)

Sem o capitão William, a zaga sofreu, Lenadro Castan não se entendeu com Chicão e o time sofria. O futebol de Roberto Carlos desapareceu depois daquele gol olímpico. Paulinho, aquele que deveria ser o elemento surpresa, não fez 1% do que Elias fazia. Bruno César, revelação de 2010, não teve mais as atuações destacadas. Mais preocupado em chutar de onde desse, recebeu críticas indiretas dos companheiros e caiu de rendimento. Ronaldo, claramente fora de forma, não fez nada nos primeiros jogos.Sem mobilidade, só a genialidade do Fenômeno não resolveu. A diretoria errou também ao não repor peças. O golpe de misericórdia veio na última quarta-feira em Ibagué.

Como já salientei no artigo de quinta-feira, sobraram culpados. A diretoria, os atletas e Tite, que montou um esquema totalmente inexplicável, com três volantes e três atacantes, Jorge Henrique, o tal homem que deveria servir de articulador, não tem caguete para fazer isso. O que se viu em campo foi um time apático e dominado pelos colombianos, que com méritos se classificaram.

Após o jogo, protestos da torcida no CT, carros quebrados, muros pichados, xingamentos e muita cobrança. O ano praticamente acabou para o Corinthians. Todos serão alvos, principalmente diretoria, técnico e Ronaldo, o que deveria decidir, mas parece desinteressado e sem motivação. Uma derrota domingo contra o maior rival só piora as coisas. Como canta uma das torcidas organizadas do alvinegro: "SE O CORINTHIANS NÃO GANHAR, OLÊ, OLÊ, OLÁ, O PAU VAI QUEBRAR". E não duvide disso acontecer em caso de vexame contra o Palmeiras.

Por isso o clássico é mais uma vez incrível. De um time que parecia perdido no começo do ano e aos poucos vislumbra dias melhores contra outro que sonhava com a América e a jogou fora em dois jogos. Mais uma vez o esporte mostra que é fascinante. Cravar o Palmeiras favorito? Jamais. Por mais que a fase corintiana seja sombria, faço minhas as palavras de Jardel, "Clássico é clássico e vice-versa".

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Rivaldo deu show, mas era só o Linense

A estreia do camisa 10 foi mais do que especial  (Nelson Antoine/Foto arena)

O torcedor são paulino que esteve ontem no Morumbi ou qualquer outro que tenha visto a atuação de Rivaldo com certeza se animou e se encantou com o show do camisa 10. Ele fez de tudo, deu belos passes, chapéus, bola entre as pernas e um golaço. Acho que ninguém esperava tamanha exuberância logo em sua primeira partida, ainda mais após o grande tempo longe dos gramados, porém há de salientar quem estava do outro lado, o Linense. Sem menosprezo algum ao time do interior, mas tratá-lo como parâmetro não dá.

Em campo, o São Paulo sofreu e foi sofrível na etapa inicial. Sem um centro-avante, a equipe carece demais. O time estava leve, mas faltava chegada. Ilsinho, Fernandinho e Dagoberto pouco produziram. Rivaldo tentou algo mais incisivo, deu boas invertidas de jogo, bateu uma falta que levou perigo e deu um chapéu maravilhoso em Alessandro. Só que perigo mesmo quem levou foi o Linense, com dois bons chutes, que Rogério defendeu. Carpegiani não deve ter gostado do que viu, assim como todo o Morumbi.

A expectativa era de melhora para a etapa final, mas foram precisos dois sustos para o time acordar. Primeiro foi um gol bem anulado do time interiorano. Depois não teve jeito. Após cruzamento da esquerda, Miranda furou bisonhamente e Eric aproveitou para bater de primeira e inaugurar o marcador. Susto no Morumbi. A desvantagem deixou os tricolores apreensivos. Era a hora de o craque aparecer. Jogada de Dagoberto pela esquerda e bola lançada para Rivaldo. O camisa 10 dominou já chapelando o zagueiro, saiu na cara do goleiro e mostrou a frieza de quem sabe o que faz com a ‘pelota’ nos pés. Empate e explosão no Morumbi.

O golaço incendiou o jogo e a equipe, que, com Fernandão e Marlos, cresceu no jogo. O camisa 15 foi nulo, mas sua presença na área, liberou os companheiros para flutuarem mais em campo e criarem jogadas mais rápidas. Marlos foi decisivo. Após boa troca de passes, o camisa 11 recebeu na área e fuzilou o gol adversário, virando a partida.

