A Copa de 2010 que terminou ontem ficará para sempre marcada na memória. Se não pelo futebol vistoso e fascinante, mas sim pela raça, luta das seleções e principalmente, a África do Sul. Quem imaginaria que um país racista, assolado pelo Apartheid até alguns anos atrás teria condições de organizar um torneio da magnitude de uma Copa do Mundo?
Com muita força de vontade, trabalho e sob a inspiração de uma das maiores figuras deste planeta, o país foi capaz. Nelson Mandela esteve no dia do anúncio, foi o principal chamariz e abrilhantou ainda mais o espetáculo, devido à sua vida, sua força de vontade em acabar com o preconceito no seu país.
Não foi uma Copa nota 10, até mesmo o presidente da FIFA afirmou que é impossível um Mundial perfeito, mas na medida do possível e mesmo com todo o pessimismo criado em torno do país na época da escolha, os sul-africanos podem dizer com imenso orgulho que saíram vencedores. Apesar dos campos mal-tratados após tantos jogos, o transporte em muitos lugares precário, instalações com alguns danos, ninguém tem de reclamar.
Dentro de campo a coisa foi indo, sob os ruídos ensurdecedores das vuvuzelas, marca registrada dos Bafana Bafana, o futebol que começou fraco, foi ganhando em técnica e emoção. Após uma primeira rodada de poucos gols, a Jabulani - outro ponto de discórdia entre todos - passou a beliscar mais vezes o barbante. Vimos a derrocada dos dois últimos finalistas, Itália e França sendo vergonhosamente eliminados na fase inicial. A luta do país sede em conquistar uma vaguinha na fase seguinte, faltou pouco, mas não deu.
Vimos uma Alemanha trucidar o English Team, mesmo com um erro absurdo da arbitragem. E infelizmente estes erros não foram raros, muita gente tem do que reclamar. Mas se reclamam dos árbitros, por que não cobrar os craques, que antes do Mundial prometiam tanto e foram ofuscados, que o digam Rooney, Ribery, Messi, Kaká e Cristiano Ronaldo.
Tivemos de presenciar a queda do professor Dunga, após treinos fechados, briga com a imprensa e escalação de jogador desorientado, que se preocupa mais em bater. Só que no dia seguinte o sorriso voltou aos rostos brazucas ao acompanhar a queda de Maradona e seus pupilos, sendo sumariamente humilhados pela garotada alemã.
Como esquecer de Gana, abraçada por toda a África, mas que parou em uma mão de "Deus", a de Luís Suárez, e ficou também na trave, que tanto dará pesadelos a Gyan. Alegria imensa de ver o ressurgimento do Uruguai, a Celeste encantou pela raça e nutre a esperança de que volte para ficar, para figurar entre os maiores como outrora.
Após 80 anos finalmente Espanha e Holanda tiveram a chance de subir no degrau mais alto do planeta. A Laranja ficou mais uma vez no quase, deu Fúria, de Casillas, Puyol, Iniesta, Xavi e Villa. A mais nova integrante do G8, grupo que agrega os campeões mundiais.
Forlán, o melhor da Copa, Villa, Sneijder e Müller, os outros artilheiros, Robben, Honda, Gyan, Özil, Schweinsteiger e tantos outros, que entraram como meros coadjuvantes e foram grandes estrelas, estrelas de uma Copa inesquecível, que ficará guardada na mente e reserva muito mais coisas para 2014.
E ela será aqui, com nosso povo, nossa torcida apaixonada por futebol, com todo nosso apoio e entusiasmo. O desejo deste blogueiro é que tornem o Brasil um país melhor, roubar vão mesmo, utopia achar que não, mas que esse evento maravilhoso traga benefícios duradouros à nossa população, pois estaremos de braços abertos, esperando o mundo para a maior Copa da história.


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