O são paulino confia muito nos dois (Tom Dib)
O placar deixou o time de Lins atordoado e sem assustar o Tricolor. Daí pra frente, o São Paulo mais treinou do que se esforçou. Quem teve bela atuação ontem foi Jean. Tendo que se adaptar na ‘marra’ a ser lateral, o jogador cresceu na etapa final e criou boas jogadas pelo lado direito. Rivaldo, já um pouco desgastado, passou a se poupar e conduzir o jogo com a experiência que tem.

Quando o jogo se encaminhava para seu término, uma falta frontal para o time da capital. Na cobrança, Rogério Ceni e Rivaldo, que somados, possuem 76 anos. O goleiro Paulo Musse não parecia nem um pouco feliz no que estava encarando, de onde viesse, era chumbo grosso. Imaginei que Rivaldo cobraria, até pelo baixo aproveitamento do goleiro-artilheiro nas últimas cobranças de falta. Só que o capitão ‘calou minha boca’ e bateu com uma precisão absurda, fazendo um golaço. Mais incrível foi a comemoração, efusiva e extravasada, como poucas vezes vi Rogério fazer. Faltam apenas três para o centésimo e o maior goleiro-artilheiro do mundo está cada vez mais perto de fazer história outra vez.

Nos acréscimos, Alessandro ainda descontou, mas nada que tirasse os 3 pontos e o brilho da estréia de Rivaldo. Desde a aposentadoria de Raí, o São Paulo sente a falta de um camisa 10 deste nível, e quem sabe, ele não apareceu. Categoria e técnica ele tem de sobra, o são paulino pode se animar, mas deve manter os pés no chão, pois do outro lado estava o Linense. Se Rivaldo fizer isso na Copa do Brasil, Brasileirão e nos clássicos, veremos que o investimento valeu e muito.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Mais do mesmo

Indignada, a torcida cobrará muito
É difícil explicar o que acontece com o Corinthians na Libertadores. Mais uma vez a esperança existiu e a derrota foi doída. Em dois jogos, o alvinegro não conseguiu passar pelo fraco e inexpressivo Deportes Tolima da Colômbia. Depois da ridícula apresentação no Pacaembu semana passada, era complicado imaginar que pudesse ser pior, mas foi. É a 9ª eliminação do Corinthians na Libertadores e o mais incrível, a primeira de um brasileiro neste fase preliminar, onde até o Paraná, isso mesmo, o Paraná já havia conseguido avançar.

O jogo foi um show de horror e decepção para a Fiel Torcida. Com três volantes e três atacantes, não dava pra saber o que Tite queria. Com Bruno César, Danilo e Edno no banco, ele preferiu optar por priorizar a marcação e deixar a cargo de Jucilei e Paulinho a tarefa de armar. O que se viu foi um buraco entre o meio e o ataque. Jorge Henrique foi o único que tentou contornar a situação, mas não teve êxito. Ronaldo não foi visto fazendo nada. Aplicada, a equipe colombiana neutralizou a frágil criação corintiana. Com a bola nos pés, o Tolima assustou muito no primeiro tempo. Semelhante ao jogo de São Paulo, a defesa corintiana optou pela linha de impedimento, e cometeu erros grosseiros. Chicão e Castán não se entenderam. Fabio Santos, estranhamente escalado no lugar de Roberto Carlos, deixou uma avenida em suas costas. Se o pretexto de tirar o experiente lateral-esquerdo era fortalecer a marcação, mais uma vez o treinador gaúcho errou feio. Mesmo assim, o Timão passou ileso na etapa inicial, graças à Julio César e a falta de pontaria dos avantes colombianos.

Para o segundo tempo, o jogo mudou um pouco de cara a favor dos brasileiros. Sem a mesma força inicial, o Tolima não tinha tanta a bola e chegava menos ao ataque. A chance do Corinthians crescer na partida era grande, mas continuava faltando acertar o toque final. Quando o meio campo se aproximou do ataque, alguma lucidez foi vista. Paulinho, Ronaldo e Chicão criaram as chances que pararam no goleiro Antony Silva. O tempo foi passando e a disputa de pênaltis já era algo imaginado, até mais uma vez a ridícula linha de impedimento corintiana entrar em ação. Sabedores disso, os colombianos insistiram nas jogadas em profundidade e uma hora iria dar certo. Murillo lançou Santoya, que em posição legal, só tirou de Julio César, abriu o placar e começou a desmoronar a vida do alvinegro.

Mesmo assim, o 1 x 0 não era pra se desesperar. O Corinthians, com a tradição e toda a história que tem, devia marcar um gol no Tolima e esse gol mudaria a partida. Mas Corinthians e Libertadores não parecem combinar, sempre algo acontece pra atrapalhar tudo. Quando Tite finalmente acordou e tentou arrumar a besteira que fez, colocando os articuladores Danilo e Ramírez, contou com a ingenuidade e burrice do peruano. Com menos de cinco minutos em campo e sem quase nem tocar a bola, Ramírez ‘desceu’ o braço no adversário e foi expulso com justiça. Aí a barca afundou de vez. Desesperado e sem atitude, o time mostrou a fragilidade e a fraqueza que tem na Libertadores. Medina aproveitou outro erro da defesa e fechou a tampa do caixão. Fim de jogo e eliminação corintiana.


Culpados?

Fora de forma, Ronaldo pouco fez em campo
Achar culpados nesta hora é muito fácil. E são muitos. A começar pela diretoria. William já havia anunciado a aposentadoria há tempos. Elias, com a bola que jogava, dava na cara que iria embora a qualquer momento. Ronaldo há tempos demonstra não ter nenhuma condição física. O que Andrés Sanches e seus ‘colegas’ fizeram? Quase nada. O nem um pouco badalado Wallace veio pra ser zagueiro e nem jogou. Paulinho foi a opção para o lugar de Elias e está longe, muito longe de apresentar futebol semelhante. Para o ataque, Liédson foi contratado, mas muito tarde. Veio pra quê, se nem na Libertadores jogará. Em seu último ano de mandato, Andrés não vai poder se vangloriar de levar a América e terá muito a explicar.

Parcela de culpa também aos jogadores. Àqueles que só empataram com o time reserva do rebaixado Goiás no Brasileirão, o que acarretou na disputa da Pré-Libertadores. Aos que entraram em campo no Pacaembu semana passada e foram omissos, se entregaram à marcação adversária. Não honraram a camisa e a tradição corintiana, propiciaram uma vergonha incrível para o torcedor. Que dizer de Ronaldo? Sem condição física, ele só faz número dentro de campo. Ronaldo não precisa do Corinthians, é o Timão que anda dependendo muito dele. E o camisa 9 não demonstra a maior vontade de mudar o panorama e melhorar. Quem paga é o time.

Porém, se dá pra colocar a culpa maior em alguém, esse é Tite. Medroso, cauteloso ao extremo, consegue ter a proeza de demonstrar medo perante o ridículo Tolima. Jogou sem meia de criação tendo vários no barco, armou pessimamente a equipe e permitiu que sua defesa insistisse na ineficaz linha de impedimento. Os seguidos empates no Paulistão não ensinaram Adenor Leonardo Bacchi. Ele insistiu nas ‘cagadas’ e pagou caro.

O corintiano se decepciona de novo. O ano acabou, só sobrou Paulistão e Brasileiro, que viraram obrigações. E tentar chegar de novo a competição mais importante da América. Porém, com esse estigma que Corinthians e Libertadores têm, é melhor a Fiel nem se iludir muito.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A busca pela conquista da América vai começar


Objeto de desejo de todas as equipes da América do Sul, a Libertadores começou nesta terça em sua fase preliminar com a vitória de seu maior campeão, o Independiente, sobre o Deportivo Quito. Para os brasileiros, o caminho começa a ser trilhado hoje. Santos, Fluminense, Cruzeiro e o atual campeão Internacional esperam até sua estréia, mas Corinthians e Grêmio iniciam hoje a luta pela conquista do continente com muitas esperanças e incertezas. Dentro de campo, terão que mostrar força e confirmar a vaga na fase de grupos.


Corinthians x Deportes Tolima (COL)

Será que desta vez o Fenômeno leva o Timão ao título?
Mais uma vez o Timão vai tentar o título que falta em sua galeria. Obsessão incontida da Fiel Torcida, a equipe entra em 2011 buscando apagar a decepção das últimas eliminações e enfim levantar o caneco. Esquecer 2010 é um dos objetivos. Após um ano incrível em 2009, a equipe entrou na Libertadores com muito favoritismo. Sob a batuta de Ronaldo e Roberto Carlos, o time de Mano Menezes fez a melhor campanha na primeira fase e já vislumbrava o título em um ano mais do que especial, o Centenário. Mas a estigma de fracassar na competição veio logo nas oitavas de final. Em um confronto caseiro contra o Flamengo, a equipe perdeu no Maracanã e deu o troco no Pacaembu, mas o gol sofrido em casa resultou na eliminação. Diferente de anos anteriores, a torcida não vaiou, brigou ou ameaçou os jogadores, sobrou apoio e reconhecimento pela luta. Mas lá no fundo, a decepção tocou a alma do corintiano, que viu o sonho ruir de novo.

Para 2011, a vaga veio com tranqüilidade. Desde o começo, o Timão foi um dos ponteiros do Brasileirão e até almejava o título. Mas uma queda vertiginosa no fim, aliada à subida de adversários, resultou na queda do Corinthians para 3º, o que significa jogar esta Pré-Libertadores. Mais uma vez a esperança recai em Ronaldo e Roberto Carlos. Bruno César, o 10 do time, também é um dos destaques. O time é forte, manteve a base – só Elias saiu – e tem Tite como comandante. Mas as incertezas e dificuldades também existem. Ronaldo conseguirá manter uma sequência e mostrar bom futebol? O time dependerá apenas do Fenômeno? A pressão da torcida atrapalhará ou não a equipe? Perguntas que começam a ser respondidas neste duelo contra o Tolima. Passando dos colombianos, o que é uma obrigação e aparenta ser tarefa fácil, a equipe tem muito mais a mostrar, pois terá pela frente o grupo da morte, com Cruzeiro e Estudiantes. O corintiano sonha acordado com o título e não quer ser decepcionado de novo.



Grêmio x Liverpool (URU)

O Grêmio é copeiro, lutador e famoso por fazer grandes campanhas na Libertadores. Chegou na final em 2007 com um time considerado fraco e ainda assim só parou no Boca Juniors, de um inspirado Riquelme. 2010 foi um ano de muitos altos e baixos pelos lados do Olímpico. No primeiro semestre, a equipe caiu para o Santos nas semifinais da Copa do Brasil e viu seu eterno rival vencer a Libertadores. Mas nos últimos seis meses do ano, a sorte virou. Após freqüentar a zona de rebaixamento do Brasileirão, o ‘Imortal Tricolor’ contratou um ídolo – Renato Gaúcho – para comandar a equipe. A maré virou, o time engrenou e terminou o Brasileiro em 4º lugar, tendo o artilheiro da competição, Jonas.

Nas mãos de Renato Gaúcho, o Grêmio buscará o tri
Para esta temporada, foram poucas contratações. A base forte, aliada à pegada da equipe, já davam ao Grêmio um status de equipe forte. A segurança de Victor no gol, uma dupla de zaga entrosada e o cerebral Douglas no meio são alguns dos trunfos da equipe. Mas um choque atingiu os gremistas nesta semana, a saída do artilheiro Jonas. Cobrado pela torcida e já um tanto de ‘saco cheio’, o matador pagou a própria multa – baixíssima por sinal – e negocia com o Valência. Os gaúchos também ficaram sem Ronaldinho e agora correm atrás de um novo camisa 9. André Lima e Vinícius Pacheco podem garantir a classificação contra o fraco e sem nenhuma tradição Liverpool, mas com o afunilamento da competição, o time vai sentir a ausência de um craque pra empurrar a bola para a rede. Os gremistas sabem que só ser copeiro e mostrar a garra de Libertadores não vai adiantar. Para ser tri-campeão da América e evitar ver o rival Internacional atingir esta meta, o Tricolor precisa de muito mais.

As emoções começaram, que seja dada a largada para se conhecer o melhor time do continente.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

E aí Verdão? Agora vai?

Crédito: Tom Dib/Lancenet - Carlos Augusto Ferrari/GE.com

Pela 1ª vez em 2011, o torcedor palmeirense sorriu. Não foi uma atuação espetacular, memorável, mas a vitória sobre o Ituano por 4 a 1 pela 2ª rodada do Paulistão serviu de respiro e quem sabe uma nova esperança para os lados do Palestra Itália. O time foi vibrante, teve raça. Se ainda sofre por não ter deficiências, mostrou que luta e isso já é importante. Só que o assunto em pauta no Palmeiras não é em campo, mas sim a direção nova, comandada pelo presidente eleito Arnaldo Tirone. O Palmeiras vai, de novo, buscar retomar os rumos de sua gloriosa história.

Depois de uma década de 90 brilhante, que fez do Palmeiras uma máquina de jogar futebol e ganhar títulos. Entre eles uma Libertadores, dois Campeonatos Brasileiros, além de Copa do Brasil, Paulistão, Mercosul e por aí vai. Abastecido pelo dinheiro da Parmalat, o Verdão reuniu craques e mais craques, mas como nem toda parceria é eterna, a Parmalat saiu, e depois acabou falindo. O Palmeiras continuou, mas desde então vive uma crise e uma carência absurda.

Nesta última década, o time sofreu com derrotas acachapantes, como para o Vitória por 7 a 2 em pleno Palestra, ou a eliminação em casa para o Asa de Arapiraca, também em casa. Comemorar título foi fato raro para os alviverdes, apenas o Paulistão de 2008, ao lado de outra parceira, a Traffic. Mas o fundo do poço veio mesmo em 2002, com a queda para a segunda divisão. O Palmeiras desceu, mas a torcida abraçou o time e a equipe voltou, mas nunca mais foi a mesma de anos atrás.

Muito disso se deve ao baque da saída da Parmalat e a um mal que acometa diversos times, o continuísmo. Mustafá Contursi viveu anos na presidência do Palmeiras, ganhou títulos sim, mas também emergiu o time em um mar de dívidas e foi na gestão dele que o Verdão foi rebaixado. Mais uma prova que se manter perpétuo no poder traz alguns benefícios, mas depois faz com que a equipe caia na 'vala comum' dos times de 3º mundo.

Mustafá saiu e a esperança era de uma nova era e uma outra perspectiva. Afonso Della Monica se tornou presidente, mas pouco fez em seu mandato. Ganhou o Paulista, mas não arrumou de fato o Palmeiras. O título serviu mais para aliviar um pouco o sofrimento dos torcedores, do que de fato transformar algo. Nas eleições seguintes, o Palmeiras imaginou que pudesse viver um conto de fadas. Luis Gonzaga Belluzo, economista, homem inteligente, a pessoa considerada ideal para recolocar o time nos trilhos e enfim recolocar o Palmeiras no caminho das glórias.

Para tristeza dos palmeirenses, toda a esperança caiu por terra. Belluzo não reduziu dívidas, tentou montar um time forte, que não rendeu. 'Entregou' o Brasileirão de 2009 de bandeija. Sofreu com críticas, com gozações dos rivais. Em 2010, Belluzo tentou um golpe de mestre, trouxe o consagrado Luis Felipe Scolari para comandar o time, repatriou Kléber e Valdívia. De nada adiantou, no último dos vexames recentes, a equipe caiu na Copa Sul-Americana em pleno Pacaembu para o Goiás, rebaixado no campeonato nacional. Belluzo não usou seu lado economista em sua gestão, foi torcedor, apaixonado, agiu por impulso e não levou o Palmeiras à posição que almejava.

Após mais um fracasso, a oposição alviverde agora toma posse, com Arnaldo Tirone. Em meio às preocupações com a construção da Arena Palestra, o time precisa se reestruturar. Reforços, jogadores de porte e atitude são fatores que este novo Palmeiras deve buscar. Felipão terá os nomes que tanto precisa? E o caso Valdívia, joga? Vai viver machucado? Dará retorno à todo o investimento milionário que foi feito? O grupo de Tirone tem Mustafá no meio, será que ele volta? Que consequências isso terá?

Respostas só com o tempo, fato é que o novo presidente alviverde terá trabalho, muito trabalho. Se o trabalho for sério e bem feito, o torcedor palmeirense poderá enfim voltar a sorrir e imaginar um futuro semelhante às conquistas do passado. Nesta quinta, o time finalmente deu mostras de raça, garra e ganhou, a 1ª com Tirone sendo presidente. Os palestrinos esperam que as notícias boas sejam constantes.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Ele é muito diferente dos demais

Créditos: Mowa Press

Começou bem o Brasil a busca pelo ouro olímpico ano que vem em Londres. Na estreia do Sul-Americano sub 20, a seleção despachou o Paraguai por 4 a 2 em Tacna, no Peru. A partida serviu para tirar o peso do jogo inicial e deixar claro uma coisa: Neymar é muito diferente dos demais, está em um patamar muito elevado em relação aos outros. Nesta madrugada, ele correspondeu às expectativas e 'só' fez os quatro gols brasileiros no jogo.

Ney Franco escalou a equipe no mesmo esquema de Mano Menezes com a principal, um tradicional 4-4-2 com dois meias habilidosos e atacantes rápidos. A formação era boa, mas o time demorou a encaixar. O Paraguai entrou para marcar forte a seleção canarinho e encurtar os espaços, apertando desde a saída de bola. Os primeiros minutos não foram dos melhores para o Brasil. A seleção não tinha saída de bola e encontrava enormes dificuldades para avançar e fazer a bola chegar nos dianteiros. Uma das coisas a se ficar atento neste time. Sob forte marcação, o coletivo não rendeu.

Por isso, teve que ser posta em prática uma velha máxima do futebol: se o coletivo não funciona, a individualidade tem que aparecer, e isso sobra ao futebol brasileiro. Primeiro foi Casemiro, que fez a festa na defesa paraguaia até sofrer pênalti do goleiro. Foi então que Neymar começou a brilhar. O camisa 7 chamou a responsabilidade, colocou a bola na marca da cal e no fundo da rede.

Minutos depois, individualidade em dose dupla. Lucas se livrou de três marcadores e serviu Neymar. O craque santista tinha Henrique livre, mas decidiu sozinho. Mostrando imensa categoria e frieza, cortou a marcação e bateu seco no cantinho do goleiro. Apesar das dificuldades iniciais, o 2 a 0 ao fim do primeiro tempo era ótimo.

Na volta para o intervalo, o time sofreu logo cedo, por um erro infantil do volante Zé Eduardo. Em três minutos, foram dois cartões amarelos desnecessários e a expulsão. Era o que o Paraguai precisava para voltar ao jogo. Vieira marcou após escanteio, em que a zaga brasileira parou e levou pressão à seleção canarinho. Os paraguaios começaram a querer complicar, rondaram a área brasileira. Ney Franco sacou o apagado Oscar e fortaleceu a marcação com Fernando. Mais atrás, outra vez o Brasil precisava da individualidade. Então Neymar foi de novo decisivo. No primeiro lance, após bola disputada por Lucas e depois Henrique, o santista disputou com o goleiro e só tocou para o gol vazio. Depois veio o lance mágico da noite.

Lançamento longo, preciso. Neymar caminhou, invadiu a área e quando qualquer outro atleta teria batido rasteira ou soltado uma pancada, o craque mostrou porque é muito diferente. De canhota, deu um tapa embaixo da bola, encobriu o goleiro e fez um golaço.

No fim, ainda deu tempo de outro erro infantil. Henrique fez falta desnecessária no campo de ataque e foi expulso, e o Paraguai ainda marcou o 2º. Nada que tirasse a vitória e o brilho de Neymar, o dono do jogo.

Belo resultado, ótima estreia. A defesa foi segura, mas faltou aos laterais mais poder ofensivo. Casemiro foi ótimo elemento surpresa. Oscar esteve apagado. Ele é o armador, aquele que deve ditar o ritmo, mas se escondeu muito. Lucas até foi um pouco incisivo, mas errou demais, parecia um tanto afobado. Precisa se soltar mais para render melhor e ajudar a equipe. Já Neymar fez o que dele se esperava, foi genial.

Para os próximos jogos, duas ponderações importantes:
1ª: Neymar é decisivo, mas não vai fazer sempre o que fez neste jogo. Por isso, o time todo deve se encaixar e jogar bola. Qualidade sobra, por isso uma dependência do camisa 7 não pode ocorrer.

2ª A infantilidade e os cartões bobos atrapalham. Ontem foram dois vermelhos e alguns amarelos. Neymar também tem de ficar atento. Ele arrebenta no jogo, depois faz graça, finta, faz dançar os adversários. Lógico que vai apanhar e muito. E a arbitragem sul-americana não marca falta toda hora. Tem de manter a cabeça pra não prejudicar o conjunto.

Na madrugada de quinta pra sexta tem mais. Agora contra a Colômbia. Teste bom para este time, que tem ótimos jogadores e um fora de série.
 

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